segunda-feira, 16 de maio de 2011

Por que as Francesas são Magras ?

A primavera, de vento em popa, vai aumentando as temperaturas de Lyon. Pouco a pouco os corpos escondidos pelas roupas de inverno são desnudados. E quem não se depilou durante os nove meses passados me faça o favor de fazê-lo antes de colocar o seu micro short ou sua regata e desfilar pelas ruas da cidade! Francesas e brasileiras... Muitas diferenças... As francesas não tem as aversões aos pêlos como as brasileiras, mas o cuidado que elas têm com seus pesos é algo menos neurótico e mais eficaz do que o que temos com o nosso.

Por que as francesas, além de ter os olhos mais claros e os narizes desenhados, além de falar francês perfeitamente, ainda são magras? A magreza francesa é um exemplo das contradições que encontramos por aqui. Como é que no país reconhecido mundialmente pela sua qualidade gastronônica há pessoas tão magras? E como elas podem ser tão magras comendo pão em todas as refeições ou comendo, no almoço e/ou jantar, uma entrada, prato principal e sobremesa? Isso quando não comem seus queijos antes da sobremesa (e nunca como tira gosto como nós brasileiros!). Como as francesas podem ser tão magras mesmo tomando tanto vinho, comendo muito azeite, manteiga (como se fosse uma fatia de queijo com o pão) e salames super gordurosos? E os chocolates, pães doces com cremes, tortas deliciosas, bolos, biscoitos amanteigados, croissants e nutella? O que sei é que elas são magras e ponto. Isso não se discute.


Porém, com tantas tentações, o mais lógico seria que eu as encontrasse em plena primavera/verão bem gordas, usando roupas largas e escuras para despistar as formas arredondadas, as barrigas avantajadas, os flancos salientes, os quadris em formato de pêra... Mas, não. Elas são terrivelmente esbeltas. Nada de dois, três, cinco, dez quilinhos acima do peso...

Como assim? Qual seria o segredo? Um copo de vinho tinto por dia? (Elas tomam mais). O azeite abundante na comida? As propriedades desconhecidas do fois gras (a pasta feita de "fígado gordo" de pato)?

Ninguém tem a resposta conclusiva para esta questão. Mas o que eu posso dizer a vocês é que elas se preocupam sim com seus pesos, mas já incorporaram um jeito saudável de comer. São incapazes de comer essa colher de brigadeiro, mesmo se eu omito propositalmente os ingredientes dessa spécialité brésilienne tão saudável para obrigá-las a comer. Elas experimentam, meia colherzinha e pronto! Reclamam da quantidade de açúcar: "c'est très sucré, non?!" Mal sabem elas que nós brasileiras somos capazes de comer uma lata inteira e sozinha... Talvez seja esse o segredo do nosso sorriso!

E o que quer dizer "jeito saudável de comer" para uma francesa?
- Só comer o que for comida de verdade!!! Segundo elas, comida sem gordura engorda porque não satisfaz, te fazendo comer em maior quantidade. O mesmo para os doces sem açúcar, mas sem exageros de brigadeiros.
- Comer somente três vezes por dia e, em cada refeição, alimentos de vários grupos alimentares. (Quando digo que podemos comer arroz, feijão, macarrão, farofa, batata frita e uma banana, elas acham que estou mentindo. Não insisto.).
- Comer em etapas, em alta qualidade e menos quantidade.
- Vai fazer compras? Compre produtos frescos e o que você vai fazer para comer na sua próxima refeição. Nada de estoques de comida.
- Vai cozinhar? Cozinhe com prazer. A comida fica mais gostosa, bonita e saudável.
- Nada de servir diversas vezes completando o seu prato (sabe aquilo que a gente faz de colocar mais arroz para acabar com o strogonofe e, depois, mais estrogonofe para acabar com o arroz, sempre completando a batata palha, para as garfadas ficarem crocantes, até acabar com o que há dentro da panela?).
-Não pular refeições e nem comer fora de hora.

Elas são irritantes nesse último quesito. Não comem lanchinho no meio da manhã, da tarde ou antes de dormir. Se nas minhas aulas de mestrado tem alguém que abre um pacote de biscoito, podem saber que esse alguém ou sou eu ou minha colega mexicana e ainda somos obrigadas a escutar: "Essas estrangeiras comem o tempo todo". Prefiro comer o tempo todo do que fazer parte da sinfonia dos estômagos que roncam, porque, se elas não comem, não quer dizer que é porque elas sentem menos fome, e, sim, que elas suportam mais a fome e não se incomodam com o reclamar, com o gritar estomacal!

Bom, nas soirées, elas também não enchem a barriga de cerveja, contudo bebem muito vinho seja branco, rosê ou tinto. E quando saem para beber, isso não quer dizer beber e comer fritas, carninha de sol com mandioca ou queijo pachá. Sair prá beber, quer dizer beber e beber muito e somente destilados, além de fumar, fumar e fumar.

