domingo, 23 de janeiro de 2011

Em Barcelona

Não, gente! Não estou em Barcelona. Estou em Lyon mesmo. Hoje é domingo e a temperatura lá fora é de -3 graus. Até que tem um solzinho enfeitando o céu azul, entretanto, com o vento forte e incessante, a sensação térmica é de inverno russo. Para aquecer, só mesmo ficando em casa com as janelas super fechadas, aquecedor ligado, chás, sopas... Não sei porquê, mas me lembrei do meu super verão e me dei conta de que ainda não tinha escrito sobre ele.

No início de agosto de 2010, verãozão na Europa, fui passar 10 dias na capital da Catalunha. Barcelona, a segunda maior cidade da Espanha, a primeira é Madri, é situada à nordeste da península Ibérica, banhada pelo Mar Mediterrâneo.


Maior centro industrial do país, Barcelona possui o maior porto do Mediterrâneo. A língua oficial da região é o catalão, mas eles falam igualmente espanhol e qualquer outra língua que o turista quiser falar. Para ser a sede dos jogos Olímpicos de 1992, ela passou por várias transformações e ganhou grande projeção internacional.

Parque Güel

Ela é o primeiro destino turístico da Espanha, mas também não é por menos... É uma cidade simplesmente maravilhosa, a mais feminina que eu já visitei na minha vida. Linda, colorida, cheia de curvas,  de verdes, de gente simpática vinda de todo o mundo.

Ela foi musa inspiradora de muitos artistas que nela deixaram suas contribuições. Lá você encontra o Museu Pablo Picasso, a Fundação Joan Miró e Antoni Tapies. E pela cidade, você encontra as obras do Arquiteto Antoní Gaudi dentre tantos outros.


La Pedrera
Sagrada Família












O bom de Barcelona é você sair à pé e se deixar perder pela cidade, seja de dia ou à noite. Você encontrará desde Ruínas Romanas e um bairro Gótico, até bairros do Modernismo Catalão.

Com as altas temperaturas, as praias, que se diferenciam de acordo com o público que as frequentam, estavam lotadas, o sol incansável e a água sempre fria.

Para a night, programa é o que não falta. Dez dias é pouco para conhecer uma cidade tão maravilhosa e rica culturalmente.

La Ramba é o lugar mais frequentado da cidade pelo turista, uma passarela cheia de gente, comércios, bares e restaurantes. Falando nisso, impossível não provar uma paeja, né? A não ser que você tenha alergia a camarão, como eu.

Mas para falar a verdade, o lugar que mais gostei de comer foi no Mercado La Boqueria.


Entrei e me senti no Mercado Central de BH. Lá eles servem tapas deliciosos. O difícil é sair de lá!










Se você também quer fazer turismo nos arredores de Barcelona, a cidade de Tarragona é uma excelente opção e considerada patrimônio histórico pela Unesco. Lá você se encanta com os monumentos romanos, com os cenários de filmes espanhóis e com a água cristalina do mar.























Já a cidade de Sitges, é considerada o paraíso dos homossexuais, deve ser por isso que havia tantos por lá. Todo mundo em harmonia curtindo o sol e a prainha gostosa. Diversão garantida!










Na nossa volta para a França, ainda fizemos uma parada na cidade de Figueres para conhecer o Teatro-Museu de Salvador Dalí. É uma parada imperdível!!!


O bom de morar na Europa, e ter muitas férias, é que você pode visitar essas cidades com calma. Viajar de carro é muito bom para conhecer melhor as paisagens e, além disso, o fato de você sair de Lyon e, depois de apenas 6 horas, chegar em Barcelona ajuda muito, né?! Voltarei com certeza!!! Barcelona é uma cidade que eu gostei tanto  que me deu mesmo foi vontade de morar lá! Quem sabe?

Bom, dizem que recordar é viver (o que aprendi que não é inteiramente verdade), mas voilà... Dei até uma esquentadinha...


