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sexta-feira, 9 de março de 2012

Questão de cultura?

Imaginem a cena:

Eu, em pé dentro do metrô, pensando na vida, prá variar. Quantas questões passam pela cabeça de alguém que escreve o texto da sua pesquisa... Então, barulhos de tapas me tiram do espaço e forçam minha volta ao planeta Terra. A mais ou menos um metro e meio de distancia estavam sentados um homem (pai?) com um menino (seu filho?) de quase dois anos no cólo e uma mulher (a mãe e esposa?) sentada na frente deles. Eles não falavam francês. Falavam uma língua que eu não pude identificar qual. Não descreverei as roupas deles, porque, a não ser que eles estivessem fantasiados, isso denunciaria suas origens e não quero nem de longe instigar a generalização e o preconceito.


Voltando à cena, o homem segurava a mão da criança e dizia:
_ Mjsdfjbufhjcnskudh!
Olhava para a mulher:
_ Khkjnjfhekn!

Então, a mulher aproximava o seu rosto e o homem utilizava a mão da criança para nele bater, forte. Depois do tapa, a mulher colocava a mão no rosto e afastava seu corpo sem nada dizer. E o homem GARGALHAVA, beijava e saudava a criança que estava com uma expressão de choro.
_ Bravo! (Isso dava prá eu entender.)

Utilizo o pretérito imperfeito para descrever a cena porque esses atos foram repetitivos.

Eu olhava prá "aquilo" sem acreditar no que meus olhos enxergavam. Olhava prás pessoas que estava sentadas ao lado do casal, prá ver se era sério mesmo ou prá me certificar que alguém compartilhava da minha indignação, mas eles estavam com cara de múmia. Às vezes, olhavam com "rabo de olho" para a cena, mas escolheram continuar escutando suas músicas e fingir que nada estava acontecendo.

Então, pensei, completamente revoltada: "Eu não aguento! Vou ter que falar alguma coisa! O que esse pai está ensinando ao seu filho??? Que "brincadeira" idiota é esta???"
E, neste momento, a mão do menino, segurada pela mão do homem (monstro?), da um tapa super forte no rosto da mulher (sem adjetivo para classificá-la). Ela coloca a mão sobre a bochecha e reclama pela primeira vez:
_Akfi!
A criança olha para a mãe e inicia seu choro.
A mulher pega a outra mão do menino e a utiliza para bater forte no rosto do homem que, no milésimo de segundo seguinte, dá um super mega tapa na cara da mulher e diz:
_kjfbefuhjefbkufghuwfhjbjbhbchjsbhch!
Ela abaixa o rosto.
O homem fala rindo pro filho:
_Njfhkjfknknev!
Pega a mão do menino e fala com fúria para a mulher:
_Hjnkjfhjbcjkevbkehcl!
Ela não se move e continua com a cabeça baixa. Ele repete:
_Hjnkjfhjbcjkevbkehcl!
Ela reaproxima seu rosto e vocês já sabem o que aconteceu.

Desisti de falar qualquer coisa. Tive medo. Quem sou eu prá repreender esse casal e acabar apanhando no metrô?!

Não fiz nada. Continuei calada. Não vou fazer nada? Sentimento de total impotência!

A gravação do metrô anuncia:
_"Hôtel de Ville Louis Pradel".
Cheguei! Tô salva!
Saio rapidamente do metrô também com cara de múmia e a boca aberta.

E andando na rua... Mais questões: O que é violência? O conceito de violência é cultural? Ele muda com o passar dos anos? O que esse homem estava fazendo? E essa mulher? E essa criança? E todo mundo dentro daquele metrô, inclusive eu?

Prá brasileiro, tapa na cara é o maior sinal de humilhação. Prá francês não. Gesto frequente (não da maneira relatada acima) entre amigos, uma forma de dizer que a outra pessoa deu "um fora", uma "má nota". Motivo recorrente de término de relacionamentos entre brasileiros e franceses, estes últimos sem entender o porquê da humilhação.

Contudo, há pequenos costumes tipo "furar orelha de meninas recém nascidas", algo que prá gente é super normal, mas que, na opinião de muitos franceses é considerado uma grande violência, algo que deveria ser feito apenas com o consentimento da pessoa a ser furada. Ah! Mas ela não fala! Não entende. Não sente?! Até ter uma conversa com umas amigas francesas que têm filhas, confesso que nunca havia pensado nisso.

Mas brasileiros e franceses concordam: filho não bate em mãe nem em pai. Sinal de respeito. E os pais? Eles podem bater nos filhos? O Estatuto da Criança e do Adolescente vem nos dizer que não. Ah! Nem uma palmadinha na bunda com uma forcinha de leve a moderada e sem a intenção de humilhar? Há alguns anos atrás, podia, e sem medir força ou "ferramentas" para isso. Até mesmo professor podia bater nos alunos. Hoje eles podem é ser processados quando dão nota baixa.

Não quero concluir nada com isso tudo o que escrevi. Só compartilho esta cena chocante e as novas questões que surgiram dentro da minha cabeça... Não bastavam as que eu já tinha...


domingo, 29 de janeiro de 2012

A Chegada da "Peste"



Em 1909, Freud saiu da Áustria, provavelmente pegou um trem até uma cidade portuária. Aí, pegou um navio e depois de longos dias chegou nos Estados Unidos para uma conferência. Num diálogo com Jung, ainda dentro do navio, ele teria dito algo mais ou menos assim: "Eles não sabem que estamos lhes trazendo A Peste", já que, apresentaria, ao vivo, a sua teoria psicanalítica, com a noção de Inconsciente, o que modificaria a maneira de se pensar o ser humano, suas ações e relações.

Adoro psicanálise, mas ela não é o tema deste post. Escrevi esta introdução somente para chamar a atenção de vocês no que se refere à circulação de informação do início do século XX. Demorava para uma "teoria revolucionária" atravessar o oceano, né?