Se por um lado elas são menos esportivas e musculosas do que a gente, elas são mais ativas no dia a dia. As francesas andam muito à pé, de bicicleta, patins ou patinetes para se deslocar pela cidade. Não reclamam de morar no quarto, quinto ou sexto andar sem elevador e trocam as escadas rolantes pelas normais. São adeptas às caminhadas ecológicas e correm de vez em quando nos parques ou ao longo do rio.

Isso é mérito do governo que incentiva o movimento da população. Ao lado das escadas do metrô, pode-se ler "para a sua saúde, mexa-se!" Depois de algumas propagandas de comida no cinema ou na tv aparece a mesma mensagem. Há também estas placas espalhadas pela cidade que incentivam as pessoas a trocar o transporte público pela caminhada. E as crianças, quando aprendem a andar, andam. Colo? nan-nan-ni-nan-não! Vai pro chão andar, subir e descer escadas como os adultos (Isso vale um post!!!). Agora, cá entre nós, é muito mais fácil andar à pé quando a cidade é plana e, principalmente, quando você não tem que se preocupar com a possibilidade de alguém roubar sua bolsa, óculos, celular, máquina fotográfica, etc... É a liberdade da segurança!

Seja qual for a razão da magreza francesa ou da gostosura brasileira, o fato é que logo logo o verão europeu chega e com ele, os dias nas piscinas públicas ou as viagens para a praia. Para as brasileiras de plantão na França, em Lyon mais especificamente, resta ainda algumas semanas de esforço e perseverança! Esqueçamos os croissants e os pães com nutella! Vamos unidas exterminar nossas banhas e lutar contra a idéia infundada de que nós somos cheinhas! Alguém topa fazer uma caminhada rápida e emagrecedora amanhã às 19 horas no Parc de la Tête d'Or? Alguém??? Ou vamos deixar isso prá lá e fazer regime só quando voltarmos pro Brasil?

sábado, 7 de maio de 2011

Em Chambéry

Sexta-feira de folga... Que tal acordar bem cedo, preparar uma mochila com uma blusa de frio, comida e água, entrar em um trem e fazer um passeio na cidade de Chambéry, à 107km de Lyon, uma hora e 15 minutos de trem? O custo da passagem? 16,40 euros.


A cidade é pequena, muito agradável e pode ser visitada em um dia. Há visitas guiadas pelo centro histórico da cidade e alguns museus como o Museu Savoisien (que conta a história da cidade), Museu de Belas Artes, Museu de História Natural e uma Galaria Eureka, que é um centro super interessante de cultura científica, técnica e industrial.

A cidade pode ser pequena mas tem tudo o que que uma cidade grande tem, só que de maneira resumida. Sua história, ao contrário, é bem longa e diversificada, começando na época Gallo-romana. Momentos marcantes aconteceram na segunda guerra mundial, quando ela foi vítima de 3 bombardeios, que destruíram grande parte da cidade, feriram e mataram muitos habitantes.


Chambéry é conhecida pela sua estratégica posição geográfica. Ela se situa numa região entre França, Suíça e Itália. Em suas proximidades há três lindos lagos: du Bourget, d'Aiguebelette e St André, e três grandes parques naturais: Parc Naturel Régional du Massif des Bauges, Parc Naturel Régional de Chartreuse e Parc National de la Vanoise.


Assim, o turismo de Chambéry é forte mesmo quando o assunto é natureza. Para os amantes dos esportes de inverno, ou, na primavera-verão, para os amantes das escaladas, trilhas de bicicleta, canoagem, passeio à cavalo, caminhadas ecológicas (randonnées), Chambéry é um paraíso!


E foi mesmo com este espírito aventureiro, de entrar em contato direto e profundo com a Natureza, que escolhemos este destino.

Mas, agora, pensem em duas urbanóides convictas, juntas, achando que só porque tinham comprado seus super tenis especiais de randonnée no dia anterior, estavam aptas a entrar numa trilha na floresta e se sentir bem à vontade com isso...





Haja fôlego! Era medo de cobra, aranha, e vôos rasantes das abelhas gigantes... E prá descer os lugares super inclinados, escorregadios? Só mesmo ataques de riso para vencer o nervosismo e, é claro, confiar nos solados super aderentes dos nossos super tenis especiais de randonnée.






O bom foi achar uma mesa no meio da floresta, ideal para o nosso almoço piquenique, não!?





Depois da nossa loooooonga trilha, fomos visitar uma casa simples no alto de uma colina, cercada pela floresta e por um agradável jardim, perfeito prá colocar as pernas pro ar (reparem nossos novos tenis impermeáveis e com solados super aderentes!!!) e fazer uma siesta.



O antigo proprietário da casa era ninguém menos que um suíço chamado Jean-Jacques Rousseau, filósofo e teórico político do Iluminismo. Ele não morou lá por muito tempo, contudo suas idéias influenciaram tanto a Revolução Francesa, que este local virou uma casa-museu em sua homenagem.



Ô gente... não podendo reclamar da minha vida não! Sexta-feira de folga, passeio super agradável em Chambéry em contato direto e profundo com a Natureza...










Uma volta tranquila e relaxante de trem... E super tênis especiais de randonnée com solas aderentes... Nenhum tombo ou bolha prá contar história... Já estamos prontas prá próxima! Aguardem!

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