Imaginem a cena:
Eu, em pé dentro do metrô, pensando na vida, prá variar. Quantas questões passam pela cabeça de alguém que escreve o texto da sua pesquisa... Então, barulhos de tapas me tiram do espaço e forçam minha volta ao planeta Terra. A mais ou menos um metro e meio de distancia estavam sentados um homem (pai?) com um menino (seu filho?) de quase dois anos no cólo e uma mulher (a mãe e esposa?) sentada na frente deles. Eles não falavam francês. Falavam uma língua que eu não pude identificar qual. Não descreverei as roupas deles, porque, a não ser que eles estivessem fantasiados, isso denunciaria suas origens e não quero nem de longe instigar a generalização e o preconceito.

Voltando à cena, o homem segurava a mão da criança e dizia:
_ Mjsdfjbufhjcnskudh!
Olhava para a mulher:
_ Khkjnjfhekn!
Então, a mulher aproximava o seu rosto e o homem utilizava a mão da criança para nele bater, forte. Depois do tapa, a mulher colocava a mão no rosto e afastava seu corpo sem nada dizer. E o homem GARGALHAVA, beijava e saudava a criança que estava com uma expressão de choro.
_ Bravo! (Isso dava prá eu entender.)
Utilizo o pretérito imperfeito para descrever a cena porque esses atos foram repetitivos.
Eu olhava prá "aquilo" sem acreditar no que meus olhos enxergavam. Olhava prás pessoas que estava sentadas ao lado do casal, prá ver se era sério mesmo ou prá me certificar que alguém compartilhava da minha indignação, mas eles estavam com cara de múmia. Às vezes, olhavam com "rabo de olho" para a cena, mas escolheram continuar escutando suas músicas e fingir que nada estava acontecendo.
Então, pensei, completamente revoltada: "Eu não aguento! Vou ter que falar alguma coisa! O que esse pai está ensinando ao seu filho??? Que "brincadeira" idiota é esta???"
E, neste momento, a mão do menino, segurada pela mão do homem (monstro?), da um tapa super forte no rosto da mulher (sem adjetivo para classificá-la). Ela coloca a mão sobre a bochecha e reclama pela primeira vez:
_Akfi!
A criança olha para a mãe e inicia seu choro.
A mulher pega a outra mão do menino e a utiliza para bater forte no rosto do homem que, no milésimo de segundo seguinte, dá um super mega tapa na cara da mulher e diz:
_kjfbefuhjefbkufghuwfhjbjbhbchjsbhch!
Ela abaixa o rosto.
O homem fala rindo pro filho:
_Njfhkjfknknev!
Pega a mão do menino e fala com fúria para a mulher:
_Hjnkjfhjbcjkevbkehcl!
Ela não se move e continua com a cabeça baixa. Ele repete:
_Hjnkjfhjbcjkevbkehcl!
Ela reaproxima seu rosto e vocês já sabem o que aconteceu.
Desisti de falar qualquer coisa. Tive medo. Quem sou eu prá repreender esse casal e acabar apanhando no metrô?!
Não fiz nada. Continuei calada. Não vou fazer nada? Sentimento de total impotência!
A gravação do metrô anuncia:
_"Hôtel de Ville Louis Pradel".
Cheguei! Tô salva!
Saio rapidamente do metrô também com cara de múmia e a boca aberta.
E andando na rua... Mais questões: O que é violência? O conceito de violência é cultural? Ele muda com o passar dos anos? O que esse homem estava fazendo? E essa mulher? E essa criança? E todo mundo dentro daquele metrô, inclusive eu?
Prá brasileiro, tapa na cara é o maior sinal de humilhação. Prá francês não. Gesto frequente (não da maneira relatada acima) entre amigos, uma forma de dizer que a outra pessoa deu "um fora", uma "má nota". Motivo recorrente de término de relacionamentos entre brasileiros e franceses, estes últimos sem entender o porquê da humilhação.
