Responda rápido: a Internet te aproxima ou te afasta das pessoas?
Desde que eu cheguei aqui em Lyon, tenho uma outra relação com meu computador e com a Internet. Em BH, podia passar dias sem me sentar enfrente a uma tela, mas aqui isso é simplesmente impossível! É pela Internet que me comunico com minha família, meus amigos. É graças a ela que posso escrever aqui. É graças a ela e ao Skype que não me sinto tão distante de pessoas que amo e posso ver seus rostos e conversar como se não tivesse um oceano entre nós.
Além disso, a Internet nos permite fazer pesquisas, ver filmes, vídeos, escutar músicas, ler notícias, dar nossa opinião sobre diversos assuntos. E ser estudante universitário aqui só vale se você tiver um computador e se conectar pelo menos 3 vezes por dia, de preferência assim que você se acordar e antes de ir para a aula, pois uma mensagem de que a Universidade estará fechada pode evitar a sua ida em vão à mesma.
Através da Internet podemos também fazer amigos e conhecer o mundo sem sair de casa. Quer coisa melhor que isso? Mas é justamente aqui que está o "X" da questão, o fato de ter acesso às pessoas sem encontrá-las somado ao fato de "conhecer o mundo" sentado na cama com o laptop apoiado na barriga... É meio estranho, não?

O Facebook é um ótimo exemplo desta dicotomia. Criado, em 2004, por estudantes da Harvard, que não imaginavam as proporções que seu invento ganharia, hoje, ele é a maior rede social do mundo. No Brasil, ainda temos o Orkut que divide as atenções dos internautas, mas, em todos os outros países, o FB é o rei! Se você é cadastrado, saiba que é uma das mais de 500 milhões de pessoas que deixam seus rostinhos e informações preciosíssimas das suas vidas para seus "amigos" ou para os "amigos de amigos" ou mesmo para quem tiver interesse ver.

E se você não é cadastrado, ou você é advogado ou afins e não quer produzir prova contra você mesmo, ou você não "entende direito desse negócio de Internet", ou você é uma pessoa muito misteriosa, intrigante...
O que o FB representa hoje em dia, além de ser um grande arquivo mundial de informações pessoais? Representa um lugar virtual, tipo uma praça de uma cidade do interior onde as pessoas costumavam dar uma passadinha antes de voltar para as suas casas e lá conversavam, contavam piadas, olhavam-se, informavam-se, discutiam, brigavam, paqueravam e fofocavam, claro! E, como é um lugar virtual, ele é comum a quem o acessa e, assim, pouco importa se eu estou no Brasil, na França ou em qualquer outro lugar do mundo. O problema disso está quando a pessoa pára de sair de casa e de encontrar os seres do mundo real e passa a ficar sozinha, trancada no seu quarto, conectada à sua imensa rede de amigos...
Dos meus amigos, entrando no FB, obtenho informações importantes ou nulas. Porque há aqueles amigos que nunca se manifestam mas que sabem da vida de todo mundo e, aqueles que curtem, compartilham e comentam tuuuudo. Há aqueles que só escrevem se aconteceu algo interessantíssimo e há aqueles que deveriam pensar pelo menos 10 vezes antes de postar, no seu mural, uma mensagem, via celular, que esqueceu as chaves do carro dentro de casa e que terá que subir de elevador para ir buscá-la e que, provavelmente, por isso, vai chegar tarde no trabalho e vai ter que inventar alguma desculpa esfarrapada para seu chefe idiota. Só que todos os seus colegas de trabalho e, inclusive, seu chefe são seus amigos no FB... Informação inútil! (Qual seria o similar de boca fechada não entra mosquito?)
O tempo que você passa em frente ao seu computador, enquanto não está trabalhando, também é algo que diz da sua forte "conexão"com o mundo e com as pessoas ou diz da sua solidão.

Uma pessoa que, como eu, mora fora do seu país pode cair na armadilha da Internet. Ao mesmo tempo que continua "conectada" com todos os amigos do país de origem, sai menos, deixa menos espaço na sua vida para o novo, para se conectar com pessoas reais. E isso é uma pena, contudo também não é fácil lançar-se no mundo...
De qualquer maneira, dizem que o importante na vida é encontrar um equilíbrio em tudo o que a gente faz. Então, encontrar o equilíbrio, nesse caso, seria saber dosar o tempo que dedicamos aos amigos reais virtualizados, aos amigos virtuais, jamais reais, aos reais reais e, também, à solidão, por que não?