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domingo, 29 de janeiro de 2012

A Chegada da "Peste"



Em 1909, Freud saiu da Áustria, provavelmente pegou um trem até uma cidade portuária. Aí, pegou um navio e depois de longos dias chegou nos Estados Unidos para uma conferência. Num diálogo com Jung, ainda dentro do navio, ele teria dito algo mais ou menos assim: "Eles não sabem que estamos lhes trazendo A Peste", já que, apresentaria, ao vivo, a sua teoria psicanalítica, com a noção de Inconsciente, o que modificaria a maneira de se pensar o ser humano, suas ações e relações.

Adoro psicanálise, mas ela não é o tema deste post. Escrevi esta introdução somente para chamar a atenção de vocês no que se refere à circulação de informação do início do século XX. Demorava para uma "teoria revolucionária" atravessar o oceano, né?

Hoje em dia, não é mais assim, claro. A internet simplesmente acabou com as distancias de tempo e de espaço. A notícia circula praticamente em tempo real. Até mesmos os telejornais com horários fixos, quando vão ao ar, já estão atrasados.

Fazer uma pesquisa nesta Era também é muito mais fácil. Não imagino como faria um mestrado
sem internet. Como pesquisaria sem os sites especializados em traduções, sem ter acesso aos artigos de revistas, livros e vídeos.

Com a internet você pode ser capaz de escrever um artigo em Inglês, conhecendo o básico da língua. No mestrado, agora tenho aula de "Inglês Científico". O professor é francês e não fala bem inglês (the hause = ze oze), mas ele domina os sites que interessam. Dou a dica: abra 4 janelas no seu computador

1) "Google Tradutor"
2) "Google Scholar"
3) "Word Reference"
4) Um documento no "word"

Sabendo articular essas quatro janelas, você é capaz de escrever um artigo em qualquer língua!

Adoro ter uma internet para fazer minha pesquisa, mas também não é este o foco deste post. O que me fez pensar nisto tudo foi a minha última aula de dança. Dou aula de "Danças Brasileiras" para uma turma de adultos. Contudo, há duas super adolescentes de 13 anos infiltradas no grupo. Elas chegaram todas "serelepes" na última quinta. O motivo? Queriam que eu dançasse com elas uma música que T-O-D-O-S estavam dançando na escola. Adivinhem... "Ai se eu te pego". Pegaram o telefone, pesquisaram na internet e me mostraram um vídeo de um jogador dançando em um vestiário" ( mais de 14.000.000 exibições) e um outro vídeo com a mesma música (mais de 30.000.000 exibições). Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

Pausa de indignação...

Dois anos fora do Brasil. Estou super desatualizada com relação às músicas e "dancinhas". Há mais ou menos 10 dias atrás que fiquei sabendo da existência do cantor, música e da coreografia dançada até por jogadores de futebol (?!). Achei exagero ouvir "o Mundo Todo está dançando 'ai se eu te pego'", mas, infelizmente, não. É fato confirmado, pelo menos aqui na França, em Lyon.

Tenho o maior cuidado em preparar as aulas de "Danças Brasileiras". Apresento aos alunos as muitas músicas de qualidade que temos. É uma difícil escolha dada a diversidade de cantores e rítmos que nos embalam. Mas, Não! Não vou dar aula com esta música. Não! Não vamos fazer esta "dancinha". N-U-N-C-A! Nem nenhuma outra dessa corrente de "créu". Creio que o Brasil tenha algo melhor a exportar.

Você pode não concordar comigo e dizer que tudo é uma questão de gosto e que gosto é igual bunda, cada um tem o seu. Concordo. Você pode se perguntar se eu sempre fui imune a esse tipo de "dancinha" e se eu, com 13 anos, não dançava "lambaeróbica" nas areias de Porto Seguro. Dancei. E "O Tchan" alguns anos mais tarde? Talvez tenha dançado um pouco, não me recordo muito bem... E como gosto é igual bunda, ele se modifica com o passar do tempo.

Minhas alunas se divertem com minha indignação. Elas cantam a música e dançam. Eu a traduzo numa tentativa de inibí-las. Contudo, elas já o tinham feito, com o celular mesmo, e nem se importaram. Acharam-na engraçada. Insisto na castração e explico o sentido das expressões, mas elas não estão nem aí. Ai adolescência... Freud, o que você pensa disso tudo?