Contudo, há pequenos costumes tipo "furar orelha de meninas recém nascidas", algo que prá gente é super normal, mas que, na opinião de muitos franceses é considerado uma grande violência, algo que deveria ser feito apenas com o consentimento da pessoa a ser furada. Ah! Mas ela não fala! Não entende. Não sente?! Até ter uma conversa com umas amigas francesas que têm filhas, confesso que nunca havia pensado nisso.
Mas brasileiros e franceses concordam: filho não bate em mãe nem em pai. Sinal de respeito. E os pais? Eles podem bater nos filhos? O Estatuto da Criança e do Adolescente vem nos dizer que não. Ah! Nem uma palmadinha na bunda com uma forcinha de leve a moderada e sem a intenção de humilhar? Há alguns anos atrás, podia, e sem medir força ou "ferramentas" para isso. Até mesmo professor podia bater nos alunos. Hoje eles podem é ser processados quando dão nota baixa.
Não quero concluir nada com isso tudo o que escrevi. Só compartilho esta cena chocante e as novas questões que surgiram dentro da minha cabeça... Não bastavam as que eu já tinha...
Eu, em pé dentro do metrô, pensando na vida, prá variar. Quantas questões passam pela cabeça de alguém que escreve o texto da sua pesquisa... Então, barulhos de tapas me tiram do espaço e forçam minha volta ao planeta Terra. A mais ou menos um metro e meio de distancia estavam sentados um homem (pai?) com um menino (seu filho?) de quase dois anos no cólo e uma mulher (a mãe e esposa?) sentada na frente deles. Eles não falavam francês. Falavam uma língua que eu não pude identificar qual. Não descreverei as roupas deles, porque, a não ser que eles estivessem fantasiados, isso denunciaria suas origens e não quero nem de longe instigar a generalização e o preconceito.

Voltando à cena, o homem segurava a mão da criança e dizia:
_ Mjsdfjbufhjcnskudh!
Olhava para a mulher:
_ Khkjnjfhekn!
Então, a mulher aproximava o seu rosto e o homem utilizava a mão da criança para nele bater, forte. Depois do tapa, a mulher colocava a mão no rosto e afastava seu corpo sem nada dizer. E o homem GARGALHAVA, beijava e saudava a criança que estava com uma expressão de choro.
_ Bravo! (Isso dava prá eu entender.)
Utilizo o pretérito imperfeito para descrever a cena porque esses atos foram repetitivos.
Eu olhava prá "aquilo" sem acreditar no que meus olhos enxergavam. Olhava prás pessoas que estava sentadas ao lado do casal, prá ver se era sério mesmo ou prá me certificar que alguém compartilhava da minha indignação, mas eles estavam com cara de múmia. Às vezes, olhavam com "rabo de olho" para a cena, mas escolheram continuar escutando suas músicas e fingir que nada estava acontecendo.
Então, pensei, completamente revoltada: "Eu não aguento! Vou ter que falar alguma coisa! O que esse pai está ensinando ao seu filho??? Que "brincadeira" idiota é esta???"
E, neste momento, a mão do menino, segurada pela mão do homem (monstro?), da um tapa super forte no rosto da mulher (sem adjetivo para classificá-la). Ela coloca a mão sobre a bochecha e reclama pela primeira vez:
_Akfi!
A criança olha para a mãe e inicia seu choro.
A mulher pega a outra mão do menino e a utiliza para bater forte no rosto do homem que, no milésimo de segundo seguinte, dá um super mega tapa na cara da mulher e diz:
_kjfbefuhjefbkufghuwfhjbjbhbchjsbhch!
Ela abaixa o rosto.
O homem fala rindo pro filho:
_Njfhkjfknknev!
Pega a mão do menino e fala com fúria para a mulher:
_Hjnkjfhjbcjkevbkehcl!
Ela não se move e continua com a cabeça baixa. Ele repete:
_Hjnkjfhjbcjkevbkehcl!
Ela reaproxima seu rosto e vocês já sabem o que aconteceu.
Desisti de falar qualquer coisa. Tive medo. Quem sou eu prá repreender esse casal e acabar apanhando no metrô?!
Não fiz nada. Continuei calada. Não vou fazer nada? Sentimento de total impotência!
