sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Vem nimim 2011!!!

Último dia do Ano. Impossível não reservar um tempinho para escrever o meu último post de 2010. Estou no Brasil, de férias em BH. Destino um pouco estranho porque nesta época a cidade fica mais vazia e tem a bendita chuva que vai me impedir de chegar morenassa em Lyon...

Entretanto, estou aqui mesmo é para aproveitar a companhia da minha família e amigos. Acaba sendo uma curta viagem, meio terapêutica, para tomar um fôlego e seguir em frente... Digo "meio terapêutica" porque todo mundo quer saber da minha vida na França. Então falo muuuiiiito deste ano que chega fim e acabo relembrando grandes momentos e fazendo muitas elaborações.

Nossa!!! Vivi uma vida em 2010! Com certeza foi o meu ano mais intenso! Cheguei em Lyon como um bebê que não sabia falar, que não conhecia ninguém e praticamente nada neste novo velho mundo. Início difícil... Contudo, perseverança é uma palavra que sempre me acompanha. Curti muito a minha infância. Tive lá minhas dificuldades mas, ao menos, já estava cercada de pessoas especiais que me davam várias mãozinhas, facilitando a minha caminhada. Minha juventude foi marcada pela entrada no mestrado e em quatro meses atingi a idade adulta. Adultecia, ou adultecia, não tinha outra escolha não. Bom, agora posso dizer que "lá" tenho quase a idade que tenho "aqui". Falta pouco.

Conheço muito mais do que eu conhecia do mundo, muito mais do que conhecia do meu Brasil e muito mais do que conhecia de mim mesma. Aprendi mais sobre as pessoas e amadureci.

Aqui no Brasil, no dia 26 de dezembro, estava conversando pelo telefone com uma amiga de Lyon e surgiu o assunto de um livro que eu escrevi em 2006, chamado "A Viagem de Luzia" que serviu como tema do festival infantil da escola Primeiro Ato Centro de Danças. Ele não foi publicado, mas a história foi lida por mais de 400 pessoas que a receberam pela internet. Luzia, uma menina, se encontra diante de uma dificuldade "X". Como solução do seu problema, constrói uma nave espacial e vai buscar no Universo um mundo melhor para ela viver. Ela vive grandes aventuras em muitos mundos do Universo Infantil até encontrar o ideal, que não é perfeito, mas que é o mais importante para ela.

Manifestação de um sábio inconsciente, a história não é tão infantil, mas sim, atemporal. Porque nós, seres humanos, somos assim: pensamos que o Mundo Ideal está fora de nós, está lá longe, em uma outra cidade, um país diferente, uma profissão diferente, uma família diferente, em uma vida que não é a nossa, mas que se assim o fosse, encontraríamos a felicidade plena e todos os nossos problemas estariam acabados. Grande ilusão! Só mesmo a maturidade para desembaçar as nossas vistas...

Voltando ao dia 26 de dezembro, ao acabar de falar com minha amiga e lhe enviar o texto do livro por e-mail, o interfone toca. Era o carteiro com uma caixa para mim. Para a minha surpresa, uma outra amiga me presenteou com um primeiro exemplar do meu livro! (Muito Obrigada, Fer!!!)


Último dia de um intenso ano cheio de emoções, último post... Depois deste 2010 de "EU no Mundo" ficam mais claros para mim meus objetivos de vida, o "onde quero chegar". Estou plantando e curto muito este momento, mas, como minha Luzia, consegui enxergar qual é o mundo mais importante para mim.


Neste novo ano de 2011, desejo a todos vocês saúde, sonhos, vista desembaçada, muita energia, coragem e realizações. Tudo isso no meio de muito amor, claro!

Um Feliz Ano Novo para todos nós!

Vem "nimim" 2011!!!




sábado, 4 de dezembro de 2010

A Luz dos Lumières

Vou contar uma história que escutei aqui:

Era uma vez, um pai chamado Antoine, fotógrafo por profissão, que mudou-se com a família para Lyon em 1870. Esse Antoine era um homem meio diferente. Sabem aquele tipo de pessoa inquieta, com um pé no presente e outro no futuro e que quer achar solução prá tudo? Pois é, ele era assim. Ele era inconformado com o fato de seus clientes terem que ficar imóveis durante 3 minutos para que ele pudesse tirar uma fotografia. Imaginem só o que era ficar 3 minutos sem se mexer... Nada de sorrisos, de inclinacão dos olhos, de posturas ousadas... Devia ser um martírio para as crianças da época. Além disso, somente os ricos tiravam fotos pois o material utilizado era caríssimo.

