O mês de celebração da vida através da dança acabou esta semana. Domingo, enquanto o Brasil dirigia-se às urnas para votar, nós aqui nos dirigíamos ao teatro mais moderno de Lyon para o último espetáculo da Biennale de la Danse com um grupo mineiro Balé de Rua.
Vindos de Uberlândia, a cia, formada por 15 dançarinos, uma dançarina, uma cantora e cinco percussionistas, trouxe alguns cartões postais em forma de dança do Brasil, de Minas, principalmente. O grupo, que tem 18 anos, é o fruto de um projeto social. Sem patrocínio nenhum, eles viajam o mundo com o dinheiro que ganham nas turnês. Em coro, eles dizem que vieram mostrar a dança que sai da favela para a rua, da rua para o palco e do palco para o mundo!
E eles fazem muuuuuiiiito bem o que se propõem a fazer: samba, capoeira, congado, rap e uma dança que deixaria Michael Jackson babando! No ano passado, eles fizeram 89 apresentações no exterior e 5 no território brasileiro. Apresentaram um espetáculo que arrancou aplausos franceses do início ao fim, algo inédito nesta Biennale.
Além de carisma, profissionalismo e muita energia, eles chegaram com o apelo de serem pessoas de uma origem brasileira mais humilde, não só eles, mas o grupo que representou o balé da Deborah Colker também, que infelizmente não fui ver. "Pessoas perseverantes que ganharam o mundo", dois dos 4 representantes brasileiros na Biennale.
Na segunda-feira, nos jornais de Lyon, matérias sobre o fim da Festa da Dança, greves e outros problemas lyoneses dividiam espaço com as notícias das eleições brasileiras. Aqui, a vitória da Dilma era tida como certa no primeiro turno e a de Tiririca foi interpretada como um ato consciente e de protesto da população contra a palhaçada da política verde e amarela.
Minha reflexão é sobre a imagem que vendemos e a imagem que é comprada do nosso Brasil. Já estou cansada de escutar, quando eu falo para alguém a minha origem, as palavras SAMBA, FUTEBOL, COOL (bacana)! Como se isso definisse o ser brasileiro! Não que eu não ame sambar e não adore copa do mundo, mas sou muito mais do que isso e ainda quero ser mais, quero fazer mais, quero ter mais. Quero me orgulhar cada vez mais de + e + conquistas brasileiras em todas as áreas possíveis.
(Política + Educação) x Dignidade = Solução
Alguém conhece uma outra fórmula?
Daqui de Lyon, não voto, mas peço LUZ para as suas consciências e mais ainda para a consciência de quem for eleito.
Abastecimento de arte diretamente na veia e presença verde e amarela garantida!





