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terça-feira, 28 de junho de 2011

Farofa na França

Quem pensa que aqui na França a gente vive somente de glamur, está bem enganado. Todo povo tem seu lado farofeiro e tenho uma teoria de que as altas temperaturas favorecem o aparecimento desse lado.

Imaginem eu, em casa, em pleno domingo, estudando Piaget. Bom, adoro Piaget e curto muito estar estudando um livro dele em francês, entretanto, passar o domingo inteiro dentro do seu quarto enquanto o sol intenso brilha solitário no céu, dá um certo mal estar... Ainda mais que meu apartamento foi muito bem construído para manter-se aquecido durante os 9 meses de frio. Contudo, no verão, tomando todo o sol da tarde, que atualmente tem durado até quase 10 horas da noite... vira uma sauna!!!

Então, quando recebi o convite para ir nadar num lago que fica a meia hora de Lyon, não pensei 2 vezes. Um aviso:
_ Vai estar lotado!
_ Por mim, não tem problema não!!!

Chegando lá, lotaaaaaado! Sabe estacionamento de shopping na época do Natal? Estava pior por causa do sol escaldante. Difícil achar vagas mesmo na beira da estrada.

Paramos longe, mas foi ótimo para observar as pessoas que, com um lago enorme na proximidade, resolvem sair com toda família, papagaio e periquito para ficar próximas à estrada, longe da água. Fui andando e observando os farofeiros profissionais com suas churrasqueiras portáteis, mesinhas, bancos, redes, barracas, brinquedos diversos para as crianças e para os adultos...


Chegando no lago, nem tão lotado assim. É grande, as pessoas ficam mais espalhadas ou na grama ou em cima das pedras. Nada de areia fina e branquinha. Entre pedra e grama, não tenho dúvidas.




Marcado nosso espaço, só restava entrar bem rápido na água. Esta era para ser cristalina, mas estava turva e cheia de algas. Contudo, quando sua pele está fritando, água é água e a temperatura estava ótima! Fiquei com inveja dos profissionais da farofa que ficavam boiando equipados com colchões de ar...

O que me impressiona aqui é que, sempre, esses espaços públicos são bem cuidados e limpos. O governo mantém estes "cantinhos de sossego" próximos às grandes cidades para que uma população sem muito dinheiro possa sair da área urbana, se sentir de férias e se divertir com toda a sua família! E, para quem tem carro, há vários lagos lindos na região próxima à Lyon. Há um mapa que é distribuído na casa de turismo, na praça Bellecour, que dá ótimas dicas de passeios como este.

Prá quem não quer sair da cidade, mas que também não está suportando a alta temperatura, há a opção das piscinas públicas. Existem várias aqui! Algumas, as que são completamente abertas, funcionam somente nos 3 meses de verão. Tudo limpo. Ninguém pode entrar de sapato ou chinelos nem no vestiário.

Hoje a temperatura chegou a 35ºC em Lyon. Como vocês já sabem, é impossível ficar no meu quarto à tarde. Peguei meu livro e fui para a piscina pública me refrescar. Lotaaaaada! Paguei 24 euros em uma cartela com 10 entradas. Farofa e diversão garantida!

Há uma grande diferença entre a diversão na França e no Brasil. Aqui, todo mundo usufrui do que é público, só que a noção que eles tem do "público" é diferente da nossa. Como disse um amigo brasileiro, para os franceses, o "público" é de todos, todo mundo cuida, e para os brasileiros, o que é "público", ainda, não pertence a ninguém. Isso faz uma diferença...

sexta-feira, 25 de março de 2011

PAQUERAR NA FRANÇA

Já vou logo anunciando o que me dizem as estatísticas: o casal "duradouro" formado por brasileira-francês é muuuuuuiiiito mais comum do que o casal francesa-brasileiro. Hoje eu entendo melhor o porquê. Para que vocês o entendam também, criemos juntos uma personagem hipotética, de nome Iracema, uma linda brasileira, solteira, que resolve passar uns tempos na França, talvez para... estudar!? Ah! E vamos supor que ela não tenha lido meu post sobre "Verdade Universal: só para Mulheres" e que, no fundo, ela procure aqui seu príncipe encantado. Ela pensa ser uma procura bem lógica, visto a quantidade de castelos e homens bonitos encontrados aqui na França.

Falando nisso, deixemos a criação e descrição do perfil de Iracema de lado, e falemos mais sobre os bonitos homens franceses. Como já disse, aqui tem aos montes. Generalizando, e falando de uma primeira impressão, eles são charmosos, interessantes, "viajados", falam francês super bem e para isso têm uma voz mais grave, sexy (ui!). São românticos e criativos a ponto de te dizer algumas pérolas como "seu sorriso porta o sol" (aaaahhhh! C'est mignon!). Com certeza Iracema nunca escutou isso da boca de um brasileiro.

Então, nossa personagem imaginária, recém chegada, já decide ir à luta e sai para a balada francesa, sozinha mesmo, com seu questionário "seleção-natural" dentro da bolsa. Em pouco tempo ela, inteligente como ninguém, percebe que em boites onde só há estudantes, além de só ter estudantes (que geralmente vão onde a entrada é gratuita e as bebidas são mais baratas, perfil um pouco diferente do seu ideal de príncipe encantado), eles estão mais interessados em beber e pirar do que conhecer uma plebéia. Além disso as músicas altíssimas e a sua dificuldade de falar francês a impedem de fazer suas "perguntas-triagem". Mas ela aproveita a música e dança.

Então, ela economiza seu dinheirinho durante a semana e nos finais de semana vai em boites onde é preciso pagar para entrar, beber e respirar. Muitos gatinhos, muitas trocas de olhares e pouca conversa. A galera bebendo e pi-ran-do. Iracema dança e ganha vida!

