quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Sistema de Ensino na França


A França é reconhecida pela sua competência quando o assunto é educação. Acredito que esta fama de "inteligente" foi conseguida à partir do séc XVIII, o Século das Luzes. Nessa época, os pensadores iluministas acreditavam que os seres humanos podiam tornar o mundo melhor mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e engajamento político social. Isso tudo para fazer frente aos resíduos de tirania e superstição creditados ao legado da Idade Média. Com a ajuda posterior vinda dos pensadores humanistas, que também enfatizavam a importância do Homem e da racionalidade, a noção de Escola e a maneira de educar foram totalmente repensadas e reestruturadas. Nasce, na França, a consciência da importância de um sistema de ensino eficaz que tenha como objetivo o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos.

Não foi por acaso que escolhi esse destino para continuar meus estudos. Sempre tive a curiosidade em saber quais as diferenças entre a educação francesa e a brasileira. Quais são os prós e os contras? O que temos para aprender com eles? O que temos a ensinar? Como eles enxergam e tratam os alunos? Como é a preparação de um professor? O que eles sabem que não sabemos? O que eles fazem que não fazemos? E tudo isso relacionado ao ensino de dança para crianças?

Infelizmente, ainda não tenho todas essas respostas, mas aprendi como funciona o sistema escolar francês:

O ano letivo começa em setembro e termina em junho. As férias são divididas durante o ano: uma semana no fim de outubro, duas semanas para o Natal, uma semana em fevereiro (férias de inverno), duas semanas de férias na primavera e dois meses para as férias de verão! Faça as contas... bom demais!

Aqui, a escola é gratuita e laica dos seis anos, quando ela começa a ser obrigatória, até o pós doutorado ou até onde sua fome te levar. Ela deixa de ser obrigatória aos 16 anos. Normalmente, os pais colocam os filhos na escola maternal aos 3 anos, mas aí, têm que pagar. E pagam também se querem que seus filhos recebam uma educação religiosa, encontrada somente nas escolas privadas. Fora isso, durante toda a vida escolar pagam as taxas de inscrição anual. A mais cara é a do doutorado: 363 euros, por ano.

A educação da criança do 6 aos 10 anos é obtida no curso preparatório. Dos 11 aos 14 anos, no colégio. E dos 15 aos 17, na lycée, escola. Pela manhã, os alunos começam seus estudos às 8:30h e saem às 11:30h para almoçar. Voltam às 13:30h até às 16:30h. Um detalhe importante é que eles não têm aulas nas quartas-feiras. Um problema para os pais trabalhadores que é resolvido pelas "babás de quarta-feira". À partir dos 14 anos, o aluno pode optar por um curso profissionalizante, mas isso não lhe dá o direito de, depois, entrar em uma Universidade.

Para entrar na Universidade, o aluno tem que ter cursado os 3 anos da lycée, e fazer uma prova chamada Baccalauréat. É uma prova geral para todo mundo, diferentemente do vestibular para entrar em uma Universidade específica do Brasil. Depois, se o aluno quiser continuar seus estudos, basta se inscrever no mestrado, que são mais 2 anos de estudos, apresentando seu currículo, histórico escolar e seu projeto de estudo. Para o doutorado, a seleção é mais específica e depende do curso pretendido, acrescentando 3 anos na vida escolar.

Um estudante estrangeiro que, assim como eu, quer se aventurar a fazer um mestrado por aqui, ainda tem que comprovar o seu nível intermediário da língua francesa e ter os diplomas equivalentes aos exigidos. Eles analisam seu currículo, histórico escolar, seu projeto de estudo e depois te dão a resposta, no meu caso, POSITIVA! Uhuuuu!

Quase 70% dos estudantes que querem continuar seus estudos vão para as Universidades. Os cursos mais procurados são os de letras e os relacionados às ciência humanas. Entretanto, aqui, não é só os estudos universitários que são considerados estudos superiores. Há também as "Escolas Especializadas" e as "Grandes Escolas", que não são gratuitas.

As primeiras são escolas de nível superior ligadas aos estudos de artes, arquitetura, turismo e, também, de estudos na área paramédica.

Já as "Grandes Escolas" são consideradas o que há de melhor na educação superior francesa. Para entrar, o estudante, depois do baccalauréat, ainda tem que fazer dois anos de um curso preparatório para fazer uma prova. Passando na prova, ele entra para a Grande École e, quando sai, seu diploma tem equivalência ao mestrado, permitindo o acesso direto à tese de doutorado. Uma Grande École forma os melhores profissionais nas áreas de engenharia, agronomia, veterinária, educação, defesa e administração pública.

Acho que o Brasil tem muito o que aprender com o sistema de ensino francês, a começar pela gratuidade, pelo incentivo à pesquisa e qualidade incontestável. Além do mais, os políticos e governantes franceses são formados em uma Grande École, com exceção do atual presidente Sarkozy, criticado por ter 'apenas' um mestrado... Um pouquinho diferente do Brasil, né, Lula! Ei, companheiro! Tô falando com você!

Leia, aqui no blog, o que aprendi depois que escrevi esse post: "O Sistema de Ensino Francês: verdades para quem quer ler e enxergar"

E você quer mais dicas sobre morar ou estudar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!".

5 comentários:

Cristina disse...

mto bom seu blog, parabéns!

Sol Wilsy Aguiar disse...

Gatona!!! Que bom que o seu caso é positivo para a continuação dos estudos. Muito feliz por você! E a fisioterapia aí, Cá. Como é? Beijos ensolarados

Carol Saletti disse...

Ei Sol! Para te falar a verdade, não faço a mínima idéia de como é a fisioterapia por aqui. Vou procurar saber, mesmo porque estou precisando de um. Bjos

Rodrigo Abrahão disse...

parabéns, muito bom !

Rodrigo Abrahão disse...

parabéns pelo esclarecimento e boa sorte!

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