quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sumida, eu?

Que nada... Estou ou dando aula, ou estudando na biblioteca ou em casa com esta linda paisagem na minha frente. Vivo um momento de estudo e escrita. Guardo minha inpiração prá dissertação.


Se eu demorar prá responder os comentários, vocês já sabem o porquê.
Não escrevo mais prá não gastar...
bjs

quinta-feira, 15 de março de 2012

Raquette e o inverno na montanha



Foi assim: a gente estava querendo um final de semana na montanha prá poder aproveitar o que nos resta do inverno. Procuramos na internet um passeio bacana. Os franceses fazem muito isso. Há sites especializados em programas legais. O preço do final de semana depende da atividade, do lugar no qual você vai dormir, da comida que você vai comer, mas varia entre 70 e 180 euros por pessoa.

Eu queria experimentar uma atividade diferente, então, que tal uma raquette?

Raquette é este tipo de "chinelo" próprio prá neve. Você usa seus sapatos para a neve (impermeáveis) e prende seu pé na estrutura que te permite andar como se você estivesse com chinelos. As raquettes são fundamentais para subir montanhas, onde a neve é fofa. Nosso peso se distribui nas grades que aumentam a superfície de apoio. Sem as raquetes a gente poderia afundar a perna inteira. Além do mais, elas têm umas garrinhas que te ajudam a não escorregar.

Atividade escolhida, faltava escolher o tipo de abrigo para passar a noite. Fiquei tentada entre dormir num refúgio quentinho ou dentro de um iglu que seria construído por nós mesmos. Super aventura de um lado, um pouco de conforto do outro... Na dúvida, optei por dormir numa casa-refúgio onde jantar e café da manhã estavam incluídos.

Então, no sábado, acordamos às 5 da manhã. Pegamos um trem até Annecy e outro até Cluses, divisa com a Suíça. Lá o guia, super simpático, nos pegou na estação e ficamos conhecendo os outros três casais que nos fariam companhia nesta aventura. Pegamos a estrada rumo à base de uma montanha e aí foi só alegria...






























O refúgio era super tranquilo. Uma casa que pode abrigar 72 pessoas. Ela tem um salão cheio de mesonas, uma cozinha. No segundo andar, 8 quartos. No nosso havia 8 camas. Tudo limpo. O único problema era que não tinha sala de banho e no segundo dia acabou a água do único toilette... Mas aprendi que isso não é tãããão grave, afinal, estou na França!
Ponto super positivo: o jantar com sopa de legumes e este fondu de queijo da montanha...




Se estava frio? Com roupas apropriadas a gente não sente frio. Ainda mais subindo montanha... O guia falava que o importante era a gente não suar, porque quando o vento resolve soprar forte, a gente congela. Fora isso, tirava o gorro, cachecol, luvas e abria o casaco.


Escutávamos barulho de avalanche o tempo todo. O momento mais tenso foi no segundo dia, quando tivemos que ficar um tempão parados porque não conseguíamos enxergar por causa da neblina. Quando há neblina e neve, você enxerga tudo branco. Não diferencia céu e chão. Como diz o guia, o melhor é ficar parado para não cair nos precipícios...

















Se valeu à pena? Cada segundo! Ainda mais com um pôr do sol assim...



sexta-feira, 9 de março de 2012

Questão de cultura?

Imaginem a cena:

Eu, em pé dentro do metrô, pensando na vida, prá variar. Quantas questões passam pela cabeça de alguém que escreve o texto da sua pesquisa... Então, barulhos de tapas me tiram do espaço e forçam minha volta ao planeta Terra. A mais ou menos um metro e meio de distancia estavam sentados um homem (pai?) com um menino (seu filho?) de quase dois anos no cólo e uma mulher (a mãe e esposa?) sentada na frente deles. Eles não falavam francês. Falavam uma língua que eu não pude identificar qual. Não descreverei as roupas deles, porque, a não ser que eles estivessem fantasiados, isso denunciaria suas origens e não quero nem de longe instigar a generalização e o preconceito.


Voltando à cena, o homem segurava a mão da criança e dizia:
_ Mjsdfjbufhjcnskudh!
Olhava para a mulher:
_ Khkjnjfhekn!

