quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Adooooro visitas !

Por que eu adoro visitas?

Porque tenho o maior prazer em apresentar Lyon e receber os amigos na minha casa.











Porque, com as visitas, tenho histórias para lembrar de mais de 5, 10, 15, 20 anos atrás ou mais. Então, se sentir uma pré adolescente é fácil...



Porque com as visitas também descubro lugares novos e vivo novas aventuras, como na linda cidade de Annecy!










Porque passar mal, depois de andar meia hora de pedalinho, é muito melhor quando estamos ao lado dos amigos... Eles nos entendem e já nos viram em situação muito pior...

Porque quem mora fora de seu país sabe como tem dias nos quais a saudade aperta e como os rostos, as vozes, os papos, as brincadeiras familiares nos fazem bem.


Porque as pessoas que me visitam são pessoas muito importantes na minha vida.









Porque minhas visitas me lembram quencossô, onquotô e o quecotô fazendo aqui. Elas me abastecem de amor e seguem seu caminhos...

E que voltem sempre!


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"À Moi" e a origem do Amar

Antes do começo, uma explicação: "à moi" é uma expressão francesa ( lemos: à muá) que significa, dentre outras coisas, o "é meu"em português.

Foi durante um jantar de terça feira que me veio a inspiração para este post. Há quase um mês não via a pequena Naïs. Estávamos com saudades e brincamos muito antes de nos sentarmos à mesa. Convidada à escolher o seu lugar, sentou-se entre mim e o Alex, claro. Então, ela me deu um abraço apertado. Que delícia! Apontando para mim, ela disse à sua mãe:
_Maman, ça est à moi!

#Tecla sap#
_ Mamãe, isto é meu.
Sua mãe respondeu imediatamente:
_Não Naïs, a gente não fala assim. A Carol não é sua. Você quer dizer que você a ama muito, mas ela não é sua.

Pronto! Lindo! Entre as duas primeiras garfadas de um inocente jantar, Naïs expressa o dilema do amar: tratar ou não o outro como um objeto que me pertence.


A mesma Naïs que tem pouco mais de 2 anos e que já corrige a minha pronúncia. Ela que começa a diferenciar o que é ela e o que é o outro. Ela que testa seus limites e os limites do outro o tempo todo. Ela que agora quer fazer tudo sozinha. A mesma Naïs que, há um mês, parou de usar fraldas...

Com essa história de parar de usar fraldas ela controla o batalhão de adultos ao seu redor. Um dia estávamos entrando na piscina e ela me disse:

_Xixi, Carol, rápido, xixi!
Então corri com ela para o banheiro. Ela sentou-se e... Nada. Então, ordenou:
_Agora você!
E como já estávamos lá mesmo, querendo dar exemplo, não parei para pensar na situação e obedeci. E foi aí que escutei as suas palavras quase num tom de ameaça:
_Carol, o padrinho não é seu. O padrinho é meu!

Nesse dia, fiquei sem resposta. Perdi o início daquilo que pode se tornar eterno. Pensei apenas na atitude pensada dela de me tirar do meio das outras pessoas, me chamar no cantão, me colocar na cadeirinha do pensamento e me dar uma bronca...

Todavia, sua mãe não foi tão tapada quanto eu e, no jantar, disse algo que todos deveríamos saber, a primeira lição do amor: "amar não é possuir".


Naïs me fez pensar na origem do amor: um sentimento que se aflora quando vivemos a plenitude do egocentrismo. Sua mãe o nomeia amor, mas para a pequena, o sentimento é de posse. Então, quando mesmo que aprendemos a separar o amor da possessão?


Você pode se dizer diferente de Naïs. Dizer que você ama a sua liberdade e que respeita a liberdade do outro. Tudo bem! Você ama o outro, mas ele pertence ao Universo? Ótimo! Contudo, que mal tem se esse outro se sente livre e quer ficar feliz ao seu lado? É ou não é, Naïs?

Sei lá... Penso que se ela aprendesse agora essa primeira lição do amor, talvez economizasse muitas lágrimas durante a vida, dinheiro em terapias e os ouvidos e ombros dos amigos. Entretanto, aprendendo essa lição, ela deixaria também de compreender os livros de romance, os filmes de amor e muitos poemas. Não compreenderia nunca as músicas sertanejas, ou melhor, a maioria das músicas brasileiras. Que sangue correria em suas veias artísticas?


