Merece uma pausa para reflexão...
Há dois anos, fiz uma viagem que mudaria os rumos da minha vida. Bom, não sei se posso realmente afirmar isso. Talvez esta fosse, desde sempre, a única direção possível.
O que me separa hoje da Carolina que chegou aqui no dia 14 de janeiro de 2010? Engana-se quem pensa que são apenas dois anos.
Hoje de manhã, conversando com as mães de umas alunas, me dei conta da data querida. Elas, super simpáticas, me felicitaram pela coragem de enfrentar um país novo, distante, desconhecido no qual as pessoas falam francês e têm a fama de serem frias. Pensativa que estou, disse que, na verdade, não sei se fui corajosa, ingênua, ou louca. Só sei que vim.
Pessoas me perguntam: é difícil sair do seu país, atravessar o oceano e se jogar no desconhecido? É. Muitas vezes deu medo? Deu. Doeu? Doeu. Já pensou em desistir e voltar? Já.
Sair do conforto do ninho familiar, da sua casinha, da sua cidade repleta de amigos queridos, do seu trabalho prazeroso e chegar em um lugar onde todos são desconhecidos para você e que para eles você é só uma "Maria Ninguém" não é fácil. É praticamente um começar do zero.
Descobri que a ignorância dói e não foi ninguém que me contou. Ela doeu forte e várias vezes. E o pior é que, quando se trata deste alto nível de ignorância, você nem sabe como fazer uma pergunta para aliviar a tensão. Às vezes, à única opção que eu tinha era ficar calada. E só. Sorrir ajuda, pelo menos é uma arma secreta e instintiva. Mas nem sempre funciona. Só. Privar-se de boas conversas, ou mesmo de conversas banais, é terrível. Adoro conversar mas, no início, foi difícil. Gente, tenho que admitir que é preciso um certo grau de masoquismo para tamanha mudança.
Felizmente, este estado de angústia não é eterno. Ele passa. E passa não de maneira passiva. Você é o agente da sua história. A necessidade de aprender torna-se tão vital que você acaba se transformando em uma esponja. Suas antenas dos cinco sentidos ficam ligadas o tempo todo. Seu cérebro trabalha, trabalha, como se você fosse novamente uma criança descobrindo o mundo pela primeira vez. Você se exaure, mas aprende.
O que me separa da Carolina que chegou aqui em 2010? Muuuuuiiito aprendizado, uma vida.
O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Uma nova língua, uma casinha super aconchegante, uma pesquisa que vai de vento em popa, meu trabalho como "professeur de danse", como dançarina, como contadora de histórias, além de muitas viagens, momentos inesquecíveis, algumas lágrimas, muitos risos, amigos queridos vindos dos quatro cantos do mundo, quer dizer, dos cinco (considerando os virtuais também), e un amour.
Dois anos de Lyon...
Gente, já ia me esquecendo...
O que me separa da Carolina que pôs os pés em Lyon no dia 14 de janeiro de 2010? Um blog prá contar uma história.