Então, a mulher aproximava o seu rosto e o homem utilizava a mão da criança para nele bater, forte. Depois do tapa, a mulher colocava a mão no rosto e afastava seu corpo sem nada dizer. E o homem GARGALHAVA, beijava e saudava a criança que estava com uma expressão de choro.
_ Bravo! (Isso dava prá eu entender.)

Utilizo o pretérito imperfeito para descrever a cena porque esses atos foram repetitivos.

Eu olhava prá "aquilo" sem acreditar no que meus olhos enxergavam. Olhava prás pessoas que estava sentadas ao lado do casal, prá ver se era sério mesmo ou prá me certificar que alguém compartilhava da minha indignação, mas eles estavam com cara de múmia. Às vezes, olhavam com "rabo de olho" para a cena, mas escolheram continuar escutando suas músicas e fingir que nada estava acontecendo.

Então, pensei, completamente revoltada: "Eu não aguento! Vou ter que falar alguma coisa! O que esse pai está ensinando ao seu filho??? Que "brincadeira" idiota é esta???"
E, neste momento, a mão do menino, segurada pela mão do homem (monstro?), da um tapa super forte no rosto da mulher (sem adjetivo para classificá-la). Ela coloca a mão sobre a bochecha e reclama pela primeira vez:
_Akfi!
A criança olha para a mãe e inicia seu choro.
A mulher pega a outra mão do menino e a utiliza para bater forte no rosto do homem que, no milésimo de segundo seguinte, dá um super mega tapa na cara da mulher e diz:
_kjfbefuhjefbkufghuwfhjbjbhbchjsbhch!
Ela abaixa o rosto.
O homem fala rindo pro filho:
_Njfhkjfknknev!
Pega a mão do menino e fala com fúria para a mulher:
_Hjnkjfhjbcjkevbkehcl!
Ela não se move e continua com a cabeça baixa. Ele repete:
_Hjnkjfhjbcjkevbkehcl!
Ela reaproxima seu rosto e vocês já sabem o que aconteceu.

Desisti de falar qualquer coisa. Tive medo. Quem sou eu prá repreender esse casal e acabar apanhando no metrô?!

Não fiz nada. Continuei calada. Não vou fazer nada? Sentimento de total impotência!

A gravação do metrô anuncia:
_"Hôtel de Ville Louis Pradel".
Cheguei! Tô salva!
Saio rapidamente do metrô também com cara de múmia e a boca aberta.

E andando na rua... Mais questões: O que é violência? O conceito de violência é cultural? Ele muda com o passar dos anos? O que esse homem estava fazendo? E essa mulher? E essa criança? E todo mundo dentro daquele metrô, inclusive eu?

Prá brasileiro, tapa na cara é o maior sinal de humilhação. Prá francês não. Gesto frequente (não da maneira relatada acima) entre amigos, uma forma de dizer que a outra pessoa deu "um fora", uma "má nota". Motivo recorrente de término de relacionamentos entre brasileiros e franceses, estes últimos sem entender o porquê da humilhação.

Contudo, há pequenos costumes tipo "furar orelha de meninas recém nascidas", algo que prá gente é super normal, mas que, na opinião de muitos franceses é considerado uma grande violência, algo que deveria ser feito apenas com o consentimento da pessoa a ser furada. Ah! Mas ela não fala! Não entende. Não sente?! Até ter uma conversa com umas amigas francesas que têm filhas, confesso que nunca havia pensado nisso.

Mas brasileiros e franceses concordam: filho não bate em mãe nem em pai. Sinal de respeito. E os pais? Eles podem bater nos filhos? O Estatuto da Criança e do Adolescente vem nos dizer que não. Ah! Nem uma palmadinha na bunda com uma forcinha de leve a moderada e sem a intenção de humilhar? Há alguns anos atrás, podia, e sem medir força ou "ferramentas" para isso. Até mesmo professor podia bater nos alunos. Hoje eles podem é ser processados quando dão nota baixa.

Não quero concluir nada com isso tudo o que escrevi. Só compartilho esta cena chocante e as novas questões que surgiram dentro da minha cabeça... Não bastavam as que eu já tinha...


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Não leve seu filho ao teatro!!!

Meados de fevereiro, carnaval, na França? Que nada! Apenas um momento mais tranquilo com a chegada das férias escolares. Dizem que quem faz mestrado não tem férias, mas sou humana e preciso de um descanço. Hoje aproveitei a tarde para sair com a Naïs.

