domingo, 21 de fevereiro de 2010

O Brasil é logo ali

Não sei se vocês já sabem, mas voltei a fazer capoeira quando cheguei aqui. Já havia feito dos 15 aos 17 anos, mas depois parei. Naquela época, eu sentia quase que um orgulho nacionalista por aprender esta "arte" totalmente brasileira.
Acredito que isso pode ter contribuído para a escolha da minha atividade física estando eu na França e saudosa do meu país. Sinto-me muito bem em um lugar onde compreendo tudo o que o professor, que é brasileiro, fala, compreendo as letras das músicas e posso usar o meu gingado brasileiro sem medo de ser feliz. Além de tudo, fiquei conhecendo muitos franceses, meus colegas, que têm, comigo, algo em comum.

Neste espírito de "Viva a Capoeira!" e "Viva o Brasil!", fomos à Saint Étienne, nesse final de semana, para um encontro de Capoeira. Saint Étienne é uma cidade com um pouco mais que 180 mil habitantes, localizada no centro-leste da França, 60km ao sudoeste de Lyon.


Quando eu e meus colegas chegamos à cidade, fomos direto para a escola onde estava acontecendo o encontro. É claro que conheci muitos brasileiros, mas a grande maioria das pessoas era francesa. Todo mundo muito engajado, querendo aprender a falar português, cantando as músicas, sedento pelas 6 horas de programação do sábado (incluindo aulas com diferentes professores e uma "roda" final), fora as 6 horas do domingo.

Confesso que 6 horas de capoeira em um dia é muito para mim. Entretanto, amei a aula de percussão onde, finalmente, aprendi a tocar tamborim! Fiquei observando as pessoas, seus movimentos... No final, a "roda" foi emocionante! Muita energia!

Bom, quando meu professor me chamou para participar do evento, disse que dormiríamos por lá e que de noite haveria uma festa brasileira.
_ Mas tem lugar para dormir?
_ Tem. Tem. Mas para garantir, leva um saco de dormir.
Então, comprei um toda feliz no dia anterior, me sentindo uma pessoa super aventureira.

Quando a programação do dia foi finalizada com a "roda" e percebi o pessoal falando em se encontrar na festa em meia hora, fiquei com aquelas perguntas que não queriam calar: E o banho? Onde eu vou dormir?

Aproximei-me de uma colega que estava conversando com um francês e ele falando que tinha lugar na casa. Ele me perguntou se eu e um outro colega também queríamos dormir lá dizendo que, ao todo, seríamos 7 pessoas, que a casa era grande e espaçosa e que tinha cama para todo mundo. Então, tá! Fomos. O apartamento realmente era uma graça e muito espaçoso. Achei ótimo ficar mais próxima dos franceses e conhecer de perto os seu hábitos.
Para meu alívio, todos tomamos banho, nos perfumamos e fomos para a festa.

A Festa Brasileira... Galinhada com banana frita, um grupo de samba e de pagode, um dj que tocou funk e forró. Sentí-me em casa. Dancei, dancei, dancei até às 5 da manhã.





















Entretanto, às 8h 30 o pessoal da casa já estava de pé e pronto para o dia intensivo de capoeira que começaria às 10h 30... (Depois 6 horas de curso + 6 horas de festa + 3 horas de sono???)

# Tecla sap#
_ Eu estou desolada, mas não vou fazer aula hoje. Vou voltar para Lyon.
_ É verdade? Que pena! Você está fatigada?
_ Sim, muuuuito fatigada.

Minha colega, também fatigada, resolveu voltar comigo de trem (viagem que demora 50 minutos e que custa 9 euros).

Foi muito bom passar essas poucas horas na casa dos meus novos conhecidos. Eles, superinteressados a respeito dos costumes do Brasil, queriam que eu ficasse traduzindo as letras das músicas de capoeira e até a "Garota de Ipanema" entrou na dança.

#Tecla sap#
_ Então, queria agradecer por vocês terem me acolhido na sua casa...
_ De nada, mas a gente não habita aqui. A gente habita Paris.
_ Aaaah! Quem habita aqui?
_ No final do ano passado, teve um encontro de capoeira em Paris e ficamos conhecendo a dona da casa. Quando a gente ficou sabendo deste encontro, ligamos para ela e perguntamos se poderíamos dormir aqui. Ela está viajando de férias, mas deixou a chave.
_ Aaaaah! De acordo!