Ela se lembra do esquema das casas de forró do Brasil e decide aprender salsa (uma febre por aqui), na night e na marra mesmo, prá não perder mais tempo. Percebe que os franceses que dançam salsa estão lá para dançar salsa e que, quando dançam com ela, nem percebem que ela não sabe dançar porque não há relação entre as pessoas que estão dançando, entendem?

Ela, já cheia de bolhas nos pés, desiste dos lugares dançantes e descobre os "pubs", onde há uma grande concentração de homens, que ficam bebendo e conversando com seus amigos, ou fumando do lado de fora. Bom, Iracema não fuma, mas a idéia de começar a fumar para poder puxar papo com alguém, ao perguntar se a pessoa tem fogo, passa pela sua cabeça, mas vai embora. Felizmente, como já disse e reafirmo, ela é inteligente e não está tão desesperada assim, né Iracema?

Iracema percebe que os homens franceses são muito mais "tímidos" que os brasileiros, e como ela também é um pouco tímida, começar uma conversa com alguém é sempre uma batalha.

O tempo passa e nada de Iracema encontrar seu príncipe encantado. Um dia, ela percebe algo que a deixa preocupada: "nas baladas, é raro eu ver um casal se beijando, mas é muito comum eu ver vômitos pela rua. Seria isso uma preferência francesa?". Iracema já está desesperada.

De tpm e com o "mal do país", ela deixa de lado seus planos de casamento e decide sair para comer mesmo. Procura algo bem prejudicial para a saúde, cheio de gordura e calorias e vai à uma lanchonete especializada nisso, e que, ao mesmo tempo, é uma "baladinha" porque, "nunca se sabe, né gente?!" Então, depois de ter comido e de passar horas trocando olhares com um pretendente, ele, uau!, toma coragem e vai conversar com a moça dos olhos de mel. A conversa flui! Coincidentemente eles haviam pedido o mesmo menu prejudicial e isso foi o gancho para uma maravilhosa conversa. Iracema, que era só sorriso, consegue fazer seu interrogatório. Seu candidato obtém uma ótima nota. No fim da noite, na qual eles só conversaram, ele diz: "eu te deixo meu número" (de telefone, claro). Iracema, que estava encantada, mas também de tpm, murcha e se pergunta: "o que vou fazer com o número dele? Eu joguei todo o meu charme e ele não gostou de mim! Por que ele não se interessou por mim e pediu o meu número?".

_ Ah, Iracema! Vamos parar de trololó e simplificar isso porque eu já estou cansando! Eu te explico: quando um francês te deixa o número dele, quer dizer que ele está interessado em você. Se você estiver interessada, pode ligar, ou melhor, não liga não! Manda uma mensagem. É! Aqui eles usam o telefone muito mais para enviar mensagem do que para conversar diretamente com a pessoa. Mas não manda hoje não. Espera pelo menos um dia, faz parte do jogo. Então, diz que você achou a soirée simpática, que você gostou de conhecê-lo e que...
_Mas, Carol, você sabe que no Brasil é o homem que toma essa iniciativa.
_Eu sei, Iracema! Mas aqui é diferente! Você está morando onde agora? Francês morre de medo de levar um fora e acha polido te deixar à vontade prá decidir. Para terminar sua mensagem, você pode convidá-lo para tomar um café ou "um copo" (expressão francesa). E não manda 'um beijo' não!!!
_Ah, não! Acho isso tudo muito estranho!
_Minha filha, então desiste e vai fazer outra coisa da sua vida, ampliar seus horizontes! Fique sabendo que você está concorrendo com as francesas e prá elas isso é mais do que normal! Estranho aqui é quando eu falo como os homens brasileiros agem. Elas acham as atitudes muito diretas e invasivas, porque elas são acostumadas tanto com o tomar a iniciativa quanto com esse tempo looooongo dos franceses. Por isso é que o casal francesa-brasileiro é menos comum.
_Não sei se consigo, Carol. Tô pensando em voltar pro Brasil.
_Ai! Pára com isso, mulher! Consegue, sim!
_E se ele disser não?
_ Não vai dizer não. Deixou o número dele com você: essa é a lógica deles. Correndo tudo bem, ele vai assumir as mensagens e vai te convidar para jantar num restaurante, e havendo interesse das duas partes, podem se considerar namorados.
_Dá até um frio na barriga, Carol!
_Para te encorajar, vou te falar que nós brasileiras temos uma grande vantagem: somos brasileiras!
_E?
_E a mulher brasileira é o sonho de consumo da grande maioria dos franceses. Para eles, a mulher brasileira é o máximo do máximo! Então, quando eles vierem com a indireta do "você tem um 'pequeno' sotaque", maneira polida de perguntar de qual canto do mundo a gente veio, aproveite o momento e fale devagar para perceber a modificação da fisionomia dele: "é que eu sou bra-si-lei-ra". Você já ganha diretamente 10 pontos. Quer pontos extras? Continue sorrindo e dançando, raridades preciosas por aqui! Mas abra seu olho porque homem-mala existe no mundo todo!
_Por que você não me disse isso antes? E onde você aprendeu tudo isso?
_Não revelo minhas fontes. Ah! E tem uma coisa: acrescenta aí na sua lista de perguntas procura-marido se o sujeito tem namorada ou esposa, porque aqui é muito normal ter amante. É quase que um valor prá eles. E, com o tempo, você vai descobrir como o francês pode ser cara-de-pau a esse respeito. Bom, mas depende do que você quer prá sua vida.
_Não quero ser amante não! Eu quero me casar e ser feliz para sempre! Obrigada pelas dicas, Carol. (Iracema faz anotações no seu caderninho).
_Iracema, me escuta: antes de mais nada, leia atentamente o post que eu escrevi em parceria com mulheres de várias nacionalidades. Ele pode esclarecer algumas questões importantes prá sua vida. Você é meio estranha, sabia? E... Aqui, você não tem amigas para te dar conselhos, não?
_É claro que tenho, Carol!


