domingo, 2 de maio de 2010

Mercado de Domingo

Não acreditei que só depois de 3 meses morando em Lyon é que fui conhecer o Mercado de Domingo, nas margens do rio Saône. Fiquei admirada com o típico mercado francês, com a variedade e qualidade dos produtos.

Aqui, as pessoas valorizam muito o pequeno produtor que tem nos mercados um espaço de venda para seus produtos, geralmente mais baratos que nos supermercados, mas, definitivamente, mais saborosos e saudáveis.

(ostras)


(verduras e legumes fresquinhos)


(temperos variados)


(frutas da estação)


Você pode experimentar de tudo.


(flores)


(salames diversos)


(pães)


(francês gatinho)


(queijos)


(e mais queijos...)


(azeitonas super cheirosas e deliciosas)


(vinhos nacionais)


(tudo ao som de músicas nacionais também)

Tem um espaço para você se sentar e saborear ostras ou suas compras...


Programão de domigo!


Aí, fiquei sabendo que este mercado é o maior de Lyon, mas que, todos os dias da semana, há mercados como este espalhados pelos quatro cantos da cidade. Bom, né? Garanto que minhas visitas vão amar!

sábado, 24 de abril de 2010

E não é que ficou bom!

Resolvi aventurar-me na cozinha novamente. E fiz um jantarzinho simples e rápido que deu super certo. A receita serve duas pessoas.

Como entrada:



Uma abobrinha e
um ovo e meio. Tudo cozido;








Maionese com
mostarda Dijon;








Cortar a abobrinha em 4 fatias,
colocar a maionese.







Amassar o ovo e meio e
colar em cima. Servir à temperatura ambiente.








Uma salada de alface, tomate,
cenoura ralada, meio ovo e azeitonas.




Prato principal:


Dois filés de peixe branco temperados com sal,
pimenta do reino e limão.
Tudo embrulhadinho em um papel alumínio.






Um purê de batata.








Segredo? Misturar 3 bananas amassadas ao purê e ainda acrescentar bastante queijo ralado.







Acompanhamentos...








Se eu fiz e ficou bom, garanto que qualquer um pode fazer.
A sobremesa? Muito fácil: comprei uma mousse de chocolate que estava ótima!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Hoje tem espetáculo? Tem sim senhor!"

Domingão, friozinho... dia de dormir. Dormir muito. Dormir mais. Dormir até mais tarde. Dia de ir ao parque? Ou, ao cineminha? Ou dia de passear com a pequena Naïs, afilhada do Alex. Uma criança linda e tão independente quanto seus quase dois anos a permitem ser. Nosso programa? Almoçar em um restaurante chinês, onde o melhor de tudo foi o aquário ao lado da nossa mesa.


Ah! E poder comer com palitos também!


Barriga cheia? Pé na estrada.


Rumo à nossa segunda parada: o "Circo Pinder" com direito a tudo: malabaristas de todos os estilos, trapezistas, palhaços, camelos, leões, tigres.


O mais impressionante foi presenciar o acasalamento dos elefantes. A platéia foi ao delírio!


Brincadeirinha, rsrsrsrs. Era só uma inocente fila de dois.

Mas o escurinho, a mamadeira, o colo do padrinho...


Como eu disse, domingo é dia de dormir, né, Naïs?

Lar doce lar

Andei um pouco afastada do meu blog, mas foi por uma nobre razão. Há dez dias, mudei-me para o meu novo apartamento. Sim, ele é muito francês. Fica situado no coração de Lyon, na rua mais charmosa da cidade, ao lado da principal praça, Place Bellecour. Fica em um prédio bem antigo, daqueles com uma porta de entrada enorme. Passo por dentro de um outro prédio, por um pequeno pátio e subo quatro andares e meio (107 degraus!!!) para chegar no meu lar doce lar.


Este é um apê de 2 quartos, um toilette, uma "sala de banho" (aqui na França tem um pequeno cômodo que é a "casinha" que fica separada de um outro onde ficam a pia, a banheira e a máquina de lavar roupas) e um salãocozinha (sem separação mesmo).


Depois de limpo e arrumado, ele ficou muito charmoso e aconchegante.

Moro com minha simpática "colocateur", que é uma francesa da gema e que, coincidentemente, é psicomotricista.

Agora, sinto-me realmente uma habitante da França.

Uma curiosidade: uma parede do meu apartamento é patrimônio histórico. Pensem no que pode significar a expressão "patrimônio histórico" em uma cidade fundada no ano de 43 a.C. Essa parede foi construída na Idade Média (séc V ao séc XV), mas não sei precisar quando.

