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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cozinheira? Oui!


Invoquei agora que eu sei cozinhar. É isso mesmo: cismei que virei cozinheira! Acho que o post que fiz há mais de um ano, tem um pouco a ver com isso. Na verdade, fiquei com vergonha depois que o escrevi. Como assim que eu não era capaz de fazer direito nem um strogonoff de frango?

Então, aproveitei a experiência de morar com 2 francesas que cozinhavam super bem. Além disso, tem a minha genética que não posso negar. Cansei de me fazer de ovelha negra da família e me joguei na cozinha! Desisti também de seguir as receitas e percebi que poderia usar minha criatividade a meu favor.





Agora, adoro cozinhar! Tá certo que com isso junto o útil ao agradável. Não tenho árvore de dinheiro para ficar comendo só em restaurante e, além do mais, cozinhar aqui dá gosto.

Tudo começa quando você vai fazer compras. Ai os supermercados daqui... Eles são uma tentação não só prá quem gosta de comer, mas também, para quem gosta de cozinhar. Fico louca com a quantidade de azeites diferentes, molhos, temperos, tipos de carne, mostardas, grãos... (É muito raro eu fazer arroz com tantas opções de grãos que jamais imaginei existir).

Nem vou falar das feiras ao ar livre, dos mercadões de sábado e de domingo... Ainda não consegui experimentar de tudo, mas tento.

Meu paladar mudou depois que cheguei. Vim decidida que iria provar de tudo. Bebida, comida, tudo. Sabe aquele queijo mais fedido do mundo? Já provei. Sabe aquelas coisas horríveis feitas de sangue e tripa? Também e gostei. Quando via que a comida tinha uma aparência estranha, um cheiro bem "diferente", perguntava o que era. Meus amigos franceses sempre falavam: "experimenta primeiro que depois a gente te fala". "Então, tá"! Nunca tive que cuspir.

E tirando as comidas estranhas, existem as que são tudo de bom: o gosto, o cheiro, a aparência. Isso, não só nos restaurantes. Não nos esqueçamos das padarias, confeitarias, chocolaterias! (Aliás, quem inventou o croissant de amêndoas deveria ser preso! É um vício e uma bomba calórica!) E as queijarias? E as casas de vinhos? Detalhe é que nestas, você paga mais caro que nos supermercados e, ainda assim, compra um vinho muito, muito, muito bom por 4 euros...

Tô tão metida a ser cozinheira que, para o jantar de ontem, convidei uns amigos italianos que amam cozinhar, comer e beber. A metideza é tanta que fiz uma pasta com um molho super criativo com uma mistura de champignos. Comprei massa fresca, vinho especial... Como entrada, uma salada caprichada... Contudo, como nem tudo é perfeito, ia fazer uma sobremesa com doce de leite que trouxe do Brasil. Quando abri a lata, havia também uns champignos... Não arrisquei e servi paçoquinha e pé de moleque mesmo. C'était parfait!


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Por que as Francesas são Magras ?

A primavera, de vento em popa, vai aumentando as temperaturas de Lyon. Pouco a pouco os corpos escondidos pelas roupas de inverno são desnudados. E quem não se depilou durante os nove meses passados me faça o favor de fazê-lo antes de colocar o seu micro short ou sua regata e desfilar pelas ruas da cidade! Francesas e brasileiras... Muitas diferenças... As francesas não tem as aversões aos pêlos como as brasileiras, mas o cuidado que elas têm com seus pesos é algo menos neurótico e mais eficaz do que o que temos com o nosso.

Por que as francesas, além de ter os olhos mais claros e os narizes desenhados, além de falar francês perfeitamente, ainda são magras? A magreza francesa é um exemplo das contradições que encontramos por aqui. Como é que no país reconhecido mundialmente pela sua qualidade gastronônica há pessoas tão magras? E como elas podem ser tão magras comendo pão em todas as refeições ou comendo, no almoço e/ou jantar, uma entrada, prato principal e sobremesa? Isso quando não comem seus queijos antes da sobremesa (e nunca como tira gosto como nós brasileiros!). Como as francesas podem ser tão magras mesmo tomando tanto vinho, comendo muito azeite, manteiga (como se fosse uma fatia de queijo com o pão) e salames super gordurosos? E os chocolates, pães doces com cremes, tortas deliciosas, bolos, biscoitos amanteigados, croissants e nutella? O que sei é que elas são magras e ponto. Isso não se discute.


Porém, com tantas tentações, o mais lógico seria que eu as encontrasse em plena primavera/verão bem gordas, usando roupas largas e escuras para despistar as formas arredondadas, as barrigas avantajadas, os flancos salientes, os quadris em formato de pêra... Mas, não. Elas são terrivelmente esbeltas. Nada de dois, três, cinco, dez quilinhos acima do peso...

