quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Copa NO Mundo

Engana-se quem acha que vou escrever fazendo uma análise sobre futebol. Digo isso porque não sou uma especialista e nem uma fanática por este esporte. Mas sou brasileira e, além disso, filha e irmã de cruzeirences roxos, então, o futebol sempre fez parte da minha vida.

A Copa do Mundo é para mim o melhor momento do futebol. É quando os brasileiros são brasileiros com muito orgulho e com muito amor! É quando o ano começa com um gostinho diferente e que vai dando um friozinho na barriga quando as temperaturas começam a cair.

E quando a Copa chega, tudo é festa. "Vamos assistir o jogo na casa de quem?" "Quem leva o quê?" Churrascão, feijoada, samba, uhuuuu!

E nos momentos que antecedem os jogos, sair do trabalho mais cedo. Pegar aquele trânsito louco para chegar em um lugar já animado, todo mundo sorrindo e de verde e amarelo. O jogo começa e a cidade pára. Não, o país. Silêncio... Gritos de vai, vai, vai! E o coro nacional gritando Goooooool!!!!!!!!!


Mas aqui não tem nada disso. Este ano, pela primeira vez, assisto os jogos longe do Brasil. Até o terceiro jogo, achei o desempenho dos jogadores tão sem graça que me deu saudade dos comentários do Galvão Bueno.

Aqui na França, o pessoal não é tão fanático por futebol. Eles tem, sei lá, outras preocupações, outras causas para lutar. Minutos antes de seus jogadores entrarem em campo, lojas cheias, metrô cheio... Ninguém mais apressado do que de costume. Ninguém sofrendo por perder os primeiros minutos do primeiro tempo do jogo. Além do mais, a seleção da França não recebeu nem meio crédito por aqui. Eles já não gostavam do técnico há anos e os jogadores atuais não arrancam suspiros de ninguém.

Então, ter saído da Copa nesta primeira etapa era algo mais do que esperado. Reproduzo as palavras de madame Françoise, a única francesa fanática por futebol que eu conheço:

#Tecla sap#:
_ Esses jogadores são como os meus alunos. Só que meus alunos têm 15 anos, e eles, 25. Mas não respeitam autoridade, falam palavrões do mesmo jeito. Eles desperdiçam suas inteligências, seus potenciais. Não pensam mais na França, somente em si próprios.

Outros franceses ainda acrescentam que foi bom o que aconteceu e que a França mostrou para o mundo a sua outra face, diferente da face muito conhecida dos Lumières (pensadores Iluministas). Uma face que não é benquista por todos os franceses, mas que é real e que expõe para o mundo pessoas reclamonas e que adoram fazer greve. Agora passam a discutir o que foi exposto e quem sabe reavaliam esse jeito de ser.

(Os olhos nos 'Deuses')

Já a Seleção Brasileira é infinitamente a mais respeitada e temida pelo mundo. Assisti o primeiro jogo em Amsterdam, Holanda, o segundo em Bruxelles, Bélgica, e os outros dois aqui em Lyon. As cores verdes e amarelas ganham destaque em qualquer loja, em qualquer bar. Sempre fantasiada com a camisa do Brasil, (para dar sorte para a seleção, claro) escuto nas ruas "Brasil!", "É o Brasil que vai ganhar a Copa do Mundo!" vindo das bocas estrangeiras.


Perder para o Brasil não é uma humilhação, é quase uma certeza, mas ganhar do Brasil é a glória!


Todo mundo quer ver o Brasil jogar e jogar o seu Futebol Arte. Eles riem satisfeitos, batem palmas quando os jogadores Jogam, com 'J' maiúsculo. Entretanto, quando os jogadores estão com sono, preguiça ou quando nada dá certo, os espectadores entediados passam a torcer contra. Isso me dá uma raiiiiiiiiva! Mas compreendo. Não basta o Brasil jogar e ganhar. Tem que dar show!

Como disse, até o terceiro jogo tive medo do Brasil viver de glórias passadas, medo de mostrarmos uma outra face para o mundo. Com o quarto jogo fiquei mais tranquila, fiquei com esperança. Quem sabe vou gritar h e x a c a m p e ã o !!! em francês...


terça-feira, 29 de junho de 2010

Em LYON

Pois é... depois de umas férias prologadas, estou de volta!

Bom, devo confessar que após meu último post vivi tantas coisas, conheci tantos lugares que agora fica até difícil organizar tudo para compartilhar com vocês... Mas já que este blog exite para isso, respiro e começo:

Receber meus pais em Lyon foi uma super aventura. Pela primeira vez na vida senti que eles estavam sob minha responsabilidade. Virei intérprete, tradutora, guia turística e mais alguma coisa... Tentei mostrar para eles como é minha vida agora, meu dia a dia, os lugares que frequento, as pessoas com quem convivo, a região que habito e esta cidade maravilhosa.


Final de semana em Avignon, Fr.

É... Realmente a cada dia me apaixono mais por Lyon. E eles concordaram que aqui é um excelente lugar para se viver.


Lyon é uma cidade grande, mas não é enorme, e tem toda a infraestrutura de Paris, mais não tem a sua pressa. Há parques, grandes e ótimas lojas, o maior centro comercial da Europa, supermercados, lojas de casa, onde podemos encontrar produtos diferentes dos que vemos no Brasil. A vida cultural também é intensa com seus museus, exposições, espetáculos de teatro e dança, é claro!


A arquitetura da cidade é composta desde ruínas "galo românicas", até construções super modernas. Há 2 rios navegáveis e lindos que cortam a cidade. O sistema de transporte público, formado por metrôs, tramways, funiculaires, ônibus, é excelente. Fora isso, a cidade é praticamente plana, então, a gente anda de bicicleta o tempo todo.



Duas colinas compõem a paisagem da cidade. Uma é a Croix Rousse (Cruz Vermelha), é considerada a colina que trabalha. Isso porque, antigamente, ela era habitada pelos trabalhadores que se ocupavam com a confecção de seda. Hoje em dia, ela virou um lugar "cult" para se viver e é lá que está a maior concentração dos artistas que moram por aqui.

A outra colina, da Fouvière, é considerada a colina que reza. Rodeada por igrejas super antigas, ela tem no seu topo a igreja mais maravilhosa que eu já vi por dentro. Quando você entra na Fouvière, você simplesmente não sabe para onde olhar. Fica literalmente de boca aberta. Cada centímetro da igreja é uma obra de arte. Dizem que a Nossa Senhora de Fouvière, padroeira da cidade, foi quem salvou os lyoneses da peste negra...

Nesta parte da cidade, além de rezar, você também pode comer e muito bem. Esta colina fica na "Vieux Lyon" (Lyon Velha). É lá onde se concentram um grande número de restaurantes, entre eles os Bouchons Lyoneses, que servem a culinária específica daqui.

Com tantos lugares para conhecer, tantas comidas e bebidas para provar é claro que não deu para meus pais fazerem tudo. Terão que voltar mais vezes...

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