sábado, 7 de maio de 2011

Em Chambéry

Sexta-feira de folga... Que tal acordar bem cedo, preparar uma mochila com uma blusa de frio, comida e água, entrar em um trem e fazer um passeio na cidade de Chambéry, à 107km de Lyon, uma hora e 15 minutos de trem? O custo da passagem? 16,40 euros.


A cidade é pequena, muito agradável e pode ser visitada em um dia. Há visitas guiadas pelo centro histórico da cidade e alguns museus como o Museu Savoisien (que conta a história da cidade), Museu de Belas Artes, Museu de História Natural e uma Galaria Eureka, que é um centro super interessante de cultura científica, técnica e industrial.

A cidade pode ser pequena mas tem tudo o que que uma cidade grande tem, só que de maneira resumida. Sua história, ao contrário, é bem longa e diversificada, começando na época Gallo-romana. Momentos marcantes aconteceram na segunda guerra mundial, quando ela foi vítima de 3 bombardeios, que destruíram grande parte da cidade, feriram e mataram muitos habitantes.


Chambéry é conhecida pela sua estratégica posição geográfica. Ela se situa numa região entre França, Suíça e Itália. Em suas proximidades há três lindos lagos: du Bourget, d'Aiguebelette e St André, e três grandes parques naturais: Parc Naturel Régional du Massif des Bauges, Parc Naturel Régional de Chartreuse e Parc National de la Vanoise.


Assim, o turismo de Chambéry é forte mesmo quando o assunto é natureza. Para os amantes dos esportes de inverno, ou, na primavera-verão, para os amantes das escaladas, trilhas de bicicleta, canoagem, passeio à cavalo, caminhadas ecológicas (randonnées), Chambéry é um paraíso!


E foi mesmo com este espírito aventureiro, de entrar em contato direto e profundo com a Natureza, que escolhemos este destino.

Mas, agora, pensem em duas urbanóides convictas, juntas, achando que só porque tinham comprado seus super tenis especiais de randonnée no dia anterior, estavam aptas a entrar numa trilha na floresta e se sentir bem à vontade com isso...





Haja fôlego! Era medo de cobra, aranha, e vôos rasantes das abelhas gigantes... E prá descer os lugares super inclinados, escorregadios? Só mesmo ataques de riso para vencer o nervosismo e, é claro, confiar nos solados super aderentes dos nossos super tenis especiais de randonnée.






O bom foi achar uma mesa no meio da floresta, ideal para o nosso almoço piquenique, não!?





Depois da nossa loooooonga trilha, fomos visitar uma casa simples no alto de uma colina, cercada pela floresta e por um agradável jardim, perfeito prá colocar as pernas pro ar (reparem nossos novos tenis impermeáveis e com solados super aderentes!!!) e fazer uma siesta.



O antigo proprietário da casa era ninguém menos que um suíço chamado Jean-Jacques Rousseau, filósofo e teórico político do Iluminismo. Ele não morou lá por muito tempo, contudo suas idéias influenciaram tanto a Revolução Francesa, que este local virou uma casa-museu em sua homenagem.



Ô gente... não tô podendo reclamar da minha vida não! Sexta-feira de folga, passeio super agradável em Chambéry em contato direto e profundo com a Natureza...










Uma volta tranquila e relaxante de trem... E super tênis especiais de randonnée com solas aderentes... Nenhum tombo ou bolha prá contar história... Já estamos prontas prá próxima! Aguardem!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Segunda de Páscoa ?


Há muitas diferenças entre o Brasil e a França e a cada dia me surpreendo com novas descobertas.

Diferença 1 - Eu sei que prá nós, brasileiros, parece meio estranho, mas em alguns países da Europa e África, a Páscoa não é comemorada no domingo e sim na segunda. Este atraso não é uma questão de fuso horário mesmo porque aqui, no mês de abril, estamos 5 horas na dianteira. Além disso, sexta-feira, enquanto os brasileiros estavam em pleno feriadão, vivemos uma vida normal, mas hoje, segundona, ressaca no Brasil, feriado de Páscoa na França! Oba!

Dizem que a Páscoa passou a ser comemorada no século XI, e que nesta época, a comemoração durava a semana inteira, mas que, depois de uma concordata, acordo político-religioso, sobrou somente a segunda prá contar história.

