sábado, 27 de novembro de 2010

Neve!!!

A Neve chegou em Lyon! E chegou de mansinho na madrugada do dia 26. Ontem, quando eu acordei pra ir para a aula, abri as cortinas, vi o telhado do vizinho com um colorido diferente. Então, parei. Fiquei olhando, feliz!


A primeira neve do inverno tinha caído enquanto eu dormia. Eu perdi a estréia! Mas ela estava lá, em frente à minha janela, me dizendo que esse era somente o início da temporada.

Aí, fui para Universidade e, quando saí do meu prédio, começou a nevar uma neve bem fininha. Dentro do tram lotado, deixei a minha leitura habitual de lado, para poder admirar a cena. Parecia que só eu que via o que estava acontecendo.

Este é o meu segundo inverno aqui. Meus olhos ainda não se acostumaram com a neve. Acho que, para isso, eles ainda são imaturos, infantis. Talvez, eu toda o seja quando se trata de neve. Não ligo de andar pelo caminho mais longo e sem telhado quando está nevando. Simplesmente, gosto de sentir seu leve peso em mim.

A Neve chegou em Lyon deixando a cidade ainda mais bonita! Ela chegou de mansinho e alcançou o frio cada dia mais frio. As pessoas estão mais elegantes, com seus casacos de inverno, suas botas, cachecóis, gorros, luvas... A França fica muito mais chique assim!

A neve chegou em Lyon e chegou de mansinho mas à tempo para ajudar na decoração de Natal. Dizem que o lyoneses são muito caprichosos e que a cidade fica um encanto! Quero muito ver! Enfeitem tudo! Não se acanhem de exagerar ao máximo este ano! Quero um cenário perfeito! Vai ser o meu primeiro Natal com cara de Natal. E, finalmente, verei um Papai Noel à vontade debaixo de seu figurino do Pólo Norte.

Hoje, quando acordei e abri as cortinas, nevava, e nevava forte. Então, parei. Fiquei olhando, feliz! Voltei prá cama para admirar a cena de camarote vip. Parecia que os flocos tinham vida. Dançavam uma dança improvisada que dependia do tamanho, da leveza, do peso de cada um. O vento dirigia o sentido dos movimentos. Alguns se arriscavam a chegar até o vidro da minha janela. Ficavam grudados. Aos poucos, se derretiam e saiam de cena... Aqui dentro tá quentinho... Levantei só quando a neve parou, não sei porquê, de cair.

Pode cair, neve! Caia à vontade! Que meus olhos nunca "adulteçam" e deixem de perceber este espetáculo! Sou sua fã! Seja sempre bem vinda!


domingo, 21 de novembro de 2010

Em Paris, com o Corpo e a Alma

Para um bom entendedor, um título basta.




























Théatre Champs-Elysées











E para quem não entendeu o título, nem com as dicas das fotos, eu ajudo:

Paris + Amigos muuuiiito queridos + Grupo Corpo = alimento prá minha Alma!

Delícia de final de semana!


sábado, 13 de novembro de 2010

Verdade Universal: só para Mulheres

Este post é dedicado às mulheres de todo o mundo e sua inspiração veio de uma conversa séria, considerada quase que um estudo científico, entre uma brasileira, uma italiana, uma suéca, uma colombiana, uma mexicana e uma chinesa. Espero que estejam sentadas!

Língua oficial: francês
Assunto predominante: relacionamentos (leia-se: homens)

Não! Não saímos juntas para ficarmos falando o tempo todo de homens porque, quando essa mulherada internacional se junta, é para comer e aproveitar a oportunidade para aprender sobre os diferentes países, culturas, políticas, povos. Uma riqueza de conversa!

Ah! Já ia me esquecendo:
Cidade: Lyon, França
Local: restaurante indiano

Falamos muito das nossas experiências de sair do nosso país para habitar a França, com tudo de bom, médio e ruim que encontramos por aqui. Mas todo país tem disso, né, o seu lado bom e o ruim... O Brasil, por exemplo, de povo caloroso, natureza magnífica e cheio de problemas sociais. Pelo que minha amiga fala da Suécia, parece ser um país super desenvolvido, onde as coisas realmente funcionam, onde as mulheres são super amparadas quando resolvem tornar-se mães, mas, segundo ela, lá faz um frio do cão, ou melhor, de pato, para utilizar a expressão francesa. A China, em desenvolvimento acelerado, mas com seus problemas de superlotação, desigualdades e falta de liberdade. A Itália, também maravilhosa, povo alegre, falante, mas está cada dia mais zoneada...

