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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Enquanto seu Lobo não vem

As pessoas me perguntam: "você está gostando de morar na França?". Minha resposta sempre é "sim". Posso citar hoje dois pontos positivos:

O primeiro é poder ver e sentir as quatro estações do ano. Isto prá mim é uma maravilha: aprender com a natureza que a vida é cíclica! O primeiro dia de janeiro começa em pleno inverno, neve, gelo, um super frio. É claro que o aquecimento dentro das casas e os casacos de hoje em dia não deixam a gente sentir frio. Então é preciso se acostumar com o ritual de se vestir: meias-calças, meias, botas, 2 blusas de manga comprida, casaco, calça, cachecol, gorro e luvas... Fazer isso durante duas semanas? Tranquilo! Mas agora, vai se vestir assim durante 6 meses... E a isso, acrescente os dias curtos, a falta de luz... Chegar na Universidade às 8 da manhã com o céu escuro e voltar prá casa às 17 horas em plena noite não é mole não.

Contudo, quando você não está mais suportando sair de casa, nem tanto pelo seu estado depressivo, mas porque você não aguenta mais sair cheia de roupas, chega a bem vinda primavera toda verde, florida e ensolarada convidando as pessoas a saírem do período de hibernação. As pessoas voltam a sorrir, ufa!

Aí chega o verão com temperaturas que chegaram à 38 graus. Ainda bem que eles têm as maiores férias neste período, porque as casas, prédios, escolas, tudo aqui é construído para suportar os meses frios do ano conservando melhor o calor. Só que quando chega o verão, eles continuam conservando o calor... Prá mim, esta estação aqui é super abafada! Faltam janelas e ar condicionados, o que torna impossível frequentar as pequenas salas de cinema ou alguns pubs tipo cavernas...

Mas a estação de agora é uma delícia! Adoro o outono com seu céu azul, suas folhas amarelas, laranjas e vermelhas! As baixas temperaturas são propícias para as bebidas quentes, sopas, para as reuniões nas casas de amigos, para as randonnées nas florestas.


Domingo - PEDE cachimbo - ( descobri isso recentemente porque sempre imaginei um pé-de-cachimbo!!!) fomos fazer um passeio numa floresta ao norte de Lyon. Da mesma maneira que o governo municipal cuida dos lagos, eles cuidam de florestas próximas às cidades onde os franceses têm o hábito de fazer suas caminhadas, colher castanhas, champignos e fazer piquenique, claro! Uma oportunidade de se afastar da cidade, esfriar a cabeça e estar pronto para o trabalho na segundona.

Você passa um dia super agradável no meio da natureza, uma paisagem que você só via em filmes e livros de contos do fadas... E está aqui o outro ponto positivo: passear tranquila pela floresta enquanto seu Lobo não vem.

Lobo? Eles nem pensam nisso. Passeiam felizes pela estrada afora sem que a questão "segurança" passe por suas cabeças... Quando falo para meus amigos daqui que fazer um passeio deste tipo no Brasil pode ser muito perigoso, não por causa de encontros inoportunos com animais famintos, mas por causa do "bicho homem", eles acham que eu invento ou exagero.

É... Realmente é difícil de acreditar no estado deplorável da segurança brasileira. Então, explico que eu cheguei aqui com hábitos e reflexos de quem vivia em estado de alerta contra assaltos e afins e nem me dava conta disso. Depois de passado um tempo, relaxei. Aí, quando fui passar férias no Brasil, primeiro domingo, assisti no "Fantástico" uma matéria sobre "como segurar bem sua bolsa dentro do ônibus, esconder a carteira, não usar celular na rua e andar em alerta e com os vidros do carro sempre fechados"... Ai... Isso é tristemente surreal!

E a reflexão final do passeio florestal foi sobre a crise mundial e o futuro incerto da Europa, da França. Haveria alguma chance do Brasil virar uma "França" e a França virar um "Brasil"? Não chegamos à uma conclusão e nem esquentamos muitos neurônios relaxados com isso. Respiramos profundamente um ar puro e entramos no carro rumo à Lyon! Ah! Ponto negativo: aqui também tem engarrafamento de domingo, viu!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fale comigo, fale com a gente!

Oi Gente!!!

Este post é um espaço de troca entre aqueles que têm algumas dúvidas sobre temas, tais como, morar na França (Onde? Como? Quanto? Titre de séjour?) ou estudar na França (onde? Como? Quanto? O quê? Papelada? Burocracia?), estudar francês na França (Onde? Como? Quanto? Vale à pena?) e aqueles que têm dicas para dar, como eu ou você.

