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quinta-feira, 15 de março de 2012

Raquette e o inverno na montanha



Foi assim: a gente estava querendo um final de semana na montanha prá poder aproveitar o que nos resta do inverno. Procuramos na internet um passeio bacana. Os franceses fazem muito isso. Há sites especializados em programas legais. O preço do final de semana depende da atividade, do lugar no qual você vai dormir, da comida que você vai comer, mas varia entre 70 e 180 euros por pessoa.

Eu queria experimentar uma atividade diferente, então, que tal uma raquette?

Raquette é este tipo de "chinelo" próprio prá neve. Você usa seus sapatos para a neve (impermeáveis) e prende seu pé na estrutura que te permite andar como se você estivesse com chinelos. As raquettes são fundamentais para subir montanhas, onde a neve é fofa. Nosso peso se distribui nas grades que aumentam a superfície de apoio. Sem as raquetes a gente poderia afundar a perna inteira. Além do mais, elas têm umas garrinhas que te ajudam a não escorregar.

Atividade escolhida, faltava escolher o tipo de abrigo para passar a noite. Fiquei tentada entre dormir num refúgio quentinho ou dentro de um iglu que seria construído por nós mesmos. Super aventura de um lado, um pouco de conforto do outro... Na dúvida, optei por dormir numa casa-refúgio onde jantar e café da manhã estavam incluídos.

Então, no sábado, acordamos às 5 da manhã. Pegamos um trem até Annecy e outro até Cluses, divisa com a Suíça. Lá o guia, super simpático, nos pegou na estação e ficamos conhecendo os outros três casais que nos fariam companhia nesta aventura. Pegamos a estrada rumo à base de uma montanha e aí foi só alegria...






























O refúgio era super tranquilo. Uma casa que pode abrigar 72 pessoas. Ela tem um salão cheio de mesonas, uma cozinha. No segundo andar, 8 quartos. No nosso havia 8 camas. Tudo limpo. O único problema era que não tinha sala de banho e no segundo dia acabou a água do único toilette... Mas aprendi que isso não é tãããão grave, afinal, estou na França!
Ponto super positivo: o jantar com sopa de legumes e este fondu de queijo da montanha...




Se estava frio? Com roupas apropriadas a gente não sente frio. Ainda mais subindo montanha... O guia falava que o importante era a gente não suar, porque quando o vento resolve soprar forte, a gente congela. Fora isso, tirava o gorro, cachecol, luvas e abria o casaco.


Escutávamos barulho de avalanche o tempo todo. O momento mais tenso foi no segundo dia, quando tivemos que ficar um tempão parados porque não conseguíamos enxergar por causa da neblina. Quando há neblina e neve, você enxerga tudo branco. Não diferencia céu e chão. Como diz o guia, o melhor é ficar parado para não cair nos precipícios...

















Se valeu à pena? Cada segundo! Ainda mais com um pôr do sol assim...



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Não leve seu filho ao teatro!!!

Meados de fevereiro, carnaval, na França? Que nada! Apenas um momento mais tranquilo com a chegada das férias escolares. Dizem que quem faz mestrado não tem férias, mas sou humana e preciso de um descanço. Hoje aproveitei a tarde para sair com a Naïs.

#tecla sap#
_Pode escolher o que nós vamos fazer hoje.
_Quero ir ao teatro ver "A Bruxa do armário de vassouras".
Então, sua mãe me adverte que ontem elas foram assistir a esta peça e que elas tiveram que ir embora antes do final porque Naïs teve medo.
_ Tem certeza, Naïs? Hoje você pode escolher qualquer atividade que eu faço com você. A gente pode procurar uma outra peça de teatro.
_ Não! Eu quero "A Bruxa do armário de vassouras!!!!
_ Então tá!
_ Carol, você não precisa ter medo da bruxa porque ela é uma mãe de um menino. Ela está fantasiada. Não existe bruxa de verdade.
_ Eu não tenho medo não, Naïs. Sei que não existe bruxa de verdade.
_ Mas se eu tiver medo você me protege?
_ Claro. Você pode ficar sentada nas minhas pernas (não existe "cólo" em francês) o quanto você quiser.