Como Antoine tinha dois filhos, o Auguste e o Louis, ele resolveu pedir ajuda aos jovens para encontrar a solução para esse problema. E não é que os espertinhos encontraram! Eles criaram a tecnologia da foto espontânea, a partir de uma placa que passou a ser vendida por um preço mais acessível nas farmácias das cidades.

(Sem a invenção deles, essa minha foto, tirada, no paraíso da vila de Caraíva, pelo meu amigo Leo, seria impossível!)

Nem preciso falar que o produto bombou de vender, né? Toda a família Lumière começou a trabalhar na confecção da placa. Depois, criaram uma usina na região de Monplaisir, aqui em Lyon. No terreno da usina, além dela, havia a casa deles e uma creche para acolher os filhos dos funcionários.

Isso, da criação da creche, foi algo inovador, assim como a criação do princípio da aposentadoria dos trabalhadores. E dentro da casa deles, naquela época, eles já fizeram todas as instalações  de eletricidade e havia também um telefone, o terceiro da cidade. Porque havia um telefone se era o terceiro? Não sei! Talvez fosse coisa de gente que tá no presente mas que é do futuro, porque, na prática, eles tinham a opção de conversar ou com o hospital ou com a central de polícia...

As invenções dos Lumières só estavam começando. Eles viveram em uma época que as pessoas ficaram loucas para inventar o cinema. Então, os irmãos se basearam num princípio óptico, o da persistência da visão, que diz que quando vemos um objeto, a sua imagem permanece na retina  por frações de segundo após a  sua percepção. O olho humano seria capaz de enxergar uma imagem continua se visse várias imagens projetadas com uma velocidade superior a 16 imagens por segundo. Então, eles inventaram uma câmera, que se tornaria filmadora, pois era capaz de tirar 17 fotos por segundo. Disseram-me que as atuais trabalham com uma velocidade de 24 imagens por segundo.

O problema é que não era algo automático, como o é nos dias de hoje. O câmera men tinha que ficar rodando uma manivela numa mesma velocidade. Sabe a técnica que eles utilizavam? Cantavam uma marcha que os ajudavam a manter  o movimento constante.

E  com a inversão do princípio de uma invenção de Leonardo da Vinci (la chambre noir), eles inventaram um projetor. Pronto! Inventaram o cinema!

Aí começaram a fazer filmes de imagens do quotidiano como: "A saída da Usina", "O jardineiro", "A refeição do Bebê", "A Praça de Cordeliers em Lyon", etc.

Mas eles se enganaram ao pensar  que esse "negócio de cinema" seria diversão apenas para as crianças. No dia da primeira projeção, havia 33 pessoas interessadas em ver essa invenção. No segundo dia, 5.000!!! E a paixão por esta arte continuou crescendo, crescendo, crescendo...

Enquanto isso, eles começaram a dar aulas de filmagem, contrataram uns alunos e os enviaram, esses primeiros cineastas, a 34 países para registrar imagens e mostrar o mundo ao mundo! Gente, que idéia sensacional! Foi o início da globalização!

Com relação às filmagens, eles perceberam que filmar  utilizando o ângulo da diagonal era melhor para mostrar o movimento, e que podiam colocar a câmera em lugares inusitados, como em uma carroça em movimento, por exemplo. Então, eles fizeram 1700 filmes que passaram a ser projetados em salas dos 4 cantos do mundo.

Merci, frères Lumières! Fotografia e cinema? Merci beaucoup!!!

Mas as invenções deles não páram por aí. Para dar alguns poucos exemplos, eles também inventaram a fotografia a cores, a radiografia, prótese de mão, super útil nos tempos de guerra, assim como o esparadrapo.


Os irmãos Lumières fizeram um pacto de que tudo o que eles inventassem, mesmo que separadamente, fosse creditado aos dois, reafirmando a cumplididade fraternal. Foram pessoas especiais que procuravam problemas, não para reclamar deles, mas para criar soluções. Filhos do grande incentivador Antoine, eles nasceram inventores. Foram pessoas iluminadas e muito inquietas que não podiam esperar.

Aqui em Lyon, você pode visitar o Instituto Lumière. Fiz esta visita na época da Journée do Patrimônio e amei! Aprendi isso tudo lá! (25, rue du Premier-Film / metrô D: Monplaisir-Lumière).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Morando em um Freezer

Gente,
Ontem à tarde, eu estava na aula, no meio da minha primeira apresentação, quando começou a nevar. Ao voltar para a casa, o tram teve que parar no começo do caminho porque a pista estava interditada por causa da neve. Resultado: caminhada de 6 kilômetros no meio de uma nevasca... Amei!!! Só que desta vez, a neve estava super à vontade e continuou caindo durante a noite inteira. Resultado: aulas de hoje, canceladas... Amei!!! Não porque fiquei sem aula, afinal de contas, estou aqui prá isso, mas o que acontece é que agora os dias estão super curtos. Tem amanhecido quase às 8 e anoitecido às 17 horas, justamente o tempo que fico na Unversidade.
Então, hoje, aproveitei o dia para andar pelas ruas e registrar a belezura desta cidade, transformada em um freezer da noite para o dia. Amei!




