Como assim? Qual seria o segredo? Um copo de vinho tinto por dia? (Elas tomam mais). O azeite abundante na comida? As propriedades desconhecidas do fois gras (a pasta feita de "fígado gordo" de pato)?

Ninguém tem a resposta conclusiva para esta questão. Mas o que eu posso dizer a vocês é que elas se preocupam sim com seus pesos, mas já incorporaram um jeito saudável de comer. São incapazes de comer essa colher de brigadeiro, mesmo se eu omito propositalmente os ingredientes dessa spécialité brésilienne tão saudável para obrigá-las a comer. Elas experimentam, meia colherzinha e pronto! Reclamam da quantidade de açúcar: "c'est très sucré, non?!" Mal sabem elas que nós brasileiras somos capazes de comer uma lata inteira e sozinha... Talvez seja esse o segredo do nosso sorriso!

E o que quer dizer "jeito saudável de comer" para uma francesa?
- Só comer o que for comida de verdade!!! Segundo elas, comida sem gordura engorda porque não satisfaz, te fazendo comer em maior quantidade. O mesmo para os doces sem açúcar, mas sem exageros de brigadeiros.
- Comer somente três vezes por dia e, em cada refeição, alimentos de vários grupos alimentares. (Quando digo que podemos comer arroz, feijão, macarrão, farofa, batata frita e uma banana, elas acham que estou mentindo. Não insisto.).
- Comer em etapas, em alta qualidade e menos quantidade.
- Vai fazer compras? Compre produtos frescos e o que você vai fazer para comer na sua próxima refeição. Nada de estoques de comida.
- Vai cozinhar? Cozinhe com prazer. A comida fica mais gostosa, bonita e saudável.
- Nada de servir diversas vezes completando o seu prato (sabe aquilo que a gente faz de colocar mais arroz para acabar com o strogonofe e, depois, mais estrogonofe para acabar com o arroz, sempre completando a batata palha, para as garfadas ficarem crocantes, até acabar com o que há dentro da panela?).
-Não pular refeições e nem comer fora de hora.

Elas são irritantes nesse último quesito. Não comem lanchinho no meio da manhã, da tarde ou antes de dormir. Se nas minhas aulas de mestrado tem alguém que abre um pacote de biscoito, podem saber que esse alguém ou sou eu ou minha colega mexicana e ainda somos obrigadas a escutar: "Essas estrangeiras comem o tempo todo". Prefiro comer o tempo todo do que fazer parte da sinfonia dos estômagos que roncam, porque, se elas não comem, não quer dizer que é porque elas sentem menos fome, e, sim, que elas suportam mais a fome e não se incomodam com o reclamar, com o gritar estomacal!

Bom, nas soirées, elas também não enchem a barriga de cerveja, contudo bebem muito vinho seja branco, rosê ou tinto. E quando saem para beber, isso não quer dizer beber e comer fritas, carninha de sol com mandioca ou queijo pachá. Sair prá beber, quer dizer beber e beber muito e somente destilados, além de fumar, fumar e fumar.

Se por um lado elas são menos esportivas e musculosas do que a gente, elas são mais ativas no dia a dia. As francesas andam muito à pé, de bicicleta, patins ou patinetes para se deslocar pela cidade. Não reclamam de morar no quarto, quinto ou sexto andar sem elevador e trocam as escadas rolantes pelas normais. São adeptas às caminhadas ecológicas e correm de vez em quando nos parques ou ao longo do rio.

Isso é mérito do governo que incentiva o movimento da população. Ao lado das escadas do metrô, pode-se ler "para a sua saúde, mexa-se!" Depois de algumas propagandas de comida no cinema ou na tv aparece a mesma mensagem. Há também estas placas espalhadas pela cidade que incentivam as pessoas a trocar o transporte público pela caminhada. E as crianças, quando aprendem a andar, andam. Colo? nan-nan-ni-nan-não! Vai pro chão andar, subir e descer escadas como os adultos (Isso vale um post!!!). Agora, cá entre nós, é muito mais fácil andar à pé quando a cidade é plana e, principalmente, quando você não tem que se preocupar com a possibilidade de alguém roubar sua bolsa, óculos, celular, máquina fotográfica, etc... É a liberdade da segurança!

Seja qual for a razão da magreza francesa ou da gostosura brasileira, o fato é que logo logo o verão europeu chega e com ele, os dias nas piscinas públicas ou as viagens para a praia. Para as brasileiras de plantão na França, em Lyon mais especificamente, resta ainda algumas semanas de esforço e perseverança! Esqueçamos os croissants e os pães com nutella! Vamos unidas exterminar nossas banhas e lutar contra a idéia infundada de que nós somos cheinhas! Alguém topa fazer uma caminhada rápida e emagrecedora amanhã às 19 horas no Parc de la Tête d'Or? Alguém??? Ou vamos deixar isso prá lá e fazer regime só quando voltarmos pro Brasil?

sábado, 24 de abril de 2010

E não é que ficou bom!