Então, fomos as duas. Saímos mais cedo para aproveitar o sol da tarde (fraquinho tadinho) e brincar um pouco em uma praça.

Chegando ao teatro, lotaaaado! Pais, mães, tias, avós as crianças e eu.

Naïs escolhe nossos lugares na penúltima fileira dizendo que, como ela já viu ontem, deixaria as fileiras da frente para as outras crianças. Que nada! Distância de segurança.

Ela está numa fase na qual ela tenta organizar o que é real e o que é fantasia. Na semana passada, fiquei uma tarde com ela e tive que escutar duas vezes consecutivas um cd com a história da Bela Adormecida. Ela já sabe tudo de cor e vai narrando, antecipando os fatos e enfatizando que "Não existe bruxa, só na história! É mentira! Ela não vai morrer quando furar o dedo. Ela vai só dormir. O reino todo vai cair em um sono profundo! Até os pássaros! Ela vai acordar quando o príncipe chegar e lhe der um beijo..." e assim por diante, duas vezes...

O que ela anda elaborando com essas histórias e esses personagens aos seus quase quatro anos de idade? Isso não vem ao caso. Contudo, se ela tem a necessidade de escutá-las muitas vezes e me pede para estar com ela nesse momento, acho ótimo e me divirto muito!

A peça era simples e bem feita e as crianças estavam super participativas, numa mistura de alegria, excitação e medo. Adoro assistir peças infantis com muitas crianças na platéia. Nos reensinam a espontaneidade que nós adultos acabamos perdendo com o passar do tempo. Acho lindo! Isso é muito precioso!

Então, estou contando isso tudo para pedir um favor: não leve seu filho ao teatro se você não suporta a felicidade dele! Não leve seu filho ao teatro se você é incapaz de curtir o momento, de "viajar" no roteiro, no figurino e no cenário! Não leve seu filho ao teatro se você vai ficar o tempo todo reclamando que ele se mexe muito e se levanta da cadeira para enxergar melhor o palco, já que ele é pequeno e não consegue ver toda a cena! Não leve seu filho ao teatro para pedir-lhe que cale a boca, e muito menos para tampar-lhe a boca, quando ele descobre o segredo da bruxa e o diz em voz alta! Não leve seu filho ao teatro se você não suporta vê-lo bater palmas de alegria e agarrar-se em você se ele sente medo! Não leve seu filho ao teatro se você vai pedir-lhe para rir em silêncio!!! Rir em silêncio??? Tá louca? É prá isso que você levou esse pobre coitado ao teatro? #$%$@&^!

Se algum dia "vo-cê" levar seu filho ao teatro, não se sente perto de mim! Posso não ser gentil.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Nascida para Esquiar - curso 1



Decidi que vou aprender a esquiar neste inverno.

Hoje foi a terceira vez que fui à uma estação de ski na minha vida. As duas outras vezes foram em 2010 e eu só podia me locomover se alguém me puxasse com um bastão. O resto do tempo era só tombo atrás de tombo.

Aprender a esquiar é um desafio para mim. Tenho medo. Medo de velocidade e medo de fazer curva para a direita (vai entender...).

E nem adianta me mostrar as criancinhas de 3 anos já descendo no maior gaz as pistas azuis (nível 2). Eles não têm noção do perigo!!!

Saímos daqui de Lyon, hoje, às 6 horas da manhã, em direção à estação de ski de Courchevel, que faz parte do maior domínio de ski do mundo.

Diferentemente da randonnée, o ski é um esporte caro, ainda mais em Courchevel.