Tenho recebido muitos e-mails com essas dúvidas. Só que várias pessoas pedem as mesmas dicas e eu acabo tendo que escrever respostas parecidas sobre os mesmos assuntos. E quando estou cheia de atividades, as pessoas ficam um tempão sem resposta... eu sei... Mas também, como vocês podem ler nos outros tantos posts, não estou por conta do blog, né! Quando tenho tempo, escrevo dando notícias, dicas, contando causos, fazendo reflexões, com o maior prazer! Contudo, há aqueles que não entendem isso e que acham que sou serviço público de informações. Não sou! Ajudo na medida do meu possível! E que isso fique bem claro, principalmente para aqueles que me mandam e-mails e têm dificuldades em escrever "por favor" e "obrigado".



Participe você também e me ajude nesta construção!

Este agora é o nosso espaço oficial de troca!!! ;-)


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mudei!

Gente, mudei! Não! Continuo a mesma... Ou provavelmente não... Mas o que eu quero dizer é que, depois de passar meses à procura de um studio ideal, o encontrei e para ele me mudei!!!

O que eu chamo de um studio ideal? Bom e barato. Bom pelo seu tamanho, disposição de ambientes e localização. Bom por não se transformar em uma sauna no verão! Bom por estar em um prédio antigo, sem elevador, mas ser no primeiro andar (Ufa!).

Nenhuma mudança é fácil, mas aqui na França é mais complicado... Explico:

Cheguei há um ano e meio atrás apenas com uma mala grande e uma pequena. Ok... Uma mala enooooorme e uma grande, uma sacolona de mão lotada e minha bolsa completamente estufada. Contudo, foi fácil sair do aeroporto e me dirigir até a casa onde passei os meus primeiros três meses. Depois, para mudar para uma colocação, precisei de um carro, umas malas emprestadas e a ajuda de uma pessoa. Seis meses depois, um furgão e quatro ajudantes. Dez meses depois... Confesso que eu estava apreensiva. É impressionante como nossos objetos pessoais se reproduzem de maneira incontrolável!

A demora burocrática da imobiliária fez com que minha mudança coincidisse com as férias da Universidade. A maioria dos meus colegas voltou para a cidade de origem ou saiu de Lyon para trabalhar em empregos de verão. Eu já tinha dado o aviso prévio do outro apartamento, então teria que me mudar de todo jeito em plena quarta-feira da primeira semana de julho. Ou seja: quem não estava de férias é porque trabalhava! Conclusão desesperadora para quem sabe o tanto de coisas que tem e para quem sabe que mudança na França é feita no muque... ai...

Tive que apelar para e-mails e mensagem no facebook que diziam assim:

#tecla sap#
Título: Super Convite!!!
"Queridos amigos habitantes de Lyon,
Você já está de férias e ainda está na cidade? Isso é genial! Ou você trabalha durante todo o dia? Não tem problema! Todos vocês terão a oportunidade de se divertirem, no dia 6 de julho, no início da noite, me ajudando a mudar!!! Eu tenho muitas coisas: coisas pesadas e coisas leves também! Vocês podem escolher! Eu parto às 18h da Guillotière, mas vocês podem chegar mais cedo prá gente conversar, rir e para vocês me ajudarem a carregar o caminhão!!! É um evento gratuito e vocês podem vir com amigos motivados! Nós faremos uma soirée caipirinha no local!
Venham numerosos!!!"

E não é que deu certo!!!





























Porque o bom é que minhas coisas se multiplicaram, mas os amigos também!!!













Nem foi tão difícil assim!


MERCI, mes AMIS!!!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Farofa na França

Quem pensa que aqui na França a gente vive somente de glamur, está bem enganado. Todo povo tem seu lado farofeiro e tenho uma teoria de que as altas temperaturas favorecem o aparecimento desse lado.

Imaginem eu, em casa, em pleno domingo, estudando Piaget. Bom, adoro Piaget e curto muito estar estudando um livro dele em francês, entretanto, passar o domingo inteiro dentro do seu quarto enquanto o sol intenso brilha solitário no céu, dá um certo mal estar... Ainda mais que meu apartamento foi muito bem construído para manter-se aquecido durante os 9 meses de frio. Contudo, no verão, tomando todo o sol da tarde, que atualmente tem durado até quase 10 horas da noite... vira uma sauna!!!

Então, quando recebi o convite para ir nadar num lago que fica a meia hora de Lyon, não pensei 2 vezes. Um aviso:
_ Vai estar lotado!
_ Por mim, não tem problema não!!!

Chegando lá, lotaaaaaado! Sabe estacionamento de shopping na época do Natal? Estava pior por causa do sol escaldante. Difícil achar vagas mesmo na beira da estrada.

Paramos longe, mas foi ótimo para observar as pessoas que, com um lago enorme na proximidade, resolvem sair com toda família, papagaio e periquito para ficar próximas à estrada, longe da água. Fui andando e observando os farofeiros profissionais com suas churrasqueiras portáteis, mesinhas, bancos, redes, barracas, brinquedos diversos para as crianças e para os adultos...


Chegando no lago, nem tão lotado assim. É grande, as pessoas ficam mais espalhadas ou na grama ou em cima das pedras. Nada de areia fina e branquinha. Entre pedra e grama, não tenho dúvidas.




