Lyon, quinta-feira, 1º. de julho, 3 horas da tarde, 34 graus. Mais de meia hora para escolher uma fantasia em uma loja que mais parecia um forno... Ah! E ser atendida por um senhor distímico que queria de todo jeito me empurrar uma fantasia estilo sexy shop. Velôs em greve... Não sei o motivo mas ontem não pude andar com as bicicletas de aluguel, pois todas as estações, por onde passei, estavam indisponíveis. Então, 4 quilômetros à pé, carregando compras. Nada de vento ou brisa. Imagino que dava para fritar um ovo no asfalto.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
A Copa NO Mundo
Engana-se quem acha que vou escrever fazendo uma análise sobre futebol. Digo isso porque não sou uma especialista e nem uma fanática por este esporte. Mas sou brasileira e, além disso, filha e irmã de cruzeirences roxos, então, o futebol sempre fez parte da minha vida.
A Copa do Mundo é para mim o melhor momento do futebol. É quando os brasileiros são brasileiros com muito orgulho e com muito amor! É quando o ano começa com um gostinho diferente e que vai dando um friozinho na barriga quando as temperaturas começam a cair.
E quando a Copa chega, tudo é festa. "Vamos assistir o jogo na casa de quem?" "Quem leva o quê?" Churrascão, feijoada, samba, uhuuuu!
E nos momentos que antecedem os jogos, sair do trabalho mais cedo. Pegar aquele trânsito louco para chegar em um lugar já animado, todo mundo sorrindo e de verde e amarelo. O jogo começa e a cidade pára. Não, o país. Silêncio... Gritos de vai, vai, vai! E o coro nacional gritando Goooooool!!!!!!!!!
Mas aqui não tem nada disso. Este ano, pela primeira vez, assisto os jogos longe do Brasil. Até o terceiro jogo, achei o desempenho dos jogadores tão sem graça que me deu saudade dos comentários do Galvão Bueno.
Aqui na França, o pessoal não é tão fanático por futebol. Eles tem, sei lá, outras preocupações, outras causas para lutar. Minutos antes de seus jogadores entrarem em campo, lojas cheias, metrô cheio... Ninguém mais apressado do que de costume. Ninguém sofrendo por perder os primeiros minutos do primeiro tempo do jogo. Além do mais, a seleção da França não recebeu nem meio crédito por aqui. Eles já não gostavam do técnico há anos e os jogadores atuais não arrancam suspiros de ninguém.
Então, ter saído da Copa nesta primeira etapa era algo mais do que esperado. Reproduzo as palavras de madame Françoise, a única francesa fanática por futebol que eu conheço:
#Tecla sap#:
_ Esses jogadores são como os meus alunos. Só que meus alunos têm 15 anos, e eles, 25. Mas não respeitam autoridade, falam palavrões do mesmo jeito. Eles desperdiçam suas inteligências, seus potenciais. Não pensam mais na França, somente em si próprios.
Outros franceses ainda acrescentam que foi bom o que aconteceu e que a França mostrou para o mundo a sua outra face, diferente da face muito conhecida dos Lumières (pensadores Iluministas). Uma face que não é benquista por todos os franceses, mas que é real e que expõe para o mundo pessoas reclamonas e que adoram fazer greve. Agora passam a discutir o que foi exposto e quem sabe reavaliam esse jeito de ser.
Já a Seleção Brasileira é infinitamente a mais respeitada e temida pelo mundo. Assisti o primeiro jogo em Amsterdam, Holanda, o segundo em Bruxelles, Bélgica, e os outros dois aqui em Lyon. As cores verdes e amarelas ganham destaque em qualquer loja, em qualquer bar. Sempre fantasiada com a camisa do Brasil, (para dar sorte para a seleção, claro) escuto nas ruas "Brasil!", "É o Brasil que vai ganhar a Copa do Mundo!" vindo das bocas estrangeiras.
Perder para o Brasil não é uma humilhação, é quase uma certeza, mas ganhar do Brasil é a glória!
Todo mundo quer ver o Brasil jogar e jogar o seu Futebol Arte. Eles riem satisfeitos, batem palmas quando os jogadores Jogam, com 'J' maiúsculo. Entretanto, quando os jogadores estão com sono, preguiça ou quando nada dá certo, os espectadores entediados passam a torcer contra. Isso me dá uma raiiiiiiiiva! Mas compreendo. Não basta o Brasil jogar e ganhar. Tem que dar show!
Como disse, até o terceiro jogo tive medo do Brasil viver de glórias passadas, medo de mostrarmos uma outra face para o mundo. Com o quarto jogo fiquei mais tranquila, fiquei com esperança. Quem sabe vou gritar h e x a c a m p e ã o !!! em francês...
terça-feira, 29 de junho de 2010
Em LYON
Pois é... depois de umas férias prologadas, estou de volta!
Bom, devo confessar que após meu último post vivi tantas coisas, conheci tantos lugares que agora fica até difícil organizar tudo para compartilhar com vocês... Mas já que este blog exite para isso, respiro e começo:
Receber meus pais em Lyon foi uma super aventura. Pela primeira vez na vida senti que eles estavam sob minha responsabilidade. Virei intérprete, tradutora, guia turística e mais alguma coisa... Tentei mostrar para eles como é minha vida agora, meu dia a dia, os lugares que frequento, as pessoas com quem convivo, a região que habito e esta cidade maravilhosa.

