domingo, 31 de outubro de 2010

Overdose de Amor e Pão de Queijo

É tão difícil escrever sobre meus últimos 12 dias...

Pela primeira vez na minha vida, fui turista em BH. Cheguei de férias no final de outubro e encontrei minha família e amigos iniciando a loucura de final de ano. Ótimo! Pude participar do cotidiano deles e matar saudades da minha rotina de vida no Brasil. Tem gente que detesta rotina, mas eu não, adoro! E adorava minha rotina aqui porque sou uma pessoa privilegiada: tenho uma família maravilhosa, tenho muuuuitos e verdadeiros amigos e trabalho por amor e com paixão.

Vim para BH porque estava com saudades e precisava recarregar as baterias e me preparar para o longo inverno de Lyon. Precisava sentir o calor daqui. Precisava rever os rostos familiares de pessoas que amo. Precisava ter de novo a sensação de dominar um território, de dominar as regras sociais, de dominar uma língua, sem fazer nenhum esforço.

Desde que cheguei no aeroporto a sensação foi de ter chegado em casa! Respirei aliviada! Meu mundo conhecido! O que mudou na minha cidade natal? Quase nada, a não ser que agora a capital dos barzinhos tem sua vida noturna alterada por uma lei que impede que a gente tome uma cervejinha com um tira gosto sentados em uma mesa na calçada, depois das 23 horas. Menos barulho para a vizinhança, claro, mas também menos dinheiro circulando, menos diversão para os belorizontinos e turistas (que vão vir fazer o quê aqui?).

Depois desses 9 meses em terras longínquas, tempo simbólico de uma gestação, o que mudou em mim? Meu mundo foi ampliado. Conheci outros países, cidades, culturas, pessoas, histórias. Quantas pessoas você conheceu de janeiro para cá? Eu conheci mais de uma centena e vindas dos quatro cantos do mundo. Isso é um tesouro para mim!

Morar em outro país está longe de ser algo fácil. É uma escolha que nos faz abrir mão do convívio com pessoas queridas, de seguranças, confortos, para nos depararmos com um desconhecido. Às vezes é angustiante, mas, ao mesmo tempo, é muito enriquecedor! Novas possibilidades surgem em nossas vidas e as experiências nos fazem crescer de uma maneira única.

Sempre agradeço por estar tendo essa oportunidade. E o que me dá forças para continuar meu caminho é o amor das pessoas especiais da minha vida. Tinha fome e me nutri com uma overdose deliciosa de amor e pão de queijo. Merci!



Ps.: Mais difícil que escrever sobre isso é encontrar-me com todas as pessoas que eu gostaria e postar todas as fotos que tirei... Dias intensos e maravilhosos! Au revoir et à bientôt!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Era uma vez...

Era uma vez, em um país muuuiiito distante, um povo que vivia com a intenção de ser feliz. Mas a felicidade deles, há muito, estava sendo ameaçada. 


Eles haviam pequenas e grandes insatisfações, tais como: a alta da inflação e das taxas de aluguel e de desemprego.

O povo estava cada dia mais preocupado com a falta de segurança, com a desigualdade social crescente e com a qualidade da saúde e da educação que diminuía.


Eles estavam insatisfeitos também com a política do governo que beneficiava milionários, congelava salários e desprotegia os trabalhadores com mais de 50 anos de idade.


Cansados de só reclamar, um dia, eles, juntos, saíram do conforto de suas casas para dizer:
_  Basta! Ça suffit!






"ET VIVE LA FRANCE!"




(Lyon, 19 de outubro de 2010)


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A França, a Greve

Quando eu cheguei aqui, ouvi falar que francês ama 4 coisas: pão, queijo, vinho e greve. Até a semana passada, só havia compartilhado dos três primeiro ítens da lista. Não que não tenha tido greves durante o ano, mas elas não haviam me atingido até então, não tinham me feito andar muitos kilômetros à pé para voltar para casa.

A França vive a eminência de uma Greve Geral. Os movimentos sindicais franceses são fortes, os estudantis, também. À eles são somadas as vozes da população, que confirmam, em coro, que a união faz a força.