Aiai... Queria dizer aqui que eu consigo fazer a total separação entre o amor e a possessão, e dar o exemplo para vocês, mas não posso mentir... E olha que a Vida insiste em me ensinar essa lição. Entretanto, depois que essa professora severa se acalma... Confesso que adoro cantar bem alto e com os olhos fechados os refrões mais melosos que existem. Talvez, eu prefira continuar burra, bebendo muita água para as lágrimas, trabalhando e ganhando dinheiro para as terapias... E viva MEUS amigos!

sábado, 31 de julho de 2010

Envelhecer na França

Imaginem a cena:
Eu na fila do supermercado com uma amiga, às 6 horas da tarde, comprando o jantar do dia. Na nossa frente, 5 senhoras com idade entre 75 e 100 anos, com seus carrinhos de compra. Então, falo: entramos na fila errada. Procuro uma placa que confirme o meu engano. Nada. Olho para as outras 3 filas e, em todas, vejo cabeças brancas. Comento: que estranho, neste supermercado, não há fila prioritária. E minha amiga responde: se tivesse, seria a maior!
E não é que ela tem razão!

A população da França envelhece a olhos vistos. Há 20.000 centenários e 20 milhões de pessoas com mais de 50 anos entre os 60 milhões de habitantes. Uma criança francesa tem a expectativa média de vida de 80 anos. Além disso, aqui há baixas taxas de doenças cardiovasculares, causa da abreviação de vida de muitos adultos, e, baixa taxa de mortalidade infantil, o que faz com que aqueles que nascem, um dia, envelheçam.


O que é que a França tem que a gente não tem? O hábito de tomar vinho vermelho? A dieta rica em peixe, frutas e legumes? Pode ser. Mas, e os croissants, os queijos, salames, os patês, as sobremesas e a mania de nutella? E a fartura de manteiga, banha, azeite e e óleo nas comidas? Comprar os alimentos light, diet, com 0% de gordura? Isso é uma heresia num país que presa tanto o sabor dos alimentos.

Só que apesar do apetite, eles são mais magros que a gente. Aqui não tem o culto ao corpo sarado e bombado dos brasileiros. Eles optam pelo natural e saudável. São mais ativos também. As cidades mais planas contribuem para eles trocarem o carro pela bicicleta, patinete ou pela caminhada rápida, diga-se de passagem. Nos metrôs, as escadas rolantes servem só para eles subirem ainda mais rápido. Eles envelhecem movimentando-se o tempo todo.

O gorveno francês também facilita a vida longa da população tanto no que diz respeito às ajudas financeiras, à garantia das férias, à aposentadoria digna, quanto ao sistema de saúde, praticamente gratuito e sem filas de espera.

Este último foi revisto e reestruturado, principalmente com relação à terceira idade, depois da onda de calor que atingiu a Europa, em agosto de 2003. O calor de 38 graus somado aos dias longos do verão, à falta de ar condicionado nas casas e às férias em massa dos médicos, acabou matando, na França, 15.000 pessoas. A maioria delas, idosos que moravam nas casas de repouso.

Contudo, o que acredito que seja o grande diferencial da França, que contribui para a vida longa da população, é a maneira de enxergar a velhice. Ela não é sinônimo de doença, dependência, apesar de que, um dia, isso possa acontecer. E, quando acontece, muitos idosos são enviados às "casas de repouso". Se não querem esse destino, o negócio é sair de casa sozinho e à pé com seu carrinho de compras. Voltar para casa e subir 4 andares e meio de escadas, como eu, só que sem reclamar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Em LONDRES

Fiz uma viagem inesquecível com minha mãe. Nosso primeiro destino foi Londres, a capital da Inglaterra e do Reino Unido.


Esta cidade global é um centro de referências em política, educação, entretenimento, mídia, moda, artes e cultura. Andando pelas ruas você pode encontrar uma grande diversidade de povos, culturas e religiões e ainda, ouvir mais de 300 idiomas.


Londres possui a rede de metrô mais antiga e extensa do mundo. E não é só embaixo da terra que há muito movimento, seu espaço aéreo também é o mais movimentado e é no aeroporto de Heathrow onde há a maior concentração de turistas internacionais.


O que escutei de português nas ruas foi algo impressionante. E depois que achei um bar que vendia coxinha e guaraná antártica, me senti em casa.


É um destino imperdível para quem quer viajar pela Europa. A cidade é linda! A maioria dos prédios comuns é feita com tijolos mais escuros do que os que temos no Brasil.

Isso, somado ao tempo nublado, quase constante, dá a impressão de que a cidade é escura. Mas há também os prédios super modernos que fazem parte do contraste mágico encotrado lá.