Marcado nosso espaço, só restava entrar bem rápido na água. Esta era para ser cristalina, mas estava turva e cheia de algas. Contudo, quando sua pele está fritando, água é água e a temperatura estava ótima! Fiquei com inveja dos profissionais da farofa que ficavam boiando equipados com colchões de ar...

O que me impressiona aqui é que, sempre, esses espaços públicos são bem cuidados e limpos. O governo mantém estes "cantinhos de sossego" próximos às grandes cidades para que uma população sem muito dinheiro possa sair da área urbana, se sentir de férias e se divertir com toda a sua família! E, para quem tem carro, há vários lagos lindos na região próxima à Lyon. Há um mapa que é distribuído na casa de turismo, na praça Bellecour, que dá ótimas dicas de passeios como este.

Prá quem não quer sair da cidade, mas que também não está suportando a alta temperatura, há a opção das piscinas públicas. Existem várias aqui! Algumas, as que são completamente abertas, funcionam somente nos 3 meses de verão. Tudo limpo. Ninguém pode entrar de sapato ou chinelos nem no vestiário.

Hoje a temperatura chegou a 35ºC em Lyon. Como vocês já sabem, é impossível ficar no meu quarto à tarde. Peguei meu livro e fui para a piscina pública me refrescar. Lotaaaaada! Paguei 24 euros em uma cartela com 10 entradas. Farofa e diversão garantida!

Há uma grande diferença entre a diversão na França e no Brasil. Aqui, todo mundo usufrui do que é público, só que a noção que eles tem do "público" é diferente da nossa. Como disse um amigo brasileiro, para os franceses, o "público" é de todos, todo mundo cuida, e para os brasileiros, o que é "público", ainda, não pertence a ninguém. Isso faz uma diferença...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Estudar Francês na França: resposta à C.M.

Este post é uma resposta que escrevo à um e-mail de uma leitora que me pediu algumas dicas para sua filha que quer vir estudar francês em Lyon. Como tenho recebido outros e-mails semelhantes, resolvi deixar este registrado aqui, pois pode esclarecer dúvidas de outras pessoas.

C.M.,
Acho que a
idéia da sua filha morar aqui durante 6 meses para estudar francês é ótima! Porque na verdade, formar meio ano, ou mesmo um ano mais tarde não faz diferença nenhuma na vida de uma pessoa, ?! Mas a experiência de morar fora de seu país, conhecer uma nova cultura, falar uma outra língua, conhecer pessoas do mundo inteiro, isso sim faz diferença. aqui prá estudar, mas o mestrado é uma pequena parte de tudo o que eu estou aprendendo. O conhecimento de mundo que estou adquirindo e, principalmente, o conhecimento sobre mim mesma, são bem maiores e super valiosos.

Quanto à escolha da cidade de Lyon, sou suspeita para falar porque adoro morar aqui. É uma cidade grande, com toda a infra-estrutura necessária, mas ela é pequena o suficiente para você encontrar com seus conhecidos na feira, no metrô ou mesmo para você, na primavera, trocar o transporte público por uma bicicleta.

Questões práticas:
Qualquer brasileiro tem o direito de ficar na França por 3 meses sem visto, estudando ou como turista mesmo. Mais do que isso, é necessário um visto. E como já disse
aqui, nós só conseguimos o visto se estamos inscritos em um curso de 20 horas semanais. Você não me falou se sua filha fala francês ou não, mas na minha experiência, à partir do 4º mês que me deu um 'clic' e que eu comecei a compreender melhor e a conseguir me expressar.

Quando cheguei, estudei na
Université Lyon II, no departamento chamado CIEF. Foi um curso muito bom que eu aconselho, mesmo porque, quando você faz o curso dentro da universidade, parece que você está fazendo um curso universitário e você tem os mesmos direitos dos outros alunos, como os almoços no restaurante Universitário por 3 euros (entrada, prato e sobremesa), fazer esporte por 10 euros por ano (mais de 20 opções de cursos), assistência médica (4 euros pagos na taxa de inscrição). Além disso, você pode se aventurar a seguir alguma aula de seu interesse em um outro curso, utilizar a biblioteca e conhecer gente do mundo todo.

Entretanto, o curso da Universidade segue o ano
letivo, que aqui começa em setembro e termina no início de junho (as inscrições acabam no final de maio!!!). Ele é dividido em dois semestres: o primeiro de setembro à janeiro e o segundo de fevereiro à junho.

Como sua filha vai chegar aqui em
agosto, se ela não quiser ficar um mês de férias ( e prá te falar a verdade, o mês de agosto é um mês que todo mundo viaja e que Lyon fica super vazia), o melhor é ela se inscrever por um mês em uma escola de idiomas, como na Alliance Française. Lá os cursos são mensais e ela ainda pode fazer cursos extras de gramática ou de fonética, por exemplo. Assim, ela já começa a se enturmar, a conhecer a cidade e pode aproveitar os passeios turísticos proporcionados pela escola nos finais de semana.

