Foi assim: a gente estava querendo um final de semana na montanha prá poder aproveitar o que nos resta do inverno. Procuramos na internet um passeio bacana. Os franceses fazem muito isso. Há sites especializados em programas legais. O preço do final de semana depende da atividade, do lugar no qual você vai dormir, da comida que você vai comer, mas varia entre 70 e 180 euros por pessoa.

Raquette é este tipo de "chinelo" próprio prá neve. Você usa seus sapatos para a neve (impermeáveis) e prende seu pé na estrutura que te permite andar como se você estivesse com chinelos. As raquettes são fundamentais para subir montanhas, onde a neve é fofa. Nosso peso se distribui nas grades que aumentam a superfície de apoio. Sem as raquetes a gente poderia afundar a perna inteira. Além do mais, elas têm umas garrinhas que te ajudam a não escorregar.
Atividade escolhida, faltava escolher o tipo de abrigo para passar a noite. Fiquei tentada entre dormir num refúgio quentinho ou dentro de um iglu que seria construído por nós mesmos. Super aventura de um lado, um pouco de conforto do outro... Na dúvida, optei por dormir numa casa-refúgio onde jantar e café da manhã estavam incluídos.
Então, no sábado, acordamos às 5 da manhã. Pegamos um trem até Annecy e outro até Cluses, divisa com a Suíça. Lá o guia, super simpático, nos pegou na estação e ficamos conhecendo os outros três casais que nos fariam companhia nesta aventura. Pegamos a estrada rumo à base de uma montanha e aí foi só alegria...
O refúgio era super tranquilo. Uma casa que pode abrigar 72 pessoas. Ela tem um salão cheio de mesonas, uma cozinha. No segundo andar, 8 quartos. No nosso havia 8 camas. Tudo limpo. O único problema era que não tinha sala de banho e no segundo dia acabou a água do único toilette... Mas aprendi que isso não é tãããão grave, afinal, estou na França!
Ponto super positivo: o jantar com sopa de legumes e este fondu de queijo da montanha...
Se estava frio? Com roupas apropriadas a gente não sente frio. Ainda mais subindo montanha... O guia falava que o importante era a gente não suar, porque quando o vento resolve soprar forte, a gente congela. Fora isso, tirava o gorro, cachecol, luvas e abria o casaco.

Escutávamos barulho de avalanche o tempo todo. O momento mais tenso foi no segundo dia, quando tivemos que ficar um tempão parados porque não conseguíamos enxergar por causa da neblina. Quando há neblina e neve, você enxerga tudo branco. Não diferencia céu e chão. Como diz o guia, o melhor é ficar parado para não cair nos precipícios...

Se valeu à pena? Cada segundo! Ainda mais com um pôr do sol assim...