Pensando bem... Pára tu-do! Acho que não foi uma boa idéia deixar a criação do perfil de Iracema de lado e começar a falar de homem. Quando tiver mais tempo, vou reescrever este texto!!!


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Sistema de Ensino Francês: verdades para quem quer ler e enxergar


Sobre meus óculos, a "Alegoria da Caverna" e o Sistema de Ensino na França:



Há um mês uso óculos. "Astigmatismo" foi o diagnóstico que o médico deu para o meu enxergar meio embaçado, sem foco preciso, segundo ele. Leitura Corporal à parte, o fato é que não percebia que estava com algum problema. Só fui convencida dele quando coloquei meus óculos pela primeira vez. A sensação que tive foi que a imagem ao meu redor de 4 megapixels tinha passado para 18. Tudo tem um contorno definido! O mundo ficou mais nítido! Adaptei-me instantaneamente às minhas novas lentes.

Mais focada e aqui em Lyon, preparei-me para a minha semana intensa de provas. Muita matéria, leituras, exercícios... Nada em português. Quando a tão "esperada e temida" semana dos alunos chegou, em um dia, tivemos 3 provas dissertativas, com um intervalo de 10 minutos entre elas: uma às 8hs, outra às 10hs e a última às 12 horas! Meu cérebro conseguiu descansar só 3 dias depois...

Minha fase de enamoramento com a França e seu Sistema de Ensino acabou aqui! Não é nada grave, nada que me faça mudar de planos. É simplesmente o efeito dos meus óculos e da nova capacidade de enxergar o mundo mais nitidamente.

Tudo isso me faz lembrar do texto da "Alegoria da Caverna", onde Platão, o filósofo e autor, nos faz imaginar uma situação na qual seres humanos, que nasceram dentro de uma caverna, lá viviam suas vidas acorrentados. Eles, sempre de costas para a abertura da caverna, só enxergavam as sombras das pessoas que viviam do lado de fora, assim como, escutando as suas vozes, pensavam que eram os sons produzidos pelas mesmas. Para esses seres humanos de Platão, a realidade era a sombra. Ele pede para seu leitor imaginar o que aconteceria se um deles se libertasse das correntes e fosse para o exterior da caverna, ao encontro da luz. Ele veria a real realidade. Quais riscos ele correria se resolvesse voltar para dentro da caverna e dissesse para seus companheiros que aquela realidade das sombras não era a verdadeira? Seria ignorado? Tido como mentiroso? Louco? Seria perseguido e morto? - É o tipo de texto que nos ajuda a refletir diante de muitas situações da nossa vida...

Não sei como vou explicar isso à vocês, mas, infelizmente, acho que a Universidade francesa enxerga sombras e jura que é a única realidade possível. Minha angústia a esse respeito cresce não só porque agora sou uma estudante desse Sistema, mas, principalmente, porque sou uma estudante de mestrado em Psicologia Cognitiva e Neuropsicologia. Estudo o cérebro a fundo, as funções cerebrais, tim-tim por tim-tim. Estudo às disfunções, doenças, demências. Mas o que me deixa muito feliz é estudar as funções cerebrais no enfoque da aprendizagem e de sua potencialização.

Dentro dos laboratórios da Universidade, quando vamos fazer uma pesquisa, procuramos identificar os fatores que podem alterar o resultado e, na medida do possível, controlá-los. A Universidade aqui de Lyon é uma referência mundial em pesquisas nesta área. Estuda-se muito sobre a memória, as bases dos processos de aprendizagem e, consequentemente, do processo de educação. Muitas das teorias que estudamos no Brasil saem daqui, quentinhas, diretamente do forno.

Entretanto, a França, muitas vezes considerada o país das incongruências, faz jus à sua fama e peca ao deixar as teorias dentro dos livros e bem longe da prática. Porque eu pergunto: alguém tem dúvida que a minha capacidade cognitiva durante a terceira prova estaria prejudicada? E a capacidade do aluno que foi mal na primeira prova e que teve 10 minutos para respirar antes de começar a segunda? Isso sem pensar na terceira, quando eu já estava até vesga. E quem estava com vontade de ir no banheiro?

Nas provas dissertativas não é só o conteúdo que é avaliado, mas também a maneira como você consegue fazer uma ligação entre fatos, causas e efeitos, a maneira como expressa suas idéias, considerando inclusive o domínio da língua escrita. Alguém duvida que uma estudante estrangeira que estuda francês há um ano poderia ter mais dificuldades para desenvolver suas idéias? Nada dessa breve análise superficial é levado em consideração, nem mesmo por meus professores, grandes experts nesses assuntos...

O exemplo da minhas 3 provas durante uma manhã é um dentre váaaaaarios que poderia citar e é por isso que considero a França como o país da gastronomia "do conhecimento sobre educação". A "cozinha" é a Universidade, mais especificamente os departamentos envolvidos nas pesquisas das Ciências Cognitivas. Comidas saborosas, nutritivas e novas receitas saem daqui. O problema todo é que grande parte da nação e meus professores vivem de regime! Não aproveitam aquilo que produzem. Êta desperdício!

E se eu questiono, reclamo e digo a meus colegas ou professores que há uma realidade diferente das sombras, uma realidade onde a flexibilidade e a criatividade e o contato humano são essenciais, poucos são aqueles que acreditam nessa luz. Da maioria, recebo sorrisos amarelos bem amarelos. É o lado ruim de se ter uma longa história onde as pessoas se acorrentam em tradições inúteis.

