Nesse final de semana, voltei a explorar a imensidão da França. Fui conhecer duas vilas perto de Lyon: Trévoux e Pérouges, ambas vilas históricas.
A primeira, foi... cômica. O que vi de mais interessante na cidade foi seu formato de
anfiteatro voltado para o rio Saône, o mesmo rio que corta Lyon. No mais, era domingo e tudo estava fechado. Sim. Todos os restaurantes e, inclusive, o "castelo forte", que seria a grande atração do passeio. Nas ruas, só encontramos turistas, como nós, à procura de um lugar para comer. Acabamos todos no mesmo e único bar comendo crepe e salada. Destino inútil que pode ficar de fora das rotas dos viajantes.
A segunda vila, por outro lado, encheu meus olhos. Quando cheguei nos portões de Pérouges, parecia entrar em um cenário. Famosa por seus galettes,
uma espécie de pizza com açúcar, ela é uma cidadezinha medieval e há relatos de sua existência desde 1167. Ela é rodeada por um muro muito espesso. Sua única igreja foi a mais escura que já vi. Localizada bem na entrada da vila, suas paredes são como as do muro de proteção, possui pequenas fendas bem no alto, permitindo a entrada de pouca luz e impedindo a dos inimigos.



Naïs, incentivada pelo padrinho, aproveitou o dia chuvoso para exterminar todas as poças de água que apareciam na sua frente.





Ter visitado esta relíquia da França me fez pensar em uma história oriental, que fala de uma árvore solitária que vivia no alto de uma montanha. Acontece que, antigamente, esta árvore possuía outras companheiras que foram cortadas ou por lenhadores, à procura de boas madeiras, ou por caçadores de essências, à procura de novas fragrâncias. Torta e sem cheiro, a árvore ficou por lá. Inútil, ela sobreviveu. Sozinha na montanha, ela abriga os viajantes que se sentam em sua sombra e, assim, descansam.
O mais interessante da história de Pérouges é que nada de importante aconteceu por lá no passado longínquo. Nenhum inimigo tentou entrar nesta cidade. Seus muros espessos não abrigaram pessoas famosas, como também não esconderam nenhum escândalo. Nada! Seus quase mil anos de existência não enchem 10 linhas. E, talvez, por ter sido tão inútil historicamente é que ela tenha sobrevivido, sirva como verdadeiro cenário de filmes, como "Os três Mosqueteiros", e nos permita viajar no túnel do tempo.

anfiteatro voltado para o rio Saône, o mesmo rio que corta Lyon. No mais, era domingo e tudo estava fechado. Sim. Todos os restaurantes e, inclusive, o "castelo forte", que seria a grande atração do passeio. Nas ruas, só encontramos turistas, como nós, à procura de um lugar para comer. Acabamos todos no mesmo e único bar comendo crepe e salada. Destino inútil que pode ficar de fora das rotas dos viajantes.Naïs, incentivada pelo padrinho, aproveitou o dia chuvoso para exterminar todas as poças de água que apareciam na sua frente.
Ter visitado esta relíquia da França me fez pensar em uma história oriental, que fala de uma árvore solitária que vivia no alto de uma montanha. Acontece que, antigamente, esta árvore possuía outras companheiras que foram cortadas ou por lenhadores, à procura de boas madeiras, ou por caçadores de essências, à procura de novas fragrâncias. Torta e sem cheiro, a árvore ficou por lá. Inútil, ela sobreviveu. Sozinha na montanha, ela abriga os viajantes que se sentam em sua sombra e, assim, descansam.
O mais interessante da história de Pérouges é que nada de importante aconteceu por lá no passado longínquo. Nenhum inimigo tentou entrar nesta cidade. Seus muros espessos não abrigaram pessoas famosas, como também não esconderam nenhum escândalo. Nada! Seus quase mil anos de existência não enchem 10 linhas. E, talvez, por ter sido tão inútil historicamente é que ela tenha sobrevivido, sirva como verdadeiro cenário de filmes, como "Os três Mosqueteiros", e nos permita viajar no túnel do tempo.

6 comentários:
uai carol, como assim? O filme "os três mosqueteiros" foi filmado em Pérouges!
;)
Boa, Mirrrrelle!
Cá, cada vez você me ensina mais o valor de ser um pouco 'inútil', e poder dar para os amigos a alegria de simplesmente existir.
adoro exterminar todas a poças de agua! Os pais de Nais vão virar louco um dia, a causa de mim!!!
Daqui a 2 dias vai visitar outras lugares incriveis : Chateau de Chambord, Clos Lucé (ultima casa de Leonardo da Vinci)! Vai gostar!!!
Alex
Ai Carol, que delícia de lugar! Não vem embora não, porque ainda vou aí te fazer uma visita! Saudade de vc. Bjocas.
Carol,
Adorei todo o texto.
Me deu saudade de vc, da
suas conversas.
Esse cenario que vc visitou é maravilhoso,
quero ver tbm. rs
A historia da arvore é bem apropiada mesmo,
porem acho que, a historia oriental poderia
ser um pouco modificada...
E dos viajantes que por ali passaram,
um deles teve a oportunidade de ver uma linda
flor, azul e rosa que tinha um cheiro
maravilhoso, e ficou por ali mais tempo que
os outros, descansando e sentindo seu odor.
rsrrsrs
SAudades!
Henrique Cordoval
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