domingo, 29 de janeiro de 2012

A Chegada da "Peste"



Em 1909, Freud saiu da Áustria, provavelmente pegou um trem até uma cidade portuária. Aí, pegou um navio e depois de longos dias chegou nos Estados Unidos para uma conferência. Num diálogo com Jung, ainda dentro do navio, ele teria dito algo mais ou menos assim: "Eles não sabem que estamos lhes trazendo A Peste", já que, apresentaria, ao vivo, a sua teoria psicanalítica, com a noção de Inconsciente, o que modificaria a maneira de se pensar o ser humano, suas ações e relações.

Adoro psicanálise, mas ela não é o tema deste post. Escrevi esta introdução somente para chamar a atenção de vocês no que se refere à circulação de informação do início do século XX. Demorava para uma "teoria revolucionária" atravessar o oceano, né?

Hoje em dia, não é mais assim, claro. A internet simplesmente acabou com as distancias de tempo e de espaço. A notícia circula praticamente em tempo real. Até mesmos os telejornais com horários fixos, quando vão ao ar, já estão atrasados.

Fazer uma pesquisa nesta Era também é muito mais fácil. Não imagino como faria um mestrado
sem internet. Como pesquisaria sem os sites especializados em traduções, sem ter acesso aos artigos de revistas, livros e vídeos.

Com a internet você pode ser capaz de escrever um artigo em Inglês, conhecendo o básico da língua. No mestrado, agora tenho aula de "Inglês Científico". O professor é francês e não fala bem inglês (the hause = ze oze), mas ele domina os sites que interessam. Dou a dica: abra 4 janelas no seu computador

1) "Google Tradutor"
2) "Google Scholar"
3) "Word Reference"
4) Um documento no "word"

Sabendo articular essas quatro janelas, você é capaz de escrever um artigo em qualquer língua!

Adoro ter uma internet para fazer minha pesquisa, mas também não é este o foco deste post. O que me fez pensar nisto tudo foi a minha última aula de dança. Dou aula de "Danças Brasileiras" para uma turma de adultos. Contudo, há duas super adolescentes de 13 anos infiltradas no grupo. Elas chegaram todas "serelepes" na última quinta. O motivo? Queriam que eu dançasse com elas uma música que T-O-D-O-S estavam dançando na escola. Adivinhem... "Ai se eu te pego". Pegaram o telefone, pesquisaram na internet e me mostraram um vídeo de um jogador dançando em um vestiário" ( mais de 14.000.000 exibições) e um outro vídeo com a mesma música (mais de 30.000.000 exibições). Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

Pausa de indignação...

Dois anos fora do Brasil. Estou super desatualizada com relação às músicas e "dancinhas". Há mais ou menos 10 dias atrás que fiquei sabendo da existência do cantor, música e da coreografia dançada até por jogadores de futebol (?!). Achei exagero ouvir "o Mundo Todo está dançando 'ai se eu te pego'", mas, infelizmente, não. É fato confirmado, pelo menos aqui na França, em Lyon.

Tenho o maior cuidado em preparar as aulas de "Danças Brasileiras". Apresento aos alunos as muitas músicas de qualidade que temos. É uma difícil escolha dada a diversidade de cantores e rítmos que nos embalam. Mas, Não! Não vou dar aula com esta música. Não! Não vamos fazer esta "dancinha". N-U-N-C-A! Nem nenhuma outra dessa corrente de "créu". Creio que o Brasil tenha algo melhor a exportar.

Você pode não concordar comigo e dizer que tudo é uma questão de gosto e que gosto é igual bunda, cada um tem o seu. Concordo. Você pode se perguntar se eu sempre fui imune a esse tipo de "dancinha" e se eu, com 13 anos, não dançava "lambaeróbica" nas areias de Porto Seguro. Dancei. E "O Tchan" alguns anos mais tarde? Talvez tenha dançado um pouco, não me recordo muito bem... E como gosto é igual bunda, ele se modifica com o passar do tempo.

Minhas alunas se divertem com minha indignação. Elas cantam a música e dançam. Eu a traduzo numa tentativa de inibí-las. Contudo, elas já o tinham feito, com o celular mesmo, e nem se importaram. Acharam-na engraçada. Insisto na castração e explico o sentido das expressões, mas elas não estão nem aí. Ai adolescência... Freud, o que você pensa disso tudo?

Então, desisto e sublimo. Mudo de assunto e começo a aula com uma música bem boa. Meus ouvidos me agradecem! Chego a pensar que os bons tempos eram aqueles onde a informação demorava mais para se espalhar... Talvez as distancias de tempo e espaço pudessem fazer uma seleção natural nos assuntos. Mas, não. Na Era da Globalização, essa seleção não existe mais. Ela passa a ser uma escolha pessoal que depende do gosto de cada um, para ser bem simplista. E quem influencia nossos gostos? Na falta de uma resposta imediata, e de um "filtro" também, daqui eu confirmo: A Peste já chegou!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Nascida para Esquiar - curso 1



Decidi que vou aprender a esquiar neste inverno.