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Sistema de Ensino Francês: verdades para quem quer ler e enxergar


Sobre meus óculos, a "Alegoria da Caverna" e o Sistema de Ensino na França:



Há um mês uso óculos. "Astigmatismo" foi o diagnóstico que o médico deu para o meu enxergar meio embaçado, sem foco preciso, segundo ele. Leitura Corporal à parte, o fato é que não percebia que estava com algum problema. Só fui convencida dele quando coloquei meus óculos pela primeira vez. A sensação que tive foi que a imagem ao meu redor de 4 megapixels tinha passado para 18. Tudo tem um contorno definido! O mundo ficou mais nítido! Adaptei-me instantaneamente às minhas novas lentes.

Mais focada e aqui em Lyon, preparei-me para a minha semana intensa de provas. Muita matéria, leituras, exercícios... Nada em português. Quando a tão "esperada e temida" semana dos alunos chegou, em um dia, tivemos 3 provas dissertativas, com um intervalo de 10 minutos entre elas: uma às 8hs, outra às 10hs e a última às 12 horas! Meu cérebro conseguiu descansar só 3 dias depois...

Minha fase de enamoramento com a França e seu Sistema de Ensino acabou aqui! Não é nada grave, nada que me faça mudar de planos. É simplesmente o efeito dos meus óculos e da nova capacidade de enxergar o mundo mais nitidamente.

Tudo isso me faz lembrar do texto da "Alegoria da Caverna", onde Platão, o filósofo e autor, nos faz imaginar uma situação na qual seres humanos, que nasceram dentro de uma caverna, lá viviam suas vidas acorrentados. Eles, sempre de costas para a abertura da caverna, só enxergavam as sombras das pessoas que viviam do lado de fora, assim como, escutando as suas vozes, pensavam que eram os sons produzidos pelas mesmas. Para esses seres humanos de Platão, a realidade era a sombra. Ele pede para seu leitor imaginar o que aconteceria se um deles se libertasse das correntes e fosse para o exterior da caverna, ao encontro da luz. Ele veria a real realidade. Quais riscos ele correria se resolvesse voltar para dentro da caverna e dissesse para seus companheiros que aquela realidade das sombras não era a verdadeira? Seria ignorado? Tido como mentiroso? Louco? Seria perseguido e morto? - É o tipo de texto que nos ajuda a refletir diante de muitas situações da nossa vida...

Não sei como vou explicar isso à vocês, mas, infelizmente, acho que a Universidade francesa enxerga sombras e jura que é a única realidade possível. Minha angústia a esse respeito cresce não só porque agora sou uma estudante desse Sistema, mas, principalmente, porque sou uma estudante de mestrado em Psicologia Cognitiva e Neuropsicologia. Estudo o cérebro a fundo, as funções cerebrais, tim-tim por tim-tim. Estudo às disfunções, doenças, demências. Mas o que me deixa muito feliz é estudar as funções cerebrais no enfoque da aprendizagem e de sua potencialização.

Dentro dos laboratórios da Universidade, quando vamos fazer uma pesquisa, procuramos identificar os fatores que podem alterar o resultado e, na medida do possível, controlá-los. A Universidade aqui de Lyon é uma referência mundial em pesquisas nesta área. Estuda-se muito sobre a memória, as bases dos processos de aprendizagem e, consequentemente, do processo de educação. Muitas das teorias que estudamos no Brasil saem daqui, quentinhas, diretamente do forno.

Entretanto, a França, muitas vezes considerada o país das incongruências, faz jus à sua fama e peca ao deixar as teorias dentro dos livros e bem longe da prática. Porque eu pergunto: alguém tem dúvida que a minha capacidade cognitiva durante a terceira prova estaria prejudicada? E a capacidade do aluno que foi mal na primeira prova e que teve 10 minutos para respirar antes de começar a segunda? Isso sem pensar na terceira, quando eu já estava até vesga. E quem estava com vontade de ir no banheiro?