É... Realmente a cada dia me apaixono mais por Lyon. E eles concordaram que aqui é um excelente lugar para se viver.

Lyon é uma cidade grande, mas não é enorme, e tem toda a infraestrutura de Paris, mais não tem a sua pressa. Há parques, grandes e ótimas lojas, o maior centro comercial da Europa, supermercados, lojas de casa, onde podemos encontrar produtos diferentes dos que vemos no Brasil. A vida cultural também é intensa com seus museus, exposições, espetáculos de teatro e dança, é claro!

A arquitetura da cidade é composta desde ruínas "galo românicas", até construções super modernas. Há 2 rios navegáveis e lindos que cortam a cidade. O sistema de transporte público, formado por metrôs, tramways, funiculaires, ônibus, é excelente. Fora isso, a cidade é praticamente plana, então, a gente anda de bicicleta o tempo todo.


Duas colinas compõem a paisagem da cidade. Uma é a Croix Rousse (Cruz Vermelha), é considerada a colina que trabalha. Isso porque, antigamente, ela era habitada pelos trabalhadores que se ocupavam com a confecção de seda. Hoje em dia, ela virou um lugar "cult" para se viver e é lá que está a maior concentração dos artistas que moram por aqui.
A outra colina, da Fouvière, é considerada a colina que reza. Rodeada por igrejas super antigas, ela tem no seu topo a igreja mais maravilhosa que eu já vi por dentro. Quando você entra na Fouvière, você simplesmente não sabe para onde olhar. Fica literalmente de boca aberta. Cada centímetro da igreja é uma obra de arte. Dizem que a Nossa Senhora de Fouvière, padroeira da cidade, foi quem salvou os lyoneses da peste negra...
Nesta parte da cidade, além de rezar, você também pode comer e muito bem. Esta colina fica na "Vieux Lyon" (Lyon Velha). É lá onde se concentram um grande número de restaurantes, entre eles os Bouchons Lyoneses, que servem a culinária específica daqui.
Com tantos lugares para conhecer, tantas comidas e bebidas para provar é claro que não deu para meus pais fazerem tudo. Terão que voltar mais vezes...
Bom, devo confessar que após meu último post vivi tantas coisas, conheci tantos lugares que agora fica até difícil organizar tudo para compartilhar com vocês... Mas já que este blog exite para isso, respiro e começo:
Receber meus pais em Lyon foi uma super aventura. Pela primeira vez na vida senti que eles estavam sob minha responsabilidade. Virei intérprete, tradutora, guia turística e mais alguma coisa... Tentei mostrar para eles como é minha vida agora, meu dia a dia, os lugares que frequento, as pessoas com quem convivo, a região que habito e esta cidade maravilhosa.
É... Realmente a cada dia me apaixono mais por Lyon. E eles concordaram que aqui é um excelente lugar para se viver.
Lyon é uma cidade grande, mas não é enorme, e tem toda a infraestrutura de Paris, mais não tem a sua pressa. Há parques, grandes e ótimas lojas, o maior centro comercial da Europa, supermercados, lojas de casa, onde podemos encontrar produtos diferentes dos que vemos no Brasil. A vida cultural também é intensa com seus museus, exposições, espetáculos de teatro e dança, é claro!
A arquitetura da cidade é composta desde ruínas "galo românicas", até construções super modernas. Há 2 rios navegáveis e lindos que cortam a cidade. O sistema de transporte público, formado por metrôs, tramways, funiculaires, ônibus, é excelente. Fora isso, a cidade é praticamente plana, então, a gente anda de bicicleta o tempo todo.
Duas colinas compõem a paisagem da cidade. Uma é a Croix Rousse (Cruz Vermelha), é considerada a colina que trabalha. Isso porque, antigamente, ela era habitada pelos trabalhadores que se ocupavam com a confecção de seda. Hoje em dia, ela virou um lugar "cult" para se viver e é lá que está a maior concentração dos artistas que moram por aqui.
Nesta parte da cidade, além de rezar, você também pode comer e muito bem. Esta colina fica na "Vieux Lyon" (Lyon Velha). É lá onde se concentram um grande número de restaurantes, entre eles os Bouchons Lyoneses, que servem a culinária específica daqui.
Com tantos lugares para conhecer, tantas comidas e bebidas para provar é claro que não deu para meus pais fazerem tudo. Terão que voltar mais vezes...
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Agora em Paris!
Já que Lyon ficou pequena para nós três, pegamos um TGV (Trem de Grande Velocidade) e, depois de 2 horas, chegamos em Paris. Vestimos nossas blusas de "mineiras em férias", passamos cebo nas canelas e fomos explorar a "Cidade das Luzes".


É a cidade mais elegante que eu conheço. Tem milhões de programas para a gente fazer, lugares para a gente conhecer... O difícil é fazer escolhas.
A gente comprou um bilhete que nos deu direito a utilizar o vermelhão por 2 dias. E, com isso, ainda ganhamos explicações históricas sobre os monumentos, igrejas, museus...

