segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Marcha das Sombrinhas

Estava eu tranquila, andando pela rua, pensando na vida, voltando para casa, quando escutei os ruídos de uma manifestação popular vindo em minha direção. Manifestação popular e França... tudo a ver! Cena comum do cotidiano de Lyon.

Então, fomos nos aproximando e, quando avistei a multidão, fiquei encantada com o que vi: as pessoas estavam andando com grandes sombrinhas brancas guiadas por uma banda, muito boa por sinal. Impossível não começar a chacoalhar o esqueleto!

Mas, saindo da alienação e do papel de eterna turista, o que é que esse povo estava fazendo na rua com uma sombrinha branca na mão?


Nas sombrinhas também estava escrita esta frase: Il faut protéger les réfugiés! Em português: é preciso proteger os refugiados. Achei lindo: sombrinhas representando proteção!

Mais lindo ainda é a iniciativa destas pessoas de fazerem uma passeata para chamar atenção das autoridades e da população para a importância de ajudar os refugiados, os exilados e as pessoas vítimas de discriminação no país onde são acolhidas.

Não resisti. Comprei uma sombrinha e fui seguindo a multidão.

Comecei a conversar com uma das organizadoras que me explicou que o dia 20 de junho é o dia Mundial dos Refugiados e que eu estava fazendo parte da "Marcha das Sombrinhas", símbolo da proteção que deve ser garantida aos necessitados. Outros países como a Bélgica, Portugal, Países Baixos, Inglaterra, Áustria e República Tcheca também estariam na mesma ação.

A França recebe muitos refugiados, a maioria vinda de países da África, e, à princípio acolhe a todos. Contudo, para poder permanecer aqui e ganhar o seu titre de séjour (documento que legaliza a situação como habitante), a pessoa tem que passar por um longo processo, onde deve provar os motivos do seu pedido de abrigo e enfrentar uma maratona burocrática que pode variar de um a três anos. Esse período é crítico, pois sabe-se que menos de um terço das demandas são aceitas. O pior é que muitos desses refugiados chegam com suas famílias, crianças e vivem na angústia de não saberem se poderão ficar ou se terão que voltar para seus países de origem.

A organizadora com quem conversei ainda numerou alguns dos problemas a serem resolvidos pela organização na qual ela trabalha: o aprendizado da língua francesa, a escolarização de crianças e adultos, moradia, alimentação, acompanhamento médico, psicológico e inserção dos adultos no mercado de trabalho.

Nada fácil, ? Mas é muito bom ser surpreendida por seres humanos trabalhando e marchando pelo bem dos diferentes, seus semelhantes.

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