Há mais ou menos 2 anos, houve uma greve de professores aqui, de pessoas que enxergavam o que eu estou enxergando só agora, mas que foram vencidos por seus colegas e alguns governantes, acomodados demais para querer ter o trabalho de mudar. Ainda bem que esses primeiros existem. Que eles não desistam da necessária mudança! Ainda tenho esperança!

A verdade é que me decepcionei, mas só na minha cabeça é que algum dia existiu uma França "ideal", ou na sua também? Na "real", estou aqui para estudar, então, estudo e muito! É meu foco. Aqui tem comida boa, tenho fome e vou me nutrir. Agora, se tem gente que quer viver de regime ou de baguette...


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Era uma vez...

Era uma vez, em um país muuuiiito distante, um povo que vivia com a intenção de ser feliz. Mas a felicidade deles, há muito, estava sendo ameaçada. 


Eles haviam pequenas e grandes insatisfações, tais como: a alta da inflação e das taxas de aluguel e de desemprego.

O povo estava cada dia mais preocupado com a falta de segurança, com a desigualdade social crescente e com a qualidade da saúde e da educação que diminuía.


Eles estavam insatisfeitos também com a política do governo que beneficiava milionários, congelava salários e desprotegia os trabalhadores com mais de 50 anos de idade.


Cansados de só reclamar, um dia, eles, juntos, saíram do conforto de suas casas para dizer:
_  Basta! Ça suffit!






"ET VIVE LA FRANCE!"




(Lyon, 19 de outubro de 2010)


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A França, a Greve

Quando eu cheguei aqui, ouvi falar que francês ama 4 coisas: pão, queijo, vinho e greve. Até a semana passada, só havia compartilhado dos três primeiro ítens da lista. Não que não tenha tido greves durante o ano, mas elas não haviam me atingido até então, não tinham me feito andar muitos kilômetros à pé para voltar para casa.

A França vive a eminência de uma Greve Geral. Os movimentos sindicais franceses são fortes, os estudantis, também. À eles são somadas as vozes da população, que confirmam, em coro, que a união faz a força.

Domingo, apesar do frio (parece que pulamos o outono e caímos diretamente no inverno), o barulho da multidão que estava nas ruas me fez deixar os livros de lado e sair de casa. E ainda bem que o fiz. A um quarteirão da minha casa, deparei-me com estas imagens:





Fiquei, sinceramente, emocionada. A população saindo de casa para protestar, para lutar por seus direitos. Famílias na rua, num frio de 8 graus, para dizer:

"Não mexam na minha aposentadoria!"
"Deixem meu pai descansar! Eu pago por ele!"
"Nem reforma , nem emenda!"
"Mudança na Aposentadoria? INACEITÁVEL!"

A última vez que vivi algo parecido foi no início da minha adolescência. Faço parte da geração "cara pintada" que foi ao centro de Belo Horizonte dizer SIM ao Impeachment. Confesso que na época não tinha noção de que estava fazendo história. Mas foi tão boa a sensação!

Contudo, quase duas décadas se passaram. E eu, minha geração e a grande maioria da população nos acomodamos. Ficamos, nós, brasileiros, reclamando em frente à televisão, nas rodinhas de família, amigos mais íntimos, evitando muita polêmica, para não criar desafetos, e, quando muito, assim como eu, em  frente ao computador.

Aqui, não. Aqui o pessoal está nas ruas. O clima anda tenso. Vozes em alto falantes convidam as pessoas para aderir a uma Greve Geral. Os estudantes estão na ativa, fazendo protestos e, na maioria das vezes, perdem o controle. Infelizmente, há depredação do material urbano e pedras e garrafas são lançadas contra os tiros de flashball e bombas de gás lacrimogênio.

Toda essa mobilização é para impedir a Reforma da Aposentadoria. Hoje em dia, a idade legal para se aposentar é 60 anos. Com a reforma, aconteceria uma aumento anual progressivo da idade limite, o que faria com que, em 2018, as pessoas se aposentassem aos 62 anos. Eles estão lutando hoje, agora!

Razões para querer a reforma, o governo tem de sobra: a França é um país onde 1/3 da população tem mais de 50 anos. Entretanto, segundo os franceses, essa reforma não é a solução. Então, a  população se une, faz a força e grita forte:

"NON!"

Ô gente, nem uma pontinha de inveja? Um incômodo? Uma vontade de mudar? A gente pode! Vamos?!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Morar na França? Só se tiver elevador!

A França é um país bem diferente do Brasil: clima, geografia, hábitos, língua e povo. Antes de me mudar para cá, tentei me preparar ao máximo para me adaptar e passar a conviver com tantas diferenças, mas é no dia a dia que a gente vai se sentindo, ou não, mais "em casa".
Se você quer morar na França, saiba que, além de escolher a cidade, o que você vai fazer por aqui, você também deve escolher como morar.



Não sendo príncipe ou princesa, você tem como opção:
  1. Morar na casa de um habitante da cidade;
  2. Morar numa residência de estudante (caso você venha para estudar);
  3. Fazer uma "colocation";
  4. Fazer uma "sub-location"
  5. Alugar um studio ou um apartamento.
Para começar a minha vida aqui, escolhi a primeira opção. Morei por 2 meses e meio na casa da Madame Françoise, que é francesa, professora de francês e que tem como segundo "ganha pão" alugar 3 de seus 4 quartos para estudantes estrangeiros. O dinheiro que eu dava para ela, incluía o café da manhã e o jantar, quando ela tinha muito prazer em apresentar para seus "enfants" a culinária típica da França (uma delícia!).