Hoje em dia, não é mais assim, claro. A internet simplesmente acabou com as distancias de tempo e de espaço. A notícia circula praticamente em tempo real. Até mesmos os telejornais com horários fixos, quando vão ao ar, já estão atrasados.

Fazer uma pesquisa nesta Era também é muito mais fácil. Não imagino como faria um mestrado
sem internet. Como pesquisaria sem os sites especializados em traduções, sem ter acesso aos artigos de revistas, livros e vídeos.

Com a internet você pode ser capaz de escrever um artigo em Inglês, conhecendo o básico da língua. No mestrado, agora tenho aula de "Inglês Científico". O professor é francês e não fala bem inglês (the hause = ze oze), mas ele domina os sites que interessam. Dou a dica: abra 4 janelas no seu computador

1) "Google Tradutor"
2) "Google Scholar"
3) "Word Reference"
4) Um documento no "word"

Sabendo articular essas quatro janelas, você é capaz de escrever um artigo em qualquer língua!

Adoro ter uma internet para fazer minha pesquisa, mas também não é este o foco deste post. O que me fez pensar nisto tudo foi a minha última aula de dança. Dou aula de "Danças Brasileiras" para uma turma de adultos. Contudo, há duas super adolescentes de 13 anos infiltradas no grupo. Elas chegaram todas "serelepes" na última quinta. O motivo? Queriam que eu dançasse com elas uma música que T-O-D-O-S estavam dançando na escola. Adivinhem... "Ai se eu te pego". Pegaram o telefone, pesquisaram na internet e me mostraram um vídeo de um jogador dançando em um vestiário" ( mais de 14.000.000 exibições) e um outro vídeo com a mesma música (mais de 30.000.000 exibições). Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

Pausa de indignação...

Dois anos fora do Brasil. Estou super desatualizada com relação às músicas e "dancinhas". Há mais ou menos 10 dias atrás que fiquei sabendo da existência do cantor, música e da coreografia dançada até por jogadores de futebol (?!). Achei exagero ouvir "o Mundo Todo está dançando 'ai se eu te pego'", mas, infelizmente, não. É fato confirmado, pelo menos aqui na França, em Lyon.

Tenho o maior cuidado em preparar as aulas de "Danças Brasileiras". Apresento aos alunos as muitas músicas de qualidade que temos. É uma difícil escolha dada a diversidade de cantores e rítmos que nos embalam. Mas, Não! Não vou dar aula com esta música. Não! Não vamos fazer esta "dancinha". N-U-N-C-A! Nem nenhuma outra dessa corrente de "créu". Creio que o Brasil tenha algo melhor a exportar.

Você pode não concordar comigo e dizer que tudo é uma questão de gosto e que gosto é igual bunda, cada um tem o seu. Concordo. Você pode se perguntar se eu sempre fui imune a esse tipo de "dancinha" e se eu, com 13 anos, não dançava "lambaeróbica" nas areias de Porto Seguro. Dancei. E "O Tchan" alguns anos mais tarde? Talvez tenha dançado um pouco, não me recordo muito bem... E como gosto é igual bunda, ele se modifica com o passar do tempo.

Minhas alunas se divertem com minha indignação. Elas cantam a música e dançam. Eu a traduzo numa tentativa de inibí-las. Contudo, elas já o tinham feito, com o celular mesmo, e nem se importaram. Acharam-na engraçada. Insisto na castração e explico o sentido das expressões, mas elas não estão nem aí. Ai adolescência... Freud, o que você pensa disso tudo?

Então, desisto e sublimo. Mudo de assunto e começo a aula com uma música bem boa. Meus ouvidos me agradecem! Chego a pensar que os bons tempos eram aqueles onde a informação demorava mais para se espalhar... Talvez as distancias de tempo e espaço pudessem fazer uma seleção natural nos assuntos. Mas, não. Na Era da Globalização, essa seleção não existe mais. Ela passa a ser uma escolha pessoal que depende do gosto de cada um, para ser bem simplista. E quem influencia nossos gostos? Na falta de uma resposta imediata, e de um "filtro" também, daqui eu confirmo: A Peste já chegou!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dois Anos de Lyon!!!

Nossa! Aniversário da minha chegada em Lyon...

Merece uma pausa para reflexão...

Há dois anos, fiz uma viagem que mudaria os rumos da minha vida. Bom, não sei se posso realmente afirmar isso. Talvez esta fosse, desde sempre, a única direção possível.

O que me separa hoje da Carolina que chegou aqui no dia 14 de janeiro de 2010? Engana-se quem pensa que são apenas dois anos.

Hoje de manhã, conversando com as mães de umas alunas, me dei conta da data querida. Elas, super simpáticas, me felicitaram pela coragem de enfrentar um país novo, distante, desconhecido no qual as pessoas falam francês e têm a fama de serem frias. Pensativa que estou, disse que, na verdade, não sei se fui corajosa, ingênua, ou louca. Só sei que vim.

Pessoas me perguntam: é difícil sair do seu país, atravessar o oceano e se jogar no desconhecido? É. Muitas vezes deu medo? Deu. Doeu? Doeu. Já pensou em desistir e voltar? Já.

Sair do conforto do ninho familiar, da sua casinha, da sua cidade repleta de amigos queridos, do seu trabalho prazeroso e chegar em um lugar onde todos são desconhecidos para você e que para eles você é só uma "Maria Ninguém" não é fácil. É praticamente um começar do zero.

Descobri que a ignorância dói e não foi ninguém que me contou. Ela doeu forte e várias vezes. E o pior é que, quando se trata deste alto nível de ignorância, você nem sabe como fazer uma pergunta para aliviar a tensão. Às vezes, à única opção que eu tinha era ficar calada. E só. Sorrir ajuda, pelo menos é uma arma secreta e instintiva. Mas nem sempre funciona. Só. Privar-se de boas conversas, ou mesmo de conversas banais, é terrível. Adoro conversar mas, no início, foi difícil. Gente, tenho que admitir que é preciso um certo grau de masoquismo para tamanha mudança.