Então, agradeço à dona da casa, seja ela quem for, mas já me tornei sua fã. Haja desprendimento!
Surpreendo-me com os franceses. O saber dar e o saber receber... Poder confiar. Isso é possível. Chegaremos lá?
Quanto ao meu saco de dormir? Agora tenho que arrumar uma nova aventura para estreiá-lo.
Quanto à Saint Étienne? Para mim, super parecida com o Brasil.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Faire la Cuisine

Como vocês já sabem, a França é o país campeão mundial de quantidade de férias. Estou aqui há pouco mais de um mês e já estou curtindo o final das minhas segundas férias. Nenhum sacrifício, é claro.
Entretanto, estou vivendo um período um pouco diferente, pois na minha nova casa, antes com 5 pessoas, sobraram somente eu e meu novo amigo japonês, NAO (o nome dele é esse mesmo e sem acento). O restante está aproveitando as férias em outros lugares.
Nao está aqui há pouco mais de dois meses. Até que a experiência de ficarmos sozinhos foi muito boa para o desenvolvimento do nosso francês, já que a gente não iria ficar uma semana em silêncio. Conversa vai, conversa vem, um dia combinamos:

#tecla sap#
_ Você faz a cozinha em um dia e eu, no outro. Está de acordo?
_ De acordo!

Assim, um dia eu cozinharia uma comida que eu gosto de comer no Brasil e, no outro ,ele cozinharia a comida japonesa que eu também gosto. Então, tá. (Para os outros dias, a madame já tinha deixado pronto).
Pensei... A minha comida preferida: strogonoff de filé. Mas como a madame Françoise, já havia comprado filé de frango, e sua recomendação final antes de seguir rumo às suas merecidas férias na Espanha foi "cuidado com o desperdício": strogonoff de frango!
Liguei pedindo socorro para meus pais, que são cozinheiros de mão cheia. Não nasci com o dom da minha família, incuindo minhas avós e meus tios e tias, mas sou complementar a eles: eles cozinham e eu como. Mesmo com as devidas instruções, na hora "H" acabei fazendo do meu jeito, com os ingredientes que achei no mercado e aqui.

Instruções:
  • Corte o peito de frango em cubinhos. Tempere e espere pelo menos 40 minutos.

(ops! Não tinha 40 minutos para deixar o frango descansar no tempero porque o Nao tinha compromisso em seguida).

  • Frite o arroz, depois de ter fritado as cebolas e o alho (ok!)

(Ops!)

  • Depois que a carne estiver boa, acrescente o milho e o creme de leite.


Ficou com cara de strogonoff, não ficou? Mas devo alertá-los que o arroz daqui é diferente do arroz do Brasil. Ele é menor e mais redondinho e cozinha mais rápido também. O creme de leite é muito mais aguado. O milho em conserva é mais mole. O saleiro não abre para eu ver a quantidade de sal que está saindo. Não tinha molho inglês. Não deixei o frango temperando por tempo suficiente.
Quando o Nao chegou, eu estava na cozinha desesperada com duas panelas no fogão ( muito para mim), e o som na maior altura, única razão do meu sorriso.


Ele logo foi oferecendo ajuda e ocupando-se com a salada.


Conclusão: o arroz ficou grudento e meio queimado. O strogonoff ficou encorpado, depois que meu pai me deu uma solução on line ("dissolva um pouquinho de maisena ou de farinha"), mas meio sem gosto. Então acrescentei catchup e um molho com mostada Dijon. Acabou ficando doce.


Não tinha batata palha, então foi Pringles triturada na mão mesmo.


Para completar (as pessoas aqui têm o hábito de comer pão com "queijinhos nacionais" depois do prato principal, neste caso, do único), o pão, de tão duro, não teve como ser cortado. (Mas esse não foi eu que fiz).


Não sei o porquê, mas Nao não comeu muito...

Hoje, que foi o dia dele "fazer a cozinha" japonesa. Ele convidou uns amigos, fez entrada, salada, prato principal e seus amigos muito simpáticos trouxeram as sobremesas... Tudo uma delícia!


(Pausa para reflexão...)

Não tenho a quem culpar. Não sei porquê sou assim mas, talvez, cada um tenha a sua função no mundo. A minha, definitivamente, não é "faire la cuisine". Nascida em uma família de cozinheiros, eu como. Morando no país da alta culinária mundial, Je mange.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Joyeux Anniversaire!

Hoje é o aniversário daquela pessoa que está comigo desde que meu corpo era formado por uma célula e 23 + 23 cromossomos... Ela me abrigou durante nove meses. Ela me alimentou, cuidou e cuida de mim até hoje. Esteve sempre ao meu lado, testemunhando e me apoiando em todos os momentos de minha vida. Agora, mesmo com um oceano entre nós, sinto sua presença, compartilho com ela minhas novas aventuras e agradeço, todos os dias, a sua existência.