Nas provas dissertativas não é só o conteúdo que é avaliado, mas também a maneira como você consegue fazer uma ligação entre fatos, causas e efeitos, a maneira como expressa suas idéias, considerando inclusive o domínio da língua escrita. Alguém duvida que uma estudante estrangeira que estuda francês há um ano poderia ter mais dificuldades para desenvolver suas idéias? Nada dessa breve análise superficial é levado em consideração, nem mesmo por meus professores, grandes experts nesses assuntos...

O exemplo da minhas 3 provas durante uma manhã é um dentre váaaaaarios que poderia citar e é por isso que considero a França como o país da gastronomia "do conhecimento sobre educação". A "cozinha" é a Universidade, mais especificamente os departamentos envolvidos nas pesquisas das Ciências Cognitivas. Comidas saborosas, nutritivas e novas receitas saem daqui. O problema todo é que grande parte da nação e meus professores vivem de regime! Não aproveitam aquilo que produzem. Êta desperdício!

E se eu questiono, reclamo e digo a meus colegas ou professores que há uma realidade diferente das sombras, uma realidade onde a flexibilidade e a criatividade e o contato humano são essenciais, poucos são aqueles que acreditam nessa luz. Da maioria, recebo sorrisos amarelos bem amarelos. É o lado ruim de se ter uma longa história onde as pessoas se acorrentam em tradições inúteis.

Há mais ou menos 2 anos, houve uma greve de professores aqui, de pessoas que enxergavam o que eu estou enxergando só agora, mas que foram vencidos por seus colegas e alguns governantes, acomodados demais para querer ter o trabalho de mudar. Ainda bem que esses primeiros existem. Que eles não desistam da necessária mudança! Ainda tenho esperança!

A verdade é que me decepcionei, mas só na minha cabeça é que algum dia existiu uma França "ideal", ou na sua também? Na "real", estou aqui para estudar, então, estudo e muito! É meu foco. Aqui tem comida boa, tenho fome e vou me nutrir. Agora, se tem gente que quer viver de regime ou de baguette...


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

BH - Lyon: a aventura da volta prá maison!

Acabaram minhas curtas férias em BH. O jeito foi voltar para Lyon e me preparar para enfrentar uma semana de muito estudo antes das provas finais do primeiro semestre do mestrado. Entretanto, há um oceano que separa essas duas cidades e para sair de uma e chegar na outra, o melhor é pegar um avião, a melhor (?) opção!

Nem preciso falar que, no dia 3 de janeiro, o aeroporto de Confins estava lotado... Peguei um vôo da TAP que sai de Belo Horizonte e vai até Lisboa. Começamos bem, com 2 horas de atraso, para deixar o solo brasileiro. Mas eu deveria ter aproveitado mais o conforto da sala de embarque...

Desta vez dei o maior azar e meu assento foi aqueles bem no meio do avião. Quem já viajou num desses lugares sabe o que eu passei...


Sabe o que é entrar no avião e passar pela primeira classe, pela classe executiva e se dirigir pro fundão. Lá, se o passageiro da frente já chega e inclina a poltrona para trás, ela passa a ficar a dois palmos do seu nariz, não porque ela inclina muito, mas porque todo mundo está muito próximo mesmo. (Aliás, se a poltrona inclinasse de verdade, nossa cabeça não ficaria caindo para frente enquanto a gente cochila...)

Bom, mas nem cochilar direito eu pude, pois, para piorar a situação, viajei prensada entre um português tagarela e uma brasileira um pouco acima do peso e muito espaçosa... A temperatura era inspirada no Pólo Norte. O jantar, servido às 3 da manhã, foi um frango cru com quiabo e angu servido na marmita de alumínio frágil (cuidado!), que esfriou rapidinho. Tudo sem sal e com muita turbulência... O jeito foi tomar um dramin e rezar.