Conversa vai, conversa vem, e o assunto predominante "relacionamentos" vem à tona novamente. Quantas histórias! Se a gente fosse capaz de escutar a experiência narrada por uma pessoa e, à partir daí, aprendesse verdadeiramente e não repetisse os mesmos erros, economizaríamos muitas lágrimas durante a vida. Mas isso não acontece, porque sempre achamos que fazemos parte de uma exceção.

Conclusões: 1) Não existe aprendizado ideal! 2) Infelizmente, há uma ligação entre as palavras amor e dor. 3) Deveríamos ter as ex-namoradas mais como aliadas e não como inimigas, pois é delas que obteríamos verdadeiras referências.

Bom, o encontro foi ótimo, a comida deliciosa e a conversa agradável e instrutiva. E sobre os homens, chegamos à duas duras conclusões:

Primeira: O fator aleatório "homem" não é influenciado pela variável "etiquette" nacionalidade de diversas modalidades (brasileiro, italiano, francês, colombiano, mexicano, chinês, japonês, suéco, americano e espanhol). Logo, a variável dependente "comportamento" não é afetada.

Segunda: (Peço desculpas às mulheres pela franqueza, mas tenho que ser verdadeira assim como meu irmão e meu primo o foram comigo em uma noite de Natal, quando eu tinha 6 anos) Príncipe Encantado, assim como Papai Noel, não existe! E não existe nem no Brasil, nem na China, nem na França, nem nos Estados Unidos, nem na Suécia, nem na Itália, nem na Colômbia, nem no México e nem no Japão!

Conselhos: 1) Aceitar isso como uma verdade mais do que mundial, como uma Verdade Universal. 2) Parar, de uma vez por todas, de sair correndo atrás de sapo. E 3) Não insistir mais nesse assunto!!!

domingo, 7 de novembro de 2010

Só e Conectada

Responda rápido: a Internet te aproxima ou te afasta das pessoas?

Desde que eu cheguei aqui em Lyon, tenho uma outra relação com meu computador e com a Internet. Em BH, podia passar dias sem me sentar enfrente a uma tela, mas aqui isso é simplesmente impossível! É pela Internet que me comunico com minha família, meus amigos. É graças a ela que posso escrever aqui. É graças a ela e ao Skype que não me sinto tão distante de pessoas que amo e posso ver seus rostos e conversar como se não tivesse um oceano entre nós.

Além disso, a Internet nos permite fazer pesquisas, ver filmes, vídeos, escutar músicas, ler notícias, dar nossa opinião sobre diversos assuntos. E ser estudante universitário aqui só vale se você tiver um computador e se conectar pelo menos 3 vezes por dia, de preferência assim que você se acordar e antes de ir para a aula, pois uma mensagem de que a Universidade estará fechada pode evitar a sua ida em vão à mesma. 

Através da Internet podemos também fazer amigos e conhecer o mundo sem sair de casa. Quer coisa melhor que isso? Mas é justamente aqui que está o "X" da questão, o fato de ter acesso às pessoas sem encontrá-las somado ao fato de "conhecer o mundo" sentado na cama com o laptop apoiado na barriga... É meio estranho, não?

O Facebook é um ótimo exemplo desta dicotomia. Criado, em 2004, por estudantes da Harvard, que não imaginavam as proporções que seu invento ganharia, hoje, ele é a maior  rede social do mundo. No Brasil, ainda temos o Orkut que divide as atenções dos internautas, mas, em todos os outros países, o FB é o rei! Se você é cadastrado, saiba que é uma das mais de 500 milhões de pessoas que deixam seus rostinhos e informações preciosíssimas das suas vidas para seus "amigos" ou para os "amigos de amigos" ou mesmo para quem tiver interesse ver.

E se você não é cadastrado, ou você é advogado ou afins e não quer produzir prova contra você mesmo, ou você não "entende direito desse negócio de Internet", ou você é uma pessoa muito misteriosa, intrigante...