Então, desisto e sublimo. Mudo de assunto e começo a aula com uma música bem boa. Meus ouvidos me agradecem! Chego a pensar que os bons tempos eram aqueles onde a informação demorava mais para se espalhar... Talvez as distancias de tempo e espaço pudessem fazer uma seleção natural nos assuntos. Mas, não. Na Era da Globalização, essa seleção não existe mais. Ela passa a ser uma escolha pessoal que depende do gosto de cada um, para ser bem simplista. E quem influencia nossos gostos? Na falta de uma resposta imediata, e de um "filtro" também, daqui eu confirmo: A Peste já chegou!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Marcha das Sombrinhas

Estava eu tranquila, andando pela rua, pensando na vida, voltando para casa, quando escutei os ruídos de uma manifestação popular vindo em minha direção. Manifestação popular e França... tudo a ver! Cena comum do cotidiano de Lyon.

Então, fomos nos aproximando e, quando avistei a multidão, fiquei encantada com o que vi: as pessoas estavam andando com grandes sombrinhas brancas guiadas por uma banda, muito boa por sinal. Impossível não começar a chacoalhar o esqueleto!

Mas, saindo da alienação e do papel de eterna turista, o que é que esse povo estava fazendo na rua com uma sombrinha branca na mão?


Nas sombrinhas também estava escrita esta frase: Il faut protéger les réfugiés! Em português: é preciso proteger os refugiados. Achei lindo: sombrinhas representando proteção!

Mais lindo ainda é a iniciativa destas pessoas de fazerem uma passeata para chamar atenção das autoridades e da população para a importância de ajudar os refugiados, os exilados e as pessoas vítimas de discriminação no país onde são acolhidas.

Não resisti. Comprei uma sombrinha e fui seguindo a multidão.

Comecei a conversar com uma das organizadoras que me explicou que o dia 20 de junho é o dia Mundial dos Refugiados e que eu estava fazendo parte da "Marcha das Sombrinhas", símbolo da proteção que deve ser garantida aos necessitados. Outros países como a Bélgica, Portugal, Países Baixos, Inglaterra, Áustria e República Tcheca também estariam na mesma ação.

A França recebe muitos refugiados, a maioria vinda de países da África, e, à princípio acolhe a todos. Contudo, para poder permanecer aqui e ganhar o seu titre de séjour (documento que legaliza a situação como habitante), a pessoa tem que passar por um longo processo, onde deve provar os motivos do seu pedido de abrigo e enfrentar uma maratona burocrática que pode variar de um a três anos. Esse período é crítico, pois sabe-se que menos de um terço das demandas são aceitas. O pior é que muitos desses refugiados chegam com suas famílias, crianças e vivem na angústia de não saberem se poderão ficar ou se terão que voltar para seus países de origem.

A organizadora com quem conversei ainda numerou alguns dos problemas a serem resolvidos pela organização na qual ela trabalha: o aprendizado da língua francesa, a escolarização de crianças e adultos, moradia, alimentação, acompanhamento médico, psicológico e inserção dos adultos no mercado de trabalho.

Nada fácil, ? Mas é muito bom ser surpreendida por seres humanos trabalhando e marchando pelo bem dos diferentes, seus semelhantes.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

BH - Lyon: a aventura da volta prá maison!

Acabaram minhas curtas férias em BH. O jeito foi voltar para Lyon e me preparar para enfrentar uma semana de muito estudo antes das provas finais do primeiro semestre do mestrado. Entretanto, há um oceano que separa essas duas cidades e para sair de uma e chegar na outra, o melhor é pegar um avião, a melhor (?) opção!

Nem preciso falar que, no dia 3 de janeiro, o aeroporto de Confins estava lotado... Peguei um vôo da TAP que sai de Belo Horizonte e vai até Lisboa. Começamos bem, com 2 horas de atraso, para deixar o solo brasileiro. Mas eu deveria ter aproveitado mais o conforto da sala de embarque...

Desta vez dei o maior azar e meu assento foi aqueles bem no meio do avião. Quem já viajou num desses lugares sabe o que eu passei...