Diferença 2 - Neste feriado francês, a tradição é fazer um piquenique reunindo os amigos e a família. Falando nisso tá aí uma mania francesa que eu adoro.

Francês vive 6 meses no frio bem frio. Quando chega a primavera com suas flores, sol, tempo "bonito", como eles dizem, nada de comer dentro de casa, ou restaurante. As mesinhas das ruas são as mais disputadas, mas a preferência mesmo é sair com sua toalhinha e cesta debaixo do braço para um parque, praça, ou qualquer outro lugar que tenha uma grama macia prá se sentar e ar puro prá respirar. E o que tem dentro da cesta de um típico piquenique francês? Esqueçam o frango com farofa (Diferença 3!!!)! Pães, queijos, quiches, tortas doces ou salgadas, ovo cozido, cuscus, salames, terrines, saladas, frutas, sucos, água e vinho, claro! E o importante de tudo isso é o momento de simplicidade e de compartilhar aquilo que você traz de bom! Muito simbólico e bonito, não?!

Ontem, Páscoa para o brasileiros no Brasil, Páscoa para as brasileiras aqui na França também... O piquenique antecipado no domingo aconteceu naturalmente sem a gente saber que a tradição era na segunda. Não sabíamos também que é proibido beber vinho no parque, e que se nos pegassem com nossas garrafas levaríamos multa (Diferença 4).

Diferença 5 - Dia de feriado na França é sinônimo de tudo fechado, inclusive a grande maioria dos restaurantes!

O que nos resta a fazer hoje é um outro piquenique aproveitando a tradição francesa, o exagero brasileiro das compras de ontem e as dicas de mudança de embalagem das bebidas...


Feliz Segundona de Páscoa prá vocês também!


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Estudar Francês na França: resposta à C.M.

Este post é uma resposta que escrevo à um e-mail de uma leitora que me pediu algumas dicas para sua filha que quer vir estudar francês em Lyon. Como tenho recebido outros e-mails semelhantes, resolvi deixar este registrado aqui, pois pode esclarecer dúvidas de outras pessoas.

C.M.,
Acho que a
idéia da sua filha morar aqui durante 6 meses para estudar francês é ótima! Porque na verdade, formar meio ano, ou mesmo um ano mais tarde não faz diferença nenhuma na vida de uma pessoa, né?! Mas a experiência de morar fora de seu país, conhecer uma nova cultura, falar uma outra língua, conhecer pessoas do mundo inteiro, isso sim faz diferença. Tô aqui prá estudar, mas o mestrado é uma pequena parte de tudo o que eu estou aprendendo. O conhecimento de mundo que estou adquirindo e, principalmente, o conhecimento sobre mim mesma, são bem maiores e super valiosos.

Quanto à escolha da cidade de Lyon, sou suspeita para falar porque adoro morar aqui. É uma cidade grande, com toda a infra-estrutura necessária, mas ela é pequena o suficiente para você encontrar com seus conhecidos na feira, no metrô ou mesmo para você, na primavera, trocar o transporte público por uma bicicleta.

Questões práticas:
Qualquer brasileiro tem o direito de ficar na França por 3 meses sem visto, estudando ou como turista mesmo. Mais do que isso, é necessário um visto. E como já disse
aqui, nós só conseguimos o visto se estamos inscritos em um curso de 20 horas semanais. Você não me falou se sua filha fala francês ou não, mas na minha experiência, à partir do 4º mês que me deu um 'clic' e que eu comecei a compreender melhor e a conseguir me expressar.

Quando cheguei, estudei na
Université Lyon II, no departamento chamado CIEF. Foi um curso muito bom que eu aconselho, mesmo porque, quando você faz o curso dentro da universidade, parece que você está fazendo um curso universitário e você tem os mesmos direitos dos outros alunos, como os almoços no restaurante Universitário por 3 euros (entrada, prato e sobremesa), fazer esporte por 10 euros por ano (mais de 20 opções de cursos), assistência médica (4 euros pagos na taxa de inscrição). Além disso, você pode se aventurar a seguir alguma aula de seu interesse em um outro curso, utilizar a biblioteca e conhecer gente do mundo todo.

Entretanto, o curso da Universidade segue o ano
letivo, que aqui começa em setembro e termina no início de junho (as inscrições acabam no final de maio!!!). Ele é dividido em dois semestres: o primeiro de setembro à janeiro e o segundo de fevereiro à junho.