Chegando em Portugal, por causa do atraso, eu tinha exatos 32 minutos para sair do avião e entrar no que me levaria à Lyon. Mas, eu estava na turma do fundão e, quando a gente tem pressa, aparece um tanto de lesma na nossa frente. Não só lemas, mas também uma fiiiiiiiiiiiiiiila para passar pela alfândega. Se fosse enfrentar a fila, adeus conexão! O jeito foi passar óleo de peroba na cara e caminhar a passos firmes por entre as pessoas tão decididamente que elas nem puderam questionar minha ação. Para um único olhar de buldogue que me fritou, uma resposta: "última chamada para meu vôo!"

Então, a fila de detector de metais. Já não viajo com cinto para não ter o trabalho de tirá-lo, mas meu i-poid, esquecido dentro do bolso da calça, acionou o alarme, que acionou uma segurança que me revistou demoradamente. "É meu i-poid!" Então, ela o pega e o joga de qualquer jeito dentro de uma bacia, mas um fone cai prá fora e fica preso na lateral da esteira que trava. Esteira prá frente, prá trás, prá frente, soltou! Saio correndo igual à uma louca procurando o portão de número 11. Fico feliz ao ver o finalzinho da minha fila com destino à Lyon!

Ofegante e triunfante entrego meu cartão de embarque.
_Estavas em qual vôo, senhorita?
_No que veio de Belo Horizonte.
_Ele se atrasou?
_Duas horas.
O funcionário olha sério para a tela do computador.
_A senhorita perdeu seu lugar neste vôo. A companhia aérea vai tentar te recolocar no vôo noturno e localizar sua bagagem.

Ops! Calma lá! Vôo noturno = (7 horas de espera em Lisboa + chegar em Lyon e não conseguir pegar mais o trem para o centro da cidade + desembolsar 70 euros de taxi) x TENTAR!!!

Aprendi, neste final de semana, que nessas horas a gente tem que rodar a baiana, mas eu estava sem forças e com muita dor de garganta. As palavras ditas em português de Portugal foram como um balde de gelo... Já que não conseguia armar um barraco, o jeito era usar meus dons de atriz. Então, olhando bem nos olhos do funcionário, comecei a chorar:
_ Eu não posso perder esse vôo... Amanhã de manhã eu tenho prova... Eu tô doente e meus remédios estão dentro da minha mala... Eu não conheço ninguém aqui... Como eu vou fazer?

E parece que o portuga se comoveu com minhas lágrimas de crocodilo:
_Não precisa chorar, senhorita. Espere!
Ele dá uma olhada no computador enquanto enxugo meu rosto. Ele rabisca o número do meu assento e escreve outro.
_Pronto! Podes embarcar!
_Muito obrigada! - E passo correndo pelo corredor, já vazio, que liga o saguão ao avião.

A aeromoça me recebe com um sorriso e me indica o lugar da minha poltrona:
_Fica neste corredor à direita, antes da cortina.
Antes da cortina? Fui me aproximando... Isso quer dizer que não há uma cortina que me separa da primeira classe? Sim! Não havia! Eu estava na Primeira Classe!

Champagne? Claro, obrigada! Bacalhau grelhado ao molho de abacaxi com um delicioso risoto? Bien sûre, merci! Ainda mais com louças, talheres e taças de verdade. Alguma revista, jornal? Não, obrigada! Depois de "encher a barriga", só mesmo reclinar a poltrona individual, sem ninguém ao meu lado, fazendo-a virar uma cama... Um luxo! Pena que Lisboa seja tão pertinho de Lyon!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Vem nimim 2011!!!

Último dia do Ano. Impossível não reservar um tempinho para escrever o meu último post de 2010. Estou no Brasil, de férias em BH. Destino um pouco estranho porque nesta época a cidade fica mais vazia e tem a bendita chuva que vai me impedir de chegar morenassa em Lyon...

Entretanto, estou aqui mesmo é para aproveitar a companhia da minha família e amigos. Acaba sendo uma curta viagem, meio terapêutica, para tomar um fôlego e seguir em frente... Digo "meio terapêutica" porque todo mundo quer saber da minha vida na França. Então falo muuuiiiito deste ano que chega fim e acabo relembrando grandes momentos e fazendo muitas elaborações.