A pessoa que não tem o "canal" de uma madame Françoise, pode correr um risco. Pode dar sorte de morar na casa de uma família simpática, ou, de morar na casa de uma família que não conversa com você ou que acha que é uma empregada (casos verídicos).

Se você optar por morar numa residência de estudantes, ao fazer a sua inscrição na faculdade, você pode explicitar esse interesse. A própria universidade se encarrega de te inscrever. Daí, ou você vai morar em um quarto de 10 m2 com uma pia, uma cama de solteiro, uma pequena escrivaninha e um armário de duas portas e vai utilizar o banheiro e a cozinha coletivos do seu andar, ou você vai morar num estúdio um pouquinho maior por causa do pequeno banheiro e da piabalcãocozinha.
As vantagens de morar numa residência universitária são o preço e a quantidade de estudante que você pode conhecer. As desvantagens óbvias são os tamanhos dos cômodos, os banheiros coletivos e, se você tem mais de 25 anos, se sentirá uma pessoa anciã.

A "colocation", o que se aproxima à nossa "república". É o modo de vida dos jovens franceses, em sua maioria, solteiros, assalariados, independentes. Aqui está uma grande diferença entre eles e a gente. Na colocation, geralmente, não são amigos que resolvem alugar um apartamento e dividir a vida, são pessoas que se conhecem através dos sites especializados em juntar os "colocateurs" e suas devidas "colocations".


Esta foi a minha segunda opção. Antes de sair da casa da madame Françoise, procurei uma "colocation" em um site. Preenchi um cadastro onde criei meu anúncio, uma pequena propaganda de mim mesma, na intenção de ser escolhida pelo meu futuro(a) colocateur. As pessoas interessadas pelo meu anúncio me enviaram mensagens dizendo que estavam interessados. Entrei em contato com eles e marquei uma visita ao apartamento. Aí chegava um momento, no mínimo estranho, porque, durante essa visita, você avalia o apê e a pessoa, ou pessoas, com quem você dividirá o mesmo teto e toda a intimidade, ou falta dela, que isso pode acarretar. Por outro lado, eles também te avaliam.


Visitei muitos apartamentos: minúsculos, enormes, veeeeelhos, novinhos, imundos, limpos, com 1 habitante, 2, 3, 4 habitantes de todos os gostos e tipos. Passei por uma entrevista que durou 3 minutos e por outra onde me senti em um interrogatório: eu sentada em um sofá e os outros 3 moradores do apartamento na minha frente fazendo uma "anamnese" completa e eu pelejando com meu francês.

Então, escolhi um apê pelo seu estilo, tamanho, localização, preço. Eu, na minha ingenuidade, fiz a visita à noite e não reparei se o prédio era limpo ou se a casa estava limpa. Fiquei feliz pelo resto todo e nem mesmo dei importância ao fato da pia, que fica no meio da sala, estar cheia de vasilha, e a casa meio bagunçada. A pessoa "simpática" que me recebeu disse que o outro coloc estava de mudança e logo concluí que a bagunça era dele. Grande erro! Com o tempo percebi que tinha entrado em uma fria... Falta de sorte!?

Na colocation os nomes de todos os habitantes entram no contrato de aluguel. Para isso, cada um deve ter o seu fiador (uma pessoa francesa, com emprego fixo e que ganhe o suficiente para poder cobrir um calote de 3 meses). Neste caso, você, se for estudante, recebe uma "ajuda moradia" do governo francês que pode chegar à 180 euros por mês ; ).

A "sub-colocation" é quando você aluga o quarto de um colocateur que, por algum motivo, vai ficar um tempo fora de sua residência. Neste caso, você não tem seu nome no contrato do apartamento e, dificilmente, receberá a ajuda do governo.

Alugar um studio foi a minha terceira e atual opção. Você que é estrangeiro, estudante, sem emprego fixo, pode ter um pouco de dificuldade... Vai ter que apresentar uma papelada sem fim, ter um fiador e, em alguns casos, fazer um cheque caução com o valor de 4 vezes o preço do aluguel. Mas é uma tranquilidade que não tem preço...

Outra diferença importante entre a França e o Brasil é que, aqui, você faz a mudança no muque. Então, agradeço ao meu gatinho, amigos e voluntários que se dispuseram a passar o domingo desmontando móveis, descendo 4 lances e meio de escadas, quebrando a cabeça para todas as minhas coisas (sou brasileira!) caberem em um furgão. Agora moro no sétimo andar, mas tenho 2 elevadores!!!

(Você quer mais dicas sobre morar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!")

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pão e Circo

1) As pessoas trabalham e pagam muitos impostos.
2) Com o dinheiro, vindo dos impostos, o governo mantém muitos museus, ou mesmo, dá uma ajuda financeira a muito deles.
3) O governo possui suas sedes administrativas nos edifícios mais chiques e bonitos da cidade.
4) O povo, que trabalha e paga seus impostos,  paga caro também para entrar nos museus e têm seus acessos interditados aos prédios públicos, os chiques, claro!
5) Estranho, não!?

Acho que foi pensando nisso, que há 27 anos atrás, um ministro da cultura francês criou a "Journée du Patrimoine", que inicialmente era o dia do patrimônio na França. A boa idéia foi expandida para um final de semana e pela Europa, celebrando a história do patrimônio coletivo.


Durante o sábado e o domingo passados as pessoas tiveram acesso ao prédios públicos, museus, jardins, ateliers, fortes, castelos, hospitais, igrejas, teatros, prefeituras, etc. Tudo o que é considerado 'patrimônio' teve suas portas abertas, mesmo aqueles que são administrados por particulares. A maioria dos 150 destinos de visita era gratuita com os guias incluídos.

Esse evento agitou o final de semana. A calmaria, quase que entediante, do domingão de Lyon foi substituída pelas ruas movimentadas, metrôs cheios e filas para todo lado.