Como sua filha vai chegar aqui em
agosto, se ela não quiser ficar um mês de férias ( e prá te falar a verdade, o mês de agosto é um mês que todo mundo viaja e que Lyon fica super vazia), o melhor é ela se inscrever por um mês em uma escola de idiomas, como na Alliance Française. Lá os cursos são mensais e ela ainda pode fazer cursos extras de gramática ou de fonética, por exemplo. Assim, ela já começa a se enturmar, a conhecer a cidade e pode aproveitar os passeios turísticos proporcionados pela escola nos finais de semana.

Segue alguns preços prá vc ter idéia de algumas despesas:
• Curso de Francês:
- Université Lyon II, 4 meses
Cours Intensifs - 280 h - 1700 €
Cours Semi-intensifs - 210 h - 1020 €
-Alliance Française, 3 meses
Cours Intensifs - 280 h - 1706 €
Cours Semi-intensifs - 210 h - 1148€

• Alojamento:
- Residência Universitária Pública (CROUS) : à partir de 165 € por um quarto de 9m2
- Setor Privado (chambre ou studio) : entre 200 et 550 € par mois

• Alimentação
:
- 1 refeição no Restaurante Universitário : 3,00 €
- 1 sandwiche à la cafétéria universitaire : à partir de 1,80 €
- 1 refeição em restaurante da cidade : à partir de 9,00 €
- 1
baguette de pão : 0,80 € em média

• Transporte:
- Carta de transporte (TCL) tarifa estudante: menos de 26 anos = 25,60 € por mês, mais de 26 anos = 52,00 €
- 10 tickets (tarif étudiant) 12,20 €

Espero ter tirado algumas dúvidas, mas se tiver mais questões, não hesite em me escrever!

Bon courage!

Carol

Algum outro leitor quer mais dicas sobre morar ou estudar na França? Então clique AQUI e "fale comigo, fale com a gente!".

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pequenas Delícias de um Dia Qualquer


Confesso: matei aula prá ir ao cinema! O sol brilhando lá do lado de fora, o céu super azul e eu dentro de uma sala construída para o inverno de temperaturas a baixo de zero, mas que se transforma em uma sauna numa primavera de 25 graus...

Meu professor dando uma aula super monótona de 3 horas e meia sobre "A Atenção". Falando nisso, não consegui prestar atenção no que ele falava (e ele também não, senão teria dado uma aula mais dinâmica). Eu olhei para o relógio, 2:10h. Depois de mais de meia hora, 2:17h. Nossa! Que vontade de dar um grito e sair correndo!

O que eu estava mesmo fazendo dentro daquela sala assistindo a uma aula-conferência? Ah! Aula de mestrado. Mes-tra-do, Carolina, concentre-se! Você está aqui prá isso, lembra?

Ah! É. Mas minha semana está muito atípica com a estréia do espetáculo de dança no qual eu danço, mesmo com minhas novas muletas, fruto de uma entorse no sábado. Contudo, nem a entorse, nem as muletas foram capazes de me parar. Estou tão contente por ter voltado a dançar que no domingo à noite propus à minha professora adaptar minha participação. Como disse antes, ela fala a minha língua e adorou a idéia. Então, estreiei ontem de muleta e feliz!

Voltando ao mestrado e às aulas conferências, aqui na França isso é muito comum. Deparei-me muito mais com professores conferencistas do que com professores educadores. Os conferencistas são aqueles que detém o saber e que expõem seus preciosos conhecimentos e ponto. Nada de relação, nada troca. Pouco importa se o aluno está com a atenção lá ou não.

Isso foi um choque para mim quando minhas aulas começaram. Eu estava acostumada com professores educaDORes, aqueles que partem da dor de um não saber e a transformam em fome de conhecimento. Estava acostumada com relação dentro da sala de aula, com a possibilidade de me identificar com a pessoa, com o profissional, com a sua paixão pelo novo saber.

Por ter estudado muitas teorias sobre educação de origem francesa, achava que fazer parte da Universidade aqui seria como beber água diretamente da fonte. Enganei-me. Como já disse, a teoria mora muito longe da prática. Nesta prática, assisto aulas-conferências, com professores especialistas nas funções cerebrais, mas que mesmo com todo os seus conhecimentos sobre como potencializar os processos de aprendizagem, são capazes de dar aula todo dia na mesma posição, mesmo tom de voz, mesmo tipo apresentação de power point, mesma roupa... Meu cérebro não consegue diferenciar os dias diferentes de aula.