Sabe o que é entrar no avião e passar pela primeira classe, pela classe executiva e se dirigir pro fundão. Lá, se o passageiro da frente já chega e inclina a poltrona para trás, ela passa a ficar a dois palmos do seu nariz, não porque ela inclina muito, mas porque todo mundo está muito próximo mesmo. (Aliás, se a poltrona inclinasse de verdade, nossa cabeça não ficaria caindo para frente enquanto a gente cochila...)

Bom, mas nem cochilar direito eu pude, pois, para piorar a situação, viajei prensada entre um português tagarela e uma brasileira um pouco acima do peso e muito espaçosa... A temperatura era inspirada no Pólo Norte. O jantar, servido às 3 da manhã, foi um frango cru com quiabo e angu servido na marmita de alumínio frágil (cuidado!), que esfriou rapidinho. Tudo sem sal e com muita turbulência... O jeito foi tomar um dramin e rezar.

Chegando em Portugal, por causa do atraso, eu tinha exatos 32 minutos para sair do avião e entrar no que me levaria à Lyon. Mas, eu estava na turma do fundão e, quando a gente tem pressa, aparece um tanto de lesma na nossa frente. Não só lemas, mas também uma fiiiiiiiiiiiiiiila para passar pela alfândega. Se fosse enfrentar a fila, adeus conexão! O jeito foi passar óleo de peroba na cara e caminhar a passos firmes por entre as pessoas tão decididamente que elas nem puderam questionar minha ação. Para um único olhar de buldogue que me fritou, uma resposta: "última chamada para meu vôo!"

Então, a fila de detector de metais. Já não viajo com cinto para não ter o trabalho de tirá-lo, mas meu i-poid, esquecido dentro do bolso da calça, acionou o alarme, que acionou uma segurança que me revistou demoradamente. "É meu i-poid!" Então, ela o pega e o joga de qualquer jeito dentro de uma bacia, mas um fone cai prá fora e fica preso na lateral da esteira que trava. Esteira prá frente, prá trás, prá frente, soltou! Saio correndo igual à uma louca procurando o portão de número 11. Fico feliz ao ver o finalzinho da minha fila com destino à Lyon!

Ofegante e triunfante entrego meu cartão de embarque.
_Estavas em qual vôo, senhorita?
_No que veio de Belo Horizonte.
_Ele se atrasou?
_Duas horas.
O funcionário olha sério para a tela do computador.
_A senhorita perdeu seu lugar neste vôo. A companhia aérea vai tentar te recolocar no vôo noturno e localizar sua bagagem.

Ops! Calma lá! Vôo noturno = (7 horas de espera em Lisboa + chegar em Lyon e não conseguir pegar mais o trem para o centro da cidade + desembolsar 70 euros de taxi) x TENTAR!!!

Aprendi, neste final de semana, que nessas horas a gente tem que rodar a baiana, mas eu estava sem forças e com muita dor de garganta. As palavras ditas em português de Portugal foram como um balde de gelo... Já que não conseguia armar um barraco, o jeito era usar meus dons de atriz. Então, olhando bem nos olhos do funcionário, comecei a chorar:
_ Eu não posso perder esse vôo... Amanhã de manhã eu tenho prova... Eu tô doente e meus remédios estão dentro da minha mala... Eu não conheço ninguém aqui... Como eu vou fazer?

E parece que o portuga se comoveu com minhas lágrimas de crocodilo:
_Não precisa chorar, senhorita. Espere!
Ele dá uma olhada no computador enquanto enxugo meu rosto. Ele rabisca o número do meu assento e escreve outro.
_Pronto! Podes embarcar!
_Muito obrigada! - E passo correndo pelo corredor, já vazio, que liga o saguão ao avião.

A aeromoça me recebe com um sorriso e me indica o lugar da minha poltrona:
_Fica neste corredor à direita, antes da cortina.
Antes da cortina? Fui me aproximando... Isso quer dizer que não há uma cortina que me separa da primeira classe? Sim! Não havia! Eu estava na Primeira Classe!

