Vou contar uma história que escutei aqui:
Era uma vez, um pai chamado Antoine, fotógrafo por profissão, que mudou-se com a família para Lyon em 1870. Esse Antoine era um homem meio diferente. Sabem aquele tipo de pessoa inquieta, com um pé no presente e outro no futuro e que quer achar solução prá tudo? Pois é, ele era assim. Ele era inconformado com o fato de seus clientes terem que ficar imóveis durante 3 minutos para que ele pudesse tirar uma fotografia. Imaginem só o que era ficar 3 minutos sem se mexer... Nada de sorrisos, de inclinacão dos olhos, de posturas ousadas... Devia ser um martírio para as crianças da época. Além disso, somente os ricos tiravam fotos pois o material utilizado era caríssimo.
Como Antoine tinha dois filhos, o Auguste e o Louis, ele resolveu pedir ajuda aos jovens para encontrar a solução para esse problema. E não é que os espertinhos encontraram! Eles criaram a tecnologia da foto espontânea, a partir de uma placa que passou a ser vendida por um preço mais acessível nas farmácias das cidades.
Nem preciso falar que o produto bombou de vender, né? Toda a família Lumière começou a trabalhar na confecção da placa. Depois, criaram uma usina na região de Monplaisir, aqui em Lyon. No terreno da usina, além dela, havia a casa deles e uma creche para acolher os filhos dos funcionários.
Isso, da criação da creche, foi algo inovador, assim como a criação do princípio da aposentadoria dos trabalhadores. E dentro da casa deles, naquela época, eles já fizeram todas as instalações de eletricidade e havia também um telefone, o terceiro da cidade. Porque havia um telefone se era o terceiro? Não sei! Talvez fosse coisa de gente que tá no presente mas que é do futuro, porque, na prática, eles tinham a opção de conversar ou com o hospital ou com a central de polícia...
Isso, da criação da creche, foi algo inovador, assim como a criação do princípio da aposentadoria dos trabalhadores. E dentro da casa deles, naquela época, eles já fizeram todas as instalações de eletricidade e havia também um telefone, o terceiro da cidade. Porque havia um telefone se era o terceiro? Não sei! Talvez fosse coisa de gente que tá no presente mas que é do futuro, porque, na prática, eles tinham a opção de conversar ou com o hospital ou com a central de polícia...
As invenções dos Lumières só estavam começando. Eles viveram em uma época que as pessoas ficaram loucas para inventar o cinema. Então, os irmãos se basearam num princípio óptico, o da persistência da visão, que diz que quando vemos um objeto, a sua imagem permanece na retina por frações de segundo após a sua percepção. O olho humano seria capaz de enxergar uma imagem continua se visse várias imagens projetadas com uma velocidade superior a 16 imagens por segundo. Então, eles inventaram uma câmera, que se tornaria filmadora, pois era capaz de tirar 17 fotos por segundo. Disseram-me que as atuais trabalham com uma velocidade de 24 imagens por segundo.
O problema é que não era algo automático, como o é nos dias de hoje. O câmera men tinha que ficar rodando uma manivela numa mesma velocidade. Sabe a técnica que eles utilizavam? Cantavam uma marcha que os ajudavam a manter o movimento constante.E com a inversão do princípio de uma invenção de Leonardo da Vinci (la chambre noir), eles inventaram um projetor. Pronto! Inventaram o cinema!
Aí começaram a fazer filmes de imagens do quotidiano como: "A saída da Usina", "O jardineiro", "A refeição do Bebê", "A Praça de Cordeliers em Lyon", etc.
Mas eles se enganaram ao pensar que esse "negócio de cinema" seria diversão apenas para as crianças. No dia da primeira projeção, havia 33 pessoas interessadas em ver essa invenção. No segundo dia, 5.000!!! E a paixão por esta arte continuou crescendo, crescendo, crescendo...
Enquanto isso, eles começaram a dar aulas de filmagem, contrataram uns alunos e os enviaram, esses primeiros cineastas, a 34 países para registrar imagens e mostrar o mundo ao mundo! Gente, que idéia sensacional! Foi o início da globalização!
Com relação às filmagens, eles perceberam que filmar utilizando o ângulo da diagonal era melhor para mostrar o movimento, e que podiam colocar a câmera em lugares inusitados, como em uma carroça em movimento, por exemplo. Então, eles fizeram 1700 filmes que passaram a ser projetados em salas dos 4 cantos do mundo.
Merci, frères Lumières! Fotografia e cinema? Merci beaucoup!!!
Mas as invenções deles não páram por aí. Para dar alguns poucos exemplos, eles também inventaram a fotografia a cores, a radiografia, prótese de mão, super útil nos tempos de guerra, assim como o esparadrapo.
Os irmãos Lumières fizeram um pacto de que tudo o que eles inventassem, mesmo que separadamente, fosse creditado aos dois, reafirmando a cumplididade fraternal. Foram pessoas especiais que procuravam problemas, não para reclamar deles, mas para criar soluções. Filhos do grande incentivador Antoine, eles nasceram inventores. Foram pessoas iluminadas e muito inquietas que não podiam esperar.
Aqui em Lyon, você pode visitar o Instituto Lumière. Fiz esta visita na época da Journée do Patrimônio e amei! Aprendi isso tudo lá! (25, rue du Premier-Film / metrô D: Monplaisir-Lumière).


3 comentários:
Adorei o post e a sua foto também! Que pulão!
tudo de bom prá você,
Anne
gostei muito de como se vive na frança e de seus comentários . muito obrigada , parabéns .Crys.
Oi Crys! Seja sempre bem vinda!
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