sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Vem nimim 2011!!!

Último dia do Ano. Impossível não reservar um tempinho para escrever o meu último post de 2010. Estou no Brasil, de férias em BH. Destino um pouco estranho porque nesta época a cidade fica mais vazia e tem a bendita chuva que vai me impedir de chegar morenassa em Lyon...

Entretanto, estou aqui mesmo é para aproveitar a companhia da minha família e amigos. Acaba sendo uma curta viagem, meio terapêutica, para tomar um fôlego e seguir em frente... Digo "meio terapêutica" porque todo mundo quer saber da minha vida na França. Então falo muuuiiiito deste ano que chega fim e acabo relembrando grandes momentos e fazendo muitas elaborações.

Nossa!!! Vivi uma vida em 2010! Com certeza foi o meu ano mais intenso! Cheguei em Lyon como um bebê que não sabia falar, que não conhecia ninguém e praticamente nada neste novo velho mundo. Início difícil... Contudo, perseverança é uma palavra que sempre me acompanha. Curti muito a minha infância. Tive lá minhas dificuldades mas, ao menos, já estava cercada de pessoas especiais que me davam várias mãozinhas, facilitando a minha caminhada. Minha juventude foi marcada pela entrada no mestrado e em quatro meses atingi a idade adulta. Adultecia, ou adultecia, não tinha outra escolha não. Bom, agora posso dizer que "lá" tenho quase a idade que tenho "aqui". Falta pouco.

Conheço muito mais do que eu conhecia do mundo, muito mais do que conhecia do meu Brasil e muito mais do que conhecia de mim mesma. Aprendi mais sobre as pessoas e amadureci.

Aqui no Brasil, no dia 26 de dezembro, estava conversando pelo telefone com uma amiga de Lyon e surgiu o assunto de um livro que eu escrevi em 2006, chamado "A Viagem de Luzia" que serviu como tema do festival infantil da escola Primeiro Ato Centro de Danças. Ele não foi publicado, mas a história foi lida por mais de 400 pessoas que a receberam pela internet. Luzia, uma menina, se encontra diante de uma dificuldade "X". Como solução do seu problema, constrói uma nave espacial e vai buscar no Universo um mundo melhor para ela viver. Ela vive grandes aventuras em muitos mundos do Universo Infantil até encontrar o ideal, que não é perfeito, mas que é o mais importante para ela.

Manifestação de um sábio inconsciente, a história não é tão infantil, mas sim, atemporal. Porque nós, seres humanos, somos assim: pensamos que o Mundo Ideal está fora de nós, está lá longe, em uma outra cidade, um país diferente, uma profissão diferente, uma família diferente, em uma vida que não é a nossa, mas que se assim o fosse, encontraríamos a felicidade plena e todos os nossos problemas estariam acabados. Grande ilusão! Só mesmo a maturidade para desembaçar as nossas vistas...

Voltando ao dia 26 de dezembro, ao acabar de falar com minha amiga e lhe enviar o texto do livro por e-mail, o interfone toca. Era o carteiro com uma caixa para mim. Para a minha surpresa, uma outra amiga me presenteou com um primeiro exemplar do meu livro! (Muito Obrigada, Fer!!!)


Último dia de um intenso ano cheio de emoções, último post... Depois deste 2010 de "EU no Mundo" ficam mais claros para mim meus objetivos de vida, o "onde quero chegar". Estou plantando e curto muito este momento, mas, como minha Luzia, consegui enxergar qual é o mundo mais importante para mim.


Neste novo ano de 2011, desejo a todos vocês saúde, sonhos, vista desembaçada, muita energia, coragem e realizações. Tudo isso no meio de muito amor, claro!

Um Feliz Ano Novo para todos nós!

Vem "nimim" 2011!!!




sábado, 4 de dezembro de 2010

A Luz dos Lumières

Vou contar uma história que escutei aqui:

Era uma vez, um pai chamado Antoine, fotógrafo por profissão, que mudou-se com a família para Lyon em 1870. Esse Antoine era um homem meio diferente. Sabem aquele tipo de pessoa inquieta, com um pé no presente e outro no futuro e que quer achar solução prá tudo? Pois é, ele era assim. Ele era inconformado com o fato de seus clientes terem que ficar imóveis durante 3 minutos para que ele pudesse tirar uma fotografia. Imaginem só o que era ficar 3 minutos sem se mexer... Nada de sorrisos, de inclinacão dos olhos, de posturas ousadas... Devia ser um martírio para as crianças da época. Além disso, somente os ricos tiravam fotos pois o material utilizado era caríssimo.

Como Antoine tinha dois filhos, o Auguste e o Louis, ele resolveu pedir ajuda aos jovens para encontrar a solução para esse problema. E não é que os espertinhos encontraram! Eles criaram a tecnologia da foto espontânea, a partir de uma placa que passou a ser vendida por um preço mais acessível nas farmácias das cidades.