Felizmente, este estado de angústia não é eterno. Ele passa. E passa não de maneira passiva. Você é o agente da sua história. A necessidade de aprender torna-se tão vital que você acaba se transformando em uma esponja. Suas antenas dos cinco sentidos ficam ligadas o tempo todo. Seu cérebro trabalha, trabalha, como se você fosse novamente uma criança descobrindo o mundo pela primeira vez. Você se exaure, mas aprende.

O que me separa da Carolina que chegou aqui em 2010? Muuuuuiiito aprendizado, uma vida.

O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Uma nova língua, uma casinha super aconchegante, uma pesquisa que vai de vento em popa, meu trabalho como "professeur de danse", como dançarina, como contadora de histórias, além de muitas viagens, momentos inesquecíveis, algumas lágrimas, muitos risos, amigos queridos vindos dos quatro cantos do mundo, quer dizer, dos cinco (considerando os virtuais também), e un amour.

Dois anos de Lyon...
Gente, já ia me esquecendo...
O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Um blog prá contar uma história.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A História da Árvore

Diz a lenda que cada árvore existente na Terra representa a vida de uma pessoa. Seus galhos dizem dos momentos vividos mais importantes, sendo eles tristes ou alegres. Um ser humano, ao ver uma árvore, seria incapaz de dizer qual galho representaria risos ou lágrimas. Ele conseguiria somente enxergar a beleza do todo.

Então, a menina escuta essa história na aula de português, eu acho. A professora apresenta uma folha com diversas árvores e pede para que cada aluno escolha a sua. Há várias possibilidades, contudo ela escolhe uma árvore grande e cheia de galhos e passa horas olhando para ela tentando imaginar o que contaria cada ramo saído do tronco meio torto, espesso enrugado.



Os anos se passam e, um dia, a menina, não mais menina, se depara com sua árvore que salta-lhe aos olhos e torna-se acessível às suas mãos. Como ela veio parar aqui? Aquela história reaparece forte em sua memória. Quando mesmo que ela a escutou?



Um clarão de luz em seu coração. Quem escolheu quem afinal? A menina ou a Árvore? Um momento de Paz, entendimento e aceitação.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Sistema de Ensino Francês: verdades para quem quer ler e enxergar


Sobre meus óculos, a "Alegoria da Caverna" e o Sistema de Ensino na França:



Há um mês uso óculos. "Astigmatismo" foi o diagnóstico que o médico deu para o meu enxergar meio embaçado, sem foco preciso, segundo ele. Leitura Corporal à parte, o fato é que não percebia que estava com algum problema. Só fui convencida dele quando coloquei meus óculos pela primeira vez. A sensação que tive foi que a imagem ao meu redor de 4 megapixels tinha passado para 18. Tudo tem um contorno definido! O mundo ficou mais nítido! Adaptei-me instantaneamente às minhas novas lentes.

Mais focada e aqui em Lyon, preparei-me para a minha semana intensa de provas. Muita matéria, leituras, exercícios... Nada em português. Quando a tão "esperada e temida" semana dos alunos chegou, em um dia, tivemos 3 provas dissertativas, com um intervalo de 10 minutos entre elas: uma às 8hs, outra às 10hs e a última às 12 horas! Meu cérebro conseguiu descansar só 3 dias depois...

Minha fase de enamoramento com a França e seu Sistema de Ensino acabou aqui! Não é nada grave, nada que me faça mudar de planos. É simplesmente o efeito dos meus óculos e da nova capacidade de enxergar o mundo mais nitidamente.

Tudo isso me faz lembrar do texto da "Alegoria da Caverna", onde Platão, o filósofo e autor, nos faz imaginar uma situação na qual seres humanos, que nasceram dentro de uma caverna, lá viviam suas vidas acorrentados. Eles, sempre de costas para a abertura da caverna, só enxergavam as sombras das pessoas que viviam do lado de fora, assim como, escutando as suas vozes, pensavam que eram os sons produzidos pelas mesmas. Para esses seres humanos de Platão, a realidade era a sombra. Ele pede para seu leitor imaginar o que aconteceria se um deles se libertasse das correntes e fosse para o exterior da caverna, ao encontro da luz. Ele veria a real realidade. Quais riscos ele correria se resolvesse voltar para dentro da caverna e dissesse para seus companheiros que aquela realidade das sombras não era a verdadeira? Seria ignorado? Tido como mentiroso? Louco? Seria perseguido e morto? - É o tipo de texto que nos ajuda a refletir diante de muitas situações da nossa vida...

Não sei como vou explicar isso à vocês, mas, infelizmente, acho que a Universidade francesa enxerga sombras e jura que é a única realidade possível. Minha angústia a esse respeito cresce não só porque agora sou uma estudante desse Sistema, mas, principalmente, porque sou uma estudante de mestrado em Psicologia Cognitiva e Neuropsicologia. Estudo o cérebro a fundo, as funções cerebrais, tim-tim por tim-tim. Estudo às disfunções, doenças, demências. Mas o que me deixa muito feliz é estudar as funções cerebrais no enfoque da aprendizagem e de sua potencialização.

Dentro dos laboratórios da Universidade, quando vamos fazer uma pesquisa, procuramos identificar os fatores que podem alterar o resultado e, na medida do possível, controlá-los. A Universidade aqui de Lyon é uma referência mundial em pesquisas nesta área. Estuda-se muito sobre a memória, as bases dos processos de aprendizagem e, consequentemente, do processo de educação. Muitas das teorias que estudamos no Brasil saem daqui, quentinhas, diretamente do forno.

