sábado, 4 de setembro de 2010

Aprendendo a Língua Francesa II: dificuldades mais complexas

Agora já faz quase 8 meses que atravessei o Atlântico para morar aqui, em Lyon, França. Diferenças culturais à parte, meu grande desafio até então era a aprendizagem da língua francesa. Cheguei aqui com uma noção de francês. Em abril do ano passado, comecei a estudar sozinha quando ganhei o livro com cd da Folha de São Paulo (15 minutos de Francês). Depois, de agosto a novembro fiz aulas particulares e, em dezembro, um curso intensivo da Aliança Francesa.

Bom, mas como disse, isso me deu uma noção básica, tão básica que o meu primeiro contato telefônico com madame Françoise, para lhe avisar que eu tinha perdido a minha conexão Paris-Lyon, no desespero, foi feito em inglês.

E ela foi o meu primeiro impacto ao chegar em Lyon. Meu primeiro lar foi a sua casa, o ninho de uma francesa que adora falar e que consegue falar umas 200 palavras por minuto sem respirar. Mas, quando você não está acostumada a escutar uma língua, você acha que tudo é uma palavra só. E é claro que eu ficava com cara de interrogação e que da minha boca só saia uma interjeição universal: Ã? Aí, ela recomeçava mais lentamente e logo acelerava de novo e eu, para finalizar meu sofrimento, acabava com aquele sorrizinho de nada, fingindo que havia compreendido tudo. Início difícil!

O curso de francês da universidade me ajudou demais. Também estudei muito em casa ao fazer 1.400 exercícios extras contidos nos livros "Grammaire Progressive du Français", nível básico, intermediário e avançado. Fora um curso de férias e de fonética.

Acham que eu estou craque no francês, ? Melhorei muuuuiiiito. A convivência diária com os nativos contribuíu imensamente com essa melhora, como disse, anteriormente, em um outro post. Contudo, digamos que, até agora, eu tenha incorporado, de verdade, o básico da língua. Não estou exagerando e nem sendo muito exigente comigo mesma.

Vou explicar: depois de quase 8 meses e muito esforço, consigo compreender muito bem o que as pessoas falam, os filmes e, um pouco menos, as músicas. Digamos que meu ouvido tenha se acostumado com o francês. O que antes, para mim, era um bloco de sons transformou-se em palavras: nomes, verbos, advérbios, preposições, gírias, expressões. O meu vocabulário ampliado mais o meu conhecimento a respeito das conjugações verbais, sintaxe e francês familiar formaram meus novos arquivos que me permitem compreender o que escuto. Ler textos e livros também se tornou muito mais fácil e prazeiroso.

Entretanto, a compreensão oral e a leitura fazem parte de um processo de aprendizagem passiva. É claro que eu faço um esforço mental para compreender, mas é como se os estímulos chegassem até mim e meu trabalho seria o de classificá-los e distribuí-los nos arquivos. Simples, não?


Já escrever e falar fazem parte de um processo ativo. Para ser bem sucedida em expressar qualquer idéia, eu preciso acessar os meus novos arquivos, cruzar as informações para escolher as melhores palavras, a melhor concordância nominal e verbal dentro da sintaxe da frase. A tudo isso, na escrita, acrescento o cuidado com a ortografia e na fala, com a pronúcia, inclusive faço biquinho e pronuncio sons que não somos habituados no português. Aí, sai de mim a idéia a ser expressada. Um parto!

Na minha auto avaliação, hoje consigo me expressar muito bem quando falo utilizando o presente ou o futuro. Gerúndio, infinitivo, pretérito do indicativo, discurso indireto? Ok. Utilizar as formas do passado está cada dia mais fácil, mas ainda faço esforço para acertar as concordâncias verbais. Mas agora, as preposições, o gênero das palavras, o tal do subjuntivo e as hipóteses são as pedras no meu sapato. Quando vou escrever em francês, ainda tenho mais tempo para refletir, mas quando estou falando, sou capaz de quebrar totalmente o rítmo de uma conversa e começar a fazer perguntas de gramática. É duro, conversar comigo! Eu sei. Haja paciência!

Hoje falo francês, mas é como se eu ainda utilizasse os trilhos do português. Isso dificulta a minha fluência. Sei também que a minha vontade de falar corretamente recrimina meus erros que recriminam a minha fala. Já me aconselharam a falar de uma maneira mais simples ou a pensar em francês. Que ótimo! Eu até que tento, mas isso, ainda, não é uma questão de escolha.

Uma vozinha dentro de mim me consola: "Calma, Carolina, isso tudo vai melhorar!" A partir do momento em que meus novos arquivos forem deixando de ser novos e passarem a ser mais usados, vou incorporar a língua francesa e todo o esforço que faço hoje será coisa do passado, mas fica aqui o seu registro.

Por que toda essa reflexão e esse desespero em aprender francês? Porque estudar francês era a minha primeira etapa aqui em Lyon. Tempo esgotado! Acabou a mamata! Segunda-feira, dia 6 de setembro, inicio a segunda etapa: começam minhas aulas de mestrado em Psicologia Cognitiva e volto a trabalhar, tudo isso em francês! Mas esses são outros assuntos...

(Leia também no blog: Aprendendo a Língua Francesa)

21 comentários:

Unknown disse...

Cá, felicidades em sua segunda etapa. Continuamos torcer por você. Bjs. MM

Anônimo disse...

Delícia de texto!

Thaisa Salge disse...

Amore, vc vai tirar de letra, tenho certeza absoluta! E estou doida pra te ver fazendo biquinho. Saudadeeee... a comemoração do meu niver será hoje num pub anos 80 com direito a muito Legião, Paralamas, Titãs & cia. Vou me lembrar de vc, claro! Quero dançar até o dia amanhecer como no nosso tempo! rs... Beijão!