Segue alguns preços prá vc ter idéia de algumas despesas:
• Curso de Francês:
- Université Lyon II, 4 meses
Cours Intensifs - 280 h - 1700 €
Cours Semi-intensifs - 210 h - 1020 €
-Alliance Française, 3 meses
Cours Intensifs - 280 h - 1706 €
Cours Semi-intensifs - 210 h - 1148€

• Alojamento:
- Residência Universitária Pública (CROUS) : à partir de 165 € por um quarto de 9m2
- Setor Privado (chambre ou studio) : entre 200 et 550 € par mois

• Alimentação
:
- 1 refeição no Restaurante Universitário : 3,00 €
- 1 sandwiche à la cafétéria universitaire : à partir de 1,80 €
- 1 refeição em restaurante da cidade : à partir de 9,00 €
- 1
baguette de pão : 0,80 € em média

• Transporte:
- Carta de transporte (TCL) tarifa estudante: menos de 26 anos = 25,60 € por mês, mais de 26 anos = 52,00 €
- 10 tickets (tarif étudiant) 12,20 €

Espero ter tirado algumas dúvidas, mas se tiver mais questões, não hesite em me escrever!

Bon courage!

Carol

Algum outro leitor quer mais dicas sobre morar ou estudar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!".

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Morar na França? Só se tiver elevador!

A França é um país bem diferente do Brasil: clima, geografia, hábitos, língua e povo. Antes de me mudar para cá, tentei me preparar ao máximo para me adaptar e passar a conviver com tantas diferenças, mas é no dia a dia que a gente vai se sentindo, ou não, mais "em casa".
Se você quer morar na França, saiba que, além de escolher a cidade, o que você vai fazer por aqui, você também deve escolher como morar.



Não sendo príncipe ou princesa, você tem como opção:
  1. Morar na casa de um habitante da cidade;
  2. Morar numa residência de estudante (caso você venha para estudar);
  3. Fazer uma "colocation";
  4. Fazer uma "sub-location"
  5. Alugar um studio ou um apartamento.
Para começar a minha vida aqui, escolhi a primeira opção. Morei por 2 meses e meio na casa da Madame Françoise, que é francesa, professora de francês e que tem como segundo "ganha pão" alugar 3 de seus 4 quartos para estudantes estrangeiros. O dinheiro que eu dava para ela, incluía o café da manhã e o jantar, quando ela tinha muito prazer em apresentar para seus "enfants" a culinária típica da França (uma delícia!).

A pessoa que não tem o "canal" de uma madame Françoise, pode correr um risco. Pode dar sorte de morar na casa de uma família simpática, ou, de morar na casa de uma família que não conversa com você ou que acha que é uma empregada (casos verídicos).

Se você optar por morar numa residência de estudantes, ao fazer a sua inscrição na faculdade, você pode explicitar esse interesse. A própria universidade se encarrega de te inscrever. Daí, ou você vai morar em um quarto de 10 m2 com uma pia, uma cama de solteiro, uma pequena escrivaninha e um armário de duas portas e vai utilizar o banheiro e a cozinha coletivos do seu andar, ou você vai morar num estúdio um pouquinho maior por causa do pequeno banheiro e da piabalcãocozinha.
As vantagens de morar numa residência universitária são o preço e a quantidade de estudante que você pode conhecer. As desvantagens óbvias são os tamanhos dos cômodos, os banheiros coletivos e, se você tem mais de 25 anos, se sentirá uma pessoa anciã.

A "colocation", o que se aproxima à nossa "república". É o modo de vida dos jovens franceses, em sua maioria, solteiros, assalariados, independentes. Aqui está uma grande diferença entre eles e a gente. Na colocation, geralmente, não são amigos que resolvem alugar um apartamento e dividir a vida, são pessoas que se conhecem através dos sites especializados em juntar os "colocateurs" e suas devidas "colocations".


Esta foi a minha segunda opção. Antes de sair da casa da madame Françoise, procurei uma "colocation" em um site. Preenchi um cadastro onde criei meu anúncio, uma pequena propaganda de mim mesma, na intenção de ser escolhida pelo meu futuro(a) colocateur. As pessoas interessadas pelo meu anúncio me enviaram mensagens dizendo que estavam interessados. Entrei em contato com eles e marquei uma visita ao apartamento. Aí chegava um momento, no mínimo estranho, porque, durante essa visita, você avalia o apê e a pessoa, ou pessoas, com quem você dividirá o mesmo teto e toda a intimidade, ou falta dela, que isso pode acarretar. Por outro lado, eles também te avaliam.


Visitei muitos apartamentos: minúsculos, enormes, veeeeelhos, novinhos, imundos, limpos, com 1 habitante, 2, 3, 4 habitantes de todos os gostos e tipos. Passei por uma entrevista que durou 3 minutos e por outra onde me senti em um interrogatório: eu sentada em um sofá e os outros 3 moradores do apartamento na minha frente fazendo uma "anamnese" completa e eu pelejando com meu francês.