Compramos um "pacote" de um dia da empresa Skimania:
>> transporte de ônibus (ida e volta) + passaporte do dia da estação + um café da manhã (43 euros).
Chegando na estação:
>> aluguel de skis (17 euros/ dia)
>> uma aula (em dupla) de 2 horas (entre 36 à 54 euros/pessoa)

Se você quiser conhecer Courchevel e não estiver com muito dinheiro sobrando, te aconselho a fazer um sanduiche bem gostoso na sua casa, levar uma garrafa d'água e chocolate dentro da sua mochila. Senão, prepare-se para desembolsar 23 euros em um cheeseburguer...

Se valeu à pena? Claro que sim! Taí o vídeo com o resultado do meu primeiro dia de aula de ski! Viram como tenho talento?!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dois Anos de Lyon!!!

Nossa! Aniversário da minha chegada em Lyon...

Merece uma pausa para reflexão...

Há dois anos, fiz uma viagem que mudaria os rumos da minha vida. Bom, não sei se posso realmente afirmar isso. Talvez esta fosse, desde sempre, a única direção possível.

O que me separa hoje da Carolina que chegou aqui no dia 14 de janeiro de 2010? Engana-se quem pensa que são apenas dois anos.

Hoje de manhã, conversando com as mães de umas alunas, me dei conta da data querida. Elas, super simpáticas, me felicitaram pela coragem de enfrentar um país novo, distante, desconhecido no qual as pessoas falam francês e têm a fama de serem frias. Pensativa que estou, disse que, na verdade, não sei se fui corajosa, ingênua, ou louca. Só sei que vim.

Pessoas me perguntam: é difícil sair do seu país, atravessar o oceano e se jogar no desconhecido? É. Muitas vezes deu medo? Deu. Doeu? Doeu. Já pensou em desistir e voltar? Já.

Sair do conforto do ninho familiar, da sua casinha, da sua cidade repleta de amigos queridos, do seu trabalho prazeroso e chegar em um lugar onde todos são desconhecidos para você e que para eles você é só uma "Maria Ninguém" não é fácil. É praticamente um começar do zero.

Descobri que a ignorância dói e não foi ninguém que me contou. Ela doeu forte e várias vezes. E o pior é que, quando se trata deste alto nível de ignorância, você nem sabe como fazer uma pergunta para aliviar a tensão. Às vezes, à única opção que eu tinha era ficar calada. E só. Sorrir ajuda, pelo menos é uma arma secreta e instintiva. Mas nem sempre funciona. Só. Privar-se de boas conversas, ou mesmo de conversas banais, é terrível. Adoro conversar mas, no início, foi difícil. Gente, tenho que admitir que é preciso um certo grau de masoquismo para tamanha mudança.

Felizmente, este estado de angústia não é eterno. Ele passa. E passa não de maneira passiva. Você é o agente da sua história. A necessidade de aprender torna-se tão vital que você acaba se transformando em uma esponja. Suas antenas dos cinco sentidos ficam ligadas o tempo todo. Seu cérebro trabalha, trabalha, como se você fosse novamente uma criança descobrindo o mundo pela primeira vez. Você se exaure, mas aprende.

O que me separa da Carolina que chegou aqui em 2010? Muuuuuiiito aprendizado, uma vida.

O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Uma nova língua, uma casinha super aconchegante, uma pesquisa que vai de vento em popa, meu trabalho como "professeur de danse", como dançarina, como contadora de histórias, além de muitas viagens, momentos inesquecíveis, algumas lágrimas, muitos risos, amigos queridos vindos dos quatro cantos do mundo, quer dizer, dos cinco (considerando os virtuais também), e un amour.

Dois anos de Lyon...
Gente, já ia me esquecendo...
O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Um blog prá contar uma história.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Com o Pé no Topo do Centro



Fui fazer uma randonnée de 4 dias no Massif Central e pisei no lugar mais alto do centro da França. Esta região é cheia de lagos, montanhas e vulcões. Foi simplesmente maravilhoso, principalmente porque as paisagens estavam coloridas com as cores de outono.