Os franceses são orgulhosos do cuidado que eles têm com a sua história. Eles a preservam pois sabem que é um bem precioso e isso faz toda a diferença. Para eles, "o tempo não apaga os traços dos grandes Homens", mas é preciso cuidar. 


No Brasil, às vezes, basta dinheiro para substituir uma construção antiga, caindo aos pedaços, por um novíssimo prédio de escritórios... Uma pena, tanto pelo 'caindo aos pedaços' quanto pela eliminação de um vestígio da vida passada.

Ter acesso a esses patrimônios é um tipo de "circo" que deixa o povo contente, pelo menos um final de semana por ano, mas também é "pão", pois alimenta o nosso conhecimento, a nossa alma. Temos acesso livre e direto à história da humanidade, da qual fazemos parte.  Entramos em contato com as contribuições deixadas pelos artistas, escritores, políticos, homens de poder e construtores, pessoas  que deixaram suas marcas no mundo, seus tesouros para serem contemplados por todos. E que aprendamos com isso!

sábado, 31 de julho de 2010

Envelhecer na França

Imaginem a cena:
Eu na fila do supermercado com uma amiga, às 6 horas da tarde, comprando o jantar do dia. Na nossa frente, 5 senhoras com idade entre 75 e 100 anos, com seus carrinhos de compra. Então, falo: entramos na fila errada. Procuro uma placa que confirme o meu engano. Nada. Olho para as outras 3 filas e, em todas, vejo cabeças brancas. Comento: que estranho, neste supermercado, não há fila prioritária. E minha amiga responde: se tivesse, seria a maior!
E não é que ela tem razão!

A população da França envelhece a olhos vistos. Há 20.000 centenários e 20 milhões de pessoas com mais de 50 anos entre os 60 milhões de habitantes. Uma criança francesa tem a expectativa média de vida de 80 anos. Além disso, aqui há baixas taxas de doenças cardiovasculares, causa da abreviação de vida de muitos adultos, e, baixa taxa de mortalidade infantil, o que faz com que aqueles que nascem, um dia, envelheçam.


O que é que a França tem que a gente não tem? O hábito de tomar vinho vermelho? A dieta rica em peixe, frutas e legumes? Pode ser. Mas, e os croissants, os queijos, salames, os patês, as sobremesas e a mania de nutella? E a fartura de manteiga, banha, azeite e e óleo nas comidas? Comprar os alimentos light, diet, com 0% de gordura? Isso é uma heresia num país que presa tanto o sabor dos alimentos.

Só que apesar do apetite, eles são mais magros que a gente. Aqui não tem o culto ao corpo sarado e bombado dos brasileiros. Eles optam pelo natural e saudável. São mais ativos também. As cidades mais planas contribuem para eles trocarem o carro pela bicicleta, patinete ou pela caminhada rápida, diga-se de passagem. Nos metrôs, as escadas rolantes servem só para eles subirem ainda mais rápido. Eles envelhecem movimentando-se o tempo todo.

O gorveno francês também facilita a vida longa da população tanto no que diz respeito às ajudas financeiras, à garantia das férias, à aposentadoria digna, quanto ao sistema de saúde, praticamente gratuito e sem filas de espera.

Este último foi revisto e reestruturado, principalmente com relação à terceira idade, depois da onda de calor que atingiu a Europa, em agosto de 2003. O calor de 38 graus somado aos dias longos do verão, à falta de ar condicionado nas casas e às férias em massa dos médicos, acabou matando, na França, 15.000 pessoas. A maioria delas, idosos que moravam nas casas de repouso.

Contudo, o que acredito que seja o grande diferencial da França, que contribui para a vida longa da população, é a maneira de enxergar a velhice. Ela não é sinônimo de doença, dependência, apesar de que, um dia, isso possa acontecer. E, quando acontece, muitos idosos são enviados às "casas de repouso". Se não querem esse destino, o negócio é sair de casa sozinho e à pé com seu carrinho de compras. Voltar para casa e subir 4 andares e meio de escadas, como eu, só que sem reclamar.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Sistema de Ensino na França


A França é reconhecida pela sua competência quando o assunto é educação. Acredito que esta fama de "inteligente" foi conseguida à partir do séc XVIII, o Século das Luzes. Nessa época, os pensadores iluministas acreditavam que os seres humanos podiam tornar o mundo melhor mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e engajamento político social. Isso tudo para fazer frente aos resíduos de tirania e superstição creditados ao legado da Idade Média. Com a ajuda posterior vinda dos pensadores humanistas, que também enfatizavam a importância do Homem e da racionalidade, a noção de Escola e a maneira de educar foram totalmente repensadas e reestruturadas. Nasce, na França, a consciência da importância de um sistema de ensino eficaz que tenha como objetivo o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos.

Não foi por acaso que escolhi esse destino para continuar meus estudos. Sempre tive a curiosidade em saber quais as diferenças entre a educação francesa e a brasileira. Quais são os prós e os contras? O que temos para aprender com eles? O que temos a ensinar? Como eles enxergam e tratam os alunos? Como é a preparação de um professor? O que eles sabem que não sabemos? O que eles fazem que não fazemos? E tudo isso relacionado ao ensino de dança para crianças?

Infelizmente, ainda não tenho todas essas respostas, mas aprendi como funciona o sistema escolar francês:

O ano letivo começa em setembro e termina em junho. As férias são divididas durante o ano: uma semana no fim de outubro, duas semanas para o Natal, uma semana em fevereiro (férias de inverno), duas semanas de férias na primavera e dois meses para as férias de verão! Faça as contas... bom demais!