A vida cultural é intensa! Museus, pubs, boites, restaurantes e muitos teatros com musicais esperando os turistas 7 dias por semana.


Além do mais, a cidade tem o seu charme por abrigar o Palácio de Buckingham, família e guarda reais.






Para quem quer e pode gastar dinheiro, é um paraíso, primeiro porque a moeda de lá é a libra, que consegue ser mais cara que o euro, e depois porque a cidade é cheia de lojas de produtos eletrônicos e de roupas muito bacanas.


Entretanto, o turista com pouco dinheiro e cheio de energia que não quer ficar dentro de lojas e nem dentro de metrô, tem a possibilidade de fazer um tour à pé pela cidade. Olhando o mapa dá a impressão que os principais pontos turísticos que ficam próximos às margens do rio Tâmisa são longe uns dos outros. Mas é só impressão.



Garanto que quem tem disposição pode aproveitar muito de uma caminhada tanto pelos parques quanto pelas ruas, visitando os pontos mais importantes da cidade. Para isso, o tênis é sempre a melhor opção.














Aos interessados, ganhei de um amigo um roteiro excelente cheio de dicas da cidade. É só pedir e passar aqui em casa para pegar, rsrsrs.



Em VIENNE

Fui visitar esta cidade de 30.000 habitantes a 30 kilômetros ao sul de Lyon. Vienne é super antiga e fez parte do Império Galo Romano lá por volta do ano 47 a.C. Cortada pelo rio Rhône, ela fica entre Lyon e Avignon e tem na sua história fatos importantes relacionados à Igreja Católica e seus Papas.


Atualmente, ela é um centro comercial especializado em comida industrial, mas é o turismo quem alimenta grande parte da economia local, principalmente no mês de julho, quando acontece o Festival de Jazz.

E foi para assistir o Festival que fui conhecer a cidade. Estranhamente, neste ano, dois brasileiros estiveram presentes: Carlinhos Brawn e Mart'nália. Dizem que foi um sucesso. Não consegui comprar os ingressos e nem entender o que eles tem a ver com Jazz.

Mas meu interesse total foi para show da Norah Jones. Então, no início de março, o Alex comprou dois dos últimos ingressos prá gente.

Antes do show, passeando pela cidade, dei de cara com minha ídola. Fiquei imóvel olhando para ela enquanto meu cérebro tentava fazer o reconhecimento de uma mulher comum, agora de cabelos curtos, e menor do que eu. Depois, disse pro Alex: "era a Norah Jones". Apesar da insistência dele para ir atrás dela e tirar uma foto de nós duas, taí uma foto de paparazzi que não tive coragem de tirar...


Mas o que me interessa mesmo é ela cantando e isso foi bom demais!

O Festival acontece nas ruínas de um teatro romano enorme que tem uma acústica indescritível. O show começou com o pôr do sol e a Norah Jones se encarregou do resto para tornar a noite super romântica...




quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Sistema de Ensino na França


A França é reconhecida pela sua competência quando o assunto é educação. Acredito que esta fama de "inteligente" foi conseguida à partir do séc XVIII, o Século das Luzes. Nessa época, os pensadores iluministas acreditavam que os seres humanos podiam tornar o mundo melhor mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e engajamento político social. Isso tudo para fazer frente aos resíduos de tirania e superstição creditados ao legado da Idade Média. Com a ajuda posterior vinda dos pensadores humanistas, que também enfatizavam a importância do Homem e da racionalidade, a noção de Escola e a maneira de educar foram totalmente repensadas e reestruturadas. Nasce, na França, a consciência da importância de um sistema de ensino eficaz que tenha como objetivo o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos.

Não foi por acaso que escolhi esse destino para continuar meus estudos. Sempre tive a curiosidade em saber quais as diferenças entre a educação francesa e a brasileira. Quais são os prós e os contras? O que temos para aprender com eles? O que temos a ensinar? Como eles enxergam e tratam os alunos? Como é a preparação de um professor? O que eles sabem que não sabemos? O que eles fazem que não fazemos? E tudo isso relacionado ao ensino de dança para crianças?

Infelizmente, ainda não tenho todas essas respostas, mas aprendi como funciona o sistema escolar francês:

O ano letivo começa em setembro e termina em junho. As férias são divididas durante o ano: uma semana no fim de outubro, duas semanas para o Natal, uma semana em fevereiro (férias de inverno), duas semanas de férias na primavera e dois meses para as férias de verão! Faça as contas... bom demais!