Então, escolhi um apê pelo seu estilo, tamanho, localização, preço. Eu, na minha ingenuidade, fiz a visita à noite e não reparei se o prédio era limpo ou se a casa estava limpa. Fiquei feliz pelo resto todo e nem mesmo dei importância ao fato da pia, que fica no meio da sala, estar cheia de vasilha, e a casa meio bagunçada. A pessoa "simpática" que me recebeu disse que o outro coloc estava de mudança e logo concluí que a bagunça era dele. Grande erro! Com o tempo percebi que tinha entrado em uma fria... Falta de sorte!?

Na colocation os nomes de todos os habitantes entram no contrato de aluguel. Para isso, cada um deve ter o seu fiador (uma pessoa francesa, com emprego fixo e que ganhe o suficiente para poder cobrir um calote de 3 meses). Neste caso, você, se for estudante, recebe uma "ajuda moradia" do governo francês que pode chegar à 180 euros por mês ; ).

A "sub-colocation" é quando você aluga o quarto de um colocateur que, por algum motivo, vai ficar um tempo fora de sua residência. Neste caso, você não tem seu nome no contrato do apartamento e, dificilmente, receberá a ajuda do governo.

Alugar um studio foi a minha terceira e atual opção. Você que é estrangeiro, estudante, sem emprego fixo, pode ter um pouco de dificuldade... Vai ter que apresentar uma papelada sem fim, ter um fiador e, em alguns casos, fazer um cheque caução com o valor de 4 vezes o preço do aluguel. Mas é uma tranquilidade que não tem preço...

Outra diferença importante entre a França e o Brasil é que, aqui, você faz a mudança no muque. Então, agradeço ao meu gatinho, amigos e voluntários que se dispuseram a passar o domingo desmontando móveis, descendo 4 lances e meio de escadas, quebrando a cabeça para todas as minhas coisas (sou brasileira!) caberem em um furgão. Agora moro no sétimo andar, mas tenho 2 elevadores!!!

(Você quer mais dicas sobre morar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!")

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Sistema de Ensino na França


A França é reconhecida pela sua competência quando o assunto é educação. Acredito que esta fama de "inteligente" foi conseguida à partir do séc XVIII, o Século das Luzes. Nessa época, os pensadores iluministas acreditavam que os seres humanos podiam tornar o mundo melhor mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e engajamento político social. Isso tudo para fazer frente aos resíduos de tirania e superstição creditados ao legado da Idade Média. Com a ajuda posterior vinda dos pensadores humanistas, que também enfatizavam a importância do Homem e da racionalidade, a noção de Escola e a maneira de educar foram totalmente repensadas e reestruturadas. Nasce, na França, a consciência da importância de um sistema de ensino eficaz que tenha como objetivo o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos.

Não foi por acaso que escolhi esse destino para continuar meus estudos. Sempre tive a curiosidade em saber quais as diferenças entre a educação francesa e a brasileira. Quais são os prós e os contras? O que temos para aprender com eles? O que temos a ensinar? Como eles enxergam e tratam os alunos? Como é a preparação de um professor? O que eles sabem que não sabemos? O que eles fazem que não fazemos? E tudo isso relacionado ao ensino de dança para crianças?

Infelizmente, ainda não tenho todas essas respostas, mas aprendi como funciona o sistema escolar francês:

O ano letivo começa em setembro e termina em junho. As férias são divididas durante o ano: uma semana no fim de outubro, duas semanas para o Natal, uma semana em fevereiro (férias de inverno), duas semanas de férias na primavera e dois meses para as férias de verão! Faça as contas... bom demais!

Aqui, a escola é gratuita e laica dos seis anos, quando ela começa a ser obrigatória, até o pós doutorado ou até onde sua fome te levar. Ela deixa de ser obrigatória aos 16 anos. Normalmente, os pais colocam os filhos na escola maternal aos 3 anos, mas aí, têm que pagar. E pagam também se querem que seus filhos recebam uma educação religiosa, encontrada somente nas escolas privadas. Fora isso, durante toda a vida escolar pagam as taxas de inscrição anual. A mais cara é a do doutorado: 363 euros, por ano.

A educação da criança do 6 aos 10 anos é obtida no curso preparatório. Dos 11 aos 14 anos, no colégio. E dos 15 aos 17, na lycée, escola. Pela manhã, os alunos começam seus estudos às 8:30h e saem às 11:30h para almoçar. Voltam às 13:30h até às 16:30h. Um detalhe importante é que eles não têm aulas nas quartas-feiras. Um problema para os pais trabalhadores que é resolvido pelas "babás de quarta-feira". À partir dos 14 anos, o aluno pode optar por um curso profissionalizante, mas isso não lhe dá o direito de, depois, entrar em uma Universidade.