#tecla sap#
_Pode escolher o que nós vamos fazer hoje.
_Quero ir ao teatro ver "A Bruxa do armário de vassouras".
Então, sua mãe me adverte que ontem elas foram assistir a esta peça e que elas tiveram que ir embora antes do final porque Naïs teve medo.
_ Tem certeza, Naïs? Hoje você pode escolher qualquer atividade que eu faço com você. A gente pode procurar uma outra peça de teatro.
_ Não! Eu quero "A Bruxa do armário de vassouras!!!!
_ Então tá!
_ Carol, você não precisa ter medo da bruxa porque ela é uma mãe de um menino. Ela está fantasiada. Não existe bruxa de verdade.
_ Eu não tenho medo não, Naïs. Sei que não existe bruxa de verdade.
_ Mas se eu tiver medo você me protege?
_ Claro. Você pode ficar sentada nas minhas pernas (não existe "cólo" em francês) o quanto você quiser.

Então, fomos as duas. Saímos mais cedo para aproveitar o sol da tarde (fraquinho tadinho) e brincar um pouco em uma praça.

Chegando ao teatro, lotaaaado! Pais, mães, tias, avós as crianças e eu.

Naïs escolhe nossos lugares na penúltima fileira dizendo que, como ela já viu ontem, deixaria as fileiras da frente para as outras crianças. Que nada! Distância de segurança.

Ela está numa fase na qual ela tenta organizar o que é real e o que é fantasia. Na semana passada, fiquei uma tarde com ela e tive que escutar duas vezes consecutivas um cd com a história da Bela Adormecida. Ela já sabe tudo de cor e vai narrando, antecipando os fatos e enfatizando que "Não existe bruxa, só na história! É mentira! Ela não vai morrer quando furar o dedo. Ela vai só dormir. O reino todo vai cair em um sono profundo! Até os pássaros! Ela vai acordar quando o príncipe chegar e lhe der um beijo..." e assim por diante, duas vezes...

O que ela anda elaborando com essas histórias e esses personagens aos seus quase quatro anos de idade? Isso não vem ao caso. Contudo, se ela tem a necessidade de escutá-las muitas vezes e me pede para estar com ela nesse momento, acho ótimo e me divirto muito!

A peça era simples e bem feita e as crianças estavam super participativas, numa mistura de alegria, excitação e medo. Adoro assistir peças infantis com muitas crianças na platéia. Nos reensinam a espontaneidade que nós adultos acabamos perdendo com o passar do tempo. Acho lindo! Isso é muito precioso!

Então, estou contando isso tudo para pedir um favor: não leve seu filho ao teatro se você não suporta a felicidade dele! Não leve seu filho ao teatro se você é incapaz de curtir o momento, de "viajar" no roteiro, no figurino e no cenário! Não leve seu filho ao teatro se você vai ficar o tempo todo reclamando que ele se mexe muito e se levanta da cadeira para enxergar melhor o palco, já que ele é pequeno e não consegue ver toda a cena! Não leve seu filho ao teatro para pedir-lhe que cale a boca, e muito menos para tampar-lhe a boca, quando ele descobre o segredo da bruxa e o diz em voz alta! Não leve seu filho ao teatro se você não suporta vê-lo bater palmas de alegria e agarrar-se em você se ele sente medo! Não leve seu filho ao teatro se você vai pedir-lhe para rir em silêncio!!! Rir em silêncio??? Tá louca? É prá isso que você levou esse pobre coitado ao teatro? #$%$@&^!

Se algum dia "vo-cê" levar seu filho ao teatro, não se sente perto de mim! Posso não ser gentil.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A Chegada da "Peste"



Em 1909, Freud saiu da Áustria, provavelmente pegou um trem até uma cidade portuária. Aí, pegou um navio e depois de longos dias chegou nos Estados Unidos para uma conferência. Num diálogo com Jung, ainda dentro do navio, ele teria dito algo mais ou menos assim: "Eles não sabem que estamos lhes trazendo A Peste", já que, apresentaria, ao vivo, a sua teoria psicanalítica, com a noção de Inconsciente, o que modificaria a maneira de se pensar o ser humano, suas ações e relações.

Adoro psicanálise, mas ela não é o tema deste post. Escrevi esta introdução somente para chamar a atenção de vocês no que se refere à circulação de informação do início do século XX. Demorava para uma "teoria revolucionária" atravessar o oceano, né?

