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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fale comigo, fale com a gente!

Oi Gente!!!

Este post é um espaço de troca entre aqueles que têm algumas dúvidas sobre temas, tais como, morar na França (Onde? Como? Quanto? Titre de séjour?) ou estudar na França (onde? Como? Quanto? O quê? Papelada? Burocracia?), estudar francês na França (Onde? Como? Quanto? Vale à pena?) e aqueles que têm dicas para dar, como eu ou você.

Tenho recebido muitos e-mails com essas dúvidas. Só que várias pessoas pedem as mesmas dicas e eu acabo tendo que escrever respostas parecidas sobre os mesmos assuntos. E quando estou cheia de atividades, as pessoas ficam um tempão sem resposta... eu sei... Mas também, como vocês podem ler nos outros tantos posts, não estou por conta do blog, né! Quando tenho tempo, escrevo dando notícias, dicas, contando causos, fazendo reflexões, com o maior prazer! Contudo, há aqueles que não entendem isso e que acham que sou serviço público de informações. Não sou! Ajudo na medida do meu possível! E que isso fique bem claro, principalmente para aqueles que me mandam e-mails e têm dificuldades em escrever "por favor" e "obrigado".



Participe você também e me ajude nesta construção!

Este agora é o nosso espaço oficial de troca!!! ;-)


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Estudar Francês na França: resposta à C.M.

Este post é uma resposta que escrevo à um e-mail de uma leitora que me pediu algumas dicas para sua filha que quer vir estudar francês em Lyon. Como tenho recebido outros e-mails semelhantes, resolvi deixar este registrado aqui, pois pode esclarecer dúvidas de outras pessoas.

C.M.,
Acho que a
idéia da sua filha morar aqui durante 6 meses para estudar francês é ótima! Porque na verdade, formar meio ano, ou mesmo um ano mais tarde não faz diferença nenhuma na vida de uma pessoa, ?! Mas a experiência de morar fora de seu país, conhecer uma nova cultura, falar uma outra língua, conhecer pessoas do mundo inteiro, isso sim faz diferença. aqui prá estudar, mas o mestrado é uma pequena parte de tudo o que eu estou aprendendo. O conhecimento de mundo que estou adquirindo e, principalmente, o conhecimento sobre mim mesma, são bem maiores e super valiosos.

Quanto à escolha da cidade de Lyon, sou suspeita para falar porque adoro morar aqui. É uma cidade grande, com toda a infra-estrutura necessária, mas ela é pequena o suficiente para você encontrar com seus conhecidos na feira, no metrô ou mesmo para você, na primavera, trocar o transporte público por uma bicicleta.

Questões práticas:
Qualquer brasileiro tem o direito de ficar na França por 3 meses sem visto, estudando ou como turista mesmo. Mais do que isso, é necessário um visto. E como já disse
aqui, nós só conseguimos o visto se estamos inscritos em um curso de 20 horas semanais. Você não me falou se sua filha fala francês ou não, mas na minha experiência, à partir do 4º mês que me deu um 'clic' e que eu comecei a compreender melhor e a conseguir me expressar.

Quando cheguei, estudei na
Université Lyon II, no departamento chamado CIEF. Foi um curso muito bom que eu aconselho, mesmo porque, quando você faz o curso dentro da universidade, parece que você está fazendo um curso universitário e você tem os mesmos direitos dos outros alunos, como os almoços no restaurante Universitário por 3 euros (entrada, prato e sobremesa), fazer esporte por 10 euros por ano (mais de 20 opções de cursos), assistência médica (4 euros pagos na taxa de inscrição). Além disso, você pode se aventurar a seguir alguma aula de seu interesse em um outro curso, utilizar a biblioteca e conhecer gente do mundo todo.

Entretanto, o curso da Universidade segue o ano
letivo, que aqui começa em setembro e termina no início de junho (as inscrições acabam no final de maio!!!). Ele é dividido em dois semestres: o primeiro de setembro à janeiro e o segundo de fevereiro à junho.

Como sua filha vai chegar aqui em
agosto, se ela não quiser ficar um mês de férias ( e prá te falar a verdade, o mês de agosto é um mês que todo mundo viaja e que Lyon fica super vazia), o melhor é ela se inscrever por um mês em uma escola de idiomas, como na Alliance Française. Lá os cursos são mensais e ela ainda pode fazer cursos extras de gramática ou de fonética, por exemplo. Assim, ela já começa a se enturmar, a conhecer a cidade e pode aproveitar os passeios turísticos proporcionados pela escola nos finais de semana.