Para entrar na Universidade, o aluno tem que ter cursado os 3 anos da lycée, e fazer uma prova chamada Baccalauréat. É uma prova geral para todo mundo, diferentemente do vestibular para entrar em uma Universidade específica do Brasil. Depois, se o aluno quiser continuar seus estudos, basta se inscrever no mestrado, que são mais 2 anos de estudos, apresentando seu currículo, histórico escolar e seu projeto de estudo. Para o doutorado, a seleção é mais específica e depende do curso pretendido, acrescentando 3 anos na vida escolar.

Um estudante estrangeiro que, assim como eu, quer se aventurar a fazer um mestrado por aqui, ainda tem que comprovar o seu nível intermediário da língua francesa e ter os diplomas equivalentes aos exigidos. Eles analisam seu currículo, histórico escolar, seu projeto de estudo e depois te dão a resposta, no meu caso, POSITIVA! Uhuuuu!

Quase 70% dos estudantes que querem continuar seus estudos vão para as Universidades. Os cursos mais procurados são os de letras e os relacionados às ciência humanas. Entretanto, aqui, não é só os estudos universitários que são considerados estudos superiores. Há também as "Escolas Especializadas" e as "Grandes Escolas", que não são gratuitas.

As primeiras são escolas de nível superior ligadas aos estudos de artes, arquitetura, turismo e, também, de estudos na área paramédica.

Já as "Grandes Escolas" são consideradas o que há de melhor na educação superior francesa. Para entrar, o estudante, depois do baccalauréat, ainda tem que fazer dois anos de um curso preparatório para fazer uma prova. Passando na prova, ele entra para a Grande École e, quando sai, seu diploma tem equivalência ao mestrado, permitindo o acesso direto à tese de doutorado. Uma Grande École forma os melhores profissionais nas áreas de engenharia, agronomia, veterinária, educação, defesa e administração pública.

Acho que o Brasil tem muito o que aprender com o sistema de ensino francês, a começar pela gratuidade, pelo incentivo à pesquisa e qualidade incontestável. Além do mais, os políticos e governantes franceses são formados em uma Grande École, com exceção do atual presidente Sarkozy, criticado por ter 'apenas' um mestrado... Um pouquinho diferente do Brasil, né, Lula! Ei, companheiro! Tô falando com você!

Leia, aqui no blog, o que aprendi depois que escrevi esse post: "O Sistema de Ensino Francês: verdades para quem quer ler e enxergar"

E você quer mais dicas sobre morar ou estudar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!".

sexta-feira, 19 de março de 2010

Como vim parar aqui?

Fim da primeira semana de provas do curso de francês. Ufa! Fatigante! Como estudei muito para as provas, meu francês desenvolveu bastante nos últimos dias. É impressionante como progredimos quando sentamos bunda na cadeira e realmente estudamos.

Ontem fizemos uma prova de expressão oral na qual a professora nos deu um tempo de 4 minutos para falar sobre o tema: "Minha vida em Lyon". Mas, antes de fazer o nosso pequeno e intenso discurso, ele nos deu um tempo para refletir. Então pensei: como vim parar aqui?

É difícil escolher uma data ou um fato para marcar um início. Poderia falar que ter começado a fazer balé aos 4 anos influenciou a minha decisão, ou ter estudado psicologia, educação, psicomotricidade e ter lido tantos textos de autores franceses, ou sempre ter achado linda a sonoridade da língua francesa, ou ter ganhado de presente dos meus pais uma viagem pela Europa e ter começado a fazer aulas de francês para não ficar muito perdida na minha aventura sozinha em Paris, já que eu tinha escutado que os franceses não gostariam de falar comigo em inglês.


Nossa! Posso escrever um post só de motivos, de fatos da minha vida ou de características da minha personalidade, ou nomear pessoas que influenciaram na minha escolha. Mas, durante a minha reflexão pré prova, concluí que muitos fatores da minha vida me levaram a fazer esta grande mudança. Não tinha como ser diferente, tanto que estou aqui agora.

Mas, para quem quer fazer uma semelhante mudança na sua vida vida (mudar-se para a França), saiba que o caminho pode ser um pouco longo, cansativo, burocrático, mas bem possível.

Ao procurar por uma professora particular de francês, encontrei a minha querida Bia, depois que conheci uma de suas filhas em uma balada de Bh. A Bia tinha uma outra filha que morava e estudava em Lyon. Um dia, durante a aula, ela me perguntou: "Por que você não se muda para Lyon e faz um mestrado por lá?" Fui dormir com aquele pergunta ecoando na minha cabeça. Acordei e me perguntei: "Por que não?". Como não achei motivos para não ir e mil motivos para ir, então, fui!

Mas, para vir, tive que:
  • Escolher um curso (curso de francês) e me matricular nesse curso (como sou "chique, bem", fiz a matrícula pessoalmente durante meu tour pela Europa e acompanhada pela minha professeur de français).