Hoje, eu olhava para os lados, a sala cada dia mais vazia. (Esse esquemão da Universidade é uma espécie camuflada e injusta de seleção natural). Procurei um olhar, um sorriso, alguém que compartilhasse do meu tédio. Encontrei! Risos de cumplicidade. Mas meus outros colegas estavam super concentrados olhando para o professor e fazendo cara de que estavam entendendo tudo. Digitavam sem parar e super rapidamente em seus computadores. Nossa! Prá que tudo isso? Uns verdadeiros robôs!!! É que eles estão acostumados. Para eles, aula é isso desde todo o sempre. Mas prá mim não. O que me resta é meu caderninho e meus desenhos floridos: e viva a Primavera!

Tem dias que a gente tem que admitir que não dá prá assistir aula, pegar a muleta, dizer "au revoir" e sair. Rue de la République é uma rua daqui de Lyon feita para pedestres. Ela é super charmosa, cheia de lojas, cafés e restaurantes. Com o dia maravilhoso, ela estava lotada de gente. Adoro gente! E que gostoso sentir o sol na minha pele e o vento mais quente atrapalhando meu cabelo. (Tchau, inverno!). É nessa rua que fica meu cinema preferido e é prá lá que eu fui! Cineminha e pipoca no meio da tarde... hummm... não tem preço! Pequenas delícias de um dia qualquer...

sexta-feira, 25 de março de 2011

PAQUERAR NA FRANÇA

Já vou logo anunciando o que me dizem as estatísticas: o casal "duradouro" formado por brasileira-francês é muuuuuuiiiito mais comum do que o casal francesa-brasileiro. Hoje eu entendo melhor o porquê. Para que vocês o entendam também, criemos juntos uma personagem hipotética, de nome Iracema, uma linda brasileira, solteira, que resolve passar uns tempos na França, talvez para... estudar!? Ah! E vamos supor que ela não tenha lido meu post sobre "Verdade Universal: só para Mulheres" e que, no fundo, ela procure aqui seu príncipe encantado. Ela pensa ser uma procura bem lógica, visto a quantidade de castelos e homens bonitos encontrados aqui na França.

Falando nisso, deixemos a criação e descrição do perfil de Iracema de lado, e falemos mais sobre os bonitos homens franceses. Como já disse, aqui tem aos montes. Generalizando, e falando de uma primeira impressão, eles são charmosos, interessantes, "viajados", falam francês super bem e para isso têm uma voz mais grave, sexy (ui!). São românticos e criativos a ponto de te dizer algumas pérolas como "seu sorriso porta o sol" (aaaahhhh! C'est mignon!). Com certeza Iracema nunca escutou isso da boca de um brasileiro.

Então, nossa personagem imaginária, recém chegada, já decide ir à luta e sai para a balada francesa, sozinha mesmo, com seu questionário "seleção-natural" dentro da bolsa. Em pouco tempo ela, inteligente como ninguém, percebe que em boites onde só há estudantes, além de só ter estudantes (que geralmente vão onde a entrada é gratuita e as bebidas são mais baratas, perfil um pouco diferente do seu ideal de príncipe encantado), eles estão mais interessados em beber e pirar do que conhecer uma plebéia. Além disso as músicas altíssimas e a sua dificuldade de falar francês a impedem de fazer suas "perguntas-triagem". Mas ela aproveita a música e dança.

Então, ela economiza seu dinheirinho durante a semana e nos finais de semana vai em boites onde é preciso pagar para entrar, beber e respirar. Muitos gatinhos, muitas trocas de olhares e pouca conversa. A galera bebendo e pi-ran-do. Iracema dança e ganha vida!

Ela se lembra do esquema das casas de forró do Brasil e decide aprender salsa (uma febre por aqui), na night e na marra mesmo, prá não perder mais tempo. Percebe que os franceses que dançam salsa estão lá para dançar salsa e que, quando dançam com ela, nem percebem que ela não sabe dançar porque não há relação entre as pessoas que estão dançando, entendem?