Segue alguns preços prá vc ter idéia de algumas despesas:
• Curso de Francês:
- Université Lyon II, 4 meses
Cours Intensifs - 280 h - 1700 €
Cours Semi-intensifs - 210 h - 1020 €
-Alliance Française, 3 meses
Cours Intensifs - 280 h - 1706 €
Cours Semi-intensifs - 210 h - 1148€

• Alojamento:
- Residência Universitária Pública (CROUS) : à partir de 165 € por um quarto de 9m2
- Setor Privado (chambre ou studio) : entre 200 et 550 € par mois

• Alimentação
:
- 1 refeição no Restaurante Universitário : 3,00 €
- 1 sandwiche à la cafétéria universitaire : à partir de 1,80 €
- 1 refeição em restaurante da cidade : à partir de 9,00 €
- 1
baguette de pão : 0,80 € em média

• Transporte:
- Carta de transporte (TCL) tarifa estudante: menos de 26 anos = 25,60 € por mês, mais de 26 anos = 52,00 €
- 10 tickets (tarif étudiant) 12,20 €

Espero ter tirado algumas dúvidas, mas se tiver mais questões, não hesite em me escrever!

Bon courage!

Carol

Algum outro leitor quer mais dicas sobre morar ou estudar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!".

sábado, 4 de setembro de 2010

Aprendendo a Língua Francesa II: dificuldades mais complexas

Agora já faz quase 8 meses que atravessei o Atlântico para morar aqui, em Lyon, França. Diferenças culturais à parte, meu grande desafio até então era a aprendizagem da língua francesa. Cheguei aqui com uma noção de francês. Em abril do ano passado, comecei a estudar sozinha quando ganhei o livro com cd da Folha de São Paulo (15 minutos de Francês). Depois, de agosto a novembro fiz aulas particulares e, em dezembro, um curso intensivo da Aliança Francesa.

Bom, mas como disse, isso me deu uma noção básica, tão básica que o meu primeiro contato telefônico com madame Françoise, para lhe avisar que eu tinha perdido a minha conexão Paris-Lyon, no desespero, foi feito em inglês.

E ela foi o meu primeiro impacto ao chegar em Lyon. Meu primeiro lar foi a sua casa, o ninho de uma francesa que adora falar e que consegue falar umas 200 palavras por minuto sem respirar. Mas, quando você não está acostumada a escutar uma língua, você acha que tudo é uma palavra só. E é claro que eu ficava com cara de interrogação e que da minha boca só saia uma interjeição universal: Ã? Aí, ela recomeçava mais lentamente e logo acelerava de novo e eu, para finalizar meu sofrimento, acabava com aquele sorrizinho de nada, fingindo que havia compreendido tudo. Início difícil!

O curso de francês da universidade me ajudou demais. Também estudei muito em casa ao fazer 1.400 exercícios extras contidos nos livros "Grammaire Progressive du Français", nível básico, intermediário e avançado. Fora um curso de férias e de fonética.

Acham que eu estou craque no francês, ? Melhorei muuuuiiiito. A convivência diária com os nativos contribuíu imensamente com essa melhora, como disse, anteriormente, em um outro post. Contudo, digamos que, até agora, eu tenha incorporado, de verdade, o básico da língua. Não estou exagerando e nem sendo muito exigente comigo mesma.

Vou explicar: depois de quase 8 meses e muito esforço, consigo compreender muito bem o que as pessoas falam, os filmes e, um pouco menos, as músicas. Digamos que meu ouvido tenha se acostumado com o francês. O que antes, para mim, era um bloco de sons transformou-se em palavras: nomes, verbos, advérbios, preposições, gírias, expressões. O meu vocabulário ampliado mais o meu conhecimento a respeito das conjugações verbais, sintaxe e francês familiar formaram meus novos arquivos que me permitem compreender o que escuto. Ler textos e livros também se tornou muito mais fácil e prazeiroso.

Entretanto, a compreensão oral e a leitura fazem parte de um processo de aprendizagem passiva. É claro que eu faço um esforço mental para compreender, mas é como se os estímulos chegassem até mim e meu trabalho seria o de classificá-los e distribuí-los nos arquivos. Simples, não?