Passamos por este lago, Lac Pavin, formado na cratera de um vulcão.




A Randonnée (caminhada ecológica) é uma paixão nacional, muitas vezes ensinada de pai prá filho. Encontramos muitas famílias com suas crianças pequenas subindo as montanhas felizes e contentes. Os franceses dizem que é um esporte natural, gratuito e que, para se entregar a esta paixão, é preciso somente tênis, uma mochila com água e comida, roupas p frio/ chuva e muita energia. As paisagens te dão a motivação que você precisa para subir montanhas.






Um mapa também é importante, apesar de que, nestas regiões, a maioria das trilhas são bem sinalizadas. A sinalização amarela te indica que você está na boa direção. Ela só não pode passar desapercebida.



Mas é claro que às vezes pode bater aquela dúvida...










O meu sorriso na primeira foto é de nervoso e o "V" de "vitória" da segunda é de alívio por ter saído desta floresta aí do fundo. Mas tudo estava tão lindo que até a adrenalina de se perder foi positiva!


Fazer uma randonnée por aqui é super seguro! Nada de assaltantes escondidos no mato, nada de animais selvagens, mas talvez um pouco diferentes.






Uma ótima opção para quem tem o espírito super aventureiro, como o meu, claro!







Ou para quem quer somente aproveitar os momentos simples da vida!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Enquanto seu Lobo não vem

As pessoas me perguntam: "você está gostando de morar na França?". Minha resposta sempre é "sim". Posso citar hoje dois pontos positivos:

O primeiro é poder ver e sentir as quatro estações do ano. Isto prá mim é uma maravilha: aprender com a natureza que a vida é cíclica! O primeiro dia de janeiro começa em pleno inverno, neve, gelo, um super frio. É claro que o aquecimento dentro das casas e os casacos de hoje em dia não deixam a gente sentir frio. Então é preciso se acostumar com o ritual de se vestir: meias-calças, meias, botas, 2 blusas de manga comprida, casaco, calça, cachecol, gorro e luvas... Fazer isso durante duas semanas? Tranquilo! Mas agora, vai se vestir assim durante 6 meses... E a isso, acrescente os dias curtos, a falta de luz... Chegar na Universidade às 8 da manhã com o céu escuro e voltar prá casa às 17 horas em plena noite não é mole não.

Contudo, quando você não está mais suportando sair de casa, nem tanto pelo seu estado depressivo, mas porque você não aguenta mais sair cheia de roupas, chega a bem vinda primavera toda verde, florida e ensolarada convidando as pessoas a saírem do período de hibernação. As pessoas voltam a sorrir, ufa!

Aí chega o verão com temperaturas que chegaram à 38 graus. Ainda bem que eles têm as maiores férias neste período, porque as casas, prédios, escolas, tudo aqui é construído para suportar os meses frios do ano conservando melhor o calor. Só que quando chega o verão, eles continuam conservando o calor... Prá mim, esta estação aqui é super abafada! Faltam janelas e ar condicionados, o que torna impossível frequentar as pequenas salas de cinema ou alguns pubs tipo cavernas...

Mas a estação de agora é uma delícia! Adoro o outono com seu céu azul, suas folhas amarelas, laranjas e vermelhas! As baixas temperaturas são propícias para as bebidas quentes, sopas, para as reuniões nas casas de amigos, para as randonnées nas florestas.


Domingo - PEDE cachimbo - ( descobri isso recentemente porque sempre imaginei um pé-de-cachimbo!!!) fomos fazer um passeio numa floresta ao norte de Lyon. Da mesma maneira que o governo municipal cuida dos lagos, eles cuidam de florestas próximas às cidades onde os franceses têm o hábito de fazer suas caminhadas, colher castanhas, champignos e fazer piquenique, claro! Uma oportunidade de se afastar da cidade, esfriar a cabeça e estar pronto para o trabalho na segundona.