Aqui, a escola é gratuita e laica dos seis anos, quando ela começa a ser obrigatória, até o pós doutorado ou até onde sua fome te levar. Ela deixa de ser obrigatória aos 16 anos. Normalmente, os pais colocam os filhos na escola maternal aos 3 anos, mas aí, têm que pagar. E pagam também se querem que seus filhos recebam uma educação religiosa, encontrada somente nas escolas privadas. Fora isso, durante toda a vida escolar pagam as taxas de inscrição anual. A mais cara é a do doutorado: 363 euros, por ano.

A educação da criança do 6 aos 10 anos é obtida no curso preparatório. Dos 11 aos 14 anos, no colégio. E dos 15 aos 17, na lycée, escola. Pela manhã, os alunos começam seus estudos às 8:30h e saem às 11:30h para almoçar. Voltam às 13:30h até às 16:30h. Um detalhe importante é que eles não têm aulas nas quartas-feiras. Um problema para os pais trabalhadores que é resolvido pelas "babás de quarta-feira". À partir dos 14 anos, o aluno pode optar por um curso profissionalizante, mas isso não lhe dá o direito de, depois, entrar em uma Universidade.

Para entrar na Universidade, o aluno tem que ter cursado os 3 anos da lycée, e fazer uma prova chamada Baccalauréat. É uma prova geral para todo mundo, diferentemente do vestibular para entrar em uma Universidade específica do Brasil. Depois, se o aluno quiser continuar seus estudos, basta se inscrever no mestrado, que são mais 2 anos de estudos, apresentando seu currículo, histórico escolar e seu projeto de estudo. Para o doutorado, a seleção é mais específica e depende do curso pretendido, acrescentando 3 anos na vida escolar.

Um estudante estrangeiro que, assim como eu, quer se aventurar a fazer um mestrado por aqui, ainda tem que comprovar o seu nível intermediário da língua francesa e ter os diplomas equivalentes aos exigidos. Eles analisam seu currículo, histórico escolar, seu projeto de estudo e depois te dão a resposta, no meu caso, POSITIVA! Uhuuuu!

Quase 70% dos estudantes que querem continuar seus estudos vão para as Universidades. Os cursos mais procurados são os de letras e os relacionados às ciência humanas. Entretanto, aqui, não é só os estudos universitários que são considerados estudos superiores. Há também as "Escolas Especializadas" e as "Grandes Escolas", que não são gratuitas.

As primeiras são escolas de nível superior ligadas aos estudos de artes, arquitetura, turismo e, também, de estudos na área paramédica.

Já as "Grandes Escolas" são consideradas o que há de melhor na educação superior francesa. Para entrar, o estudante, depois do baccalauréat, ainda tem que fazer dois anos de um curso preparatório para fazer uma prova. Passando na prova, ele entra para a Grande École e, quando sai, seu diploma tem equivalência ao mestrado, permitindo o acesso direto à tese de doutorado. Uma Grande École forma os melhores profissionais nas áreas de engenharia, agronomia, veterinária, educação, defesa e administração pública.

Acho que o Brasil tem muito o que aprender com o sistema de ensino francês, a começar pela gratuidade, pelo incentivo à pesquisa e qualidade incontestável. Além do mais, os políticos e governantes franceses são formados em uma Grande École, com exceção do atual presidente Sarkozy, criticado por ter 'apenas' um mestrado... Um pouquinho diferente do Brasil, né, Lula! Ei, companheiro! Tô falando com você!

Leia, aqui no blog, o que aprendi depois que escrevi esse post: "O Sistema de Ensino Francês: verdades para quem quer ler e enxergar"

E você quer mais dicas sobre morar ou estudar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!".

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Apreciando Com Moderação

Há quem diga que a França é o país onde mais se consome álcool no mundo. Não duvido. Qualquer motivo é uma desculpa para fazer um brinde. Aqui, as pessoas têm o hábito de se reunir na casa de uma amigo, para tomar um aperitivo, antes de cair na balada e se embebedar de vez. Em qualquer restaurante que a gente vai, seja para almoçar ou jantar, podemos nos servir desse mesmo "aperitivo" antes da refeição e, durante, de uma boa taça de vinho que não faz mal a ninguém... Na verdade, as pessoas não precisam de uma ocasião especial e nem mesmo sair de casa para isso.

Nas aulas de "francês familiar", perdi a conta de quantos sinônimos aprendi para a palavra "bêbado". Também não sei dizer quantas expressões existem na língua francesa que significam "chapar o melão". Sim. O nível de alcoolismo daqui também é altíssimo.

Devo confessar que sempre gostei de vinho. E aqui, só tem vinho bom. Comprado em um supermercado um vinho caríssimo custa 12 euros. Mas não se preocupem, estou longe de ser uma viciada. Aprecio com muita moderação.

E foi para apreciar um bom vinho que fui conhecer uma pequena vila chamada Vouvray. Situada no vale de "La Loire", ao lado da cidade de Tours, esta região linda é repleta de plantações de uva. Suquinhos à parte, é aqui onde são produzidos alguns dos melhores vinhos do mundo.











Fizemos um passeio pelas "caves" dos habitantes, um tipo de caverna no quintal das casas das pessoas, onde elas guardam seus tonéis e centenas de garrafas contendo seus "tesouros".























Experimentamos os vinhos produzidos pelos pequenos produtores enquanto eles nos davam explicações sobre todo o processo de produção.
Um detalhe: dentro das "caves" a temperatura é em torno de 12 graus, por isso que tomamos vinho à temperatura ambiente.



Durante nosso tour, encontramos "caves" mais simples, mas para a nossa sorte, tinha uma chiquérrima que, excepcionalmente neste dia, estava aberta ao público comum.


Depois de uma tarde de degustação os visitantes podem voltar para casa com excelentes vinhos que variam de 8 à 95 euros.