Adivinhem quem virou alvo depois da foto?

Cette photo est dédiée à Marrrriná

Agora está do jeito que eu gosto! Merci, São Pierre!

sábado, 27 de novembro de 2010

Neve!!!

A Neve chegou em Lyon! E chegou de mansinho na madrugada do dia 26. Ontem, quando eu acordei pra ir para a aula, abri as cortinas, vi o telhado do vizinho com um colorido diferente. Então, parei. Fiquei olhando, feliz!


A primeira neve do inverno tinha caído enquanto eu dormia. Eu perdi a estréia! Mas ela estava lá, em frente à minha janela, me dizendo que esse era somente o início da temporada.

Aí, fui para Universidade e, quando saí do meu prédio, começou a nevar uma neve bem fininha. Dentro do tram lotado, deixei a minha leitura habitual de lado, para poder admirar a cena. Parecia que só eu que via o que estava acontecendo.

Este é o meu segundo inverno aqui. Meus olhos ainda não se acostumaram com a neve. Acho que, para isso, eles ainda são imaturos, infantis. Talvez, eu toda o seja quando se trata de neve. Não ligo de andar pelo caminho mais longo e sem telhado quando está nevando. Simplesmente, gosto de sentir seu leve peso em mim.

A Neve chegou em Lyon deixando a cidade ainda mais bonita! Ela chegou de mansinho e alcançou o frio cada dia mais frio. As pessoas estão mais elegantes, com seus casacos de inverno, suas botas, cachecóis, gorros, luvas... A França fica muito mais chique assim!

A neve chegou em Lyon e chegou de mansinho mas à tempo para ajudar na decoração de Natal. Dizem que o lyoneses são muito caprichosos e que a cidade fica um encanto! Quero muito ver! Enfeitem tudo! Não se acanhem de exagerar ao máximo este ano! Quero um cenário perfeito! Vai ser o meu primeiro Natal com cara de Natal. E, finalmente, verei um Papai Noel à vontade debaixo de seu figurino do Pólo Norte.

Hoje, quando acordei e abri as cortinas, nevava, e nevava forte. Então, parei. Fiquei olhando, feliz! Voltei prá cama para admirar a cena de camarote vip. Parecia que os flocos tinham vida. Dançavam uma dança improvisada que dependia do tamanho, da leveza, do peso de cada um. O vento dirigia o sentido dos movimentos. Alguns se arriscavam a chegar até o vidro da minha janela. Ficavam grudados. Aos poucos, se derretiam e saiam de cena... Aqui dentro tá quentinho... Levantei só quando a neve parou, não sei porquê, de cair.

Pode cair, neve! Caia à vontade! Que meus olhos nunca "adulteçam" e deixem de perceber este espetáculo! Sou sua fã! Seja sempre bem vinda!


domingo, 21 de novembro de 2010

Em Paris, com o Corpo e a Alma

Para um bom entendedor, um título basta.




























Théatre Champs-Elysées











E para quem não entendeu o título, nem com as dicas das fotos, eu ajudo:

Paris + Amigos muuuiiito queridos + Grupo Corpo = alimento prá minha Alma!

Delícia de final de semana!


sábado, 13 de novembro de 2010

Verdade Universal: só para Mulheres

Este post é dedicado às mulheres de todo o mundo e sua inspiração veio de uma conversa séria, considerada quase que um estudo científico, entre uma brasileira, uma italiana, uma suéca, uma colombiana, uma mexicana e uma chinesa. Espero que estejam sentadas!

Língua oficial: francês
Assunto predominante: relacionamentos (leia-se: homens)

Não! Não saímos juntas para ficarmos falando o tempo todo de homens porque, quando essa mulherada internacional se junta, é para comer e aproveitar a oportunidade para aprender sobre os diferentes países, culturas, políticas, povos. Uma riqueza de conversa!

Ah! Já ia me esquecendo:
Cidade: Lyon, França
Local: restaurante indiano

Falamos muito das nossas experiências de sair do nosso país para habitar a França, com tudo de bom, médio e ruim que encontramos por aqui. Mas todo país tem disso, né, o seu lado bom e o ruim... O Brasil, por exemplo, de povo caloroso, natureza magnífica e cheio de problemas sociais. Pelo que minha amiga fala da Suécia, parece ser um país super desenvolvido, onde as coisas realmente funcionam, onde as mulheres são super amparadas quando resolvem tornar-se mães, mas, segundo ela, lá faz um frio do cão, ou melhor, de pato, para utilizar a expressão francesa. A China, em desenvolvimento acelerado, mas com seus problemas de superlotação, desigualdades e falta de liberdade. A Itália, também maravilhosa, povo alegre, falante, mas está cada dia mais zoneada...