Você passa um dia super agradável no meio da natureza, uma paisagem que você só via em filmes e livros de contos do fadas... E está aqui o outro ponto positivo: passear tranquila pela floresta enquanto seu Lobo não vem.

Lobo? Eles nem pensam nisso. Passeiam felizes pela estrada afora sem que a questão "segurança" passe por suas cabeças... Quando falo para meus amigos daqui que fazer um passeio deste tipo no Brasil pode ser muito perigoso, não por causa de encontros inoportunos com animais famintos, mas por causa do "bicho homem", eles acham que eu invento ou exagero.

É... Realmente é difícil de acreditar no estado deplorável da segurança brasileira. Então, explico que eu cheguei aqui com hábitos e reflexos de quem vivia em estado de alerta contra assaltos e afins e nem me dava conta disso. Depois de passado um tempo, relaxei. Aí, quando fui passar férias no Brasil, primeiro domingo, assisti no "Fantástico" uma matéria sobre "como segurar bem sua bolsa dentro do ônibus, esconder a carteira, não usar celular na rua e andar em alerta e com os vidros do carro sempre fechados"... Ai... Isso é tristemente surreal!

E a reflexão final do passeio florestal foi sobre a crise mundial e o futuro incerto da Europa, da França. Haveria alguma chance do Brasil virar uma "França" e a França virar um "Brasil"? Não chegamos à uma conclusão e nem esquentamos muitos neurônios relaxados com isso. Respiramos profundamente um ar puro e entramos no carro rumo à Lyon! Ah! Ponto negativo: aqui também tem engarrafamento de domingo, viu!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cozinheira? Oui!


Invoquei agora que eu sei cozinhar. É isso mesmo: cismei que virei cozinheira! Acho que o post que fiz há mais de um ano, tem um pouco a ver com isso. Na verdade, fiquei com vergonha depois que o escrevi. Como assim que eu não era capaz de fazer direito nem um strogonoff de frango?

Então, aproveitei a experiência de morar com 2 francesas que cozinhavam super bem. Além disso, tem a minha genética que não posso negar. Cansei de me fazer de ovelha negra da família e me joguei na cozinha! Desisti também de seguir as receitas e percebi que poderia usar minha criatividade a meu favor.





Agora, adoro cozinhar! Tá certo que com isso junto o útil ao agradável. Não tenho árvore de dinheiro para ficar comendo só em restaurante e, além do mais, cozinhar aqui dá gosto.

Tudo começa quando você vai fazer compras. Ai os supermercados daqui... Eles são uma tentação não só prá quem gosta de comer, mas também, para quem gosta de cozinhar. Fico louca com a quantidade de azeites diferentes, molhos, temperos, tipos de carne, mostardas, grãos... (É muito raro eu fazer arroz com tantas opções de grãos que jamais imaginei existir).

Nem vou falar das feiras ao ar livre, dos mercadões de sábado e de domingo... Ainda não consegui experimentar de tudo, mas tento.

Meu paladar mudou depois que cheguei. Vim decidida que iria provar de tudo. Bebida, comida, tudo. Sabe aquele queijo mais fedido do mundo? Já provei. Sabe aquelas coisas horríveis feitas de sangue e tripa? Também e gostei. Quando via que a comida tinha uma aparência estranha, um cheiro bem "diferente", perguntava o que era. Meus amigos franceses sempre falavam: "experimenta primeiro que depois a gente te fala". "Então, tá"! Nunca tive que cuspir.

E tirando as comidas estranhas, existem as que são tudo de bom: o gosto, o cheiro, a aparência. Isso, não só nos restaurantes. Não nos esqueçamos das padarias, confeitarias, chocolaterias! (Aliás, quem inventou o croissant de amêndoas deveria ser preso! É um vício e uma bomba calórica!) E as queijarias? E as casas de vinhos? Detalhe é que nestas, você paga mais caro que nos supermercados e, ainda assim, compra um vinho muito, muito, muito bom por 4 euros...

