Quando eu cheguei aqui, ouvi falar que francês ama 4 coisas: pão, queijo, vinho e greve. Até a semana passada, só havia compartilhado dos três primeiro ítens da lista. Não que não tenha tido greves durante o ano, mas elas não haviam me atingido até então, não tinham me feito andar muitos kilômetros à pé para voltar para casa.
A França vive a eminência de uma Greve Geral. Os movimentos sindicais franceses são fortes, os estudantis, também. À eles são somadas as vozes da população, que confirmam, em coro, que a união faz a força.
Domingo, apesar do frio (parece que pulamos o outono e caímos diretamente no inverno), o barulho da multidão que estava nas ruas me fez deixar os livros de lado e sair de casa. E ainda bem que o fiz. A um quarteirão da minha casa, deparei-me com estas imagens:
Fiquei, sinceramente, emocionada. A população saindo de casa para protestar, para lutar por seus direitos. Famílias na rua, num frio de 8 graus, para dizer:
"Não mexam na minha aposentadoria!"
"Deixem meu pai descansar! Eu pago por ele!"
"Nem reforma , nem emenda!"
"Mudança na Aposentadoria? INACEITÁVEL!"A última vez que vivi algo parecido foi no início da minha adolescência. Faço parte da geração "cara pintada" que foi ao centro de Belo Horizonte dizer SIM ao Impeachment. Confesso que na época não tinha noção de que estava fazendo história. Mas foi tão boa a sensação!
Contudo, quase duas décadas se passaram. E eu, minha geração e a grande maioria da população nos acomodamos. Ficamos, nós, brasileiros, reclamando em frente à televisão, nas rodinhas de família, amigos mais íntimos, evitando muita polêmica, para não criar desafetos, e, quando muito, assim como eu, em frente ao computador.
Aqui, não. Aqui o pessoal está nas ruas. O clima anda tenso. Vozes em alto falantes convidam as pessoas para aderir a uma Greve Geral. Os estudantes estão na ativa, fazendo protestos e, na maioria das vezes, perdem o controle. Infelizmente, há depredação do material urbano e pedras e garrafas são lançadas contra os tiros de flashball e bombas de gás lacrimogênio.
Toda essa mobilização é para impedir a Reforma da Aposentadoria. Hoje em dia, a idade legal para se aposentar é 60 anos. Com a reforma, aconteceria uma aumento anual progressivo da idade limite, o que faria com que, em 2018, as pessoas se aposentassem aos 62 anos. Eles estão lutando hoje, agora!
Razões para querer a reforma, o governo tem de sobra: a França é um país onde 1/3 da população tem mais de 50 anos. Entretanto, segundo os franceses, essa reforma não é a solução. Então, a população se une, faz a força e grita forte:
"NON!"
Ô gente, nem uma pontinha de inveja? Um incômodo? Uma vontade de mudar? A gente pode! Vamos?!
7 comentários:
Pontinha? Uma montanha enorme de inveja isso sim. Se tem uma coisa que me incomoda no Brasil é essa pacividade, é o pensamento de "o problema não é comigo", "para que brigar? não vai adiantar nada", AFF, não me conformo.
Ai quando leio isso, a inveja dobra mesmo.
O problema é que aqui você briga sozinho e quando briga ainda acha gente para te criticar, pode?
Mas concordo, a gente pode mudar, VAMOS mudar.
Beijo amiga
Rê, foi realmente emocionante! Na verdade, nós não temos noção da nossa força. Os franceses têm!
Bjo, amiga!
Sá, isso é legal mesmo. Mas mais legal ainda é quando as pessoas manifestam contra medidas que não as atingem diretamente. Por exemplo, são as manifestações de grupos de direitos humanos e ativistas contra as medidas xenófobas do Sarkozy de expulsar os ciganos romenos. Com certeza, a nossa cultura política fica muito a desejar! Um beijão!
Amiga,
Seu post tem todo sentido e está super atual:estamos vivendo as eleições presidenciais, por aqui.... e a maioria de nós, se pega a argumentos infundados para escolher em quem votar. Tenho visto como as pessoas são preconceituosas e só ligam para o próprio umbigo. Elas não estão nem um pouco interessadas no bem comum, na coletividade, no outro......Que preguiça......
Marinão, fico cada dia mais impressionada como nós, brasileiros, só olhamos para nosso próprio umbigo. É vergonhoso... Mas a gente pode mudar!
Bjos e saudades de vc!
Carol!!!!! Tenho sangue revolucionário nas veias. E ao ler esse post, calfrios me subiam a espinha. MORRENDO de inveja aqui. Como eu queria estar a frente de um movimento desses para tantas coisas que, nós, brasileiros nos acomodamos. Ah... como eu queria também que os fisioterapeutas tivessem ao menos metade dessa coragem e determinação do povo francês...
Beijos ensolarados a ti
Belzinha, agora conheço a participação dos franceses na política, vejo o tanto que nós temos que evoluir... Cada brasileiro tem a sua opinião, o seu candidato, mas no fundo, todo mundo quer ter um Brasil mais digno para se viver. Para isso, devemos nos unir. Isso é um fato!
Sol, o négócio é que a gente diz que "brasileiro é um povo acomodado", coloca um ponto final na frase e muda de assunto. Tá na hora de mudar!
Bjs p vcs tb!
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