Hoje em dia, não é mais assim, claro. A internet simplesmente acabou com as distancias de tempo e de espaço. A notícia circula praticamente em tempo real. Até mesmos os telejornais com horários fixos, quando vão ao ar, já estão atrasados.

Fazer uma pesquisa nesta Era também é muito mais fácil. Não imagino como faria um mestrado
sem internet. Como pesquisaria sem os sites especializados em traduções, sem ter acesso aos artigos de revistas, livros e vídeos.

Com a internet você pode ser capaz de escrever um artigo em Inglês, conhecendo o básico da língua. No mestrado, agora tenho aula de "Inglês Científico". O professor é francês e não fala bem inglês (the hause = ze oze), mas ele domina os sites que interessam. Dou a dica: abra 4 janelas no seu computador

1) "Google Tradutor"
2) "Google Scholar"
3) "Word Reference"
4) Um documento no "word"

Sabendo articular essas quatro janelas, você é capaz de escrever um artigo em qualquer língua!

Adoro ter uma internet para fazer minha pesquisa, mas também não é este o foco deste post. O que me fez pensar nisto tudo foi a minha última aula de dança. Dou aula de "Danças Brasileiras" para uma turma de adultos. Contudo, há duas super adolescentes de 13 anos infiltradas no grupo. Elas chegaram todas "serelepes" na última quinta. O motivo? Queriam que eu dançasse com elas uma música que T-O-D-O-S estavam dançando na escola. Adivinhem... "Ai se eu te pego". Pegaram o telefone, pesquisaram na internet e me mostraram um vídeo de um jogador dançando em um vestiário" ( mais de 14.000.000 exibições) e um outro vídeo com a mesma música (mais de 30.000.000 exibições). Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

Pausa de indignação...

Dois anos fora do Brasil. Estou super desatualizada com relação às músicas e "dancinhas". Há mais ou menos 10 dias atrás que fiquei sabendo da existência do cantor, música e da coreografia dançada até por jogadores de futebol (?!). Achei exagero ouvir "o Mundo Todo está dançando 'ai se eu te pego'", mas, infelizmente, não. É fato confirmado, pelo menos aqui na França, em Lyon.

Tenho o maior cuidado em preparar as aulas de "Danças Brasileiras". Apresento aos alunos as muitas músicas de qualidade que temos. É uma difícil escolha dada a diversidade de cantores e rítmos que nos embalam. Mas, Não! Não vou dar aula com esta música. Não! Não vamos fazer esta "dancinha". N-U-N-C-A! Nem nenhuma outra dessa corrente de "créu". Creio que o Brasil tenha algo melhor a exportar.

Você pode não concordar comigo e dizer que tudo é uma questão de gosto e que gosto é igual bunda, cada um tem o seu. Concordo. Você pode se perguntar se eu sempre fui imune a esse tipo de "dancinha" e se eu, com 13 anos, não dançava "lambaeróbica" nas areias de Porto Seguro. Dancei. E "O Tchan" alguns anos mais tarde? Talvez tenha dançado um pouco, não me recordo muito bem... E como gosto é igual bunda, ele se modifica com o passar do tempo.

Minhas alunas se divertem com minha indignação. Elas cantam a música e dançam. Eu a traduzo numa tentativa de inibí-las. Contudo, elas já o tinham feito, com o celular mesmo, e nem se importaram. Acharam-na engraçada. Insisto na castração e explico o sentido das expressões, mas elas não estão nem aí. Ai adolescência... Freud, o que você pensa disso tudo?

Então, desisto e sublimo. Mudo de assunto e começo a aula com uma música bem boa. Meus ouvidos me agradecem! Chego a pensar que os bons tempos eram aqueles onde a informação demorava mais para se espalhar... Talvez as distancias de tempo e espaço pudessem fazer uma seleção natural nos assuntos. Mas, não. Na Era da Globalização, essa seleção não existe mais. Ela passa a ser uma escolha pessoal que depende do gosto de cada um, para ser bem simplista. E quem influencia nossos gostos? Na falta de uma resposta imediata, e de um "filtro" também, daqui eu confirmo: A Peste já chegou!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Nascida para Esquiar - curso 1



Decidi que vou aprender a esquiar neste inverno.

Hoje foi a terceira vez que fui à uma estação de ski na minha vida. As duas outras vezes foram em 2010 e eu só podia me locomover se alguém me puxasse com um bastão. O resto do tempo era só tombo atrás de tombo.