Alguém duvida que os franceses apreciam seus produtos nacionais?


domingo, 21 de março de 2010

Licença Médica na França

Domingão, almoço de família na casa da madame Françoise. Similar aos almoços de família no Brasil, tirando a nossa música alta, as risadas estridentes e o exagero de comida típico dos "teixeiras", mas muito agradável também.
Fomos avisados do almoço, no sábado, enquanto ela nos mostrava os petits gateaux (bolinhos) que preparava para a sobremesa.

#tecla sap#
_ Amanhã teremos uma refeição em família. Vamos almoçar mais cedo porque meu genro está de licença médica e, por isso, tem que estar na casa dele às 14 horas.
Não entendi direito sua afirmativa e então perguntei:
_ Ããã?
_ Meu genro, o que operou o dedo, ele está de licença médica e tem que voltar para casa todos os dias às 14 horas.

Depois de outros ãããs, explico a vocês:
O genro dela caiu de bicicleta e perdeu parte de um dedo. Na semana passada, ele fez a segunda cirurgia de reconstituição. Está de licença médica. Mas a licença médica aqui na França também é diferente da do Brasil.

Seja qual for o motivo, o trabalhador passa por uma consulta médica. O médico faz a avaliação e "receita" os dias de repouso.



Só que ele escreve como deve ser esse repouso informando:
  • se o trabalhador pode sair de casa,
  • de que horas a que horas ele pode sair de casa (incluindo finais de semana),
  • se ele pode viajar,
  • se ele pode passar um período na casa de familiares, e indica quais.

Só que, aqui, tem os "controladores" que são funcionários do Estado e que podem fazer uma visita domiciliar para verificar se o doente está realmente doente ou se tirou uns "dias de férias" para aproveitar, por exemplo, a neve em Val Cenis.

Mas, normalmente, os controladores aparecem depois do pedido de uma empresa desconfiada das intenções de seu empregado (e a empresa pode receber informações anônimas). E, como é o Estado que paga por todo o período de licença do trabalhador, este, se estiver agindo de má fé, é considerado como tendo cometido uma falta grave contra o Estado e contra a empresa.

Concluindo, se o empregado, que acha que três meses de férias por ano é pouco, resolve tirar uma licença médica, conseguindo simular um problema qualquer ao médico, se ele não se der bem com algum colega de trabalho, ou com algum vizinho, e não der uma super justificativa por estar esquiando sem orientação médica, ele pode, então, ficar sem o seu salário ou perder o seu emprego.

Madame Françoise jura que isso é possível aqui, mas também diz que os franceses podem criativos.


Impossível fazer isso no Brasil, ? De qualquer forma, achei esse "controle" muito estranho...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Verdadeiro ou Falso?

No primeiro dia de curso, tive aula da matéria " Culture et Civilization" e a professora nos deu este teste. Pegue uma folha de papel, uma caneta e teste seus conhecimentos a respeito da França.


Vamos ver quantos pontos você consegue fazer:
  1. A escola, na França é obrigatória até os 16 anos.
  2. 25% dos franceses (maiores de 17 anos) têm bacharelado.
  3. As francesas (entre 25 e 34 anos) são "mais diplomadas" que os homens.
  4. Na frança, há 2 milhões de pessoas analfabetas.
  5. Menos de 50% dos franceses trabalham.
  6. A taxa de desemprego na França é de 10%.
  7. Os mais atingidos pelo desemprego são os jovens.
  8. 80% das mulheres que vivem "em casal" trabalham.
  9. A França é o país onde menos se trabalha.
  10. 10% dos franceses saem de férias para o exterior.
  11. Os jovens deixam suas famílias para viverem sozinhos por volta dos 26 anos.
  12. Há atualmente 20 milhões de pessoas com mais de 50 anos (1/3 da população francesa).
  13. 29 anos é a idade média de uma francesa ao ter o seu primeiro filho.
  14. Metade dos casamentos são religiosos.
  15. O número de divórcio dobrou depois de 1980.
  16. 1/3 dos casais se divorcia.
  17. Em 2/3 dos casos, é a mulher que pede o divórcio.
  18. 50% das crianças nascem de casais casados.
  19. Os casais homossexuais não têm o direito de se casarem.
  20. Na França há, oficialmente 3,6 milhôes de estrangeiros.
  21. A maior parte dos imigrantes vêm da África do Norte.
  22. 1/4 dos franceses é de origem estrangeira.
  23. Os imigrantes têm os memos direitos sociais que os franceses.
  24. Os franceses assistem, em média, 3h 30min de tv por dia.
  25. O jornal mais lido pelos franceses é o L'equipe, um jornal sobre futebol.
  26. O orçamento médio de uma família francesa é de 109 euros por dia.
  27. 76% da eletricidade francesa é nuclear.
  28. Na França, há mais de 16 milhões de cachorros e gatos.
Agora, confira as suas respostas: todas são verdadeiras.

E mais algumas curiosidades:

A França tem o record europeu em:
  • consumo de álcool;
  • compras de produtos de beleza e perfumes;
  • número de funcionários públicos;
  • número de acidentes de carro ( podemos associar ao consumo de álcool. Mas, tirando isso, eles são barbeiros demais. Param o carro na rua com uma roda na calçada... Os carros aqui têm a lateral toda detonada. Dá dó!);
  • frequentação das salas de cinema.
A França tem o record mundial em:
  • despesas em medicamento;
  • número de crianças adotadas;
  • número de turistas estrangeiros (são 60 milhões por ano -principalmente em Paris, é claro. Seguindo a fila, encontramos a Espanha, os EUA, a Itália, e a China. Mas uma outra curiosidade é que há uma previsão para a China ocupar o primeiro lugar em 2020).
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