Entretanto, a França, muitas vezes considerada o país das incongruências, faz jus à sua fama e peca ao deixar as teorias dentro dos livros e bem longe da prática. Porque eu pergunto: alguém tem dúvida que a minha capacidade cognitiva durante a terceira prova estaria prejudicada? E a capacidade do aluno que foi mal na primeira prova e que teve 10 minutos para respirar antes de começar a segunda? Isso sem pensar na terceira, quando eu já estava até vesga. E quem estava com vontade de ir no banheiro?

Nas provas dissertativas não é só o conteúdo que é avaliado, mas também a maneira como você consegue fazer uma ligação entre fatos, causas e efeitos, a maneira como expressa suas idéias, considerando inclusive o domínio da língua escrita. Alguém duvida que uma estudante estrangeira que estuda francês há um ano poderia ter mais dificuldades para desenvolver suas idéias? Nada dessa breve análise superficial é levado em consideração, nem mesmo por meus professores, grandes experts nesses assuntos...

O exemplo da minhas 3 provas durante uma manhã é um dentre váaaaaarios que poderia citar e é por isso que considero a França como o país da gastronomia "do conhecimento sobre educação". A "cozinha" é a Universidade, mais especificamente os departamentos envolvidos nas pesquisas das Ciências Cognitivas. Comidas saborosas, nutritivas e novas receitas saem daqui. O problema todo é que grande parte da nação e meus professores vivem de regime! Não aproveitam aquilo que produzem. Êta desperdício!

E se eu questiono, reclamo e digo a meus colegas ou professores que há uma realidade diferente das sombras, uma realidade onde a flexibilidade e a criatividade e o contato humano são essenciais, poucos são aqueles que acreditam nessa luz. Da maioria, recebo sorrisos amarelos bem amarelos. É o lado ruim de se ter uma longa história onde as pessoas se acorrentam em tradições inúteis.

Há mais ou menos 2 anos, houve uma greve de professores aqui, de pessoas que enxergavam o que eu estou enxergando só agora, mas que foram vencidos por seus colegas e alguns governantes, acomodados demais para querer ter o trabalho de mudar. Ainda bem que esses primeiros existem. Que eles não desistam da necessária mudança! Ainda tenho esperança!

A verdade é que me decepcionei, mas só na minha cabeça é que algum dia existiu uma França "ideal", ou na sua também? Na "real", estou aqui para estudar, então, estudo e muito! É meu foco. Aqui tem comida boa, tenho fome e vou me nutrir. Agora, se tem gente que quer viver de regime ou de baguette...


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Vem nimim 2011!!!

Último dia do Ano. Impossível não reservar um tempinho para escrever o meu último post de 2010. Estou no Brasil, de férias em BH. Destino um pouco estranho porque nesta época a cidade fica mais vazia e tem a bendita chuva que vai me impedir de chegar morenassa em Lyon...

Entretanto, estou aqui mesmo é para aproveitar a companhia da minha família e amigos. Acaba sendo uma curta viagem, meio terapêutica, para tomar um fôlego e seguir em frente... Digo "meio terapêutica" porque todo mundo quer saber da minha vida na França. Então falo muuuiiiito deste ano que chega fim e acabo relembrando grandes momentos e fazendo muitas elaborações.

Nossa!!! Vivi uma vida em 2010! Com certeza foi o meu ano mais intenso! Cheguei em Lyon como um bebê que não sabia falar, que não conhecia ninguém e praticamente nada neste novo velho mundo. Início difícil... Contudo, perseverança é uma palavra que sempre me acompanha. Curti muito a minha infância. Tive lá minhas dificuldades mas, ao menos, já estava cercada de pessoas especiais que me davam várias mãozinhas, facilitando a minha caminhada. Minha juventude foi marcada pela entrada no mestrado e em quatro meses atingi a idade adulta. Adultecia, ou adultecia, não tinha outra escolha não. Bom, agora posso dizer que "lá" tenho quase a idade que tenho "aqui". Falta pouco.

Conheço muito mais do que eu conhecia do mundo, muito mais do que conhecia do meu Brasil e muito mais do que conhecia de mim mesma. Aprendi mais sobre as pessoas e amadureci.

Aqui no Brasil, no dia 26 de dezembro, estava conversando pelo telefone com uma amiga de Lyon e surgiu o assunto de um livro que eu escrevi em 2006, chamado "A Viagem de Luzia" que serviu como tema do festival infantil da escola Primeiro Ato Centro de Danças. Ele não foi publicado, mas a história foi lida por mais de 400 pessoas que a receberam pela internet. Luzia, uma menina, se encontra diante de uma dificuldade "X". Como solução do seu problema, constrói uma nave espacial e vai buscar no Universo um mundo melhor para ela viver. Ela vive grandes aventuras em muitos mundos do Universo Infantil até encontrar o ideal, que não é perfeito, mas que é o mais importante para ela.

Manifestação de um sábio inconsciente, a história não é tão infantil, mas sim, atemporal. Porque nós, seres humanos, somos assim: pensamos que o Mundo Ideal está fora de nós, está lá longe, em uma outra cidade, um país diferente, uma profissão diferente, uma família diferente, em uma vida que não é a nossa, mas que se assim o fosse, encontraríamos a felicidade plena e todos os nossos problemas estariam acabados. Grande ilusão! Só mesmo a maturidade para desembaçar as nossas vistas...

Voltando ao dia 26 de dezembro, ao acabar de falar com minha amiga e lhe enviar o texto do livro por e-mail, o interfone toca. Era o carteiro com uma caixa para mim. Para a minha surpresa, uma outra amiga me presenteou com um primeiro exemplar do meu livro! (Muito Obrigada, Fer!!!)


