Acabaram minhas curtas férias em BH. O jeito foi voltar para Lyon e me preparar para enfrentar uma semana de muito estudo antes das provas finais do primeiro semestre do mestrado. Entretanto, há um oceano que separa essas duas cidades e para sair de uma e chegar na outra, o melhor é pegar um avião, a melhor (?) opção!
Nem preciso falar que, no dia 3 de janeiro, o aeroporto de Confins estava lotado... Peguei um vôo da TAP que sai de Belo Horizonte e vai até Lisboa. Começamos bem, com 2 horas de atraso, para deixar o solo brasileiro. Mas eu deveria ter aproveitado mais o conforto da sala de embarque...
Desta vez dei o maior azar e meu assento foi aqueles bem no meio do avião. Quem já viajou num desses lugares sabe o que eu passei...
Sabe o que é entrar no avião e passar pela primeira classe, pela classe executiva e se dirigir pro fundão. Lá, se o passageiro da frente já chega e inclina a poltrona para trás, ela passa a ficar a dois palmos do seu nariz, não porque ela inclina muito, mas porque todo mundo está muito próximo mesmo. (Aliás, se a poltrona inclinasse de verdade, nossa cabeça não ficaria caindo para frente enquanto a gente cochila...)
Bom, mas nem cochilar direito eu pude, pois, para piorar a situação, viajei prensada entre um português tagarela e uma brasileira um pouco acima do peso e muito espaçosa... A temperatura era inspirada no Pólo Norte. O jantar, servido às 3 da manhã, foi um frango cru com quiabo e angu servido na marmita de alumínio frágil (cuidado!), que esfriou rapidinho. Tudo sem sal e com muita turbulência... O jeito foi tomar um dramin e rezar.
Chegando em Portugal, por causa do atraso, eu tinha exatos 32 minutos para sair do avião e entrar no que me levaria à Lyon. Mas, eu estava na turma do fundão e, quando a gente tem pressa, aparece um tanto de lesma na nossa frente. Não só lemas, mas também uma fiiiiiiiiiiiiiiila para passar pela alfândega. Se fosse enfrentar a fila, adeus conexão! O jeito foi passar óleo de peroba na cara e caminhar a passos firmes por entre as pessoas tão decididamente que elas nem puderam questionar minha ação. Para um único olhar de buldogue que me fritou, uma resposta: "última chamada para meu vôo!"
Então, a fila de detector de metais. Já não viajo com cinto para não ter o trabalho de tirá-lo, mas meu i-poid, esquecido dentro do bolso da calça, acionou o alarme, que acionou uma segurança que me revistou demoradamente. "É meu i-poid!" Então, ela o pega e o joga de qualquer jeito dentro de uma bacia, mas um fone cai prá fora e fica preso na lateral da esteira que trava. Esteira prá frente, prá trás, prá frente, soltou! Saio correndo igual à uma louca procurando o portão de número 11. Fico feliz ao ver o finalzinho da minha fila com destino à Lyon!
Ofegante e triunfante entrego meu cartão de embarque.
_Estavas em qual vôo, senhorita?
_No que veio de Belo Horizonte.
_Ele se atrasou?
_Duas horas.
O funcionário olha sério para a tela do computador.
_A senhorita perdeu seu lugar neste vôo. A companhia aérea vai tentar te recolocar no vôo noturno e localizar sua bagagem.
Ops! Calma lá! Vôo noturno = (7 horas de espera em Lisboa + chegar em Lyon e não conseguir pegar mais o trem para o centro da cidade + desembolsar 70 euros de taxi) x TENTAR!!!
Aprendi, neste final de semana, que nessas horas a gente tem que rodar a baiana, mas eu estava sem forças e com muita dor de garganta. As palavras ditas em português de Portugal foram como um balde de gelo... Já que não conseguia armar um barraco, o jeito era usar meus dons de atriz. Então, olhando bem nos olhos do funcionário, comecei a chorar:
_ Eu não posso perder esse vôo... Amanhã de manhã eu tenho prova... Eu tô doente e meus remédios estão dentro da minha mala... Eu não conheço ninguém aqui... Como eu vou fazer?
E parece que o portuga se comoveu com minhas lágrimas de crocodilo:
_Não precisa chorar, senhorita. Espere!
Ele dá uma olhada no computador enquanto enxugo meu rosto. Ele rabisca o número do meu assento e escreve outro.
_Pronto! Podes embarcar!
_Muito obrigada! - E passo correndo pelo corredor, já vazio, que liga o saguão ao avião.
A aeromoça me recebe com um sorriso e me indica o lugar da minha poltrona:
_Fica neste corredor à direita, antes da cortina.
Antes da cortina? Fui me aproximando... Isso quer dizer que não há uma cortina que me separa da primeira classe? Sim! Não havia! Eu estava na Primeira Classe!
Champagne? Claro, obrigada! Bacalhau grelhado ao molho de abacaxi com um delicioso risoto? Bien sûre, merci! Ainda mais com louças, talheres e taças de verdade. Alguma revista, jornal? Não, obrigada! Depois de "encher a barriga", só mesmo reclinar a poltrona individual, sem ninguém ao meu lado, fazendo-a virar uma cama... Um luxo! Pena que Lisboa seja tão pertinho de Lyon!
9 comentários:
Ufa! Final bem merecido!
PS.: adorei a foto do post. rss...
Eu também, Carrol, num voo da TAM fiquei no meio. Ja é p.e.s.s.i.m.o viajar com esta, no meio então, foi o fim.
Os aeroportos do BR estão um caos so... Quero ver como tudo vai ficar na Copa... meu Deus!...
Aproveita Lyon (saudades)!
Boas provas!
Bisous!
AMEIIIIIIII!!!!
Li empolgadissíma!!!!
Eu faria o mesmo drama com certeza!!!!
Te mando um e-mail Carol!!!
Beijos ensolarados
Uhulll... Depois da tempestade, a bonança!
Feliz 2011... (mas não se esqueça da aula de "rodar a baiana"... foi otimo o programa.)
que delícia!! adoro finais felizes!!
bjs
ana paula
Marrrriná, quem sabe os aeroportos melhoram até lá? Eu tenho uma esperança... Que dia você volta, heim?
Gil, o programa foi bom mesmo! Depois eu fiquei rindo sozinha dos causos... rsrsrs
Sol e Ana,
Foi um sufoco, mas ainda bem que o final realmente foi feliz e luxuoso... O difícil vai ser voltar para a ala da sardinha depois de uma viagem de rainha, rsrsrs
Beijos para vcs!
... Ai Carol, que aventura! Quando vc escreve sobre ela se torna uma comédia!
Bjos,
Sandrinha
... E rodar a baiana é bem brasileiro !Aula de prática folclórica! Sandrinha
Sandrinha, virou comédia porque teve um final feliz, mas poderia ter sido um drama, ou mesmo um suspense policial... Tudo depende da TPM, rsrs
Bjos p vc!
ou seja, o teatro é a melhor saida...
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