Champagne? Claro, obrigada! Bacalhau grelhado ao molho de abacaxi com um delicioso risoto? Bien sûre, merci! Ainda mais com louças, talheres e taças de verdade. Alguma revista, jornal? Não, obrigada! Depois de "encher a barriga", só mesmo reclinar a poltrona individual, sem ninguém ao meu lado, fazendo-a virar uma cama... Um luxo! Pena que Lisboa seja tão pertinho de Lyon!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Morando em um Freezer

Gente,
Ontem à tarde, eu estava na aula, no meio da minha primeira apresentação, quando começou a nevar. Ao voltar para a casa, o tram teve que parar no começo do caminho porque a pista estava interditada por causa da neve. Resultado: caminhada de 6 kilômetros no meio de uma nevasca... Amei!!! Só que desta vez, a neve estava super à vontade e continuou caindo durante a noite inteira. Resultado: aulas de hoje, canceladas... Amei!!! Não porque fiquei sem aula, afinal de contas, estou aqui prá isso, mas o que acontece é que agora os dias estão super curtos. Tem amanhecido quase às 8 e anoitecido às 17 horas, justamente o tempo que fico na Unversidade.
Então, hoje, aproveitei o dia para andar pelas ruas e registrar a belezura desta cidade, transformada em um freezer da noite para o dia. Amei!




























Adivinhem quem virou alvo depois da foto?

Cette photo est dédiée à Marrrriná

Agora está do jeito que eu gosto! Merci, São Pierre!

sábado, 27 de novembro de 2010

Neve!!!

A Neve chegou em Lyon! E chegou de mansinho na madrugada do dia 26. Ontem, quando eu acordei pra ir para a aula, abri as cortinas, vi o telhado do vizinho com um colorido diferente. Então, parei. Fiquei olhando, feliz!


A primeira neve do inverno tinha caído enquanto eu dormia. Eu perdi a estréia! Mas ela estava lá, em frente à minha janela, me dizendo que esse era somente o início da temporada.

Aí, fui para Universidade e, quando saí do meu prédio, começou a nevar uma neve bem fininha. Dentro do tram lotado, deixei a minha leitura habitual de lado, para poder admirar a cena. Parecia que só eu que via o que estava acontecendo.

Este é o meu segundo inverno aqui. Meus olhos ainda não se acostumaram com a neve. Acho que, para isso, eles ainda são imaturos, infantis. Talvez, eu toda o seja quando se trata de neve. Não ligo de andar pelo caminho mais longo e sem telhado quando está nevando. Simplesmente, gosto de sentir seu leve peso em mim.

A Neve chegou em Lyon deixando a cidade ainda mais bonita! Ela chegou de mansinho e alcançou o frio cada dia mais frio. As pessoas estão mais elegantes, com seus casacos de inverno, suas botas, cachecóis, gorros, luvas... A França fica muito mais chique assim!

A neve chegou em Lyon e chegou de mansinho mas à tempo para ajudar na decoração de Natal. Dizem que o lyoneses são muito caprichosos e que a cidade fica um encanto! Quero muito ver! Enfeitem tudo! Não se acanhem de exagerar ao máximo este ano! Quero um cenário perfeito! Vai ser o meu primeiro Natal com cara de Natal. E, finalmente, verei um Papai Noel à vontade debaixo de seu figurino do Pólo Norte.

Hoje, quando acordei e abri as cortinas, nevava, e nevava forte. Então, parei. Fiquei olhando, feliz! Voltei prá cama para admirar a cena de camarote vip. Parecia que os flocos tinham vida. Dançavam uma dança improvisada que dependia do tamanho, da leveza, do peso de cada um. O vento dirigia o sentido dos movimentos. Alguns se arriscavam a chegar até o vidro da minha janela. Ficavam grudados. Aos poucos, se derretiam e saiam de cena... Aqui dentro tá quentinho... Levantei só quando a neve parou, não sei porquê, de cair.

Pode cair, neve! Caia à vontade! Que meus olhos nunca "adulteçam" e deixem de perceber este espetáculo! Sou sua fã! Seja sempre bem vinda!


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Era uma vez...

Era uma vez, em um país muuuiiito distante, um povo que vivia com a intenção de ser feliz. Mas a felicidade deles, há muito, estava sendo ameaçada. 


Eles haviam pequenas e grandes insatisfações, tais como: a alta da inflação e das taxas de aluguel e de desemprego.

O povo estava cada dia mais preocupado com a falta de segurança, com a desigualdade social crescente e com a qualidade da saúde e da educação que diminuía.


Eles estavam insatisfeitos também com a política do governo que beneficiava milionários, congelava salários e desprotegia os trabalhadores com mais de 50 anos de idade.