Aqui, a escola é gratuita e laica dos seis anos, quando ela começa a ser obrigatória, até o pós doutorado ou até onde sua fome te levar. Ela deixa de ser obrigatória aos 16 anos. Normalmente, os pais colocam os filhos na escola maternal aos 3 anos, mas aí, têm que pagar. E pagam também se querem que seus filhos recebam uma educação religiosa, encontrada somente nas escolas privadas. Fora isso, durante toda a vida escolar pagam as taxas de inscrição anual. A mais cara é a do doutorado: 363 euros, por ano.

A educação da criança do 6 aos 10 anos é obtida no curso preparatório. Dos 11 aos 14 anos, no colégio. E dos 15 aos 17, na lycée, escola. Pela manhã, os alunos começam seus estudos às 8:30h e saem às 11:30h para almoçar. Voltam às 13:30h até às 16:30h. Um detalhe importante é que eles não têm aulas nas quartas-feiras. Um problema para os pais trabalhadores que é resolvido pelas "babás de quarta-feira". À partir dos 14 anos, o aluno pode optar por um curso profissionalizante, mas isso não lhe dá o direito de, depois, entrar em uma Universidade.

Para entrar na Universidade, o aluno tem que ter cursado os 3 anos da lycée, e fazer uma prova chamada Baccalauréat. É uma prova geral para todo mundo, diferentemente do vestibular para entrar em uma Universidade específica do Brasil. Depois, se o aluno quiser continuar seus estudos, basta se inscrever no mestrado, que são mais 2 anos de estudos, apresentando seu currículo, histórico escolar e seu projeto de estudo. Para o doutorado, a seleção é mais específica e depende do curso pretendido, acrescentando 3 anos na vida escolar.

Um estudante estrangeiro que, assim como eu, quer se aventurar a fazer um mestrado por aqui, ainda tem que comprovar o seu nível intermediário da língua francesa e ter os diplomas equivalentes aos exigidos. Eles analisam seu currículo, histórico escolar, seu projeto de estudo e depois te dão a resposta, no meu caso, POSITIVA! Uhuuuu!

Quase 70% dos estudantes que querem continuar seus estudos vão para as Universidades. Os cursos mais procurados são os de letras e os relacionados às ciência humanas. Entretanto, aqui, não é só os estudos universitários que são considerados estudos superiores. Há também as "Escolas Especializadas" e as "Grandes Escolas", que não são gratuitas.

As primeiras são escolas de nível superior ligadas aos estudos de artes, arquitetura, turismo e, também, de estudos na área paramédica.

Já as "Grandes Escolas" são consideradas o que há de melhor na educação superior francesa. Para entrar, o estudante, depois do baccalauréat, ainda tem que fazer dois anos de um curso preparatório para fazer uma prova. Passando na prova, ele entra para a Grande École e, quando sai, seu diploma tem equivalência ao mestrado, permitindo o acesso direto à tese de doutorado. Uma Grande École forma os melhores profissionais nas áreas de engenharia, agronomia, veterinária, educação, defesa e administração pública.

Acho que o Brasil tem muito o que aprender com o sistema de ensino francês, a começar pela gratuidade, pelo incentivo à pesquisa e qualidade incontestável. Além do mais, os políticos e governantes franceses são formados em uma Grande École, com exceção do atual presidente Sarkozy, criticado por ter 'apenas' um mestrado... Um pouquinho diferente do Brasil, né, Lula! Ei, companheiro! Tô falando com você!

Leia, aqui no blog, o que aprendi depois que escrevi esse post: "O Sistema de Ensino Francês: verdades para quem quer ler e enxergar"

E você quer mais dicas sobre morar ou estudar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!".

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Verão em Lyon

Lyon, quinta-feira, 1º. de julho, 3 horas da tarde, 34 graus. Mais de meia hora para escolher uma fantasia em uma loja que mais parecia um forno... Ah! E ser atendida por um senhor distímico que queria de todo jeito me empurrar uma fantasia estilo sexy shop. Velôs em greve... Não sei o motivo mas ontem não pude andar com as bicicletas de aluguel, pois todas as estações, por onde passei, estavam indisponíveis. Então, 4 quilômetros à pé, carregando compras. Nada de vento ou brisa. Imagino que dava para fritar um ovo no asfalto.
Claro que comecei a passar mal, a enxergar pontos pretos, a sentir enjôo. Mais 5 minutos e iria desmaiar...
Então avistei um oásis.


E não pensei duas vezes. Que delícia!


E esse é só o início do verão...
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