quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"Aquilo"

Bom, hoje eu estava na aula de "Francês Familiar", uma aula, aliás, muito útil para mim, pois existe uma lingua francesa "formal", utilizada para se escrever cartas e falar com pessoas que são, ou mesmo que se sentem, muuuuito importantes e outra língua "familiar", aquela que os mortais utilizam para se comunicar no dia a dia.

O tema da aula era as partes do corpo humano. Então, o professor chamou 3 alunos, que ficaram parados na frente da sala. Iniciou-se uma brincadeira tipo "Macaco disse para colocar as mãos no..." e o professor falava as partes do corpo. (É claro que houve risadinhas entre as brasileiras quando o professor pediu para os alunos tocarem o pescoço, porque a palavra em francês é escrita "cou" e pronunciada sem o "o". Ficamos rindo ao dar asas à imaginação e pensar na colega brasileira pagando o maior mico do ano, rsrsr).

Voltando ao tema da aula... o professor nos ensinou o nome de todas as partes do corpo. Todas não. "Esqueceu-se" de nos dizer o nome dos genitais masculino e feminino. Mas nós, brasileiras que somos, curiosas, participativas e sexualizadas, perguntamos ao professor, em francês ainda falado com muita dificuldade, não pelo tema da pergunta, é claro:
#tecla SAP#
_ E o nome das partes que você não falou? (O professor não entendeu).
_ O nome das partes mais importantes do nosso corpo? (O professor ainda não entendeu).
_ O nome dos genitais? (O professor fechou a cara. Corpo rígido. E respondeu com muita dificuldade, talvez por causa do tema da pergunta):
_ Mas creio que nossas aulas não são para isso. (???)
_ Mas são partes do nosso corpo - argumentamos.
O professor, para dar uma enrolada e pensar no quê fazer, fala para a turma;
_ Vocês estão entendendo o que elas estão querendo saber?

A turma, como de costume, nada responde (90% da turma são alunos chineses. Eles só falam quando recebem uma pergunta direta, assim, olhando no olho e falando o nome. Parece que só as brasileiras têm dúvidas nas aulas).

Uns instantes de silêncio e o professor continua:
_ Elas estão querendo saber coisas para maiores de 18 anos. (!!!)
'Ora bolas'!!! Os genitais 'brotam' nas pessoas quando elas fazem dezoito anos? Como não sabíamos traduzir essa pergunta, simplificamos:
_ Todos aqui têm mais de 18 anos.
O professor fica uns instantes parado, com certeza refletindo. Chega a uma conclusão:
_ Sim, acho importante vocês saberem o nome dessas partes, pois a maioria de vocês vai ficar aqui por mais de 4 meses e pode ser que precise de um médico, de um ginecologista.
Então ele, ainda relutante consigo mesmo, pega o pincel e escreve no quadro:
" Le pénis" e "La vagin". ( Muito fácil, não?!).
Ele pronuncia as palavras e rapidamente as apaga justificando que "não pegaria bem para ele se alguém entrasse lá e lesse as palavras no quadro. O que pensariam que ele está ensinando para os alunos?".


Agora, faço uma pergunta: Eiiimmm? Hellôôôuuuuu!!! 2010! França! Fiquei simplesmente chocada!

Falar ou não os nomes dos genitais sempre foi tema de discussão nos meus cursos para professoras de dança. Sou da opinião de que temos que falar o nome de todas as partes do nosso corpo. E falar da importância de nos respeitarmos, respeitar os colegas, cuidar de todo o nosso corpo que é a nossa primeira casa, etc... E ainda acredito que, se não falamos, ensinamos uma interdição. Ensinamos que são partes inomeáveis, no mínimo.

Fiquei surpresa em encontrar um professor universitário, na França, assim... travado. Mas creio que não é algo geral por aqui. Não acho, de maneira alguma, que seja algo relacionado à idade, pois ele deve ter uns 40 e Madame Françoise, a francesa que me acolhe com muito carinho em sua casa, tem mais de 60 anos e é 10! Ela conversa de todos os temas, é cheia de energia, e até a encontrei no sábado passado em uma festa de música eletrônica em um barco ancorado nas margens do rio (festa badalada e muito boa, diga-se de passagem).


Ontem, ela preparou uma sobremesa super gostosa e interessante chamada " Le riz des amoureux" = o arroz dos amantes.





Um arroz doce, mas sem canela e com gengibre.




#Diálogo com tecla SAP#
_ Por que esse nome, madame? - perguntei.
_ Por que tem gengibre dentro e gengibre é 'verdadeiramente' afrodizíaco.
Estava uma delícia, mas, por via das dúvidas, achei melhor não comer muito. Pedirei à madame para fazer mais um pouco. Vou levar para a aula e compartilhar com meus colegas e com o professor. Quem sabe esse arroz também é bom para a memória, rsrsrsr...

Um comentário:

Dani Dani Ber disse...

na verdade não fuquei tão passada pq sei como são os Europeus ...
mas estou contigo, tem q falar todas partes do corpo! Embora a europa toda ser predominantemente catolica e o na religião o sexo é tabu, blá blá blá, mas essas partes servem para n outras coisas... xixi, reprodução...
concordo com vc
bj

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