(Sem a invenção deles, essa minha foto, tirada, no paraíso da vila de Caraíva, pelo meu amigo Leo, seria impossível!)

Nem preciso falar que o produto bombou de vender, né? Toda a família Lumière começou a trabalhar na confecção da placa. Depois, criaram uma usina na região de Monplaisir, aqui em Lyon. No terreno da usina, além dela, havia a casa deles e uma creche para acolher os filhos dos funcionários.

Isso, da criação da creche, foi algo inovador, assim como a criação do princípio da aposentadoria dos trabalhadores. E dentro da casa deles, naquela época, eles já fizeram todas as instalações  de eletricidade e havia também um telefone, o terceiro da cidade. Porque havia um telefone se era o terceiro? Não sei! Talvez fosse coisa de gente que tá no presente mas que é do futuro, porque, na prática, eles tinham a opção de conversar ou com o hospital ou com a central de polícia...

As invenções dos Lumières só estavam começando. Eles viveram em uma época que as pessoas ficaram loucas para inventar o cinema. Então, os irmãos se basearam num princípio óptico, o da persistência da visão, que diz que quando vemos um objeto, a sua imagem permanece na retina  por frações de segundo após a  sua percepção. O olho humano seria capaz de enxergar uma imagem continua se visse várias imagens projetadas com uma velocidade superior a 16 imagens por segundo. Então, eles inventaram uma câmera, que se tornaria filmadora, pois era capaz de tirar 17 fotos por segundo. Disseram-me que as atuais trabalham com uma velocidade de 24 imagens por segundo.

O problema é que não era algo automático, como o é nos dias de hoje. O câmera men tinha que ficar rodando uma manivela numa mesma velocidade. Sabe a técnica que eles utilizavam? Cantavam uma marcha que os ajudavam a manter  o movimento constante.

E  com a inversão do princípio de uma invenção de Leonardo da Vinci (la chambre noir), eles inventaram um projetor. Pronto! Inventaram o cinema!

Aí começaram a fazer filmes de imagens do quotidiano como: "A saída da Usina", "O jardineiro", "A refeição do Bebê", "A Praça de Cordeliers em Lyon", etc.

Mas eles se enganaram ao pensar  que esse "negócio de cinema" seria diversão apenas para as crianças. No dia da primeira projeção, havia 33 pessoas interessadas em ver essa invenção. No segundo dia, 5.000!!! E a paixão por esta arte continuou crescendo, crescendo, crescendo...

Enquanto isso, eles começaram a dar aulas de filmagem, contrataram uns alunos e os enviaram, esses primeiros cineastas, a 34 países para registrar imagens e mostrar o mundo ao mundo! Gente, que idéia sensacional! Foi o início da globalização!

Com relação às filmagens, eles perceberam que filmar  utilizando o ângulo da diagonal era melhor para mostrar o movimento, e que podiam colocar a câmera em lugares inusitados, como em uma carroça em movimento, por exemplo. Então, eles fizeram 1700 filmes que passaram a ser projetados em salas dos 4 cantos do mundo.

Merci, frères Lumières! Fotografia e cinema? Merci beaucoup!!!

Mas as invenções deles não páram por aí. Para dar alguns poucos exemplos, eles também inventaram a fotografia a cores, a radiografia, prótese de mão, super útil nos tempos de guerra, assim como o esparadrapo.


Os irmãos Lumières fizeram um pacto de que tudo o que eles inventassem, mesmo que separadamente, fosse creditado aos dois, reafirmando a cumplididade fraternal. Foram pessoas especiais que procuravam problemas, não para reclamar deles, mas para criar soluções. Filhos do grande incentivador Antoine, eles nasceram inventores. Foram pessoas iluminadas e muito inquietas que não podiam esperar.

Aqui em Lyon, você pode visitar o Instituto Lumière. Fiz esta visita na época da Journée do Patrimônio e amei! Aprendi isso tudo lá! (25, rue du Premier-Film / metrô D: Monplaisir-Lumière).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Morando em um Freezer

Gente,
Ontem à tarde, eu estava na aula, no meio da minha primeira apresentação, quando começou a nevar. Ao voltar para a casa, o tram teve que parar no começo do caminho porque a pista estava interditada por causa da neve. Resultado: caminhada de 6 kilômetros no meio de uma nevasca... Amei!!! Só que desta vez, a neve estava super à vontade e continuou caindo durante a noite inteira. Resultado: aulas de hoje, canceladas... Amei!!! Não porque fiquei sem aula, afinal de contas, estou aqui prá isso, mas o que acontece é que agora os dias estão super curtos. Tem amanhecido quase às 8 e anoitecido às 17 horas, justamente o tempo que fico na Unversidade.
Então, hoje, aproveitei o dia para andar pelas ruas e registrar a belezura desta cidade, transformada em um freezer da noite para o dia. Amei!




























Adivinhem quem virou alvo depois da foto?

Cette photo est dédiée à Marrrriná

Agora está do jeito que eu gosto! Merci, São Pierre!
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