Lucas Resende disse...

Tia Carol,vc não sabe o quão feliz eu fiquei de poder ter noticias de vc pelo blog.
Fico feliz por estar tão bem.
Bjos no coração

Anônimo disse...

Pour moi Carolina ... c'est super génial.... lire ton récit et imaginez tes vraies difficultés que je sais sont les mêmes de tous que apprennent une nouvelle langue à fond! je te conseille d'aller calmement ... au même temps je suis fière de tes progrés... je te désire plus des réussites dans ce prochain cours....quand à ça, bonnes chances! milles bises,Bia

Carol Saletti disse...

Mãe, tenho certeza que vcs torcem por mim. É isso que me dá forças para continuar meu caminho.

Ana, obrigada!

Thá, que vontade de comemorar seu niver com vc e dançar Legião até o dia clarear! Aiai...

Lucas, não me esqueci docê, não, viu!

Bia, vous serez toujours mon professeur de français. Vous savez que je suis là grace à vous. Merci beaucoup! Je vous attends ici, chez moi! bisous

Anônimo disse...

Caca que gracinha. vc escreve lindamente. boa sorte na sua nova etapa. seemmmpre pensando e torcendo por vc prima bjo no corac'~ao. Paty

Anônimo disse...

Não te conheço, mas gosto de seu jeito de escrever!Boa sorte nessa nova fase!

Carol Saletti disse...

Paty, tenho certeza que vc torce por mim! Tb torço muito por vc! Muitas saudades, prima do meu coração!!!

Anônimo, muito obrigada! Seja sempre bem vindo!

cris godefroy disse...

Adoro descriçoes detalhadas e reais sobre as dificuldades que é viver em outro pais, outros costumes, outra cozinha, outra gente, outra lingua afff!!!!!. So quem vive essa situaçao sabe o tamanho do esforço diario que devemos fazer para, comprender e ser comprendido hahaha......., ler tudo isso me faz bem, me faz sentir que nao estou sozinha, que existe outros que estao na mesma situaçao que eu, de aprendizagem e de esforço, me identifico com tudo que voce escreve, passo exatamente as mesmas situaçoes, e com as mesmas interjeiçoes universais As?? rsrsrs......, em breve conseguiremos ja estamos no caminho beijuuussss

Carol Saletti disse...

Oi Cris! A gente sabe que morar fora do país da gente é difícil, mas é bom! É difícil viver com a sensação de estar sempre recomeçando, mas, ao mesmo tempo, é muito bom ter oportunidades de recomeçar e melhorar a cada recomeço, né!? Bj p vc tb!

Anônimo disse...

Força ai Carol em aprender a língua francesa, voce consegue . Logo logo sou eu que estarei no seu lugar não para estudar mas sim em trabalhar na frança dá um frio na espinha , mas, desistir jamais. Beijos da Assunção de Lisboa

Anônimo disse...

Carol poderia me dizer por curiosidade quanto ganha uma empregada doméstica na frança e como ela é vista pelos franceses , quantas horas trabalha , seus benefícios etc. Desde já agradeço.

Carol Saletti disse...

OI, Valdeci! Olha, não sei ao certo te dizer quanto ganha uma empregada doméstica. O que posso te dizer é que, aqui, o mais comum é contratar uma pessoa para limpar a casa, tipo fazer uma faxina. O trabalho é contado por hora e vale de 8 a 10 euros a hora. Mas aquilo que tem no Brasil de ter uma pessoa trabalhando durante 8 horas por dia em uma "casa de família", nunca vi por aqui. Infelizmente não posso te falar de benefícios, porque não os conheço, mas aqui, as pessoas são bem corretas ao contratar um trabalho de alguém. Bjo para vc!!!

Anônimo disse...

que bom, ler suas dúvidas de Français parce que j'étudie aussi mais está difícil.Mas ainda não sou jovem e aprender outra língua não é fácil, mas vamos chegar lá. Abraços

Carol Saletti disse...

Oi Anônimo!
Não é fácil não, mas esse exercício de aprender ma nova língua é muito bom para o nosso cérebro e para a ampliação do nosso mundo.
Coragem! Bjo p vc!

Carol disse...

Oi Eliana!
Obrigada pela correção! Fique à vontade para fazer isso mais vezes!
Abraço para vc,
Carol

prica disse...

Olá! cheguei no seu blog, depois de pesquisar sobre o aprendizado da lingua francesa. Estou atrás de professor para iniciar a lingua. Fiquei impressionada de vc ir para o país fazer mestrado e só ter 8 meses da lingua. Fiz algo semelhante com o inglês neste ano. Vc é corajosa! Parabéns! espero que esteja se dando muito bem. Prica

Carol disse...

Oi Prica!
Eu acho que temos um pouco de coragem e de doideira, né! rsrs Agora, depois de um ano aqui, estou bem melhor. Ainda tenho muito o que aprender, principalmente para escrever a minha monografia e apresentá-la para uma banca de professores... afe! Com certeza que estou aproveitando muito. A experiência é muito boa! Vc está também morando fora do Brasil também?
Seja sempre bem vinda!

prica disse...

Oi Carol!

Não, estou no Brasil, mas em 2010 fiquei dois meses na europa. Um acompanhando uma Cia de teatro de Londres no Festival da Escócia, e no outro viajando de mochileira. Foi muito bom e melhorei o inglês na marra!
Agora quero começar o francês, para ficar um tempo em Paris.
beijos e obrigada!

Carol disse...

Prica, que experiência boa que vc teve! Bonne chance pour l'apprentissage de la langue française!
Bisous

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