Domingo, apesar do frio (parece que pulamos o outono e caímos diretamente no inverno), o barulho da multidão que estava nas ruas me fez deixar os livros de lado e sair de casa. E ainda bem que o fiz. A um quarteirão da minha casa, deparei-me com estas imagens:





Fiquei, sinceramente, emocionada. A população saindo de casa para protestar, para lutar por seus direitos. Famílias na rua, num frio de 8 graus, para dizer:

"Não mexam na minha aposentadoria!"
"Deixem meu pai descansar! Eu pago por ele!"
"Nem reforma , nem emenda!"
"Mudança na Aposentadoria? INACEITÁVEL!"

A última vez que vivi algo parecido foi no início da minha adolescência. Faço parte da geração "cara pintada" que foi ao centro de Belo Horizonte dizer SIM ao Impeachment. Confesso que na época não tinha noção de que estava fazendo história. Mas foi tão boa a sensação!

Contudo, quase duas décadas se passaram. E eu, minha geração e a grande maioria da população nos acomodamos. Ficamos, nós, brasileiros, reclamando em frente à televisão, nas rodinhas de família, amigos mais íntimos, evitando muita polêmica, para não criar desafetos, e, quando muito, assim como eu, em  frente ao computador.

Aqui, não. Aqui o pessoal está nas ruas. O clima anda tenso. Vozes em alto falantes convidam as pessoas para aderir a uma Greve Geral. Os estudantes estão na ativa, fazendo protestos e, na maioria das vezes, perdem o controle. Infelizmente, há depredação do material urbano e pedras e garrafas são lançadas contra os tiros de flashball e bombas de gás lacrimogênio.

Toda essa mobilização é para impedir a Reforma da Aposentadoria. Hoje em dia, a idade legal para se aposentar é 60 anos. Com a reforma, aconteceria uma aumento anual progressivo da idade limite, o que faria com que, em 2018, as pessoas se aposentassem aos 62 anos. Eles estão lutando hoje, agora!

Razões para querer a reforma, o governo tem de sobra: a França é um país onde 1/3 da população tem mais de 50 anos. Entretanto, segundo os franceses, essa reforma não é a solução. Então, a  população se une, faz a força e grita forte:

"NON!"

Ô gente, nem uma pontinha de inveja? Um incômodo? Uma vontade de mudar? A gente pode! Vamos?!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O essencial para você

Hoje de manhã, fui acordada com o alarme de incêndio do meu prédio. Demorei alguns segundos para entender o que podia estar acontecendo. Levantei da cama de supetão, coloquei uma calça "dins" (como uma vez minhas alunas escreveram) por cima do pijama mesmo, meu casaco mais quente, meu tênis mais confortável. Rapidamente, peguei meu passaporte, minha pasta de documentos. Coloquei meu computador e celular na minha bolsa e desci meus novos sete andares de escadas, completamente descabelada e em tempo record.

Não entrei em pânico nem em estado de histeria. Ainda bem, porque quando cheguei na portaria, o porteiro disse que eles estavam testando o alarme. Que bom que funciona!!! Mas custava avisar que iam fazer um teste sexta-feira de manhã?!!!

Enquanto voltava para meu 'petit château', pensei no que aconteceu e no que poderia ter acontecido. Um incêndio poderia ter destruído tudo. Simplesmente, peguei o que julguei essencial e desci. E o essencial para mim, naquele momento foi: a minha vida, a comprovação da minha identidade e o meu canal de comunicação com o mundo. De roupa, o mais básico, funcional e confortável, nada de enfeite ou luxo. Deixei o resto todo prá trás. O resto com que gasto grande parte do meu tempo e dinheiro para escolhê-lo, comprá-lo e tê-lo.

Mas ainda acho que desci com muito.

Antoine de Saint-Exupéry nasceu aqui, em Lyon. Aviador, ele ganhou fama mundial como escritor depois de escrever o seu livro "Le Petit Prince", (O Pequeno Príncipe). Dentre suas frases famosas há uma que diz que "o essencial é invisível aos olhos". E é ou não é?
Quero escrever somente o essencial sobre esse assunto, para agora saber de você: imagine-se na situação que eu vivi. O que você "salvaria" de tudo aquilo que você tem dentro da sua casa? O que é realmente essencial para você?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"La Vie en Rose" Verde e Amarela

O mês de celebração da vida através da dança acabou esta semana. Domingo, enquanto o Brasil dirigia-se às urnas para votar, nós aqui nos dirigíamos ao teatro mais moderno de Lyon para o último espetáculo da Biennale de la Danse com um grupo mineiro Balé de Rua.