O que o FB representa hoje em dia, além de ser um grande arquivo mundial de informações pessoais? Representa um lugar virtual, tipo uma praça de uma cidade do interior onde as pessoas costumavam dar uma passadinha antes de voltar para as suas casas e lá conversavam, contavam piadas, olhavam-se, informavam-se,  discutiam, brigavam, paqueravam e fofocavam, claro! E, como é um lugar virtual, ele é comum a quem o acessa e, assim, pouco importa se eu estou no Brasil, na França ou em qualquer outro lugar do mundo. O problema disso está quando a pessoa pára de sair  de casa e de encontrar os seres do mundo real e passa a ficar sozinha, trancada no seu quarto, conectada à sua imensa rede de amigos...

Dos meus amigos, entrando no FB, obtenho informações importantes ou nulas. Porque há aqueles amigos que nunca se manifestam mas que sabem da vida de todo mundo e,  aqueles que curtem, compartilham e comentam tuuuudo. Há aqueles que só escrevem  se aconteceu algo interessantíssimo e há aqueles que deveriam pensar pelo menos 10 vezes antes de postar, no seu mural, uma mensagem, via celular, que esqueceu as chaves do carro dentro de casa e que terá que subir de elevador para ir buscá-la e que, provavelmente, por isso, vai chegar tarde no trabalho e vai ter que inventar alguma desculpa esfarrapada para seu chefe idiota. Só que todos os seus colegas de trabalho e, inclusive, seu chefe são seus amigos no FB... Informação inútil! (Qual seria o similar de boca fechada não entra mosquito?)

O tempo que você passa em frente ao seu computador, enquanto não está trabalhando, também é algo que diz da sua forte "conexão"com o mundo e com as pessoas ou diz da sua solidão. 

Uma pessoa que, como eu, mora fora do seu país pode cair na armadilha da Internet. Ao mesmo tempo que continua "conectada" com todos os amigos do país de origem, sai menos, deixa menos espaço na sua vida para o novo, para se conectar com pessoas reais. E isso é uma pena, contudo também não é fácil lançar-se  no mundo...

De qualquer maneira, dizem que o importante na vida é encontrar um equilíbrio em tudo o que a gente faz. Então, encontrar o equilíbrio, nesse caso, seria saber dosar o tempo que dedicamos aos amigos reais virtualizados, aos  amigos virtuais, jamais reais, aos reais reais e, também, à solidão, por que não?


domingo, 31 de outubro de 2010

Overdose de Amor e Pão de Queijo

É tão difícil escrever sobre meus últimos 12 dias...

Pela primeira vez na minha vida, fui turista em BH. Cheguei de férias no final de outubro e encontrei minha família e amigos iniciando a loucura de final de ano. Ótimo! Pude participar do cotidiano deles e matar saudades da minha rotina de vida no Brasil. Tem gente que detesta rotina, mas eu não, adoro! E adorava minha rotina aqui porque sou uma pessoa privilegiada: tenho uma família maravilhosa, tenho muuuuitos e verdadeiros amigos e trabalho por amor e com paixão.

Vim para BH porque estava com saudades e precisava recarregar as baterias e me preparar para o longo inverno de Lyon. Precisava sentir o calor daqui. Precisava rever os rostos familiares de pessoas que amo. Precisava ter de novo a sensação de dominar um território, de dominar as regras sociais, de dominar uma língua, sem fazer nenhum esforço.

Desde que cheguei no aeroporto a sensação foi de ter chegado em casa! Respirei aliviada! Meu mundo conhecido! O que mudou na minha cidade natal? Quase nada, a não ser que agora a capital dos barzinhos tem sua vida noturna alterada por uma lei que impede que a gente tome uma cervejinha com um tira gosto sentados em uma mesa na calçada, depois das 23 horas. Menos barulho para a vizinhança, claro, mas também menos dinheiro circulando, menos diversão para os belorizontinos e turistas (que vão vir fazer o quê aqui?).

Depois desses 9 meses em terras longínquas, tempo simbólico de uma gestação, o que mudou em mim? Meu mundo foi ampliado. Conheci outros países, cidades, culturas, pessoas, histórias. Quantas pessoas você conheceu de janeiro para cá? Eu conheci mais de uma centena e vindas dos quatro cantos do mundo. Isso é um tesouro para mim!

Morar em outro país está longe de ser algo fácil. É uma escolha que nos faz abrir mão do convívio com pessoas queridas, de seguranças, confortos, para nos depararmos com um desconhecido. Às vezes é angustiante, mas, ao mesmo tempo, é muito enriquecedor! Novas possibilidades surgem em nossas vidas e as experiências nos fazem crescer de uma maneira única.