Nossa!!! Vivi uma vida em 2010! Com certeza foi o meu ano mais intenso! Cheguei em Lyon como um bebê que não sabia falar, que não conhecia ninguém e praticamente nada neste novo velho mundo. Início difícil... Contudo, perseverança é uma palavra que sempre me acompanha. Curti muito a minha infância. Tive lá minhas dificuldades mas, ao menos, já estava cercada de pessoas especiais que me davam várias mãozinhas, facilitando a minha caminhada. Minha juventude foi marcada pela entrada no mestrado e em quatro meses atingi a idade adulta. Adultecia, ou adultecia, não tinha outra escolha não. Bom, agora posso dizer que "lá" tenho quase a idade que tenho "aqui". Falta pouco.

Conheço muito mais do que eu conhecia do mundo, muito mais do que conhecia do meu Brasil e muito mais do que conhecia de mim mesma. Aprendi mais sobre as pessoas e amadureci.

Aqui no Brasil, no dia 26 de dezembro, estava conversando pelo telefone com uma amiga de Lyon e surgiu o assunto de um livro que eu escrevi em 2006, chamado "A Viagem de Luzia" que serviu como tema do festival infantil da escola Primeiro Ato Centro de Danças. Ele não foi publicado, mas a história foi lida por mais de 400 pessoas que a receberam pela internet. Luzia, uma menina, se encontra diante de uma dificuldade "X". Como solução do seu problema, constrói uma nave espacial e vai buscar no Universo um mundo melhor para ela viver. Ela vive grandes aventuras em muitos mundos do Universo Infantil até encontrar o ideal, que não é perfeito, mas que é o mais importante para ela.

Manifestação de um sábio inconsciente, a história não é tão infantil, mas sim, atemporal. Porque nós, seres humanos, somos assim: pensamos que o Mundo Ideal está fora de nós, está lá longe, em uma outra cidade, um país diferente, uma profissão diferente, uma família diferente, em uma vida que não é a nossa, mas que se assim o fosse, encontraríamos a felicidade plena e todos os nossos problemas estariam acabados. Grande ilusão! Só mesmo a maturidade para desembaçar as nossas vistas...

Voltando ao dia 26 de dezembro, ao acabar de falar com minha amiga e lhe enviar o texto do livro por e-mail, o interfone toca. Era o carteiro com uma caixa para mim. Para a minha surpresa, uma outra amiga me presenteou com um primeiro exemplar do meu livro! (Muito Obrigada, Fer!!!)


Último dia de um intenso ano cheio de emoções, último post... Depois deste 2010 de "EU no Mundo" ficam mais claros para mim meus objetivos de vida, o "onde quero chegar". Estou plantando e curto muito este momento, mas, como minha Luzia, consegui enxergar qual é o mundo mais importante para mim.


Neste novo ano de 2011, desejo a todos vocês saúde, sonhos, vista desembaçada, muita energia, coragem e realizações. Tudo isso no meio de muito amor, claro!

Um Feliz Ano Novo para todos nós!

Vem "nimim" 2011!!!




sábado, 4 de dezembro de 2010

A Luz dos Lumières

Vou contar uma história que escutei aqui:

Era uma vez, um pai chamado Antoine, fotógrafo por profissão, que mudou-se com a família para Lyon em 1870. Esse Antoine era um homem meio diferente. Sabem aquele tipo de pessoa inquieta, com um pé no presente e outro no futuro e que quer achar solução prá tudo? Pois é, ele era assim. Ele era inconformado com o fato de seus clientes terem que ficar imóveis durante 3 minutos para que ele pudesse tirar uma fotografia. Imaginem só o que era ficar 3 minutos sem se mexer... Nada de sorrisos, de inclinacão dos olhos, de posturas ousadas... Devia ser um martírio para as crianças da época. Além disso, somente os ricos tiravam fotos pois o material utilizado era caríssimo.