Resolvi aventurar-me na cozinha novamente. E fiz um jantarzinho simples e rápido que deu super certo. A receita serve duas pessoas.

Como entrada:



Uma abobrinha e
um ovo e meio. Tudo cozido;








Maionese com
mostarda Dijon;








Cortar a abobrinha em 4 fatias,
colocar a maionese.







Amassar o ovo e meio e
colar em cima. Servir à temperatura ambiente.








Uma salada de alface, tomate,
cenoura ralada, meio ovo e azeitonas.




Prato principal:


Dois filés de peixe branco temperados com sal,
pimenta do reino e limão.
Tudo embrulhadinho em um papel alumínio.






Um purê de batata.








Segredo? Misturar 3 bananas amassadas ao purê e ainda acrescentar bastante queijo ralado.







Acompanhamentos...








Se eu fiz e ficou bom, garanto que qualquer um pode fazer.
A sobremesa? Muito fácil: comprei uma mousse de chocolate que estava ótima!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Faire la Cuisine

Como vocês já sabem, a França é o país campeão mundial de quantidade de férias. Estou aqui há pouco mais de um mês e já estou curtindo o final das minhas segundas férias. Nenhum sacrifício, é claro.
Entretanto, estou vivendo um período um pouco diferente, pois na minha nova casa, antes com 5 pessoas, sobraram somente eu e meu novo amigo japonês, NAO (o nome dele é esse mesmo e sem acento). O restante está aproveitando as férias em outros lugares.
Nao está aqui há pouco mais de dois meses. Até que a experiência de ficarmos sozinhos foi muito boa para o desenvolvimento do nosso francês, já que a gente não iria ficar uma semana em silêncio. Conversa vai, conversa vem, um dia combinamos:

#tecla sap#
_ Você faz a cozinha em um dia e eu, no outro. Está de acordo?
_ De acordo!

Assim, um dia eu cozinharia uma comida que eu gosto de comer no Brasil e, no outro ,ele cozinharia a comida japonesa que eu também gosto. Então, tá. (Para os outros dias, a madame já tinha deixado pronto).
Pensei... A minha comida preferida: strogonoff de filé. Mas como a madame Françoise, já havia comprado filé de frango, e sua recomendação final antes de seguir rumo às suas merecidas férias na Espanha foi "cuidado com o desperdício": strogonoff de frango!
Liguei pedindo socorro para meus pais, que são cozinheiros de mão cheia. Não nasci com o dom da minha família, incuindo minhas avós e meus tios e tias, mas sou complementar a eles: eles cozinham e eu como. Mesmo com as devidas instruções, na hora "H" acabei fazendo do meu jeito, com os ingredientes que achei no mercado e aqui.

Instruções:
  • Corte o peito de frango em cubinhos. Tempere e espere pelo menos 40 minutos.

(ops! Não tinha 40 minutos para deixar o frango descansar no tempero porque o Nao tinha compromisso em seguida).

  • Frite o arroz, depois de ter fritado as cebolas e o alho (ok!)

(Ops!)

  • Depois que a carne estiver boa, acrescente o milho e o creme de leite.


Ficou com cara de strogonoff, não ficou? Mas devo alertá-los que o arroz daqui é diferente do arroz do Brasil. Ele é menor e mais redondinho e cozinha mais rápido também. O creme de leite é muito mais aguado. O milho em conserva é mais mole. O saleiro não abre para eu ver a quantidade de sal que está saindo. Não tinha molho inglês. Não deixei o frango temperando por tempo suficiente.
Quando o Nao chegou, eu estava na cozinha desesperada com duas panelas no fogão ( muito para mim), e o som na maior altura, única razão do meu sorriso.


Ele logo foi oferecendo ajuda e ocupando-se com a salada.


Conclusão: o arroz ficou grudento e meio queimado. O strogonoff ficou encorpado, depois que meu pai me deu uma solução on line ("dissolva um pouquinho de maisena ou de farinha"), mas meio sem gosto. Então acrescentei catchup e um molho com mostada Dijon. Acabou ficando doce.


Não tinha batata palha, então foi Pringles triturada na mão mesmo.


Para completar (as pessoas aqui têm o hábito de comer pão com "queijinhos nacionais" depois do prato principal, neste caso, do único), o pão, de tão duro, não teve como ser cortado. (Mas esse não foi eu que fiz).


Não sei o porquê, mas Nao não comeu muito...

Hoje, que foi o dia dele "fazer a cozinha" japonesa. Ele convidou uns amigos, fez entrada, salada, prato principal e seus amigos muito simpáticos trouxeram as sobremesas... Tudo uma delícia!


(Pausa para reflexão...)

Não tenho a quem culpar. Não sei porquê sou assim mas, talvez, cada um tenha a sua função no mundo. A minha, definitivamente, não é "faire la cuisine". Nascida em uma família de cozinheiros, eu como. Morando no país da alta culinária mundial, Je mange.
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