Ela, já cheia de bolhas nos pés, desiste dos lugares dançantes e descobre os "pubs", onde há uma grande concentração de homens, que ficam bebendo e conversando com seus amigos, ou fumando do lado de fora. Bom, Iracema não fuma, mas a idéia de começar a fumar para poder puxar papo com alguém, ao perguntar se a pessoa tem fogo, passa pela sua cabeça, mas vai embora. Felizmente, como já disse e reafirmo, ela é inteligente e não está tão desesperada assim, né Iracema?

Iracema percebe que os homens franceses são muito mais "tímidos" que os brasileiros, e como ela também é um pouco tímida, começar uma conversa com alguém é sempre uma batalha.

O tempo passa e nada de Iracema encontrar seu príncipe encantado. Um dia, ela percebe algo que a deixa preocupada: "nas baladas, é raro eu ver um casal se beijando, mas é muito comum eu ver vômitos pela rua. Seria isso uma preferência francesa?". Iracema já está desesperada.

De tpm e com o "mal do país", ela deixa de lado seus planos de casamento e decide sair para comer mesmo. Procura algo bem prejudicial para a saúde, cheio de gordura e calorias e vai à uma lanchonete especializada nisso, e que, ao mesmo tempo, é uma "baladinha" porque, "nunca se sabe, né gente?!" Então, depois de ter comido e de passar horas trocando olhares com um pretendente, ele, uau!, toma coragem e vai conversar com a moça dos olhos de mel. A conversa flui! Coincidentemente eles haviam pedido o mesmo menu prejudicial e isso foi o gancho para uma maravilhosa conversa. Iracema, que era só sorriso, consegue fazer seu interrogatório. Seu candidato obtém uma ótima nota. No fim da noite, na qual eles só conversaram, ele diz: "eu te deixo meu número" (de telefone, claro). Iracema, que estava encantada, mas também de tpm, murcha e se pergunta: "o que vou fazer com o número dele? Eu joguei todo o meu charme e ele não gostou de mim! Por que ele não se interessou por mim e pediu o meu número?".

_ Ah, Iracema! Vamos parar de trololó e simplificar isso porque eu já estou cansando! Eu te explico: quando um francês te deixa o número dele, quer dizer que ele está interessado em você. Se você estiver interessada, pode ligar, ou melhor, não liga não! Manda uma mensagem. É! Aqui eles usam o telefone muito mais para enviar mensagem do que para conversar diretamente com a pessoa. Mas não manda hoje não. Espera pelo menos um dia, faz parte do jogo. Então, diz que você achou a soirée simpática, que você gostou de conhecê-lo e que...
_Mas, Carol, você sabe que no Brasil é o homem que toma essa iniciativa.
_Eu sei, Iracema! Mas aqui é diferente! Você está morando onde agora? Francês morre de medo de levar um fora e acha polido te deixar à vontade prá decidir. Para terminar sua mensagem, você pode convidá-lo para tomar um café ou "um copo" (expressão francesa). E não manda 'um beijo' não!!!
_Ah, não! Acho isso tudo muito estranho!
_Minha filha, então desiste e vai fazer outra coisa da sua vida, ampliar seus horizontes! Fique sabendo que você está concorrendo com as francesas e prá elas isso é mais do que normal! Estranho aqui é quando eu falo como os homens brasileiros agem. Elas acham as atitudes muito diretas e invasivas, porque elas são acostumadas tanto com o tomar a iniciativa quanto com esse tempo looooongo dos franceses. Por isso é que o casal francesa-brasileiro é menos comum.
_Não sei se consigo, Carol. Tô pensando em voltar pro Brasil.
_Ai! Pára com isso, mulher! Consegue, sim!
_E se ele disser não?
_ Não vai dizer não. Deixou o número dele com você: essa é a lógica deles. Correndo tudo bem, ele vai assumir as mensagens e vai te convidar para jantar num restaurante, e havendo interesse das duas partes, podem se considerar namorados.
_Dá até um frio na barriga, Carol!
_Para te encorajar, vou te falar que nós brasileiras temos uma grande vantagem: somos brasileiras!
_E?
_E a mulher brasileira é o sonho de consumo da grande maioria dos franceses. Para eles, a mulher brasileira é o máximo do máximo! Então, quando eles vierem com a indireta do "você tem um 'pequeno' sotaque", maneira polida de perguntar de qual canto do mundo a gente veio, aproveite o momento e fale devagar para perceber a modificação da fisionomia dele: "é que eu sou bra-si-lei-ra". Você já ganha diretamente 10 pontos. Quer pontos extras? Continue sorrindo e dançando, raridades preciosas por aqui! Mas abra seu olho porque homem-mala existe no mundo todo!
_Por que você não me disse isso antes? E onde você aprendeu tudo isso?
_Não revelo minhas fontes. Ah! E tem uma coisa: acrescenta aí na sua lista de perguntas procura-marido se o sujeito tem namorada ou esposa, porque aqui é muito normal ter amante. É quase que um valor prá eles. E, com o tempo, você vai descobrir como o francês pode ser cara-de-pau a esse respeito. Bom, mas depende do que você quer prá sua vida.
_Não quero ser amante não! Eu quero me casar e ser feliz para sempre! Obrigada pelas dicas, Carol. (Iracema faz anotações no seu caderninho).
_Iracema, me escuta: antes de mais nada, leia atentamente o post que eu escrevi em parceria com mulheres de várias nacionalidades. Ele pode esclarecer algumas questões importantes prá sua vida. Você é meio estranha, sabia? E... Aqui, você não tem amigas para te dar conselhos, não?
_É claro que tenho, Carol!