Como Antoine tinha dois filhos, o Auguste e o Louis, ele resolveu pedir ajuda aos jovens para encontrar a solução para esse problema. E não é que os espertinhos encontraram! Eles criaram a tecnologia da foto espontânea, a partir de uma placa que passou a ser vendida por um preço mais acessível nas farmácias das cidades.

(Sem a invenção deles, essa minha foto, tirada, no paraíso da vila de Caraíva, pelo meu amigo Leo, seria impossível!)

Nem preciso falar que o produto bombou de vender, né? Toda a família Lumière começou a trabalhar na confecção da placa. Depois, criaram uma usina na região de Monplaisir, aqui em Lyon. No terreno da usina, além dela, havia a casa deles e uma creche para acolher os filhos dos funcionários.

Isso, da criação da creche, foi algo inovador, assim como a criação do princípio da aposentadoria dos trabalhadores. E dentro da casa deles, naquela época, eles já fizeram todas as instalações  de eletricidade e havia também um telefone, o terceiro da cidade. Porque havia um telefone se era o terceiro? Não sei! Talvez fosse coisa de gente que tá no presente mas que é do futuro, porque, na prática, eles tinham a opção de conversar ou com o hospital ou com a central de polícia...

As invenções dos Lumières só estavam começando. Eles viveram em uma época que as pessoas ficaram loucas para inventar o cinema. Então, os irmãos se basearam num princípio óptico, o da persistência da visão, que diz que quando vemos um objeto, a sua imagem permanece na retina  por frações de segundo após a  sua percepção. O olho humano seria capaz de enxergar uma imagem continua se visse várias imagens projetadas com uma velocidade superior a 16 imagens por segundo. Então, eles inventaram uma câmera, que se tornaria filmadora, pois era capaz de tirar 17 fotos por segundo. Disseram-me que as atuais trabalham com uma velocidade de 24 imagens por segundo.

O problema é que não era algo automático, como o é nos dias de hoje. O câmera men tinha que ficar rodando uma manivela numa mesma velocidade. Sabe a técnica que eles utilizavam? Cantavam uma marcha que os ajudavam a manter  o movimento constante.

E  com a inversão do princípio de uma invenção de Leonardo da Vinci (la chambre noir), eles inventaram um projetor. Pronto! Inventaram o cinema!

Aí começaram a fazer filmes de imagens do quotidiano como: "A saída da Usina", "O jardineiro", "A refeição do Bebê", "A Praça de Cordeliers em Lyon", etc.

Mas eles se enganaram ao pensar  que esse "negócio de cinema" seria diversão apenas para as crianças. No dia da primeira projeção, havia 33 pessoas interessadas em ver essa invenção. No segundo dia, 5.000!!! E a paixão por esta arte continuou crescendo, crescendo, crescendo...

Enquanto isso, eles começaram a dar aulas de filmagem, contrataram uns alunos e os enviaram, esses primeiros cineastas, a 34 países para registrar imagens e mostrar o mundo ao mundo! Gente, que idéia sensacional! Foi o início da globalização!

Com relação às filmagens, eles perceberam que filmar  utilizando o ângulo da diagonal era melhor para mostrar o movimento, e que podiam colocar a câmera em lugares inusitados, como em uma carroça em movimento, por exemplo. Então, eles fizeram 1700 filmes que passaram a ser projetados em salas dos 4 cantos do mundo.

Merci, frères Lumières! Fotografia e cinema? Merci beaucoup!!!

Mas as invenções deles não páram por aí. Para dar alguns poucos exemplos, eles também inventaram a fotografia a cores, a radiografia, prótese de mão, super útil nos tempos de guerra, assim como o esparadrapo.


Os irmãos Lumières fizeram um pacto de que tudo o que eles inventassem, mesmo que separadamente, fosse creditado aos dois, reafirmando a cumplididade fraternal. Foram pessoas especiais que procuravam problemas, não para reclamar deles, mas para criar soluções. Filhos do grande incentivador Antoine, eles nasceram inventores. Foram pessoas iluminadas e muito inquietas que não podiam esperar.