A gravação do metrô anuncia:
_"Hôtel de Ville Louis Pradel".
Cheguei! Tô salva!
Saio rapidamente do metrô também com cara de múmia e a boca aberta.
E andando na rua... Mais questões: O que é violência? O conceito de violência é cultural? Ele muda com o passar dos anos? O que esse homem estava fazendo? E essa mulher? E essa criança? E todo mundo dentro daquele metrô, inclusive eu?
Prá brasileiro, tapa na cara é o maior sinal de humilhação. Prá francês não. Gesto frequente (não da maneira relatada acima) entre amigos, uma forma de dizer que a outra pessoa deu "um fora", uma "má nota". Motivo recorrente de término de relacionamentos entre brasileiros e franceses, estes últimos sem entender o porquê da humilhação.
Contudo, há pequenos costumes tipo "furar orelha de meninas recém nascidas", algo que prá gente é super normal, mas que, na opinião de muitos franceses é considerado uma grande violência, algo que deveria ser feito apenas com o consentimento da pessoa a ser furada. Ah! Mas ela não fala! Não entende. Não sente?! Até ter uma conversa com umas amigas francesas que têm filhas, confesso que nunca havia pensado nisso.
Mas brasileiros e franceses concordam: filho não bate em mãe nem em pai. Sinal de respeito. E os pais? Eles podem bater nos filhos? O Estatuto da Criança e do Adolescente vem nos dizer que não. Ah! Nem uma palmadinha na bunda com uma forcinha de leve a moderada e sem a intenção de humilhar? Há alguns anos atrás, podia, e sem medir força ou "ferramentas" para isso. Até mesmo professor podia bater nos alunos. Hoje eles podem é ser processados quando dão nota baixa.
Não quero concluir nada com isso tudo o que escrevi. Só compartilho esta cena chocante e as novas questões que surgiram dentro da minha cabeça... Não bastavam as que eu já tinha...
5 comentários:
Carol estou indignada só por ler o que você escreveu. É revoltante, é um sentimento de impotência, de "que fazer?"... Ontem dia internacional da mulher e por aqui (Brasil) as mulheres andam se gabando de serem guerreiras, de transformarem todo o sofrimento, de serem mãe e pai, de serem profissionais, donas de casa, "esposas", de terem que ser mil de uma vez só, fazerem muito mais que os homens e sem reclamar... e por isso são demais.
E claro para um outro olhar, se assim somos e tudo suportamos e superamos sem reclamar, porque alguém nos trataria diferente? Se assim nos sentimos demais? Por que razão alguém mudaria essa "harmonia"? Maria da Penha tem respostas para essas falas que mais nos oprimem do que celebram nossa existência. Maria da Penha e outras tantas "Marias" pelo mundo.
Carol Deus esteja presente em seus dias, em seus pensamentos e sentimentos !
Tô tão chocada quanto você...
Como assim assistir esta cena e não poder fazer nada?
Que mundo é esse tão cheio de gente e tão cheio de particularidades?
Que cultura é essa?
Isso é mesmo diversidade cultural?
Socoooorrrrooo!! Para o bonde que eu quero descer também!
OI Régia!
Obrigada! Te desejo o mesmo!
Régia, Juliana e Sevi!
Foi uma das cenas mais chocantes de toda a minha vida! Mas esse tipo de ignorância ( se é que posso definir assim) existe em todo o mundo. Não é fruto de uma diversidade cultural que existe aqui não.
Fiquei impressionada com a submissão da mulher ao homem louco, agressivo. Mas o pior foi ver que o pobre coitado do menino estava no meio "daquilo", sem entender o que acontecia. Imaginei o nó dentro da cabeça dele: aprender a bater, maltratar a mãe que ele ama. Vê-la sofrer e continuar...
Vamos parar tudo e recomeçar?
Sejam sempre bem vindos!
Oi Carolina.
Em situações assim, sempre temos que lembrar que não existe SALVADOR DA PÁTRIA. Por mais chocante que seja, o melhor é se abster de resolver você mesma. Quando possível, informe às autoridades constituidas.
Você agiu corretamente.
BEIJO
Postar um comentário