Cansados de só reclamar, um dia, eles, juntos, saíram do conforto de suas casas para dizer:
_  Basta! Ça suffit!






"ET VIVE LA FRANCE!"




(Lyon, 19 de outubro de 2010)


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"La Vie en Rose" Verde e Amarela

O mês de celebração da vida através da dança acabou esta semana. Domingo, enquanto o Brasil dirigia-se às urnas para votar, nós aqui nos dirigíamos ao teatro mais moderno de Lyon para o último espetáculo da Biennale de la Danse com um grupo mineiro Balé de Rua.

Vindos de Uberlândia, a cia, formada por 15 dançarinos, uma dançarina, uma cantora e cinco percussionistas, trouxe alguns cartões postais em forma de dança do Brasil, de Minas, principalmente. O grupo, que tem 18 anos, é o fruto de um projeto social. Sem patrocínio nenhum, eles viajam o mundo com o dinheiro que ganham nas turnês. Em coro, eles dizem que vieram mostrar a dança que sai da favela para a rua, da rua para o palco e do palco para o mundo!

E eles fazem muuuuuiiiito bem o que se propõem a fazer: samba, capoeira, congado, rap e uma dança que deixaria Michael Jackson babando! No ano passado, eles fizeram 89 apresentações no exterior e 5 no território brasileiro. Apresentaram um espetáculo que arrancou aplausos franceses do início ao fim, algo inédito nesta Biennale.

Além de carisma, profissionalismo e muita energia, eles chegaram com o apelo de serem pessoas de uma origem brasileira mais humilde, não só eles, mas o grupo que representou o balé da Deborah Colker também, que infelizmente não fui ver. "Pessoas perseverantes que ganharam o mundo", dois dos 4 representantes brasileiros na Biennale.

Na segunda-feira, nos jornais de Lyon, matérias sobre o fim da Festa da Dança, greves e outros problemas lyoneses dividiam espaço com as notícias das eleições brasileiras. Aqui, a vitória da Dilma era tida como certa no primeiro turno e a de Tiririca foi interpretada como um ato consciente e de protesto da população contra a palhaçada da política verde e amarela.

Minha reflexão é sobre a imagem que vendemos e a imagem que é comprada do nosso Brasil. Já estou cansada de escutar, quando eu falo para alguém a minha origem, as palavras SAMBA, FUTEBOL, COOL (bacana)! Como se isso definisse o ser brasileiro! Não que eu não ame sambar e não adore copa do mundo, mas sou muito mais do que isso e ainda quero ser mais, quero fazer mais, quero ter mais. Quero me orgulhar cada vez mais de + e + conquistas brasileiras em todas as áreas possíveis.

(Política + Educação) x Dignidade = Solução
Alguém conhece uma outra fórmula?

Daqui de Lyon, não voto, mas peço LUZ para as suas consciências e mais ainda para a consciência de quem for eleito.

E a Biennale de la Danse? La Vie en Rose terminou oficialmente na terça-feira com uma festa para toda a equipe que dela participou. Um mês de muita dança, encontros, surpresas e encantamento.

Abastecimento de arte diretamente na veia e presença verde e amarela garantida!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Adooooro visitas !

Por que eu adoro visitas?

Porque tenho o maior prazer em apresentar Lyon e receber os amigos na minha casa.











Porque, com as visitas, tenho histórias para lembrar de mais de 5, 10, 15, 20 anos atrás ou mais. Então, se sentir uma pré adolescente é fácil...



Porque com as visitas também descubro lugares novos e vivo novas aventuras, como na linda cidade de Annecy!










Porque passar mal, depois de andar meia hora de pedalinho, é muito melhor quando estamos ao lado dos amigos... Eles nos entendem e já nos viram em situação muito pior...

Porque quem mora fora de seu país sabe como tem dias nos quais a saudade aperta e como os rostos, as vozes, os papos, as brincadeiras familiares nos fazem bem.


Porque as pessoas que me visitam são pessoas muito importantes na minha vida.









Porque minhas visitas me lembram quencossô, onquotô e o quecotô fazendo aqui. Elas me abastecem de amor e seguem seu caminhos...