Vindos de Uberlândia, a cia, formada por 15 dançarinos, uma dançarina, uma cantora e cinco percussionistas, trouxe alguns cartões postais em forma de dança do Brasil, de Minas, principalmente. O grupo, que tem 18 anos, é o fruto de um projeto social. Sem patrocínio nenhum, eles viajam o mundo com o dinheiro que ganham nas turnês. Em coro, eles dizem que vieram mostrar a dança que sai da favela para a rua, da rua para o palco e do palco para o mundo!

E eles fazem muuuuuiiiito bem o que se propõem a fazer: samba, capoeira, congado, rap e uma dança que deixaria Michael Jackson babando! No ano passado, eles fizeram 89 apresentações no exterior e 5 no território brasileiro. Apresentaram um espetáculo que arrancou aplausos franceses do início ao fim, algo inédito nesta Biennale.

Além de carisma, profissionalismo e muita energia, eles chegaram com o apelo de serem pessoas de uma origem brasileira mais humilde, não só eles, mas o grupo que representou o balé da Deborah Colker também, que infelizmente não fui ver. "Pessoas perseverantes que ganharam o mundo", dois dos 4 representantes brasileiros na Biennale.

Na segunda-feira, nos jornais de Lyon, matérias sobre o fim da Festa da Dança, greves e outros problemas lyoneses dividiam espaço com as notícias das eleições brasileiras. Aqui, a vitória da Dilma era tida como certa no primeiro turno e a de Tiririca foi interpretada como um ato consciente e de protesto da população contra a palhaçada da política verde e amarela.

Minha reflexão é sobre a imagem que vendemos e a imagem que é comprada do nosso Brasil. Já estou cansada de escutar, quando eu falo para alguém a minha origem, as palavras SAMBA, FUTEBOL, COOL (bacana)! Como se isso definisse o ser brasileiro! Não que eu não ame sambar e não adore copa do mundo, mas sou muito mais do que isso e ainda quero ser mais, quero fazer mais, quero ter mais. Quero me orgulhar cada vez mais de + e + conquistas brasileiras em todas as áreas possíveis.

(Política + Educação) x Dignidade = Solução
Alguém conhece uma outra fórmula?

Daqui de Lyon, não voto, mas peço LUZ para as suas consciências e mais ainda para a consciência de quem for eleito.

E a Biennale de la Danse? La Vie en Rose terminou oficialmente na terça-feira com uma festa para toda a equipe que dela participou. Um mês de muita dança, encontros, surpresas e encantamento.

Abastecimento de arte diretamente na veia e presença verde e amarela garantida!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Morar na França? Só se tiver elevador!

A França é um país bem diferente do Brasil: clima, geografia, hábitos, língua e povo. Antes de me mudar para cá, tentei me preparar ao máximo para me adaptar e passar a conviver com tantas diferenças, mas é no dia a dia que a gente vai se sentindo, ou não, mais "em casa".
Se você quer morar na França, saiba que, além de escolher a cidade, o que você vai fazer por aqui, você também deve escolher como morar.



Não sendo príncipe ou princesa, você tem como opção:
  1. Morar na casa de um habitante da cidade;
  2. Morar numa residência de estudante (caso você venha para estudar);
  3. Fazer uma "colocation";
  4. Fazer uma "sub-location"
  5. Alugar um studio ou um apartamento.
Para começar a minha vida aqui, escolhi a primeira opção. Morei por 2 meses e meio na casa da Madame Françoise, que é francesa, professora de francês e que tem como segundo "ganha pão" alugar 3 de seus 4 quartos para estudantes estrangeiros. O dinheiro que eu dava para ela, incluía o café da manhã e o jantar, quando ela tinha muito prazer em apresentar para seus "enfants" a culinária típica da França (uma delícia!).

A pessoa que não tem o "canal" de uma madame Françoise, pode correr um risco. Pode dar sorte de morar na casa de uma família simpática, ou, de morar na casa de uma família que não conversa com você ou que acha que é uma empregada (casos verídicos).