TE AMO, MÃE!



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"Aquilo"

Bom, hoje eu estava na aula de "Francês Familiar", uma aula, aliás, muito útil para mim, pois existe uma lingua francesa "formal", utilizada para se escrever cartas e falar com pessoas que são, ou mesmo que se sentem, muuuuito importantes e outra língua "familiar", aquela que os mortais utilizam para se comunicar no dia a dia.

O tema da aula era as partes do corpo humano. Então, o professor chamou 3 alunos, que ficaram parados na frente da sala. Iniciou-se uma brincadeira tipo "Macaco disse para colocar as mãos no..." e o professor falava as partes do corpo. (É claro que houve risadinhas entre as brasileiras quando o professor pediu para os alunos tocarem o pescoço, porque a palavra em francês é escrita "cou" e pronunciada sem o "o". Ficamos rindo ao dar asas à imaginação e pensar na colega brasileira pagando o maior mico do ano, rsrsr).

Voltando ao tema da aula... o professor nos ensinou o nome de todas as partes do corpo. Todas não. "Esqueceu-se" de nos dizer o nome dos genitais masculino e feminino. Mas nós, brasileiras que somos, curiosas, participativas e sexualizadas, perguntamos ao professor, em francês ainda falado com muita dificuldade, não pelo tema da pergunta, é claro:
#tecla SAP#
_ E o nome das partes que você não falou? (O professor não entendeu).
_ O nome das partes mais importantes do nosso corpo? (O professor ainda não entendeu).
_ O nome dos genitais? (O professor fechou a cara. Corpo rígido. E respondeu com muita dificuldade, talvez por causa do tema da pergunta):
_ Mas creio que nossas aulas não são para isso. (???)
_ Mas são partes do nosso corpo - argumentamos.
O professor, para dar uma enrolada e pensar no quê fazer, fala para a turma;
_ Vocês estão entendendo o que elas estão querendo saber?

A turma, como de costume, nada responde (90% da turma são alunos chineses. Eles só falam quando recebem uma pergunta direta, assim, olhando no olho e falando o nome. Parece que só as brasileiras têm dúvidas nas aulas).

Uns instantes de silêncio e o professor continua:
_ Elas estão querendo saber coisas para maiores de 18 anos. (!!!)
'Ora bolas'!!! Os genitais 'brotam' nas pessoas quando elas fazem dezoito anos? Como não sabíamos traduzir essa pergunta, simplificamos:
_ Todos aqui têm mais de 18 anos.
O professor fica uns instantes parado, com certeza refletindo. Chega a uma conclusão:
_ Sim, acho importante vocês saberem o nome dessas partes, pois a maioria de vocês vai ficar aqui por mais de 4 meses e pode ser que precise de um médico, de um ginecologista.
Então ele, ainda relutante consigo mesmo, pega o pincel e escreve no quadro:
" Le pénis" e "La vagin". ( Muito fácil, não?!).
Ele pronuncia as palavras e rapidamente as apaga justificando que "não pegaria bem para ele se alguém entrasse lá e lesse as palavras no quadro. O que pensariam que ele está ensinando para os alunos?".


Agora, faço uma pergunta: Eiiimmm? Hellôôôuuuuu!!! 2010! França! Fiquei simplesmente chocada!

Falar ou não os nomes dos genitais sempre foi tema de discussão nos meus cursos para professoras de dança. Sou da opinião de que temos que falar o nome de todas as partes do nosso corpo. E falar da importância de nos respeitarmos, respeitar os colegas, cuidar de todo o nosso corpo que é a nossa primeira casa, etc... E ainda acredito que, se não falamos, ensinamos uma interdição. Ensinamos que são partes inomeáveis, no mínimo.

Fiquei surpresa em encontrar um professor universitário, na França, assim... travado. Mas creio que não é algo geral por aqui. Não acho, de maneira alguma, que seja algo relacionado à idade, pois ele deve ter uns 40 e Madame Françoise, a francesa que me acolhe com muito carinho em sua casa, tem mais de 60 anos e é 10! Ela conversa de todos os temas, é cheia de energia, e até a encontrei no sábado passado em uma festa de música eletrônica em um barco ancorado nas margens do rio (festa badalada e muito boa, diga-se de passagem).


Ontem, ela preparou uma sobremesa super gostosa e interessante chamada " Le riz des amoureux" = o arroz dos amantes.





Um arroz doce, mas sem canela e com gengibre.