E que voltem sempre!


quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Copa NO Mundo

Engana-se quem acha que vou escrever fazendo uma análise sobre futebol. Digo isso porque não sou uma especialista e nem uma fanática por este esporte. Mas sou brasileira e, além disso, filha e irmã de cruzeirences roxos, então, o futebol sempre fez parte da minha vida.

A Copa do Mundo é para mim o melhor momento do futebol. É quando os brasileiros são brasileiros com muito orgulho e com muito amor! É quando o ano começa com um gostinho diferente e que vai dando um friozinho na barriga quando as temperaturas começam a cair.

E quando a Copa chega, tudo é festa. "Vamos assistir o jogo na casa de quem?" "Quem leva o quê?" Churrascão, feijoada, samba, uhuuuu!

E nos momentos que antecedem os jogos, sair do trabalho mais cedo. Pegar aquele trânsito louco para chegar em um lugar já animado, todo mundo sorrindo e de verde e amarelo. O jogo começa e a cidade pára. Não, o país. Silêncio... Gritos de vai, vai, vai! E o coro nacional gritando Goooooool!!!!!!!!!


Mas aqui não tem nada disso. Este ano, pela primeira vez, assisto os jogos longe do Brasil. Até o terceiro jogo, achei o desempenho dos jogadores tão sem graça que me deu saudade dos comentários do Galvão Bueno.

Aqui na França, o pessoal não é tão fanático por futebol. Eles tem, sei lá, outras preocupações, outras causas para lutar. Minutos antes de seus jogadores entrarem em campo, lojas cheias, metrô cheio... Ninguém mais apressado do que de costume. Ninguém sofrendo por perder os primeiros minutos do primeiro tempo do jogo. Além do mais, a seleção da França não recebeu nem meio crédito por aqui. Eles já não gostavam do técnico há anos e os jogadores atuais não arrancam suspiros de ninguém.

Então, ter saído da Copa nesta primeira etapa era algo mais do que esperado. Reproduzo as palavras de madame Françoise, a única francesa fanática por futebol que eu conheço:

#Tecla sap#:
_ Esses jogadores são como os meus alunos. Só que meus alunos têm 15 anos, e eles, 25. Mas não respeitam autoridade, falam palavrões do mesmo jeito. Eles desperdiçam suas inteligências, seus potenciais. Não pensam mais na França, somente em si próprios.

Outros franceses ainda acrescentam que foi bom o que aconteceu e que a França mostrou para o mundo a sua outra face, diferente da face muito conhecida dos Lumières (pensadores Iluministas). Uma face que não é benquista por todos os franceses, mas que é real e que expõe para o mundo pessoas reclamonas e que adoram fazer greve. Agora passam a discutir o que foi exposto e quem sabe reavaliam esse jeito de ser.

(Os olhos nos 'Deuses')

Já a Seleção Brasileira é infinitamente a mais respeitada e temida pelo mundo. Assisti o primeiro jogo em Amsterdam, Holanda, o segundo em Bruxelles, Bélgica, e os outros dois aqui em Lyon. As cores verdes e amarelas ganham destaque em qualquer loja, em qualquer bar. Sempre fantasiada com a camisa do Brasil, (para dar sorte para a seleção, claro) escuto nas ruas "Brasil!", "É o Brasil que vai ganhar a Copa do Mundo!" vindo das bocas estrangeiras.


Perder para o Brasil não é uma humilhação, é quase uma certeza, mas ganhar do Brasil é a glória!


Todo mundo quer ver o Brasil jogar e jogar o seu Futebol Arte. Eles riem satisfeitos, batem palmas quando os jogadores Jogam, com 'J' maiúsculo. Entretanto, quando os jogadores estão com sono, preguiça ou quando nada dá certo, os espectadores entediados passam a torcer contra. Isso me dá uma raiiiiiiiiva! Mas compreendo. Não basta o Brasil jogar e ganhar. Tem que dar show!

Como disse, até o terceiro jogo tive medo do Brasil viver de glórias passadas, medo de mostrarmos uma outra face para o mundo. Com o quarto jogo fiquei mais tranquila, fiquei com esperança. Quem sabe vou gritar h e x a c a m p e ã o !!! em francês...


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Minhas Primeiras Visitas

Oba!!!
Minhas primeiras horas de férias foram comemoradas com a chegada de duas primas queridas. Passamos um final de semana delicioso.




















Lyon ficou pequena para nós...
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