Aqui em Lyon, você pode visitar o Instituto Lumière. Fiz esta visita na época da Journée do Patrimônio e amei! Aprendi isso tudo lá! (25, rue du Premier-Film / metrô D: Monplaisir-Lumière).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Morando em um Freezer

Gente,
Ontem à tarde, eu estava na aula, no meio da minha primeira apresentação, quando começou a nevar. Ao voltar para a casa, o tram teve que parar no começo do caminho porque a pista estava interditada por causa da neve. Resultado: caminhada de 6 kilômetros no meio de uma nevasca... Amei!!! Só que desta vez, a neve estava super à vontade e continuou caindo durante a noite inteira. Resultado: aulas de hoje, canceladas... Amei!!! Não porque fiquei sem aula, afinal de contas, estou aqui prá isso, mas o que acontece é que agora os dias estão super curtos. Tem amanhecido quase às 8 e anoitecido às 17 horas, justamente o tempo que fico na Unversidade.
Então, hoje, aproveitei o dia para andar pelas ruas e registrar a belezura desta cidade, transformada em um freezer da noite para o dia. Amei!




























Adivinhem quem virou alvo depois da foto?

Cette photo est dédiée à Marrrriná

Agora está do jeito que eu gosto! Merci, São Pierre!

sábado, 27 de novembro de 2010

Neve!!!

A Neve chegou em Lyon! E chegou de mansinho na madrugada do dia 26. Ontem, quando eu acordei pra ir para a aula, abri as cortinas, vi o telhado do vizinho com um colorido diferente. Então, parei. Fiquei olhando, feliz!


A primeira neve do inverno tinha caído enquanto eu dormia. Eu perdi a estréia! Mas ela estava lá, em frente à minha janela, me dizendo que esse era somente o início da temporada.

Aí, fui para Universidade e, quando saí do meu prédio, começou a nevar uma neve bem fininha. Dentro do tram lotado, deixei a minha leitura habitual de lado, para poder admirar a cena. Parecia que só eu que via o que estava acontecendo.

Este é o meu segundo inverno aqui. Meus olhos ainda não se acostumaram com a neve. Acho que, para isso, eles ainda são imaturos, infantis. Talvez, eu toda o seja quando se trata de neve. Não ligo de andar pelo caminho mais longo e sem telhado quando está nevando. Simplesmente, gosto de sentir seu leve peso em mim.

A Neve chegou em Lyon deixando a cidade ainda mais bonita! Ela chegou de mansinho e alcançou o frio cada dia mais frio. As pessoas estão mais elegantes, com seus casacos de inverno, suas botas, cachecóis, gorros, luvas... A França fica muito mais chique assim!

A neve chegou em Lyon e chegou de mansinho mas à tempo para ajudar na decoração de Natal. Dizem que o lyoneses são muito caprichosos e que a cidade fica um encanto! Quero muito ver! Enfeitem tudo! Não se acanhem de exagerar ao máximo este ano! Quero um cenário perfeito! Vai ser o meu primeiro Natal com cara de Natal. E, finalmente, verei um Papai Noel à vontade debaixo de seu figurino do Pólo Norte.

Hoje, quando acordei e abri as cortinas, nevava, e nevava forte. Então, parei. Fiquei olhando, feliz! Voltei prá cama para admirar a cena de camarote vip. Parecia que os flocos tinham vida. Dançavam uma dança improvisada que dependia do tamanho, da leveza, do peso de cada um. O vento dirigia o sentido dos movimentos. Alguns se arriscavam a chegar até o vidro da minha janela. Ficavam grudados. Aos poucos, se derretiam e saiam de cena... Aqui dentro tá quentinho... Levantei só quando a neve parou, não sei porquê, de cair.

Pode cair, neve! Caia à vontade! Que meus olhos nunca "adulteçam" e deixem de perceber este espetáculo! Sou sua fã! Seja sempre bem vinda!


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