Último dia de um intenso ano cheio de emoções, último post... Depois deste 2010 de "EU no Mundo" ficam mais claros para mim meus objetivos de vida, o "onde quero chegar". Estou plantando e curto muito este momento, mas, como minha Luzia, consegui enxergar qual é o mundo mais importante para mim.


Neste novo ano de 2011, desejo a todos vocês saúde, sonhos, vista desembaçada, muita energia, coragem e realizações. Tudo isso no meio de muito amor, claro!

Um Feliz Ano Novo para todos nós!

Vem "nimim" 2011!!!




sábado, 13 de novembro de 2010

Verdade Universal: só para Mulheres

Este post é dedicado às mulheres de todo o mundo e sua inspiração veio de uma conversa séria, considerada quase que um estudo científico, entre uma brasileira, uma italiana, uma suéca, uma colombiana, uma mexicana e uma chinesa. Espero que estejam sentadas!

Língua oficial: francês
Assunto predominante: relacionamentos (leia-se: homens)

Não! Não saímos juntas para ficarmos falando o tempo todo de homens porque, quando essa mulherada internacional se junta, é para comer e aproveitar a oportunidade para aprender sobre os diferentes países, culturas, políticas, povos. Uma riqueza de conversa!

Ah! Já ia me esquecendo:
Cidade: Lyon, França
Local: restaurante indiano

Falamos muito das nossas experiências de sair do nosso país para habitar a França, com tudo de bom, médio e ruim que encontramos por aqui. Mas todo país tem disso, né, o seu lado bom e o ruim... O Brasil, por exemplo, de povo caloroso, natureza magnífica e cheio de problemas sociais. Pelo que minha amiga fala da Suécia, parece ser um país super desenvolvido, onde as coisas realmente funcionam, onde as mulheres são super amparadas quando resolvem tornar-se mães, mas, segundo ela, lá faz um frio do cão, ou melhor, de pato, para utilizar a expressão francesa. A China, em desenvolvimento acelerado, mas com seus problemas de superlotação, desigualdades e falta de liberdade. A Itália, também maravilhosa, povo alegre, falante, mas está cada dia mais zoneada...

Conversa vai, conversa vem, e o assunto predominante "relacionamentos" vem à tona novamente. Quantas histórias! Se a gente fosse capaz de escutar a experiência narrada por uma pessoa e, à partir daí, aprendesse verdadeiramente e não repetisse os mesmos erros, economizaríamos muitas lágrimas durante a vida. Mas isso não acontece, porque sempre achamos que fazemos parte de uma exceção.

Conclusões: 1) Não existe aprendizado ideal! 2) Infelizmente, há uma ligação entre as palavras amor e dor. 3) Deveríamos ter as ex-namoradas mais como aliadas e não como inimigas, pois é delas que obteríamos verdadeiras referências.

Bom, o encontro foi ótimo, a comida deliciosa e a conversa agradável e instrutiva. E sobre os homens, chegamos à duas duras conclusões:

Primeira: O fator aleatório "homem" não é influenciado pela variável "etiquette" nacionalidade de diversas modalidades (brasileiro, italiano, francês, colombiano, mexicano, chinês, japonês, suéco, americano e espanhol). Logo, a variável dependente "comportamento" não é afetada.

Segunda: (Peço desculpas às mulheres pela franqueza, mas tenho que ser verdadeira assim como meu irmão e meu primo o foram comigo em uma noite de Natal, quando eu tinha 6 anos) Príncipe Encantado, assim como Papai Noel, não existe! E não existe nem no Brasil, nem na China, nem na França, nem nos Estados Unidos, nem na Suécia, nem na Itália, nem na Colômbia, nem no México e nem no Japão!

Conselhos: 1) Aceitar isso como uma verdade mais do que mundial, como uma Verdade Universal. 2) Parar, de uma vez por todas, de sair correndo atrás de sapo. E 3) Não insistir mais nesse assunto!!!

domingo, 7 de novembro de 2010

Só e Conectada

Responda rápido: a Internet te aproxima ou te afasta das pessoas?

Desde que eu cheguei aqui em Lyon, tenho uma outra relação com meu computador e com a Internet. Em BH, podia passar dias sem me sentar enfrente a uma tela, mas aqui isso é simplesmente impossível! É pela Internet que me comunico com minha família, meus amigos. É graças a ela que posso escrever aqui. É graças a ela e ao Skype que não me sinto tão distante de pessoas que amo e posso ver seus rostos e conversar como se não tivesse um oceano entre nós.

Além disso, a Internet nos permite fazer pesquisas, ver filmes, vídeos, escutar músicas, ler notícias, dar nossa opinião sobre diversos assuntos. E ser estudante universitário aqui só vale se você tiver um computador e se conectar pelo menos 3 vezes por dia, de preferência assim que você se acordar e antes de ir para a aula, pois uma mensagem de que a Universidade estará fechada pode evitar a sua ida em vão à mesma. 

Através da Internet podemos também fazer amigos e conhecer o mundo sem sair de casa. Quer coisa melhor que isso? Mas é justamente aqui que está o "X" da questão, o fato de ter acesso às pessoas sem encontrá-las somado ao fato de "conhecer o mundo" sentado na cama com o laptop apoiado na barriga... É meio estranho, não?

O Facebook é um ótimo exemplo desta dicotomia. Criado, em 2004, por estudantes da Harvard, que não imaginavam as proporções que seu invento ganharia, hoje, ele é a maior  rede social do mundo. No Brasil, ainda temos o Orkut que divide as atenções dos internautas, mas, em todos os outros países, o FB é o rei! Se você é cadastrado, saiba que é uma das mais de 500 milhões de pessoas que deixam seus rostinhos e informações preciosíssimas das suas vidas para seus "amigos" ou para os "amigos de amigos" ou mesmo para quem tiver interesse ver.

E se você não é cadastrado, ou você é advogado ou afins e não quer produzir prova contra você mesmo, ou você não "entende direito desse negócio de Internet", ou você é uma pessoa muito misteriosa, intrigante...

