terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em Amsterdam: proibida para menores

Amei! Mas confesso que foi um destino meio estranho para ir com minha mãe.


Amsterdam, a capital dos Países Baixos, é linda! Os canais que existem pela cidade a deixam muito charmosa.

É uma cidade que sofreu muito com a invasão alemã, durante a Segunda Guerra Mundial. Podemos visitar o Instituto Anne Frank. Para quem leu o livro, o Diário de Anne Frank, traduzido em mais de 60 idiomas, conhecer o pequeno sóton, onde ela viveu com mais 7 pessoas por quase dois anos, é revoltante! Podemos, de longe, imaginar o que os judeus sofreram para tentar sobreviver.

Centro mundial das bicicletas, dos 750 mil habitantes, 700 mil são ciclistas. Nunca vi nada parecido na minha vida! Dizem que 80 mil bicicletas são roubadas por ano e que 40 mil são resgatadas nos canais.


Amsterdam foi uma cidade portuária muito importante que recebia a visita constante de marinheiros que, quando chegavam em terra firme, queriam apenas três coisas: comer e beber. Para matar uma dessas fomes havia mulheres exercendo a profissão mais antiga do mundo.

O tempo passou, a importância do porto diminuiu. Contudo, o comércio sexual aumentou mais a sua popularidade, tornando-se uma indústria legalizada e diversificada (shows, cinemas e teatros eróticos, além do museu do sexo).


Há três bairros conhecidos como "Bairros Vermelhos", onde as luzes vermelhas indicam as muitas cabines de prostituição. As moçoilas exibem suas lingeries e vendem seus produtos. O produto mais basicão custa 50 euros e tem a duração de 15 à 29 minutos. Elas revezam suas cabines em três turnos de 8 horas. Dizem que há quem faça fortuna em um fim de semana, principalmente quando há jogo de futebol.

Como consegui essas informações? A resposta é uma dica: há 2 tours que o turista pode fazer à pé pela cidade, com guias que falam ou inglês ou espanhol.


Um dos tours é durante o dia, dura 3 horas e é tranquilo de levar a mãe. O outro é de noite e tem hora só para começar.











O guia, mais descontraído depois do pôr do sol, responde tuuuuudo o que você quer saber, basta perguntar. O roteiro é a night de Amsterdam: ele nos mostra onde ficam os lugares mais frequentados da cidade, incluindo os coffeeshops.

Aqui, mais uma particularidade da cidade: as drogas consideradas brandas, como álcool, tabaco, maconha e haxixe, são liberadas. É só entrar em um coffeeshop e ver um menu de "ervas" classificadas pelo sabor e efeito que elas causam. Mas, atenção! Pela cidade são espalhadas inúmeras câmeras de vigilância. Impossível entrar em um estabelecimento com boné ou óculos escuros.

Bom, não precisa nem dizer que a cidade é lotada de homens, né?!

Esta política liberal não agrada todo mundo, claro. Pelo contrário, causa muita insatisfação nos países vizinhos que vêem as drogas mais ou menos como o Brasil as vê. Por causa de pressões, principalmente da França, o governo fala em enrijecer a sua política. Umas das propostas seria a de que somente holandes, ou habitante dos Países Baixos tivessem acesso às drogas. Será?


Mas, Bicicletolândia é muito mais que esse submundo! Uma dica imperdível é o Museu Van Gogh, uma visita muito agradável onde podemos conhecer a vida e a grande maioria das obras desse artista.













Cidade das casas com escadas super inclinadas, foi em Amsterdam onde inventaram o pedágio, onde, pela primeira vez na Europa, foi possível um casamento entre homossexuais, onde se fabricam boas cervejas e de onde partiu a muda do nosso café. Está aí um ótimo destino de viagem, principalmente para quem tem muita energia e disposição para curtir o dia e a night.

Dizem que Amsterdam é um grande parque temático, só que proibido para menores. E quando estiver lá, não se esqueça: sorria! Você estará sendo filmado!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Adooooro visitas !

Por que eu adoro visitas?

Porque tenho o maior prazer em apresentar Lyon e receber os amigos na minha casa.











Porque, com as visitas, tenho histórias para lembrar de mais de 5, 10, 15, 20 anos atrás ou mais. Então, se sentir uma pré adolescente é fácil...



Porque com as visitas também descubro lugares novos e vivo novas aventuras, como na linda cidade de Annecy!