Sempre agradeço por estar tendo essa oportunidade. E o que me dá forças para continuar meu caminho é o amor das pessoas especiais da minha vida. Tinha fome e me nutri com uma overdose deliciosa de amor e pão de queijo. Merci!



Ps.: Mais difícil que escrever sobre isso é encontrar-me com todas as pessoas que eu gostaria e postar todas as fotos que tirei... Dias intensos e maravilhosos! Au revoir et à bientôt!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Era uma vez...

Era uma vez, em um país muuuiiito distante, um povo que vivia com a intenção de ser feliz. Mas a felicidade deles, há muito, estava sendo ameaçada. 


Eles haviam pequenas e grandes insatisfações, tais como: a alta da inflação e das taxas de aluguel e de desemprego.

O povo estava cada dia mais preocupado com a falta de segurança, com a desigualdade social crescente e com a qualidade da saúde e da educação que diminuía.


Eles estavam insatisfeitos também com a política do governo que beneficiava milionários, congelava salários e desprotegia os trabalhadores com mais de 50 anos de idade.


Cansados de só reclamar, um dia, eles, juntos, saíram do conforto de suas casas para dizer:
_  Basta! Ça suffit!






"ET VIVE LA FRANCE!"




(Lyon, 19 de outubro de 2010)


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A França, a Greve

Quando eu cheguei aqui, ouvi falar que francês ama 4 coisas: pão, queijo, vinho e greve. Até a semana passada, só havia compartilhado dos três primeiro ítens da lista. Não que não tenha tido greves durante o ano, mas elas não haviam me atingido até então, não tinham me feito andar muitos kilômetros à pé para voltar para casa.

A França vive a eminência de uma Greve Geral. Os movimentos sindicais franceses são fortes, os estudantis, também. À eles são somadas as vozes da população, que confirmam, em coro, que a união faz a força.

Domingo, apesar do frio (parece que pulamos o outono e caímos diretamente no inverno), o barulho da multidão que estava nas ruas me fez deixar os livros de lado e sair de casa. E ainda bem que o fiz. A um quarteirão da minha casa, deparei-me com estas imagens:





Fiquei, sinceramente, emocionada. A população saindo de casa para protestar, para lutar por seus direitos. Famílias na rua, num frio de 8 graus, para dizer:

"Não mexam na minha aposentadoria!"
"Deixem meu pai descansar! Eu pago por ele!"
"Nem reforma , nem emenda!"
"Mudança na Aposentadoria? INACEITÁVEL!"

A última vez que vivi algo parecido foi no início da minha adolescência. Faço parte da geração "cara pintada" que foi ao centro de Belo Horizonte dizer SIM ao Impeachment. Confesso que na época não tinha noção de que estava fazendo história. Mas foi tão boa a sensação!

Contudo, quase duas décadas se passaram. E eu, minha geração e a grande maioria da população nos acomodamos. Ficamos, nós, brasileiros, reclamando em frente à televisão, nas rodinhas de família, amigos mais íntimos, evitando muita polêmica, para não criar desafetos, e, quando muito, assim como eu, em  frente ao computador.

Aqui, não. Aqui o pessoal está nas ruas. O clima anda tenso. Vozes em alto falantes convidam as pessoas para aderir a uma Greve Geral. Os estudantes estão na ativa, fazendo protestos e, na maioria das vezes, perdem o controle. Infelizmente, há depredação do material urbano e pedras e garrafas são lançadas contra os tiros de flashball e bombas de gás lacrimogênio.

Toda essa mobilização é para impedir a Reforma da Aposentadoria. Hoje em dia, a idade legal para se aposentar é 60 anos. Com a reforma, aconteceria uma aumento anual progressivo da idade limite, o que faria com que, em 2018, as pessoas se aposentassem aos 62 anos. Eles estão lutando hoje, agora!

Razões para querer a reforma, o governo tem de sobra: a França é um país onde 1/3 da população tem mais de 50 anos. Entretanto, segundo os franceses, essa reforma não é a solução. Então, a  população se une, faz a força e grita forte:

"NON!"

Ô gente, nem uma pontinha de inveja? Um incômodo? Uma vontade de mudar? A gente pode! Vamos?!
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