O que o FB representa hoje em dia, além de ser um grande arquivo mundial de informações pessoais? Representa um lugar virtual, tipo uma praça de uma cidade do interior onde as pessoas costumavam dar uma passadinha antes de voltar para as suas casas e lá conversavam, contavam piadas, olhavam-se, informavam-se,  discutiam, brigavam, paqueravam e fofocavam, claro! E, como é um lugar virtual, ele é comum a quem o acessa e, assim, pouco importa se eu estou no Brasil, na França ou em qualquer outro lugar do mundo. O problema disso está quando a pessoa pára de sair  de casa e de encontrar os seres do mundo real e passa a ficar sozinha, trancada no seu quarto, conectada à sua imensa rede de amigos...

Dos meus amigos, entrando no FB, obtenho informações importantes ou nulas. Porque há aqueles amigos que nunca se manifestam mas que sabem da vida de todo mundo e,  aqueles que curtem, compartilham e comentam tuuuudo. Há aqueles que só escrevem  se aconteceu algo interessantíssimo e há aqueles que deveriam pensar pelo menos 10 vezes antes de postar, no seu mural, uma mensagem, via celular, que esqueceu as chaves do carro dentro de casa e que terá que subir de elevador para ir buscá-la e que, provavelmente, por isso, vai chegar tarde no trabalho e vai ter que inventar alguma desculpa esfarrapada para seu chefe idiota. Só que todos os seus colegas de trabalho e, inclusive, seu chefe são seus amigos no FB... Informação inútil! (Qual seria o similar de boca fechada não entra mosquito?)

O tempo que você passa em frente ao seu computador, enquanto não está trabalhando, também é algo que diz da sua forte "conexão"com o mundo e com as pessoas ou diz da sua solidão. 

Uma pessoa que, como eu, mora fora do seu país pode cair na armadilha da Internet. Ao mesmo tempo que continua "conectada" com todos os amigos do país de origem, sai menos, deixa menos espaço na sua vida para o novo, para se conectar com pessoas reais. E isso é uma pena, contudo também não é fácil lançar-se  no mundo...

De qualquer maneira, dizem que o importante na vida é encontrar um equilíbrio em tudo o que a gente faz. Então, encontrar o equilíbrio, nesse caso, seria saber dosar o tempo que dedicamos aos amigos reais virtualizados, aos  amigos virtuais, jamais reais, aos reais reais e, também, à solidão, por que não?


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A França, a Greve

Quando eu cheguei aqui, ouvi falar que francês ama 4 coisas: pão, queijo, vinho e greve. Até a semana passada, só havia compartilhado dos três primeiro ítens da lista. Não que não tenha tido greves durante o ano, mas elas não haviam me atingido até então, não tinham me feito andar muitos kilômetros à pé para voltar para casa.

A França vive a eminência de uma Greve Geral. Os movimentos sindicais franceses são fortes, os estudantis, também. À eles são somadas as vozes da população, que confirmam, em coro, que a união faz a força.

Domingo, apesar do frio (parece que pulamos o outono e caímos diretamente no inverno), o barulho da multidão que estava nas ruas me fez deixar os livros de lado e sair de casa. E ainda bem que o fiz. A um quarteirão da minha casa, deparei-me com estas imagens:





Fiquei, sinceramente, emocionada. A população saindo de casa para protestar, para lutar por seus direitos. Famílias na rua, num frio de 8 graus, para dizer:

"Não mexam na minha aposentadoria!"
"Deixem meu pai descansar! Eu pago por ele!"
"Nem reforma , nem emenda!"
"Mudança na Aposentadoria? INACEITÁVEL!"

A última vez que vivi algo parecido foi no início da minha adolescência. Faço parte da geração "cara pintada" que foi ao centro de Belo Horizonte dizer SIM ao Impeachment. Confesso que na época não tinha noção de que estava fazendo história. Mas foi tão boa a sensação!

Contudo, quase duas décadas se passaram. E eu, minha geração e a grande maioria da população nos acomodamos. Ficamos, nós, brasileiros, reclamando em frente à televisão, nas rodinhas de família, amigos mais íntimos, evitando muita polêmica, para não criar desafetos, e, quando muito, assim como eu, em  frente ao computador.

Aqui, não. Aqui o pessoal está nas ruas. O clima anda tenso. Vozes em alto falantes convidam as pessoas para aderir a uma Greve Geral. Os estudantes estão na ativa, fazendo protestos e, na maioria das vezes, perdem o controle. Infelizmente, há depredação do material urbano e pedras e garrafas são lançadas contra os tiros de flashball e bombas de gás lacrimogênio.

Toda essa mobilização é para impedir a Reforma da Aposentadoria. Hoje em dia, a idade legal para se aposentar é 60 anos. Com a reforma, aconteceria uma aumento anual progressivo da idade limite, o que faria com que, em 2018, as pessoas se aposentassem aos 62 anos. Eles estão lutando hoje, agora!

Razões para querer a reforma, o governo tem de sobra: a França é um país onde 1/3 da população tem mais de 50 anos. Entretanto, segundo os franceses, essa reforma não é a solução. Então, a  população se une, faz a força e grita forte:

"NON!"

Ô gente, nem uma pontinha de inveja? Um incômodo? Uma vontade de mudar? A gente pode! Vamos?!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O essencial para você

Hoje de manhã, fui acordada com o alarme de incêndio do meu prédio. Demorei alguns segundos para entender o que podia estar acontecendo. Levantei da cama de supetão, coloquei uma calça "dins" (como uma vez minhas alunas escreveram) por cima do pijama mesmo, meu casaco mais quente, meu tênis mais confortável. Rapidamente, peguei meu passaporte, minha pasta de documentos. Coloquei meu computador e celular na minha bolsa e desci meus novos sete andares de escadas, completamente descabelada e em tempo record.