Então estamos assim: três primas de férias curtindo Paris! Uma vida duuuuura... Também quando a noite chega, a gente já está quase morta, com dor nas pernas... O jeito é parar para comer, comemorar e agradecer...
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Minhas Primeiras Visitas
SB 12
Durante 4 meses, essas pessoas foram minhas colegas do curso de francês.
Quando nos conhecemos, mal podíamos conversar. Faltavam vocabulário e conhecimentos gramaticais. Nosso diálogo girava me torno do nosso nome, nacionalidade, profissão. Arriscar muito era dizer o porquê de estarmos aqui em Lyon frequentando um curso de línguas.
No último dia de aula, tivemos uma prova oral onde cada dupla tinha quinze minutos para fazer um debate sobre um tema polêmico. Vocabulário, pergunta, afirmativa, negativa, presente, passado, futuro, voz ativa, voz passiva, conselho, hipótese... Evoluímos muito, às duras penas. Compartilhamos momentos de ignorância, alegrias, desespero, compaixão, descobertas e conquistas.
Com essas pessoas aprendi muito sobre diferentes culturas: americana, polonesa, chinesa e brasileira. Aprendemos juntos sobre a francesa. É interessante pois havia muitas coisas da cultura brasileira que eu nunca tinha notado que existia, ou nunca tinha parado para refletir sobre, mas ao conhecer como as coisas funcionam em outro país, ficou mais claro o jeito de ser brasileiro.
A vida é feita de passagens. Isso eu sei. As pessoas passam pela nossa vida. Umas permanecem por mais tempo, outras por menos, mas todos estamos de passagem na vida do outro, ou mesmo na nossa... A maioria dos meus colegas da turma SB 12 passou pela minha vida. Agora eles voltam para seus mundos e eu continuo no meu. Ficam boas lembranças e o meu Muito Obrigada!
Quando nos conhecemos, mal podíamos conversar. Faltavam vocabulário e conhecimentos gramaticais. Nosso diálogo girava me torno do nosso nome, nacionalidade, profissão. Arriscar muito era dizer o porquê de estarmos aqui em Lyon frequentando um curso de línguas.
No último dia de aula, tivemos uma prova oral onde cada dupla tinha quinze minutos para fazer um debate sobre um tema polêmico. Vocabulário, pergunta, afirmativa, negativa, presente, passado, futuro, voz ativa, voz passiva, conselho, hipótese... Evoluímos muito, às duras penas. Compartilhamos momentos de ignorância, alegrias, desespero, compaixão, descobertas e conquistas.
Com essas pessoas aprendi muito sobre diferentes culturas: americana, polonesa, chinesa e brasileira. Aprendemos juntos sobre a francesa. É interessante pois havia muitas coisas da cultura brasileira que eu nunca tinha notado que existia, ou nunca tinha parado para refletir sobre, mas ao conhecer como as coisas funcionam em outro país, ficou mais claro o jeito de ser brasileiro.