Já escrever e falar fazem parte de um processo ativo. Para ser bem sucedida em expressar qualquer idéia, eu preciso acessar os meus novos arquivos, cruzar as informações para escolher as melhores palavras, a melhor concordância nominal e verbal dentro da sintaxe da frase. A tudo isso, na escrita, acrescento o cuidado com a ortografia e na fala, com a pronúcia, inclusive faço biquinho e pronuncio sons que não somos habituados no português. Aí, sai de mim a idéia a ser expressada. Um parto!

Na minha auto avaliação, hoje consigo me expressar muito bem quando falo utilizando o presente ou o futuro. Gerúndio, infinitivo, pretérito do indicativo, discurso indireto? Ok. Utilizar as formas do passado está cada dia mais fácil, mas ainda faço esforço para acertar as concordâncias verbais. Mas agora, as preposições, o gênero das palavras, o tal do subjuntivo e as hipóteses são as pedras no meu sapato. Quando vou escrever em francês, ainda tenho mais tempo para refletir, mas quando estou falando, sou capaz de quebrar totalmente o rítmo de uma conversa e começar a fazer perguntas de gramática. É duro, conversar comigo! Eu sei. Haja paciência!

Hoje falo francês, mas é como se eu ainda utilizasse os trilhos do português. Isso dificulta a minha fluência. Sei também que a minha vontade de falar corretamente recrimina meus erros que recriminam a minha fala. Já me aconselharam a falar de uma maneira mais simples ou a pensar em francês. Que ótimo! Eu até que tento, mas isso, ainda, não é uma questão de escolha.

Uma vozinha dentro de mim me consola: "Calma, Carolina, isso tudo vai melhorar!" A partir do momento em que meus novos arquivos forem deixando de ser novos e passarem a ser mais usados, vou incorporar a língua francesa e todo o esforço que faço hoje será coisa do passado, mas fica aqui o seu registro.

Por que toda essa reflexão e esse desespero em aprender francês? Porque estudar francês era a minha primeira etapa aqui em Lyon. Tempo esgotado! Acabou a mamata! Segunda-feira, dia 6 de setembro, inicio a segunda etapa: começam minhas aulas de mestrado em Psicologia Cognitiva e volto a trabalhar, tudo isso em francês! Mas esses são outros assuntos...

(Leia também no blog: Aprendendo a Língua Francesa)

terça-feira, 2 de março de 2010

Aprendendo a Língua Francesa

Estou aqui em Lyon, há quase dois meses, praticamente por conta de aprender a língua francesa. "Que vida mansa" - vocês podem pensar. Realmente, quando eu penso que estou tendo a oportunidade de morar na França, numa cidade maravilhosa como Lyon, conhecendo pessoas diferentes e tendo experiências tão especiais, parece que ainda estou sonhando. Entretanto, com os pés no chão, la vie não é tão rose...

Cheguei em uma cidade na qual não conhecia ninguém. Estive aqui em outubro do ano passado, mas fiquei menos de dois dias, então, tinha só uma pequena noção da cidade. Não sabia onde ficava nada e mal me comunicava em francês. Sentia-me como uma "caloura" no primeiro dia de faculdade, só que em todos os lugares que eu ia e durante 24 horas por dia.


Tudo bem. Sobrevivi a esse primeiro momento. Ter vindo morar na casa da madame Françoise me ajudou muito. Além dela ser professora de francês, havia mais três habitantes: um japonês, um italiano e um árabe. Língua oficial da casa: francês.

Contudo, aprender uma outra língua não é nada simples. Graças aos meus pais e minha avó, falo inglês (ou falava porque agora misturo tudo). Comecei a estudar essa língua aos 8 anos. Mas no Brasil, escutamos músicas, vemos filmes, falamos muitas palavras em inglês no dia a dia.
O mesmo não acontece com o francês. Há um ano atrás, não sabia contar de um até dez. O que sabia de francês era a nomenclatura de balé clássico (que agora, para mim, já ganhou um novo sentido).

Mas vamos pensar em como acontece a aquisição da língua materna. Normalmente, um bebê nasce já inserido em uma cultura onde há uma língua oficial. Há estudos que dizem que mesmo dentro do útero já é iniciado o processo de aprendizagem da fala. Depois que nasce, o bebê passa a escutar tudo ao seu redor. Depois de 3 meses já começa a ensaiar alguns sons. Depois de mais ou menos 2 anos observando, escutando a língua materna, a criança inicia a sua comunicação verbal, dizendo sons que se parecem com palavras, dizendo palavras que passam a ser acompanhadas por verbos, e aos poucos nascem as pequenas frases. Pronto! Não precisa mais só chorar ou apontar para as coisas ou para os lugares. Com três anos uma criança já é capaz de contar o que aconteceu na escola. Com quatro, já é capaz de surpreender um adulto.