Porque passar mal, depois de andar meia hora de pedalinho, é muito melhor quando estamos ao lado dos amigos... Eles nos entendem e já nos viram em situação muito pior...

Porque quem mora fora de seu país sabe como tem dias nos quais a saudade aperta e como os rostos, as vozes, os papos, as brincadeiras familiares nos fazem bem.


Porque as pessoas que me visitam são pessoas muito importantes na minha vida.









Porque minhas visitas me lembram quencossô, onquotô e o quecotô fazendo aqui. Elas me abastecem de amor e seguem seu caminhos...

E que voltem sempre!


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"À Moi" e a origem do Amar

Antes do começo, uma explicação: "à moi" é uma expressão francesa ( lemos: à muá) que significa, dentre outras coisas, o "é meu"em português.

Foi durante um jantar de terça feira que me veio a inspiração para este post. Há quase um mês não via a pequena Naïs. Estávamos com saudades e brincamos muito antes de nos sentarmos à mesa. Convidada à escolher o seu lugar, sentou-se entre mim e o Alex, claro. Então, ela me deu um abraço apertado. Que delícia! Apontando para mim, ela disse à sua mãe:
_Maman, ça est à moi!

#Tecla sap#
_ Mamãe, isto é meu.
Sua mãe respondeu imediatamente:
_Não Naïs, a gente não fala assim. A Carol não é sua. Você quer dizer que você a ama muito, mas ela não é sua.

Pronto! Lindo! Entre as duas primeiras garfadas de um inocente jantar, Naïs expressa o dilema do amar: tratar ou não o outro como um objeto que me pertence.


A mesma Naïs que tem pouco mais de 2 anos e que já corrige a minha pronúncia. Ela que começa a diferenciar o que é ela e o que é o outro. Ela que testa seus limites e os limites do outro o tempo todo. Ela que agora quer fazer tudo sozinha. A mesma Naïs que, há um mês, parou de usar fraldas...

Com essa história de parar de usar fraldas ela controla o batalhão de adultos ao seu redor. Um dia estávamos entrando na piscina e ela me disse:

_Xixi, Carol, rápido, xixi!
Então corri com ela para o banheiro. Ela sentou-se e... Nada. Então, ordenou:
_Agora você!
E como já estávamos lá mesmo, querendo dar exemplo, não parei para pensar na situação e obedeci. E foi aí que escutei as suas palavras quase num tom de ameaça:
_Carol, o padrinho não é seu. O padrinho é meu!

Nesse dia, fiquei sem resposta. Perdi o início daquilo que pode se tornar eterno. Pensei apenas na atitude pensada dela de me tirar do meio das outras pessoas, me chamar no cantão, me colocar na cadeirinha do pensamento e me dar uma bronca...

Todavia, sua mãe não foi tão tapada quanto eu e, no jantar, disse algo que todos deveríamos saber, a primeira lição do amor: "amar não é possuir".


Naïs me fez pensar na origem do amor: um sentimento que se aflora quando vivemos a plenitude do egocentrismo. Sua mãe o nomeia amor, mas para a pequena, o sentimento é de posse. Então, quando mesmo que aprendemos a separar o amor da possessão?


Você pode se dizer diferente de Naïs. Dizer que você ama a sua liberdade e que respeita a liberdade do outro. Tudo bem! Você ama o outro, mas ele pertence ao Universo? Ótimo! Contudo, que mal tem se esse outro se sente livre e quer ficar feliz ao seu lado? É ou não é, Naïs?

Sei lá... Penso que se ela aprendesse agora essa primeira lição do amor, talvez economizasse muitas lágrimas durante a vida, dinheiro em terapias e os ouvidos e ombros dos amigos. Entretanto, aprendendo essa lição, ela deixaria também de compreender os livros de romance, os filmes de amor e muitos poemas. Não compreenderia nunca as músicas sertanejas, ou melhor, a maioria das músicas brasileiras. Que sangue correria em suas veias artísticas?


Aiai... Queria dizer aqui que eu consigo fazer a total separação entre o amor e a possessão, e dar o exemplo para vocês, mas não posso mentir... E olha que a Vida insiste em me ensinar essa lição. Entretanto, depois que essa professora severa se acalma... Confesso que adoro cantar bem alto e com os olhos fechados os refrões mais melosos que existem. Talvez, eu prefira continuar burra, bebendo muita água para as lágrimas, trabalhando e ganhando dinheiro para as terapias... E viva MEUS amigos!

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