  • Mas para isso, tive que: traduzir minha certidão de nascimento e diploma de faculdade, além de pagar a taxa de inscrição.
  • Com inscrição e comprovante de pagamento em mãos, cadastrar-me no CampusFrance e seguir as seis etapas do procedimento para obtenção do visto de estudante. O CampusFrance é um serviço pré consular. Você só consegue o seu visto passando por ele. Essas 6 etapas são muito chatas, principalmente porque você tem que preencher uns questionários em francês (Obrigada, Bia!), anexar os documentos originais, cópias traduzidas, por um tradutor juramentado, de seus documentos, diplomas e históricos escolares e, além disso, cópias autenticadas de tudo ( aí dói no bolso, porque, no meu caso, gastei mais de mil reais com isso), fora o tempo de ir nas faculdades para fazer os pedidos, pagar e depois voltar para buscar, enfrentar as filas dos cartórios...
  • Com o OK do CampusFrance, com a pasta de documentos traduzidos, fotocopiados e autenticados em mãos, dar entrada no pedido de visto ao Consulado. Mas para isso, você ainda tem que acrescentar ao seu dossiê (e pode se acostumar com essa palavra porque para tudo aqui na França você precisa fazer um "dossiê" e uma "carta de intenção" justificando até o porquê de você querer utilizar um banheiro):
  1. uma declaração de um responsável dizendo que ele vai te enviar pelo menos 430 euros por mês, uma declaração de idoneidade bancária dessa responsável (ambos traduzidos pelo tradutor juramentado), mais a sua última declaração de imposto de renda e os últimos 3 contra-cheques,
  2. declaração de alojamento na França, que quer dizer uma atestação de que você não vai morar nas ruas, serve até uma reserva de hotel por uma semana (mas o tema "procura de moradia na França" vale um outro post),
  3. passaporte válido e cópias das 3 primeiras páginas, um formulário amarelo devidamente reenchido em francês,
  4. uma foto um pouco maior que a 3X4,
  5. cpf com cópia,
  6. seguro viagem com cobertura de 30.000 euros para emergências e 30.000 euros para repatriamento. (Só que quando você chega aqui, você é obrigada a fazer um outro seguro saúde pago, mas barato, se você tem menos de 28 anos e é estudante, e pode fazer um gratuito, se você tem mais de 28 anos)
Aí o Consulado agenda a sua entrevista na Embaixada do Rio de Janeiro. Você vai até lá, certa de que está com tudo em mãos, mas te pedem algo que você não tem e que tem que providenciar rapidamente contactando a França, sendo que você ainda não fala bem francês. Mas você se vira (Obrigada, Amanda!) e consegue, e envia correndo para o consulado, que envia para a Embaixada que te envia o seu passaporte com o visto 3 horas antes de você ir para o aeroporto. No stress!

Pronto! Só isso! E você vem estudar francês na França antes de começar o seu mestrado (minha próxima montanha à vista). Mas quando você chega aqui, você percebe que os franceses amam serviço público, (grande parte da população trabalha como funcionário público) então, eles fazem a gente utilizá-lo bastante, mesmo se você acabou de chegar há uma semana e não entende o que eles falam. "Pas de problème"! Como eles dizem o tempo todo.

Esse caminho é longo e cansativo, mas a minha conclusão é que valeu a pena passar por tudo isso. Estou adorando viver aqui! Mesmo com saudades da família e dos amigos brasileiros, estar aqui, hoje, faz muito sentido na minha vida. Não poderia estar agora em um outro lugar. Não consigo explicar, só consigo sentir.
Beijos!

terça-feira, 2 de março de 2010

Aprendendo a Língua Francesa

Estou aqui em Lyon, há quase dois meses, praticamente por conta de aprender a língua francesa. "Que vida mansa" - vocês podem pensar. Realmente, quando eu penso que estou tendo a oportunidade de morar na França, numa cidade maravilhosa como Lyon, conhecendo pessoas diferentes e tendo experiências tão especiais, parece que ainda estou sonhando. Entretanto, com os pés no chão, la vie não é tão rose...

Cheguei em uma cidade na qual não conhecia ninguém. Estive aqui em outubro do ano passado, mas fiquei menos de dois dias, então, tinha só uma pequena noção da cidade. Não sabia onde ficava nada e mal me comunicava em francês. Sentia-me como uma "caloura" no primeiro dia de faculdade, só que em todos os lugares que eu ia e durante 24 horas por dia.


Tudo bem. Sobrevivi a esse primeiro momento. Ter vindo morar na casa da madame Françoise me ajudou muito. Além dela ser professora de francês, havia mais três habitantes: um japonês, um italiano e um árabe. Língua oficial da casa: francês.

Contudo, aprender uma outra língua não é nada simples. Graças aos meus pais e minha avó, falo inglês (ou falava porque agora misturo tudo). Comecei a estudar essa língua aos 8 anos. Mas no Brasil, escutamos músicas, vemos filmes, falamos muitas palavras em inglês no dia a dia.
O mesmo não acontece com o francês. Há um ano atrás, não sabia contar de um até dez. O que sabia de francês era a nomenclatura de balé clássico (que agora, para mim, já ganhou um novo sentido).