Conversa vai, conversa vem, e o assunto predominante "relacionamentos" vem à tona novamente. Quantas histórias! Se a gente fosse capaz de escutar a experiência narrada por uma pessoa e, à partir daí, aprendesse verdadeiramente e não repetisse os mesmos erros, economizaríamos muitas lágrimas durante a vida. Mas isso não acontece, porque sempre achamos que fazemos parte de uma exceção.

Conclusões: 1) Não existe aprendizado ideal! 2) Infelizmente, há uma ligação entre as palavras amor e dor. 3) Deveríamos ter as ex-namoradas mais como aliadas e não como inimigas, pois é delas que obteríamos verdadeiras referências.

Bom, o encontro foi ótimo, a comida deliciosa e a conversa agradável e instrutiva. E sobre os homens, chegamos à duas duras conclusões:

Primeira: O fator aleatório "homem" não é influenciado pela variável "etiquette" nacionalidade de diversas modalidades (brasileiro, italiano, francês, colombiano, mexicano, chinês, japonês, suéco, americano e espanhol). Logo, a variável dependente "comportamento" não é afetada.

Segunda: (Peço desculpas às mulheres pela franqueza, mas tenho que ser verdadeira assim como meu irmão e meu primo o foram comigo em uma noite de Natal, quando eu tinha 6 anos) Príncipe Encantado, assim como Papai Noel, não existe! E não existe nem no Brasil, nem na China, nem na França, nem nos Estados Unidos, nem na Suécia, nem na Itália, nem na Colômbia, nem no México e nem no Japão!

Conselhos: 1) Aceitar isso como uma verdade mais do que mundial, como uma Verdade Universal. 2) Parar, de uma vez por todas, de sair correndo atrás de sapo. E 3) Não insistir mais nesse assunto!!!

domingo, 7 de novembro de 2010

Só e Conectada

Responda rápido: a Internet te aproxima ou te afasta das pessoas?

Desde que eu cheguei aqui em Lyon, tenho uma outra relação com meu computador e com a Internet. Em BH, podia passar dias sem me sentar enfrente a uma tela, mas aqui isso é simplesmente impossível! É pela Internet que me comunico com minha família, meus amigos. É graças a ela que posso escrever aqui. É graças a ela e ao Skype que não me sinto tão distante de pessoas que amo e posso ver seus rostos e conversar como se não tivesse um oceano entre nós.

Além disso, a Internet nos permite fazer pesquisas, ver filmes, vídeos, escutar músicas, ler notícias, dar nossa opinião sobre diversos assuntos. E ser estudante universitário aqui só vale se você tiver um computador e se conectar pelo menos 3 vezes por dia, de preferência assim que você se acordar e antes de ir para a aula, pois uma mensagem de que a Universidade estará fechada pode evitar a sua ida em vão à mesma. 

Através da Internet podemos também fazer amigos e conhecer o mundo sem sair de casa. Quer coisa melhor que isso? Mas é justamente aqui que está o "X" da questão, o fato de ter acesso às pessoas sem encontrá-las somado ao fato de "conhecer o mundo" sentado na cama com o laptop apoiado na barriga... É meio estranho, não?

O Facebook é um ótimo exemplo desta dicotomia. Criado, em 2004, por estudantes da Harvard, que não imaginavam as proporções que seu invento ganharia, hoje, ele é a maior  rede social do mundo. No Brasil, ainda temos o Orkut que divide as atenções dos internautas, mas, em todos os outros países, o FB é o rei! Se você é cadastrado, saiba que é uma das mais de 500 milhões de pessoas que deixam seus rostinhos e informações preciosíssimas das suas vidas para seus "amigos" ou para os "amigos de amigos" ou mesmo para quem tiver interesse ver.

E se você não é cadastrado, ou você é advogado ou afins e não quer produzir prova contra você mesmo, ou você não "entende direito desse negócio de Internet", ou você é uma pessoa muito misteriosa, intrigante...

O que o FB representa hoje em dia, além de ser um grande arquivo mundial de informações pessoais? Representa um lugar virtual, tipo uma praça de uma cidade do interior onde as pessoas costumavam dar uma passadinha antes de voltar para as suas casas e lá conversavam, contavam piadas, olhavam-se, informavam-se,  discutiam, brigavam, paqueravam e fofocavam, claro! E, como é um lugar virtual, ele é comum a quem o acessa e, assim, pouco importa se eu estou no Brasil, na França ou em qualquer outro lugar do mundo. O problema disso está quando a pessoa pára de sair  de casa e de encontrar os seres do mundo real e passa a ficar sozinha, trancada no seu quarto, conectada à sua imensa rede de amigos...