Hoje foi a terceira vez que fui à uma estação de ski na minha vida. As duas outras vezes foram em 2010 e eu só podia me locomover se alguém me puxasse com um bastão. O resto do tempo era só tombo atrás de tombo.

Aprender a esquiar é um desafio para mim. Tenho medo. Medo de velocidade e medo de fazer curva para a direita (vai entender...).

E nem adianta me mostrar as criancinhas de 3 anos já descendo no maior gaz as pistas azuis (nível 2). Eles não têm noção do perigo!!!

Saímos daqui de Lyon, hoje, às 6 horas da manhã, em direção à estação de ski de Courchevel, que faz parte do maior domínio de ski do mundo.

Diferentemente da randonnée, o ski é um esporte caro, ainda mais em Courchevel.

Compramos um "pacote" de um dia da empresa Skimania:
>> transporte de ônibus (ida e volta) + passaporte do dia da estação + um café da manhã (43 euros).
Chegando na estação:
>> aluguel de skis (17 euros/ dia)
>> uma aula (em dupla) de 2 horas (entre 36 à 54 euros/pessoa)

Se você quiser conhecer Courchevel e não estiver com muito dinheiro sobrando, te aconselho a fazer um sanduiche bem gostoso na sua casa, levar uma garrafa d'água e chocolate dentro da sua mochila. Senão, prepare-se para desembolsar 23 euros em um cheeseburguer...

Se valeu à pena? Claro que sim! Taí o vídeo com o resultado do meu primeiro dia de aula de ski! Viram como tenho talento?!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dois Anos de Lyon!!!

Nossa! Aniversário da minha chegada em Lyon...

Merece uma pausa para reflexão...

Há dois anos, fiz uma viagem que mudaria os rumos da minha vida. Bom, não sei se posso realmente afirmar isso. Talvez esta fosse, desde sempre, a única direção possível.

O que me separa hoje da Carolina que chegou aqui no dia 14 de janeiro de 2010? Engana-se quem pensa que são apenas dois anos.

Hoje de manhã, conversando com as mães de umas alunas, me dei conta da data querida. Elas, super simpáticas, me felicitaram pela coragem de enfrentar um país novo, distante, desconhecido no qual as pessoas falam francês e têm a fama de serem frias. Pensativa que estou, disse que, na verdade, não sei se fui corajosa, ingênua, ou louca. Só sei que vim.

Pessoas me perguntam: é difícil sair do seu país, atravessar o oceano e se jogar no desconhecido? É. Muitas vezes deu medo? Deu. Doeu? Doeu. Já pensou em desistir e voltar? Já.

Sair do conforto do ninho familiar, da sua casinha, da sua cidade repleta de amigos queridos, do seu trabalho prazeroso e chegar em um lugar onde todos são desconhecidos para você e que para eles você é só uma "Maria Ninguém" não é fácil. É praticamente um começar do zero.

Descobri que a ignorância dói e não foi ninguém que me contou. Ela doeu forte e várias vezes. E o pior é que, quando se trata deste alto nível de ignorância, você nem sabe como fazer uma pergunta para aliviar a tensão. Às vezes, à única opção que eu tinha era ficar calada. E só. Sorrir ajuda, pelo menos é uma arma secreta e instintiva. Mas nem sempre funciona. Só. Privar-se de boas conversas, ou mesmo de conversas banais, é terrível. Adoro conversar mas, no início, foi difícil. Gente, tenho que admitir que é preciso um certo grau de masoquismo para tamanha mudança.

Felizmente, este estado de angústia não é eterno. Ele passa. E passa não de maneira passiva. Você é o agente da sua história. A necessidade de aprender torna-se tão vital que você acaba se transformando em uma esponja. Suas antenas dos cinco sentidos ficam ligadas o tempo todo. Seu cérebro trabalha, trabalha, como se você fosse novamente uma criança descobrindo o mundo pela primeira vez. Você se exaure, mas aprende.

O que me separa da Carolina que chegou aqui em 2010? Muuuuuiiito aprendizado, uma vida.

O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Uma nova língua, uma casinha super aconchegante, uma pesquisa que vai de vento em popa, meu trabalho como "professeur de danse", como dançarina, como contadora de histórias, além de muitas viagens, momentos inesquecíveis, algumas lágrimas, muitos risos, amigos queridos vindos dos quatro cantos do mundo, quer dizer, dos cinco (considerando os virtuais também), e un amour.

Dois anos de Lyon...
Gente, já ia me esquecendo...
O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Um blog prá contar uma história.

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