Se você optar por morar numa residência de estudantes, ao fazer a sua inscrição na faculdade, você pode explicitar esse interesse. A própria universidade se encarrega de te inscrever. Daí, ou você vai morar em um quarto de 10 m2 com uma pia, uma cama de solteiro, uma pequena escrivaninha e um armário de duas portas e vai utilizar o banheiro e a cozinha coletivos do seu andar, ou você vai morar num estúdio um pouquinho maior por causa do pequeno banheiro e da piabalcãocozinha.
As vantagens de morar numa residência universitária são o preço e a quantidade de estudante que você pode conhecer. As desvantagens óbvias são os tamanhos dos cômodos, os banheiros coletivos e, se você tem mais de 25 anos, se sentirá uma pessoa anciã.

A "colocation", o que se aproxima à nossa "república". É o modo de vida dos jovens franceses, em sua maioria, solteiros, assalariados, independentes. Aqui está uma grande diferença entre eles e a gente. Na colocation, geralmente, não são amigos que resolvem alugar um apartamento e dividir a vida, são pessoas que se conhecem através dos sites especializados em juntar os "colocateurs" e suas devidas "colocations".


Esta foi a minha segunda opção. Antes de sair da casa da madame Françoise, procurei uma "colocation" em um site. Preenchi um cadastro onde criei meu anúncio, uma pequena propaganda de mim mesma, na intenção de ser escolhida pelo meu futuro(a) colocateur. As pessoas interessadas pelo meu anúncio me enviaram mensagens dizendo que estavam interessados. Entrei em contato com eles e marquei uma visita ao apartamento. Aí chegava um momento, no mínimo estranho, porque, durante essa visita, você avalia o apê e a pessoa, ou pessoas, com quem você dividirá o mesmo teto e toda a intimidade, ou falta dela, que isso pode acarretar. Por outro lado, eles também te avaliam.


Visitei muitos apartamentos: minúsculos, enormes, veeeeelhos, novinhos, imundos, limpos, com 1 habitante, 2, 3, 4 habitantes de todos os gostos e tipos. Passei por uma entrevista que durou 3 minutos e por outra onde me senti em um interrogatório: eu sentada em um sofá e os outros 3 moradores do apartamento na minha frente fazendo uma "anamnese" completa e eu pelejando com meu francês.

Então, escolhi um apê pelo seu estilo, tamanho, localização, preço. Eu, na minha ingenuidade, fiz a visita à noite e não reparei se o prédio era limpo ou se a casa estava limpa. Fiquei feliz pelo resto todo e nem mesmo dei importância ao fato da pia, que fica no meio da sala, estar cheia de vasilha, e a casa meio bagunçada. A pessoa "simpática" que me recebeu disse que o outro coloc estava de mudança e logo concluí que a bagunça era dele. Grande erro! Com o tempo percebi que tinha entrado em uma fria... Falta de sorte!?

Na colocation os nomes de todos os habitantes entram no contrato de aluguel. Para isso, cada um deve ter o seu fiador (uma pessoa francesa, com emprego fixo e que ganhe o suficiente para poder cobrir um calote de 3 meses). Neste caso, você, se for estudante, recebe uma "ajuda moradia" do governo francês que pode chegar à 180 euros por mês ; ).

A "sub-colocation" é quando você aluga o quarto de um colocateur que, por algum motivo, vai ficar um tempo fora de sua residência. Neste caso, você não tem seu nome no contrato do apartamento e, dificilmente, receberá a ajuda do governo.

Alugar um studio foi a minha terceira e atual opção. Você que é estrangeiro, estudante, sem emprego fixo, pode ter um pouco de dificuldade... Vai ter que apresentar uma papelada sem fim, ter um fiador e, em alguns casos, fazer um cheque caução com o valor de 4 vezes o preço do aluguel. Mas é uma tranquilidade que não tem preço...

Outra diferença importante entre a França e o Brasil é que, aqui, você faz a mudança no muque. Então, agradeço ao meu gatinho, amigos e voluntários que se dispuseram a passar o domingo desmontando móveis, descendo 4 lances e meio de escadas, quebrando a cabeça para todas as minhas coisas (sou brasileira!) caberem em um furgão. Agora moro no sétimo andar, mas tenho 2 elevadores!!!

(Você quer mais dicas sobre morar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!")