Mas vamos pensar em como acontece a aquisição da língua materna. Normalmente, um bebê nasce já inserido em uma cultura onde há uma língua oficial. Há estudos que dizem que mesmo dentro do útero já é iniciado o processo de aprendizagem da fala. Depois que nasce, o bebê passa a escutar tudo ao seu redor. Depois de 3 meses já começa a ensaiar alguns sons. Depois de mais ou menos 2 anos observando, escutando a língua materna, a criança inicia a sua comunicação verbal, dizendo sons que se parecem com palavras, dizendo palavras que passam a ser acompanhadas por verbos, e aos poucos nascem as pequenas frases. Pronto! Não precisa mais só chorar ou apontar para as coisas ou para os lugares. Com três anos uma criança já é capaz de contar o que aconteceu na escola. Com quatro, já é capaz de surpreender um adulto.

A linguagem e o pensamento caminham de mãos dadas. A partir do momento em que a criança adquire a linguagem, ela passa a desenvolver mais o seu pensamento, que desenvolve a linguagem, que desenvolve o pensamento... E assim, depois de mais ou menos 11 anos de vida, a criança passa a ter um pensamento complexo trabalhando com hipóteses. Nessa época, já adquiriu muito vocabulário e é capaz de utilizar todos os tempos e modos verbais no seu discurso.

Vivi isso com a língua portuguesa. O francês é, muitas vezes, semelhante ao português. Ambos têm a sua origem no latim. Só que eu nunca tenho certeza se a palavra que eu quero utilizar é semelhante ou não. Além disso, há as conjugações verbais, as exceções, os casos especiais, as letras que estão escritas mas que não são pronunciadas, a fonética...

Meu problema é:
  • O francês não é a minha língua materna;
  • Não sou um bebê e tenho muito mais de 2 anos;
  • Não tenho um tempo de dois anos para fazer uma pesquisa de campo;
  • Não posso ficar mais me comunicando por sons que se parecem com palavras, nem só com algumas palavras, ou pequenas frases;
  • Preciso de todos os tempos e quase todos os modos verbais para exprimir o meu raciocínio complexo;
  • Preciso de muuuuuuiiiito vocabulário.
Não dá mais para eu conversar, dizendo apenas o meu nome, que eu sou brasileira, a minha profissão e o que eu estou fazendo perdida aqui em Lyon. E não dá mais para ficar com aquela cara de retardada quando a pessoa quer conversar para além desse assunto. A pessoa te olha e acha que você não tem opinião formada a respeito de nada ou que você está com essa cara de retardada porque você realmente é uma. Aí, no desespero eu solto uma explicação:

#tecla sap#
_ Eu não sou estúpida. Eu não compreendi o que você falou. Eu não sei falar bem francês, ainda.

Minha solução:
  • Fazer um ótimo curso de francês;
  • Estudar muuuuuuuiiiiiiito;
  • Ficar atenta nas ruas escutando as conversas;
  • Escutar música, assistir filmes, ver televisão, escutar rádio;
  • Criar situações para que eu possa falar, falar e falar.
Esse último ítem é interessante, porque temos a tendência a formar grupos de iguais. Os brasileiros com os brasileiros, os chineses com os chineses, os americanos com os americanos...
Para mudar esse hábito, que traz conforto e segurança, é preciso se arriscar, se colocar à prova. A própria Universidade onde faço o curso de francês, ajuda o aluno nisso. Podemos fazer vários cursos de danças e esportes em geral, pela quantia de 20 euros por semestre. A maioria dos alunos é composta por francêses. Há um setor especializado que auxilia no intercâmbio de línguas ( um aluno francês querendo aprender português, ou um americano querendo aprender chinês, um brasileiro querendo aprender francês e um chinês querendo aprender inglês), que formam os pares da melhor maneira possível.

Fora da universidade, você encontra, por exemplo, sites como http://www.livemocha.com/ que é de um curso de idiomas on line e gratuito, onde há uma interação entre os interessados em praticar a conversação e a escrita. Fora do mundo virtual, há lugares onde as pessoas se encontram para as "trocas de conhecimento". Aqui em Lyon, tem um café chamado "Café Polyglotta" ou "Café Linguistique" onde isso é possível.

Mas o melhor de tudo, é se colocar em situações de trocas verdadeiras. O meu final de semana em Saint Étienne favoreceu meu encontro com vários franceses, dentre eles, minha nova amiga francesa interessada em aprender português para fazer um curso em Portugal.


Saindo com ela, conheci mais pessoas interessantes e francesas,


que me apresentaram mais pessoas interessantes e francesas...


Língua oficial: francês! E assim, vou seguindo em frente.

PS.: Mas não há nada como falar em português com minha família e amigos brasileiros, viu!!!

(leia também no Blog: Aprendendo a Língua Francesa II - dificuldades mais complexas)

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