Durante o período da Revolução Francesa (1789-1799), Lyon foi atacada pelo exército revolucionário, que destruíu vários edifícios da cidade, especialmente em torno da Place Bellecour. Uma década depois, o chefe do exército, Napoleão, ordenou toda a sua reconstrução.

Mas a parede do meu prédio foi uma das poucas sobreviventes. Disseram-me que ela fazia parte de um muro que protegia a cidade.

Ela possui pequenas janelas com uma vista estratégica para o rio Saône e para a principal igreja da cidade na colina de Fourvière.


Familiares e amigos que quiserem conhecer meu apê estilo "Amelie Poulain", façam suas reservas!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Está frio ou está quente?

Quando cheguei em Lyon, sentia muuuuuuuiiiito frio, um frio que chegava a doer. Os termômetros acusavam temperaturas entre -4ºC e + 4ºC. Ficava pensando como seria possível viver em um lugar tão gelado, usando sempre tantas roupas. Mas me impressionava ao ver as francesas saindo apenas com calça jeans e um sapato boneca sem meia, ou mesmo de saia e meia calça fina...


Há uns dias atrás, meu pai me perguntou: _ E aí? Já parou de sentir tanto frio?
Então, pensei um pouco para responder, porque não tinha prestado atenção nisso e disse: _ Sim, acho que sim.

Só aí que percebi que, ao poucos, parei de usar muitas roupas. Ultimamente, me sinto no verão enquanto os termômetros daqui acusam 11ºC, 15ºC. Isso em BH significaria um super mega inverno. Mas atualmente, com essas temperaturas, saio com uma calça, meias curtas, tênis, uma blusa normal de mangas compridas e um casaco que acaba ficando nas minhas mãos ou na cestinha da bicicleta enquanto me desloco pela cidade. Intrigante, não?

Pois é. Como sou curiosa, e nunca saí da "fase do por que?", resolvi procurar entender esse fenômeno e, sim, fiz uma pesquisa (viva a internet!).


Deparei-me com uma experiência feita com três bacias contendo água em diferentes temperaturas. Nesta experiência, é proposto para um indivíduo que ele mergulhe suas mãos em um recipiente contendo água à temperatura da pele (aproximadamente 32ºC) para avaliar se a água está quente ou fria. A "sensação térmica" provocada com esse contato levará o indivíduo a concluir que a água está morna. Logo em seguida, o indivíduo é orientado a colocar a mão direita em outro recipiente com água à temperatura de 29ºC, aproximadamente, e a mão esquerda em um terceiro recipiente com água a cerca de 35ºC.

A sensação térmica provocada com esses contatos levará o indivíduo a concluir que a mão direita foi colocada em água fria e que a esquerda, em água quente. Depois de deixar, por algum tempo as mãos mergulhadas em cada uma dessas bacias, o indivíduo é solicitado a mergulhá-las novamente na primeira bacia, isto é, na que contém água à temperatura de 32ºC.

Surpreso, o indivíduo perceberá sensações térmicas diferentes: a mão direita informa que a água está quente, mas a esquerda informa que a mesma água está fria. A experiência encerra-se com a conclusão de que o tato não se presta a medir temperaturas com precisão (por isso, necessidade de termômetros que permitam unificar a escala de medida de temperatura e que a meçam de maneira objetiva).

Daí, vem uma explicação de "Zero Fisiológico"que é como uma temperatura padrão para efeito de comparação com outras temperaturas com as quais o corpo está em contato. Na experiência das três bacias, a pele e a água das bacias tendem a entrar em "equilíbrio térmico". A pequena, mas significativa, alteração na temperatura da água na qual foi mergulhada a mão direita é suficiente para estimular os receptores da pele para o frio. Depois de permanecer alguns instantes à temperatura de 29ºC, pode-se considerar que essa temperatura passa a ser o "zero fisiológico" para a mão direita. Isso também explica por que a água a 32ºC passou a ser considerada quente quando a mão direita foi nela mergulhada. Explicação idêntica pode ser dada quanto à mão esquerda ao ser colocada na água morna. O pequeno aumento de temperatura provoca o estímulo dos receptores cutâneos para o calor e, por isso, a água foi percebida como quente.

Isso tudo explica que: o meu corpo estava acostumado com a temperatura média de BH. Quando vim para cá, minha sensação térmica era de muito frio frente às baixas temperaturas de inverno. Entretanto, o meu corpo fez uma "adaptação térmica", que ocorre quando o cérebro se acostuma com as ininterruptas mensagens de "que frio!". Essas mensagens pararam de serem transmitidas.