A linguagem e o pensamento caminham de mãos dadas. A partir do momento em que a criança adquire a linguagem, ela passa a desenvolver mais o seu pensamento, que desenvolve a linguagem, que desenvolve o pensamento... E assim, depois de mais ou menos 11 anos de vida, a criança passa a ter um pensamento complexo trabalhando com hipóteses. Nessa época, já adquiriu muito vocabulário e é capaz de utilizar todos os tempos e modos verbais no seu discurso.

Vivi isso com a língua portuguesa. O francês é, muitas vezes, semelhante ao português. Ambos têm a sua origem no latim. Só que eu nunca tenho certeza se a palavra que eu quero utilizar é semelhante ou não. Além disso, há as conjugações verbais, as exceções, os casos especiais, as letras que estão escritas mas que não são pronunciadas, a fonética...

Meu problema é:
  • O francês não é a minha língua materna;
  • Não sou um bebê e tenho muito mais de 2 anos;
  • Não tenho um tempo de dois anos para fazer uma pesquisa de campo;
  • Não posso ficar mais me comunicando por sons que se parecem com palavras, nem só com algumas palavras, ou pequenas frases;
  • Preciso de todos os tempos e quase todos os modos verbais para exprimir o meu raciocínio complexo;
  • Preciso de muuuuuuiiiito vocabulário.
Não dá mais para eu conversar, dizendo apenas o meu nome, que eu sou brasileira, a minha profissão e o que eu estou fazendo perdida aqui em Lyon. E não dá mais para ficar com aquela cara de retardada quando a pessoa quer conversar para além desse assunto. A pessoa te olha e acha que você não tem opinião formada a respeito de nada ou que você está com essa cara de retardada porque você realmente é uma. Aí, no desespero eu solto uma explicação:

#tecla sap#
_ Eu não sou estúpida. Eu não compreendi o que você falou. Eu não sei falar bem francês, ainda.

Minha solução:
  • Fazer um ótimo curso de francês;
  • Estudar muuuuuuuiiiiiiito;
  • Ficar atenta nas ruas escutando as conversas;
  • Escutar música, assistir filmes, ver televisão, escutar rádio;
  • Criar situações para que eu possa falar, falar e falar.
Esse último ítem é interessante, porque temos a tendência a formar grupos de iguais. Os brasileiros com os brasileiros, os chineses com os chineses, os americanos com os americanos...
Para mudar esse hábito, que traz conforto e segurança, é preciso se arriscar, se colocar à prova. A própria Universidade onde faço o curso de francês, ajuda o aluno nisso. Podemos fazer vários cursos de danças e esportes em geral, pela quantia de 20 euros por semestre. A maioria dos alunos é composta por francêses. Há um setor especializado que auxilia no intercâmbio de línguas ( um aluno francês querendo aprender português, ou um americano querendo aprender chinês, um brasileiro querendo aprender francês e um chinês querendo aprender inglês), que formam os pares da melhor maneira possível.

Fora da universidade, você encontra, por exemplo, sites como http://www.livemocha.com/ que é de um curso de idiomas on line e gratuito, onde há uma interação entre os interessados em praticar a conversação e a escrita. Fora do mundo virtual, há lugares onde as pessoas se encontram para as "trocas de conhecimento". Aqui em Lyon, tem um café chamado "Café Polyglotta" ou "Café Linguistique" onde isso é possível.

Mas o melhor de tudo, é se colocar em situações de trocas verdadeiras. O meu final de semana em Saint Étienne favoreceu meu encontro com vários franceses, dentre eles, minha nova amiga francesa interessada em aprender português para fazer um curso em Portugal.


Saindo com ela, conheci mais pessoas interessantes e francesas,


que me apresentaram mais pessoas interessantes e francesas...


Língua oficial: francês! E assim, vou seguindo em frente.

PS.: Mas não há nada como falar em português com minha família e amigos brasileiros, viu!!!

(leia também no Blog: Aprendendo a Língua Francesa II - dificuldades mais complexas)

Você quer mais dicas sobre morar ou estudar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!".
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