Não entrei em pânico nem em estado de histeria. Ainda bem, porque quando cheguei na portaria, o porteiro disse que eles estavam testando o alarme. Que bom que funciona!!! Mas custava avisar que iam fazer um teste sexta-feira de manhã?!!!

Enquanto voltava para meu 'petit château', pensei no que aconteceu e no que poderia ter acontecido. Um incêndio poderia ter destruído tudo. Simplesmente, peguei o que julguei essencial e desci. E o essencial para mim, naquele momento foi: a minha vida, a comprovação da minha identidade e o meu canal de comunicação com o mundo. De roupa, o mais básico, funcional e confortável, nada de enfeite ou luxo. Deixei o resto todo prá trás. O resto com que gasto grande parte do meu tempo e dinheiro para escolhê-lo, comprá-lo e tê-lo.

Mas ainda acho que desci com muito.

Antoine de Saint-Exupéry nasceu aqui, em Lyon. Aviador, ele ganhou fama mundial como escritor depois de escrever o seu livro "Le Petit Prince", (O Pequeno Príncipe). Dentre suas frases famosas há uma que diz que "o essencial é invisível aos olhos". E é ou não é?
Quero escrever somente o essencial sobre esse assunto, para agora saber de você: imagine-se na situação que eu vivi. O que você "salvaria" de tudo aquilo que você tem dentro da sua casa? O que é realmente essencial para você?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

De Mim para Mim mesma

Qual foi a última vez que você se colocou em primeiro plano na sua própria vida? Qual foi a última vez que você criou metas para você mesmo? Qual foi a última vez que você quis algo que parecia impossível, se olhou no espelho e disse: "Eu quero! Eu posso! Eu mereço! Eu vou!"?

Há um ano atrás eu fiz isso. Permiti-me sonhar e corri atrás do meu sonho sem saber ao certo para onde ele me levaria.

Então, hoje, eu estava sentada em um auditório, no meio de uns 200 estudantes, escutando as boas vindas, em francês, do coordenador do mestrado da Universidade de Lyon. Consegui enxergar a cena em que eu participava. Olhei para tudo bem forte, para deixar esse momento registrado na minha memória. Fui a única testemunha da minha felicidade, do meu sorriso, da minha satisfação de realizar dois sonhos: 1-aprender francês (sempre achei lindo e chiquérrimo!) e 2-fazer um mestrado. Tudo bem! Disse no último post que ainda não sou uma 'expert', mas, voilà, entendi quase tudo. Sei também que estou falando sobre o primeiro dia de dois longos anos da minha vida... Mas tudo começa de um começo. É ou não é?

Quando falo dois L-O-N-G-O-S A-N-O-S, curto cada letra, porque quero viver intensamente cada momento. Permiti-me voltar a ser estudante, mas agora, mais madura e mais esperta do que quando o fui há uma década atrás.

Tudo o que eu não aproveitei no meu tempo de faculdade, quero aproveitar. Hoje fiz visita guiada pelo Campus, visita guiada pela biblioteca. Interei-me de todos os serviços oferecidos na "casa do estudante". Tinha direito a uma agenda? Quero uma agenda, obrigada! Direito a um chaveiro? Quero, merci! Camisinha com a logomarca da Universidade? Rsrsrs! Quero também! Então, quer se inscrever para fazer parte de um grupo de estudantes que vão a museus, teatros e espetáculos de dança juntos? Claro que eu quero! Pode colocar meu nome aí, s'il te plaît! Confesso que me diverti como uma criança conhecendo a sua nova escola...


Tem um ditado que diz que "a qualidade da sua vida depende da qualidade dos seus objetivos". Penso nisso frequentemente.

Hoje estou me sentindo mais leve, mais plena. Estou feliz comigo mesma. Feliz por estar cuidando de mim, feliz por ter me dado esse presente: meu Presente.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Adooooro visitas !

Por que eu adoro visitas?

Porque tenho o maior prazer em apresentar Lyon e receber os amigos na minha casa.











Porque, com as visitas, tenho histórias para lembrar de mais de 5, 10, 15, 20 anos atrás ou mais. Então, se sentir uma pré adolescente é fácil...



Porque com as visitas também descubro lugares novos e vivo novas aventuras, como na linda cidade de Annecy!










Porque passar mal, depois de andar meia hora de pedalinho, é muito melhor quando estamos ao lado dos amigos... Eles nos entendem e já nos viram em situação muito pior...

Porque quem mora fora de seu país sabe como tem dias nos quais a saudade aperta e como os rostos, as vozes, os papos, as brincadeiras familiares nos fazem bem.


Porque as pessoas que me visitam são pessoas muito importantes na minha vida.









Porque minhas visitas me lembram quencossô, onquotô e o quecotô fazendo aqui. Elas me abastecem de amor e seguem seu caminhos...

E que voltem sempre!


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"À Moi" e a origem do Amar

Antes do começo, uma explicação: "à moi" é uma expressão francesa ( lemos: à muá) que significa, dentre outras coisas, o "é meu"em português.

Foi durante um jantar de terça feira que me veio a inspiração para este post. Há quase um mês não via a pequena Naïs. Estávamos com saudades e brincamos muito antes de nos sentarmos à mesa. Convidada à escolher o seu lugar, sentou-se entre mim e o Alex, claro. Então, ela me deu um abraço apertado. Que delícia! Apontando para mim, ela disse à sua mãe:
_Maman, ça est à moi!

#Tecla sap#
_ Mamãe, isto é meu.
Sua mãe respondeu imediatamente:
_Não Naïs, a gente não fala assim. A Carol não é sua. Você quer dizer que você a ama muito, mas ela não é sua.

Pronto! Lindo! Entre as duas primeiras garfadas de um inocente jantar, Naïs expressa o dilema do amar: tratar ou não o outro como um objeto que me pertence.