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Primeiros Momentos: emoções à flor da pele

Esta foi a minha primeira semana de aula de verdade na Universidade. Até então, tinha tido somente reuniões de apresentação do curso, professores e matérias. Pude perceber que o curso será muito bom. Sofrido, mas vou aprender muito. Professores chiquérrimos, informatizados, com as aulas afiadas na ponta da língua. Compartilho com vocês alguns dos meus primeiros momentos, não muito glamurosos, como mestranda na França:

A semana começou com uma aula de Metodologia da Pesquisa. Desculpem-me os profissionais que lecionam esta matéria, mas é difícil curtir esta aula. Ela é, no mínimo, entediante. Isso em português! Em francês, não consigo nem definir. Então, no final da aula, depois de muito falar, o professor resolveu fazer uma pequena avaliação para saber o nível da turma. De um lado da folha, perguntas sobre os termos técnicos utilizados em uma pesquisa, do outro, exercícios de estatísticas. Bom, entreguei minha avaliação rindo, de nervoso. O primeiro lado, deixei em branco porque nem em português saberia responder e o outro, também, porque estudei estatística há mais de 10 anos atrás e fiz questão de esquecer tudo no dia seguinte da prova final. Mas sabia que já tinha visto aquelas grades cheias de números e letras em algum lugar...


Aula de Modelização e Simulação dos Processos Cognitivos: uma professora que fala super rápido e que dá aula sem olhar muito para a reação dos alunos. Tema da aula: Inteligência Artificial. Para fazer a introdução, ela começa do básico, fazendo uma rápida 'revisão' do funcionamento do neurônio artificial e depois passa alguns exercícios para a gente calcular o tempo de reação de um neurônio não-sei-o-quê dando os valores das variáveis... Opa! Espera aí! Inteligência Artificial? Neurônio Artificial? Ah! A turma deu a resposta em um coro. Ri, de nervoso. Então ela anuncia a importância disso tudo para a nossa aula de Informática "que será quando colocaremos em prática esses conhecimentos ao fazermos nossas programações". Programação, informática, eu? Tá bom! Ri.

O professor de Envelhecimento é a simpatia em pessoa. Diz que, nas suas aulas, os alunos trabalham muito. Então cada um terá que apresentar um tema e relacioná-los aos artigos que ele selecionou (textos em francês, inglês e, para quem quiser, em alemão, por que não?). Ele nos disse os dias das suas aulas e explicou que cada aluno teria 20 minutos para fazer a sua exposição. Pediu voluntários para o primeiro dia. Todos meus colegas olharam para baixo. Ele encontrou o meu olhar e interpretou meus olhos arregalados como os de uma pessoa muito empolgada e disse:
#tecla sap#
_ Você, mademoiselle, apresentará no primeiro dia!
_ Eu? No primeiro dia? - Pânico total!!! Continuei, rindo: Só se for em português!

É claro que ele disse que não, que ninguém me entenderia e tentou me encorajar, mas preferi gastar o meu francês convencendo-o a escrever meu nome no último dia de aula. Ufa!

Para terminar a primeira semana, aula de Psicologia Cognitiva! A professora cheia de energia passou seu verão preparando as aulas e treinando para dar o máximo de conteúdo em 1h e 45minutos. Ela fez um resumão sobre tudo o que eu já estudei de neurologia em toda a minha vida. Terminou sua conferência relacionando tudo isso à memória, à aprendizagem e ao sono.

Ela disse que se quisermos potencializar a nossa capacidade de aprendizagem deveremos dar preferência à repetição de um mesmo estímulo, mais do que a exposição a muitos estímulos ao mesmo tempo. Além disso, temos que dormir, pois o sono profundo é o melhor amigo da memória e da aprendizagem...

Confesso que a minha primeira semana me causou um certo pânico. Tive outras matérias em que tudo correu super bem, mas esses outros momentos... Escuto novamente aquela vozinha sábia que me acompanha nas horas difíceis e que me pede c-a-l-m-a. Tudo bem, não vou me desesperar, pelo menos na primeira semana. Contudo, além de calma, tenho que colocar em prática os ensinamentos acima de minha professora e o problema é que tenho vivido exatamente o oposto: muuuuuitos estímulos novos na universidade, muuuuita biennale de la danse, mudança de casa, tpm e um pernilongo fdp que mora aqui no quarto e que pertuba o meu sono!!! Êta se eu acho esse inseto...
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