Dos meus amigos, entrando no FB, obtenho informações importantes ou nulas. Porque há aqueles amigos que nunca se manifestam mas que sabem da vida de todo mundo e,  aqueles que curtem, compartilham e comentam tuuuudo. Há aqueles que só escrevem  se aconteceu algo interessantíssimo e há aqueles que deveriam pensar pelo menos 10 vezes antes de postar, no seu mural, uma mensagem, via celular, que esqueceu as chaves do carro dentro de casa e que terá que subir de elevador para ir buscá-la e que, provavelmente, por isso, vai chegar tarde no trabalho e vai ter que inventar alguma desculpa esfarrapada para seu chefe idiota. Só que todos os seus colegas de trabalho e, inclusive, seu chefe são seus amigos no FB... Informação inútil! (Qual seria o similar de boca fechada não entra mosquito?)

O tempo que você passa em frente ao seu computador, enquanto não está trabalhando, também é algo que diz da sua forte "conexão"com o mundo e com as pessoas ou diz da sua solidão. 

Uma pessoa que, como eu, mora fora do seu país pode cair na armadilha da Internet. Ao mesmo tempo que continua "conectada" com todos os amigos do país de origem, sai menos, deixa menos espaço na sua vida para o novo, para se conectar com pessoas reais. E isso é uma pena, contudo também não é fácil lançar-se  no mundo...

De qualquer maneira, dizem que o importante na vida é encontrar um equilíbrio em tudo o que a gente faz. Então, encontrar o equilíbrio, nesse caso, seria saber dosar o tempo que dedicamos aos amigos reais virtualizados, aos  amigos virtuais, jamais reais, aos reais reais e, também, à solidão, por que não?


domingo, 31 de outubro de 2010

Overdose de Amor e Pão de Queijo

É tão difícil escrever sobre meus últimos 12 dias...

Pela primeira vez na minha vida, fui turista em BH. Cheguei de férias no final de outubro e encontrei minha família e amigos iniciando a loucura de final de ano. Ótimo! Pude participar do cotidiano deles e matar saudades da minha rotina de vida no Brasil. Tem gente que detesta rotina, mas eu não, adoro! E adorava minha rotina aqui porque sou uma pessoa privilegiada: tenho uma família maravilhosa, tenho muuuuitos e verdadeiros amigos e trabalho por amor e com paixão.

Vim para BH porque estava com saudades e precisava recarregar as baterias e me preparar para o longo inverno de Lyon. Precisava sentir o calor daqui. Precisava rever os rostos familiares de pessoas que amo. Precisava ter de novo a sensação de dominar um território, de dominar as regras sociais, de dominar uma língua, sem fazer nenhum esforço.

Desde que cheguei no aeroporto a sensação foi de ter chegado em casa! Respirei aliviada! Meu mundo conhecido! O que mudou na minha cidade natal? Quase nada, a não ser que agora a capital dos barzinhos tem sua vida noturna alterada por uma lei que impede que a gente tome uma cervejinha com um tira gosto sentados em uma mesa na calçada, depois das 23 horas. Menos barulho para a vizinhança, claro, mas também menos dinheiro circulando, menos diversão para os belorizontinos e turistas (que vão vir fazer o quê aqui?).

Depois desses 9 meses em terras longínquas, tempo simbólico de uma gestação, o que mudou em mim? Meu mundo foi ampliado. Conheci outros países, cidades, culturas, pessoas, histórias. Quantas pessoas você conheceu de janeiro para cá? Eu conheci mais de uma centena e vindas dos quatro cantos do mundo. Isso é um tesouro para mim!

Morar em outro país está longe de ser algo fácil. É uma escolha que nos faz abrir mão do convívio com pessoas queridas, de seguranças, confortos, para nos depararmos com um desconhecido. Às vezes é angustiante, mas, ao mesmo tempo, é muito enriquecedor! Novas possibilidades surgem em nossas vidas e as experiências nos fazem crescer de uma maneira única.

Sempre agradeço por estar tendo essa oportunidade. E o que me dá forças para continuar meu caminho é o amor das pessoas especiais da minha vida. Tinha fome e me nutri com uma overdose deliciosa de amor e pão de queijo. Merci!



Ps.: Mais difícil que escrever sobre isso é encontrar-me com todas as pessoas que eu gostaria e postar todas as fotos que tirei... Dias intensos e maravilhosos! Au revoir et à bientôt!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Era uma vez...

Era uma vez, em um país muuuiiito distante, um povo que vivia com a intenção de ser feliz. Mas a felicidade deles, há muito, estava sendo ameaçada. 