A mesma Naïs que tem pouco mais de 2 anos e que já corrige a minha pronúncia. Ela que começa a diferenciar o que é ela e o que é o outro. Ela que testa seus limites e os limites do outro o tempo todo. Ela que agora quer fazer tudo sozinha. A mesma Naïs que, há um mês, parou de usar fraldas...

Com essa história de parar de usar fraldas ela controla o batalhão de adultos ao seu redor. Um dia estávamos entrando na piscina e ela me disse:

_Xixi, Carol, rápido, xixi!
Então corri com ela para o banheiro. Ela sentou-se e... Nada. Então, ordenou:
_Agora você!
E como já estávamos lá mesmo, querendo dar exemplo, não parei para pensar na situação e obedeci. E foi aí que escutei as suas palavras quase num tom de ameaça:
_Carol, o padrinho não é seu. O padrinho é meu!

Nesse dia, fiquei sem resposta. Perdi o início daquilo que pode se tornar eterno. Pensei apenas na atitude pensada dela de me tirar do meio das outras pessoas, me chamar no cantão, me colocar na cadeirinha do pensamento e me dar uma bronca...

Todavia, sua mãe não foi tão tapada quanto eu e, no jantar, disse algo que todos deveríamos saber, a primeira lição do amor: "amar não é possuir".


Naïs me fez pensar na origem do amor: um sentimento que se aflora quando vivemos a plenitude do egocentrismo. Sua mãe o nomeia amor, mas para a pequena, o sentimento é de posse. Então, quando mesmo que aprendemos a separar o amor da possessão?


Você pode se dizer diferente de Naïs. Dizer que você ama a sua liberdade e que respeita a liberdade do outro. Tudo bem! Você ama o outro, mas ele pertence ao Universo? Ótimo! Contudo, que mal tem se esse outro se sente livre e quer ficar feliz ao seu lado? É ou não é, Naïs?

Sei lá... Penso que se ela aprendesse agora essa primeira lição do amor, talvez economizasse muitas lágrimas durante a vida, dinheiro em terapias e os ouvidos e ombros dos amigos. Entretanto, aprendendo essa lição, ela deixaria também de compreender os livros de romance, os filmes de amor e muitos poemas. Não compreenderia nunca as músicas sertanejas, ou melhor, a maioria das músicas brasileiras. Que sangue correria em suas veias artísticas?


Aiai... Queria dizer aqui que eu consigo fazer a total separação entre o amor e a possessão, e dar o exemplo para vocês, mas não posso mentir... E olha que a Vida insiste em me ensinar essa lição. Entretanto, depois que essa professora severa se acalma... Confesso que adoro cantar bem alto e com os olhos fechados os refrões mais melosos que existem. Talvez, eu prefira continuar burra, bebendo muita água para as lágrimas, trabalhando e ganhando dinheiro para as terapias... E viva MEUS amigos!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Provas

Hoje, acabei de fazer as provas da Universidade para saber o meu nível de francês. Sei que não vai ser um nível avançado (visto que comecei a estudar a língua no final de maio do ano passado), mas também sei que não vai ser um tão básico (visto que comecei a estudar a língua no final de maio do ano passado).
Mas as provas me impressionaram. Tive que fazer 2 redações ontem (uma com o mínimo de 80 palavras e outra com o mínimo de 200). Hoje, tive uma prova oral com 2 professoras e eu na sala. Nessa prova, além de responder questões a meu respeito e sobre minhas intenções na França, sortiei 2 temas: 1- "meu jogo preferido" (futebol); 2- "os animais são os melhores amigos dos homens?" (não, quando estou com problemas não converso com animais. Tenho "beaucoup" de amigos). Depois tive prova na sala de informática... A sala de informática é uma sala de informática do primeiro mundo. São 60 macs brancos, daqueles com telas enormes. Fiquei encantada. Mas o que mais me impressionou foi esta prova que avaliava a compreensão oral e a compreensão de texto. Sentí-me fazendo vestibular. Tinha tempo determinado para cada questão. Dentre 50 questões, escutei um texto de um palestrante terapeuta falando sobre a mudança do valor de Família na Europa. Li um texto sobre a emissão de gás carbônico em Paris e outro sobre o nascimento de uma nova língua francesa a partir da grande quantidade de imigrantes que habitam a França e que lhe acrescenta novas palavras e expressões. Os textos eram enormes e as questões eram interpretação de texto tipo de vestibular mesmo. Nada era óbvio. Quando eu acabei a prova senti a profundidade das minha olheiras.



Ao voltar para casa fazendo uma caminhada, esfriando a cabeça e congelando os pés e o nariz, pensei: "ou esses franceses são uns exagerados, já que se trata de prova para um curso de línguas, ou somos nós que exigimos pouco de nós mesmos no dia a dia. O que é complexo para a gente pode ser trivial para eles quando se trata de educação. A Educação aqui é levada a sério, em qualquer nível.
Mas, como a minha caminhada de volta para casa foi de meia hora, pensei ainda mais... As Provas da Vida... Para mudarmos de nível de vida, fazemos provas, passamos por testes. É impossível fazermos uma mudança sem sermos testados. Algumas provas são mais leves. Às vezes, podem passar desapercebidas. Outras são longas, complexas, cansativas e nos deixam com olheiras profundas... Mas elas têm tempo determinado. Seus tempos se esgotam. Como resultado a gente tem uma evolução ou uma involução na vida. Há aqueles que podem pensar: "Não evoluí, nem involuí. Continuo na mesma". Mas, a estagnação é um involução visto que o mundo continua girando e o tempo continua passando. O estagnado fica para trás. Aí, para saber o nosso nível, é só comparar a gente hoje com a gente ontem e tirar a própria conclusão.



Bjos para vcs,
Cá.
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