Aprender a esquiar é um desafio para mim. Tenho medo. Medo de velocidade e medo de fazer curva para a direita (vai entender...).

E nem adianta me mostrar as criancinhas de 3 anos já descendo no maior gaz as pistas azuis (nível 2). Eles não têm noção do perigo!!!

Saímos daqui de Lyon, hoje, às 6 horas da manhã, em direção à estação de ski de Courchevel, que faz parte do maior domínio de ski do mundo.

Diferentemente da randonnée, o ski é um esporte caro, ainda mais em Courchevel.

Compramos um "pacote" de um dia da empresa Skimania:
>> transporte de ônibus (ida e volta) + passaporte do dia da estação + um café da manhã (43 euros).
Chegando na estação:
>> aluguel de skis (17 euros/ dia)
>> uma aula (em dupla) de 2 horas (entre 36 à 54 euros/pessoa)

Se você quiser conhecer Courchevel e não estiver com muito dinheiro sobrando, te aconselho a fazer um sanduiche bem gostoso na sua casa, levar uma garrafa d'água e chocolate dentro da sua mochila. Senão, prepare-se para desembolsar 23 euros em um cheeseburguer...

Se valeu à pena? Claro que sim! Taí o vídeo com o resultado do meu primeiro dia de aula de ski! Viram como tenho talento?!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dois Anos de Lyon!!!

Nossa! Aniversário da minha chegada em Lyon...

Merece uma pausa para reflexão...

Há dois anos, fiz uma viagem que mudaria os rumos da minha vida. Bom, não sei se posso realmente afirmar isso. Talvez esta fosse, desde sempre, a única direção possível.

O que me separa hoje da Carolina que chegou aqui no dia 14 de janeiro de 2010? Engana-se quem pensa que são apenas dois anos.

Hoje de manhã, conversando com as mães de umas alunas, me dei conta da data querida. Elas, super simpáticas, me felicitaram pela coragem de enfrentar um país novo, distante, desconhecido no qual as pessoas falam francês e têm a fama de serem frias. Pensativa que estou, disse que, na verdade, não sei se fui corajosa, ingênua, ou louca. Só sei que vim.

Pessoas me perguntam: é difícil sair do seu país, atravessar o oceano e se jogar no desconhecido? É. Muitas vezes deu medo? Deu. Doeu? Doeu. Já pensou em desistir e voltar? Já.

Sair do conforto do ninho familiar, da sua casinha, da sua cidade repleta de amigos queridos, do seu trabalho prazeroso e chegar em um lugar onde todos são desconhecidos para você e que para eles você é só uma "Maria Ninguém" não é fácil. É praticamente um começar do zero.

Descobri que a ignorância dói e não foi ninguém que me contou. Ela doeu forte e várias vezes. E o pior é que, quando se trata deste alto nível de ignorância, você nem sabe como fazer uma pergunta para aliviar a tensão. Às vezes, à única opção que eu tinha era ficar calada. E só. Sorrir ajuda, pelo menos é uma arma secreta e instintiva. Mas nem sempre funciona. Só. Privar-se de boas conversas, ou mesmo de conversas banais, é terrível. Adoro conversar mas, no início, foi difícil. Gente, tenho que admitir que é preciso um certo grau de masoquismo para tamanha mudança.

Felizmente, este estado de angústia não é eterno. Ele passa. E passa não de maneira passiva. Você é o agente da sua história. A necessidade de aprender torna-se tão vital que você acaba se transformando em uma esponja. Suas antenas dos cinco sentidos ficam ligadas o tempo todo. Seu cérebro trabalha, trabalha, como se você fosse novamente uma criança descobrindo o mundo pela primeira vez. Você se exaure, mas aprende.

O que me separa da Carolina que chegou aqui em 2010? Muuuuuiiito aprendizado, uma vida.

O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Uma nova língua, uma casinha super aconchegante, uma pesquisa que vai de vento em popa, meu trabalho como "professeur de danse", como dançarina, como contadora de histórias, além de muitas viagens, momentos inesquecíveis, algumas lágrimas, muitos risos, amigos queridos vindos dos quatro cantos do mundo, quer dizer, dos cinco (considerando os virtuais também), e un amour.

Dois anos de Lyon...
Gente, já ia me esquecendo...
O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Um blog prá contar uma história.

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