O meu "zero fisiológico" agora é uma temperatura mais baixa, logo, em plena primavera, super inverno para o Brasil, sinto-me no maior verão.



Se você quiser saber mais sobre o assunto, clique aqui, ou aqui, ou aqui.

domingo, 21 de março de 2010

Licença Médica na França

Domingão, almoço de família na casa da madame Françoise. Similar aos almoços de família no Brasil, tirando a nossa música alta, as risadas estridentes e o exagero de comida típico dos "teixeiras", mas muito agradável também.
Fomos avisados do almoço, no sábado, enquanto ela nos mostrava os petits gateaux (bolinhos) que preparava para a sobremesa.

#tecla sap#
_ Amanhã teremos uma refeição em família. Vamos almoçar mais cedo porque meu genro está de licença médica e, por isso, tem que estar na casa dele às 14 horas.
Não entendi direito sua afirmativa e então perguntei:
_ Ããã?
_ Meu genro, o que operou o dedo, ele está de licença médica e tem que voltar para casa todos os dias às 14 horas.

Depois de outros ãããs, explico a vocês:
O genro dela caiu de bicicleta e perdeu parte de um dedo. Na semana passada, ele fez a segunda cirurgia de reconstituição. Está de licença médica. Mas a licença médica aqui na França também é diferente da do Brasil.

Seja qual for o motivo, o trabalhador passa por uma consulta médica. O médico faz a avaliação e "receita" os dias de repouso.



Só que ele escreve como deve ser esse repouso informando:
  • se o trabalhador pode sair de casa,
  • de que horas a que horas ele pode sair de casa (incluindo finais de semana),
  • se ele pode viajar,
  • se ele pode passar um período na casa de familiares, e indica quais.

Só que, aqui, tem os "controladores" que são funcionários do Estado e que podem fazer uma visita domiciliar para verificar se o doente está realmente doente ou se tirou uns "dias de férias" para aproveitar, por exemplo, a neve em Val Cenis.

Mas, normalmente, os controladores aparecem depois do pedido de uma empresa desconfiada das intenções de seu empregado (e a empresa pode receber informações anônimas). E, como é o Estado que paga por todo o período de licença do trabalhador, este, se estiver agindo de má fé, é considerado como tendo cometido uma falta grave contra o Estado e contra a empresa.

Concluindo, se o empregado, que acha que três meses de férias por ano é pouco, resolve tirar uma licença médica, conseguindo simular um problema qualquer ao médico, se ele não se der bem com algum colega de trabalho, ou com algum vizinho, e não der uma super justificativa por estar esquiando sem orientação médica, ele pode, então, ficar sem o seu salário ou perder o seu emprego.

Madame Françoise jura que isso é possível aqui, mas também diz que os franceses podem criativos.


Impossível fazer isso no Brasil, né? De qualquer forma, achei esse "controle" muito estranho...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Como vim parar aqui?

Fim da primeira semana de provas do curso de francês. Ufa! Fatigante! Como estudei muito para as provas, meu francês desenvolveu bastante nos últimos dias. É impressionante como progredimos quando sentamos bunda na cadeira e realmente estudamos.

Ontem fizemos uma prova de expressão oral na qual a professora nos deu um tempo de 4 minutos para falar sobre o tema: "Minha vida em Lyon". Mas, antes de fazer o nosso pequeno e intenso discurso, ele nos deu um tempo para refletir. Então pensei: como vim parar aqui?

É difícil escolher uma data ou um fato para marcar um início. Poderia falar que ter começado a fazer balé aos 4 anos influenciou a minha decisão, ou ter estudado psicologia, educação, psicomotricidade e ter lido tantos textos de autores franceses, ou sempre ter achado linda a sonoridade da língua francesa, ou ter ganhado de presente dos meus pais uma viagem pela Europa e ter começado a fazer aulas de francês para não ficar muito perdida na minha aventura sozinha em Paris, já que eu tinha escutado que os franceses não gostariam de falar comigo em inglês.


Nossa! Posso escrever um post só de motivos, de fatos da minha vida ou de características da minha personalidade, ou nomear pessoas que influenciaram na minha escolha. Mas, durante a minha reflexão pré prova, concluí que muitos fatores da minha vida me levaram a fazer esta grande mudança. Não tinha como ser diferente, tanto que estou aqui agora.