Tô tão metida a ser cozinheira que, para o jantar de ontem, convidei uns amigos italianos que amam cozinhar, comer e beber. A metideza é tanta que fiz uma pasta com um molho super criativo com uma mistura de champignos. Comprei massa fresca, vinho especial... Como entrada, uma salada caprichada... Contudo, como nem tudo é perfeito, ia fazer uma sobremesa com doce de leite que trouxe do Brasil. Quando abri a lata, havia também uns champignos... Não arrisquei e servi paçoquinha e pé de moleque mesmo. C'était parfait!


domingo, 4 de setembro de 2011

Setembro Chegou!

Setembro chegou! Na verdade, não tenho nada contra o mês de agosto, como muitas pessoas têm. Prá mim, agosto tinha o gostinho de recomeço, de segundo semestre, de "gaz total rumo ao final do ano"! Mas setembro chegou e com ele, o fim das minhas longas férias no Brasil.

Passar férias no Brasil, em Belo Horizonte, minha cidade... Meus olhos mudaram. Vejo coisas que jamais fui capaz de enxergar enquanto estava só do lado de dentro. Adoro a sensação de descoberta, mesmo quando se trata do velho que vira algo novo.

Estava de férias e queria mesmo era aproveitar minha família e amigos. Aproveitei, entretanto não vi todo mundo que gostaria, não passei o tempo que queria com aqueles que vi, mas foi muito bom!

Tem horas que é preciso parar, tomar um fôlego para poder continuar. Ufa! Tá bom! Voltei tranquila.

Setembro chegou e com ele, mais um ano letivo aqui na França. Muitos projetos novos também. Criatividade transbordando... Energia total para estudar e fazer o que eu amo fazer: viver na interseção da dança, educação e psicologia. Contar com meus esforços, minha bagagem e com os acasos da vida. Então, "vamu que vamu!".

Quero dizer um "Muito Obrigada" à minha família e amigos!
Estou abastecida de muito amor e carinho e pronta prá seguir em frente!

Une bonne rentrée a todos nós!!!

domingo, 17 de julho de 2011

Contos Poliglotas



Se alguém me perguntasse, há 2 anos atrás, o que eu imaginava que estaria fazendo hoje, nunca responderia: contando um conto brasileiro, em francês, sozinha, durante 25 minutos, para uma platéia de franceses, no meio de um picadeiro. Pois é... Impossível prever o futuro!
















Chegou ao fim a temporada de "Contos Poliglotas" da Casa de Jovens e Cultura de uma cidade grudada em Lyon chamada Bron.

O projeto foi idealizado pela diretora artística da Casa e reuniu pessoas estrangeiras que quisessem contar um conto em francês, introduzindo palavras ou mesmo frases de sua língua materna.

Tivemos aulas de contação de histórias, teatro e encontros quinzenais nos quais escutávamos uns aos outros, nos corrigíamos e palpitávamos em tudo, além dos jantares com menus internacionais.

Representei o Brasil e fiquei muito feliz por fazê-lo. Além de dar vazão às minhas caretas, se é que vocês me entendem, fiquei mais fluente em francês, conheci grandes amigos e participei do projeto educativo com as crianças que é de conhecer o diferente para reconhecer a semelhança!
Lindo!



No início, fizemos apresentações individuais. Durante 3 meses, a cada semana, um país à la carte.


O último dia foi reservado para a festa da família com "uma Viagem ao Mundo dos Contos", contação de histórias à moda antiga, aproveitando as sombras das árvores...
Tudo de bom!







No segundo semestre, o projeto será mais audacioso. Seremos infiltrados em um grupo de teatro de Lyon para fazer uma peça infantil contemporânea e poliglota! Oba! Conto os detalhes depois!


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