Eles haviam pequenas e grandes insatisfações, tais como: a alta da inflação e das taxas de aluguel e de desemprego.

O povo estava cada dia mais preocupado com a falta de segurança, com a desigualdade social crescente e com a qualidade da saúde e da educação que diminuía.


Eles estavam insatisfeitos também com a política do governo que beneficiava milionários, congelava salários e desprotegia os trabalhadores com mais de 50 anos de idade.


Cansados de só reclamar, um dia, eles, juntos, saíram do conforto de suas casas para dizer:
_  Basta! Ça suffit!






"ET VIVE LA FRANCE!"




(Lyon, 19 de outubro de 2010)


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A França, a Greve

Quando eu cheguei aqui, ouvi falar que francês ama 4 coisas: pão, queijo, vinho e greve. Até a semana passada, só havia compartilhado dos três primeiro ítens da lista. Não que não tenha tido greves durante o ano, mas elas não haviam me atingido até então, não tinham me feito andar muitos kilômetros à pé para voltar para casa.

A França vive a eminência de uma Greve Geral. Os movimentos sindicais franceses são fortes, os estudantis, também. À eles são somadas as vozes da população, que confirmam, em coro, que a união faz a força.

Domingo, apesar do frio (parece que pulamos o outono e caímos diretamente no inverno), o barulho da multidão que estava nas ruas me fez deixar os livros de lado e sair de casa. E ainda bem que o fiz. A um quarteirão da minha casa, deparei-me com estas imagens:





Fiquei, sinceramente, emocionada. A população saindo de casa para protestar, para lutar por seus direitos. Famílias na rua, num frio de 8 graus, para dizer:

"Não mexam na minha aposentadoria!"
"Deixem meu pai descansar! Eu pago por ele!"
"Nem reforma , nem emenda!"
"Mudança na Aposentadoria? INACEITÁVEL!"

A última vez que vivi algo parecido foi no início da minha adolescência. Faço parte da geração "cara pintada" que foi ao centro de Belo Horizonte dizer SIM ao Impeachment. Confesso que na época não tinha noção de que estava fazendo história. Mas foi tão boa a sensação!

Contudo, quase duas décadas se passaram. E eu, minha geração e a grande maioria da população nos acomodamos. Ficamos, nós, brasileiros, reclamando em frente à televisão, nas rodinhas de família, amigos mais íntimos, evitando muita polêmica, para não criar desafetos, e, quando muito, assim como eu, em  frente ao computador.

Aqui, não. Aqui o pessoal está nas ruas. O clima anda tenso. Vozes em alto falantes convidam as pessoas para aderir a uma Greve Geral. Os estudantes estão na ativa, fazendo protestos e, na maioria das vezes, perdem o controle. Infelizmente, há depredação do material urbano e pedras e garrafas são lançadas contra os tiros de flashball e bombas de gás lacrimogênio.

Toda essa mobilização é para impedir a Reforma da Aposentadoria. Hoje em dia, a idade legal para se aposentar é 60 anos. Com a reforma, aconteceria uma aumento anual progressivo da idade limite, o que faria com que, em 2018, as pessoas se aposentassem aos 62 anos. Eles estão lutando hoje, agora!

Razões para querer a reforma, o governo tem de sobra: a França é um país onde 1/3 da população tem mais de 50 anos. Entretanto, segundo os franceses, essa reforma não é a solução. Então, a  população se une, faz a força e grita forte:

"NON!"

Ô gente, nem uma pontinha de inveja? Um incômodo? Uma vontade de mudar? A gente pode! Vamos?!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O essencial para você

Hoje de manhã, fui acordada com o alarme de incêndio do meu prédio. Demorei alguns segundos para entender o que podia estar acontecendo. Levantei da cama de supetão, coloquei uma calça "dins" (como uma vez minhas alunas escreveram) por cima do pijama mesmo, meu casaco mais quente, meu tênis mais confortável. Rapidamente, peguei meu passaporte, minha pasta de documentos. Coloquei meu computador e celular na minha bolsa e desci meus novos sete andares de escadas, completamente descabelada e em tempo record.

Não entrei em pânico nem em estado de histeria. Ainda bem, porque quando cheguei na portaria, o porteiro disse que eles estavam testando o alarme. Que bom que funciona!!! Mas custava avisar que iam fazer um teste sexta-feira de manhã?!!!

Enquanto voltava para meu 'petit château', pensei no que aconteceu e no que poderia ter acontecido. Um incêndio poderia ter destruído tudo. Simplesmente, peguei o que julguei essencial e desci. E o essencial para mim, naquele momento foi: a minha vida, a comprovação da minha identidade e o meu canal de comunicação com o mundo. De roupa, o mais básico, funcional e confortável, nada de enfeite ou luxo. Deixei o resto todo prá trás. O resto com que gasto grande parte do meu tempo e dinheiro para escolhê-lo, comprá-lo e tê-lo.