#Diálogo com tecla SAP#
_ Por que esse nome, madame? - perguntei.
_ Por que tem gengibre dentro e gengibre é 'verdadeiramente' afrodizíaco.
Estava uma delícia, mas, por via das dúvidas, achei melhor não comer muito. Pedirei à madame para fazer mais um pouco. Vou levar para a aula e compartilhar com meus colegas e com o professor. Quem sabe esse arroz também é bom para a memória, rsrsrsr...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Verdadeiro ou Falso?

No primeiro dia de curso, tive aula da matéria " Culture et Civilization" e a professora nos deu este teste. Pegue uma folha de papel, uma caneta e teste seus conhecimentos a respeito da França.


Vamos ver quantos pontos você consegue fazer:
  1. A escola, na França é obrigatória até os 16 anos.
  2. 25% dos franceses (maiores de 17 anos) têm bacharelado.
  3. As francesas (entre 25 e 34 anos) são "mais diplomadas" que os homens.
  4. Na frança, há 2 milhões de pessoas analfabetas.
  5. Menos de 50% dos franceses trabalham.
  6. A taxa de desemprego na França é de 10%.
  7. Os mais atingidos pelo desemprego são os jovens.
  8. 80% das mulheres que vivem "em casal" trabalham.
  9. A França é o país onde menos se trabalha.
  10. 10% dos franceses saem de férias para o exterior.
  11. Os jovens deixam suas famílias para viverem sozinhos por volta dos 26 anos.
  12. Há atualmente 20 milhões de pessoas com mais de 50 anos (1/3 da população francesa).
  13. 29 anos é a idade média de uma francesa ao ter o seu primeiro filho.
  14. Metade dos casamentos são religiosos.
  15. O número de divórcio dobrou depois de 1980.
  16. 1/3 dos casais se divorcia.
  17. Em 2/3 dos casos, é a mulher que pede o divórcio.
  18. 50% das crianças nascem de casais casados.
  19. Os casais homossexuais não têm o direito de se casarem.
  20. Na França há, oficialmente 3,6 milhôes de estrangeiros.
  21. A maior parte dos imigrantes vêm da África do Norte.
  22. 1/4 dos franceses é de origem estrangeira.
  23. Os imigrantes têm os memos direitos sociais que os franceses.
  24. Os franceses assistem, em média, 3h 30min de tv por dia.
  25. O jornal mais lido pelos franceses é o L'equipe, um jornal sobre futebol.
  26. O orçamento médio de uma família francesa é de 109 euros por dia.
  27. 76% da eletricidade francesa é nuclear.
  28. Na França, há mais de 16 milhões de cachorros e gatos.
Agora, confira as suas respostas: todas são verdadeiras.

E mais algumas curiosidades:

A França tem o record europeu em:
  • consumo de álcool;
  • compras de produtos de beleza e perfumes;
  • número de funcionários públicos;
  • número de acidentes de carro ( podemos associar ao consumo de álcool. Mas, tirando isso, eles são barbeiros demais. Param o carro na rua com uma roda na calçada... Os carros aqui têm a lateral toda detonada. Dá dó!);
  • frequentação das salas de cinema.
A França tem o record mundial em:
  • despesas em medicamento;
  • número de crianças adotadas;
  • número de turistas estrangeiros (são 60 milhões por ano -principalmente em Paris, é claro. Seguindo a fila, encontramos a Espanha, os EUA, a Itália, e a China. Mas uma outra curiosidade é que há uma previsão para a China ocupar o primeiro lugar em 2020).

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nevasca


Hoje vivi um dia muito emocionante. Quando abri a persiana do meu quarto, para minha surpresa, estava nevando. Como meu contato com neve era só através da televisão ou, no máximo, na época de Natal, quando o BH shopping proporcionava à criançada um banho de espuma, hoje me senti mais feliz. Sim. Senti a neve caindo no meu rosto. Peguei na neve. Abri a boca e coloquei a língua para fora e fiquei esperando para sentir o gosto dela também (imaginem a cena...). Fiquei olhando para o céu vendo um espetáculo que, para todos à minha volta, passou desapercebido. Senti-me uma criança. Saí de casa rindo de orelha a orelha rezando para que "São Pierre" aumentasse a intensidade, exagerasse... Bom, acho que também devo aumentar a intensidade da minha reza, porque... dá para ver esses pontinhos brancos no meu gorro? (Não exitem em aumentar a imagem) É neve!!!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

week-end








Fotos do final de semana... Com direito a samba, fanfarra, comidas gostosas, uma cidade linda e muuuuito frio. Tudo bom demais!
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