Mas, para quem quer fazer uma semelhante mudança na sua vida vida (mudar-se para a França), saiba que o caminho pode ser um pouco longo, cansativo, burocrático, mas bem possível.

Ao procurar por uma professora particular de francês, encontrei a minha querida Bia, depois que conheci uma de suas filhas em uma balada de Bh. A Bia tinha uma outra filha que morava e estudava em Lyon. Um dia, durante a aula, ela me perguntou: "Por que você não se muda para Lyon e faz um mestrado por lá?" Fui dormir com aquele pergunta ecoando na minha cabeça. Acordei e me perguntei: "Por que não?". Como não achei motivos para não ir e mil motivos para ir, então, fui!

Mas, para vir, tive que:
  • Escolher um curso (curso de francês) e me matricular nesse curso (como sou "chique, bem", fiz a matrícula pessoalmente durante meu tour pela Europa e acompanhada pela minha professeur de français).

  • Mas para isso, tive que: traduzir minha certidão de nascimento e diploma de faculdade, além de pagar a taxa de inscrição.
  • Com inscrição e comprovante de pagamento em mãos, cadastrar-me no CampusFrance e seguir as seis etapas do procedimento para obtenção do visto de estudante. O CampusFrance é um serviço pré consular. Você só consegue o seu visto passando por ele. Essas 6 etapas são muito chatas, principalmente porque você tem que preencher uns questionários em francês (Obrigada, Bia!), anexar os documentos originais, cópias traduzidas, por um tradutor juramentado, de seus documentos, diplomas e históricos escolares e, além disso, cópias autenticadas de tudo ( aí dói no bolso, porque, no meu caso, gastei mais de mil reais com isso), fora o tempo de ir nas faculdades para fazer os pedidos, pagar e depois voltar para buscar, enfrentar as filas dos cartórios...
  • Com o OK do CampusFrance, com a pasta de documentos traduzidos, fotocopiados e autenticados em mãos, dar entrada no pedido de visto ao Consulado. Mas para isso, você ainda tem que acrescentar ao seu dossiê (e pode se acostumar com essa palavra porque para tudo aqui na França você precisa fazer um "dossiê" e uma "carta de intenção" justificando até o porquê de você querer utilizar um banheiro):
  1. uma declaração de um responsável dizendo que ele vai te enviar pelo menos 430 euros por mês, uma declaração de idoneidade bancária dessa responsável (ambos traduzidos pelo tradutor juramentado), mais a sua última declaração de imposto de renda e os últimos 3 contra-cheques,
  2. declaração de alojamento na França, que quer dizer uma atestação de que você não vai morar nas ruas, serve até uma reserva de hotel por uma semana (mas o tema "procura de moradia na França" vale um outro post),
  3. passaporte válido e cópias das 3 primeiras páginas, um formulário amarelo devidamente reenchido em francês,
  4. uma foto um pouco maior que a 3X4,
  5. cpf com cópia,
  6. seguro viagem com cobertura de 30.000 euros para emergências e 30.000 euros para repatriamento. (Só que quando você chega aqui, você é obrigada a fazer um outro seguro saúde pago, mas barato, se você tem menos de 28 anos e é estudante, e pode fazer um gratuito, se você tem mais de 28 anos)
Aí o Consulado agenda a sua entrevista na Embaixada do Rio de Janeiro. Você vai até lá, certa de que está com tudo em mãos, mas te pedem algo que você não tem e que tem que providenciar rapidamente contactando a França, sendo que você ainda não fala bem francês. Mas você se vira (Obrigada, Amanda!) e consegue, e envia correndo para o consulado, que envia para a Embaixada que te envia o seu passaporte com o visto 3 horas antes de você ir para o aeroporto. No stress!

Pronto! Só isso! E você vem estudar francês na França antes de começar o seu mestrado (minha próxima montanha à vista). Mas quando você chega aqui, você percebe que os franceses amam serviço público, (grande parte da população trabalha como funcionário público) então, eles fazem a gente utilizá-lo bastante, mesmo se você acabou de chegar há uma semana e não entende o que eles falam. "Pas de problème"! Como eles dizem o tempo todo.

Esse caminho é longo e cansativo, mas a minha conclusão é que valeu a pena passar por tudo isso. Estou adorando viver aqui! Mesmo com saudades da família e dos amigos brasileiros, estar aqui, hoje, faz muito sentido na minha vida. Não poderia estar agora em um outro lugar. Não consigo explicar, só consigo sentir.
Beijos!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...