Mas ainda acho que desci com muito.

Antoine de Saint-Exupéry nasceu aqui, em Lyon. Aviador, ele ganhou fama mundial como escritor depois de escrever o seu livro "Le Petit Prince", (O Pequeno Príncipe). Dentre suas frases famosas há uma que diz que "o essencial é invisível aos olhos". E é ou não é?
Quero escrever somente o essencial sobre esse assunto, para agora saber de você: imagine-se na situação que eu vivi. O que você "salvaria" de tudo aquilo que você tem dentro da sua casa? O que é realmente essencial para você?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"La Vie en Rose" Verde e Amarela

O mês de celebração da vida através da dança acabou esta semana. Domingo, enquanto o Brasil dirigia-se às urnas para votar, nós aqui nos dirigíamos ao teatro mais moderno de Lyon para o último espetáculo da Biennale de la Danse com um grupo mineiro Balé de Rua.

Vindos de Uberlândia, a cia, formada por 15 dançarinos, uma dançarina, uma cantora e cinco percussionistas, trouxe alguns cartões postais em forma de dança do Brasil, de Minas, principalmente. O grupo, que tem 18 anos, é o fruto de um projeto social. Sem patrocínio nenhum, eles viajam o mundo com o dinheiro que ganham nas turnês. Em coro, eles dizem que vieram mostrar a dança que sai da favela para a rua, da rua para o palco e do palco para o mundo!

E eles fazem muuuuuiiiito bem o que se propõem a fazer: samba, capoeira, congado, rap e uma dança que deixaria Michael Jackson babando! No ano passado, eles fizeram 89 apresentações no exterior e 5 no território brasileiro. Apresentaram um espetáculo que arrancou aplausos franceses do início ao fim, algo inédito nesta Biennale.

Além de carisma, profissionalismo e muita energia, eles chegaram com o apelo de serem pessoas de uma origem brasileira mais humilde, não só eles, mas o grupo que representou o balé da Deborah Colker também, que infelizmente não fui ver. "Pessoas perseverantes que ganharam o mundo", dois dos 4 representantes brasileiros na Biennale.

Na segunda-feira, nos jornais de Lyon, matérias sobre o fim da Festa da Dança, greves e outros problemas lyoneses dividiam espaço com as notícias das eleições brasileiras. Aqui, a vitória da Dilma era tida como certa no primeiro turno e a de Tiririca foi interpretada como um ato consciente e de protesto da população contra a palhaçada da política verde e amarela.

Minha reflexão é sobre a imagem que vendemos e a imagem que é comprada do nosso Brasil. Já estou cansada de escutar, quando eu falo para alguém a minha origem, as palavras SAMBA, FUTEBOL, COOL (bacana)! Como se isso definisse o ser brasileiro! Não que eu não ame sambar e não adore copa do mundo, mas sou muito mais do que isso e ainda quero ser mais, quero fazer mais, quero ter mais. Quero me orgulhar cada vez mais de + e + conquistas brasileiras em todas as áreas possíveis.

(Política + Educação) x Dignidade = Solução
Alguém conhece uma outra fórmula?

Daqui de Lyon, não voto, mas peço LUZ para as suas consciências e mais ainda para a consciência de quem for eleito.

E a Biennale de la Danse? La Vie en Rose terminou oficialmente na terça-feira com uma festa para toda a equipe que dela participou. Um mês de muita dança, encontros, surpresas e encantamento.

Abastecimento de arte diretamente na veia e presença verde e amarela garantida!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Morar na França? Só se tiver elevador!

A França é um país bem diferente do Brasil: clima, geografia, hábitos, língua e povo. Antes de me mudar para cá, tentei me preparar ao máximo para me adaptar e passar a conviver com tantas diferenças, mas é no dia a dia que a gente vai se sentindo, ou não, mais "em casa".
Se você quer morar na França, saiba que, além de escolher a cidade, o que você vai fazer por aqui, você também deve escolher como morar.



Não sendo príncipe ou princesa, você tem como opção:
  1. Morar na casa de um habitante da cidade;
  2. Morar numa residência de estudante (caso você venha para estudar);
  3. Fazer uma "colocation";
  4. Fazer uma "sub-location"
  5. Alugar um studio ou um apartamento.
Para começar a minha vida aqui, escolhi a primeira opção. Morei por 2 meses e meio na casa da Madame Françoise, que é francesa, professora de francês e que tem como segundo "ganha pão" alugar 3 de seus 4 quartos para estudantes estrangeiros. O dinheiro que eu dava para ela, incluía o café da manhã e o jantar, quando ela tinha muito prazer em apresentar para seus "enfants" a culinária típica da França (uma delícia!).