A vida é feita de passagens. Isso eu sei. As pessoas passam pela nossa vida. Umas permanecem por mais tempo, outras por menos, mas todos estamos de passagem na vida do outro, ou mesmo na nossa... A maioria dos meus colegas da turma SB 12 passou pela minha vida. Agora eles voltam para seus mundos e eu continuo no meu. Ficam boas lembranças e o meu Muito Obrigada!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Apreciando Com Moderação
Há quem diga que a França é o país onde mais se consome álcool no mundo. Não duvido. Qualquer motivo é uma desculpa para fazer um brinde. Aqui, as pessoas têm o hábito de se reunir na casa de uma amigo, para tomar um aperitivo, antes de cair na balada e se embebedar de vez. Em qualquer restaurante que a gente vai, seja para almoçar ou jantar, podemos nos servir desse mesmo "aperitivo" antes da refeição e, durante, de uma boa taça de vinho que não faz mal a ninguém... Na verdade, as pessoas não precisam de uma ocasião especial e nem mesmo sair de casa para isso.
Nas aulas de "francês familiar", perdi a conta de quantos sinônimos aprendi para a palavra "bêbado". Também não sei dizer quantas expressões existem na língua francesa que significam "chapar o melão". Sim. O nível de alcoolismo daqui também é altíssimo.
Devo confessar que sempre gostei de vinho. E aqui, só tem vinho bom. Comprado em um supermercado um vinho caríssimo custa 12 euros. Mas não se preocupem, estou longe de ser uma viciada. Aprecio com muita moderação.
E foi para apreciar um bom vinho que fui conhecer uma pequena vila chamada Vouvray. Situada no vale de "La Loire", ao lado da cidade de Tours, esta região linda é repleta de plantações de uva. Suquinhos à parte, é aqui onde são produzidos alguns dos melhores vinhos do mundo.
Fizemos um passeio pelas "caves" dos habitantes, um tipo de caverna no quintal das casas das pessoas, onde elas guardam seus tonéis e centenas de garrafas contendo seus "tesouros".


Experimentamos os vinhos produzidos pelos pequenos produtores enquanto eles nos davam explicações sobre todo o processo de produção.
Um detalhe: dentro das "caves" a temperatura é em torno de 12 graus, por isso que tomamos vinho à temperatura ambiente.
Durante nosso tour, encontramos "caves" mais simples, mas para a nossa sorte, tinha uma chiquérrima que, excepcionalmente neste dia, estava aberta ao público comum.
Depois de uma tarde de degustação os visitantes podem voltar para casa com excelentes vinhos que variam de 8 à 95 euros.
Alguém duvida que os franceses apreciam seus produtos nacionais?
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