A pessoa que não tem o "canal" de uma madame Françoise, pode correr um risco. Pode dar sorte de morar na casa de uma família simpática, ou, de morar na casa de uma família que não conversa com você ou que acha que é uma empregada (casos verídicos).

Se você optar por morar numa residência de estudantes, ao fazer a sua inscrição na faculdade, você pode explicitar esse interesse. A própria universidade se encarrega de te inscrever. Daí, ou você vai morar em um quarto de 10 m2 com uma pia, uma cama de solteiro, uma pequena escrivaninha e um armário de duas portas e vai utilizar o banheiro e a cozinha coletivos do seu andar, ou você vai morar num estúdio um pouquinho maior por causa do pequeno banheiro e da piabalcãocozinha.
As vantagens de morar numa residência universitária são o preço e a quantidade de estudante que você pode conhecer. As desvantagens óbvias são os tamanhos dos cômodos, os banheiros coletivos e, se você tem mais de 25 anos, se sentirá uma pessoa anciã.

A "colocation", o que se aproxima à nossa "república". É o modo de vida dos jovens franceses, em sua maioria, solteiros, assalariados, independentes. Aqui está uma grande diferença entre eles e a gente. Na colocation, geralmente, não são amigos que resolvem alugar um apartamento e dividir a vida, são pessoas que se conhecem através dos sites especializados em juntar os "colocateurs" e suas devidas "colocations".


Esta foi a minha segunda opção. Antes de sair da casa da madame Françoise, procurei uma "colocation" em um site. Preenchi um cadastro onde criei meu anúncio, uma pequena propaganda de mim mesma, na intenção de ser escolhida pelo meu futuro(a) colocateur. As pessoas interessadas pelo meu anúncio me enviaram mensagens dizendo que estavam interessados. Entrei em contato com eles e marquei uma visita ao apartamento. Aí chegava um momento, no mínimo estranho, porque, durante essa visita, você avalia o apê e a pessoa, ou pessoas, com quem você dividirá o mesmo teto e toda a intimidade, ou falta dela, que isso pode acarretar. Por outro lado, eles também te avaliam.


Visitei muitos apartamentos: minúsculos, enormes, veeeeelhos, novinhos, imundos, limpos, com 1 habitante, 2, 3, 4 habitantes de todos os gostos e tipos. Passei por uma entrevista que durou 3 minutos e por outra onde me senti em um interrogatório: eu sentada em um sofá e os outros 3 moradores do apartamento na minha frente fazendo uma "anamnese" completa e eu pelejando com meu francês.

Então, escolhi um apê pelo seu estilo, tamanho, localização, preço. Eu, na minha ingenuidade, fiz a visita à noite e não reparei se o prédio era limpo ou se a casa estava limpa. Fiquei feliz pelo resto todo e nem mesmo dei importância ao fato da pia, que fica no meio da sala, estar cheia de vasilha, e a casa meio bagunçada. A pessoa "simpática" que me recebeu disse que o outro coloc estava de mudança e logo concluí que a bagunça era dele. Grande erro! Com o tempo percebi que tinha entrado em uma fria... Falta de sorte!?

Na colocation os nomes de todos os habitantes entram no contrato de aluguel. Para isso, cada um deve ter o seu fiador (uma pessoa francesa, com emprego fixo e que ganhe o suficiente para poder cobrir um calote de 3 meses). Neste caso, você, se for estudante, recebe uma "ajuda moradia" do governo francês que pode chegar à 180 euros por mês ; ).

A "sub-colocation" é quando você aluga o quarto de um colocateur que, por algum motivo, vai ficar um tempo fora de sua residência. Neste caso, você não tem seu nome no contrato do apartamento e, dificilmente, receberá a ajuda do governo.

Alugar um studio foi a minha terceira e atual opção. Você que é estrangeiro, estudante, sem emprego fixo, pode ter um pouco de dificuldade... Vai ter que apresentar uma papelada sem fim, ter um fiador e, em alguns casos, fazer um cheque caução com o valor de 4 vezes o preço do aluguel. Mas é uma tranquilidade que não tem preço...

Outra diferença importante entre a França e o Brasil é que, aqui, você faz a mudança no muque. Então, agradeço ao meu gatinho, amigos e voluntários que se dispuseram a passar o domingo desmontando móveis, descendo 4 lances e meio de escadas, quebrando a cabeça para todas as minhas coisas (sou brasileira!) caberem em um furgão. Agora moro no sétimo andar, mas tenho 2 elevadores!!!

(Você quer mais dicas sobre morar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!")
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