Pensando bem... Pára tu-do! Acho que não foi uma boa idéia deixar a criação do perfil de Iracema de lado e começar a falar de homem. Quando tiver mais tempo, vou reescrever este texto!!!


quarta-feira, 23 de março de 2011

Meu Universo Particular

Tudo começou quando eu tinha 4 anos e minha mãe me matriculou numa escola de balé (en français: ballet). Eu fazia aulas de clássico e a primeira vez que coloquei os pés num palco foi para dançar a música "A Bailarina" do recém lançado disco "Casa de Brinquedos", isso há muuuuuiiiito tempo atrás.

A dança passou a fazer parte da minha vida. Cresci fazendo aulas de clássico, jazz, sapateado, dança de salão, dança moderna e contemporânea. No meu último ano de faculdade, consegui dois estágios, que se tornaram empregos, porque, além dos conhecimentos em psicologia, dançava. Comecei a trabalhar com a dança e a psicologia.

Mas faltava alguma coisa. Então, iniciei meus estudos em psicomotricidade e me matriculei em um curso de teatro. Pronto! E a partir daí foi prática, prática e mais prática.

Mas faltava alguma coisa. Então fiz outros cursos, dentre eles, curso de Leitura Corporal, Pedagogia do Movimento para o Ensino de Dança, curso de Terapia de Casal e de Família. Aprendi muito nos lugares em que trabalhei, com os profissionais com quem trabalhei, com meus colegas, clientes e com minhas alunas-lindas-maravilhosas.

Mas faltava alguma coisa. Então, resolvi vir para a França continuar meus estudos. Queria aprender mais. Entretanto, não posso negar que há um choque cultural quando você sai do Brasil para viver aqui. Brasileiros x Franceses... Nós somos diferentes. Todos temos nossos pontos positivos e negativos. Contudo, é verdade quando dizem que, no geral, os franceses são mais individualistas, menos falantes, calorosos, risonhos... Ainda bem que há exceções, mas nem sempre la vie de um estrangeiro e de sangue latino na França é rose.

No meu Universo particular brasileiro, habitavam pessoas ligadas às artes, pessoas que amavam refletir e trocar idéias sobre o ser humano, as relações, os sentimentos. No meu Universo particular as pessoas trabalhavam com malhas de dança e eram capazes de ficar descalças o dia inteiro. As pessoas rolavam no chão, se penduravam em paredes, e se sentiam muito bem quando estavam com "tudo doendo" (um masoquismo que bailarino entende). No meu Universo particular, as pessoas "piravam" na criação de coreografias, cenários, figurinos e escolha de músicas. Havia troca entre as pessoas: elas se tocavam, se abraçavam e se olhavam de verdade. E eu, aqui, vivendo no muito "polido mundo francês", sentia muita falta disso tudo.

Em janeiro, decidi reiniciar a minha vida esportiva e comecei a fazer aula de Ioga. A professora, também professora de dança contemporânea, me falou do seu grupo e me convidou para participar de uma montagem de espetáculo. Aceitei.

Primeira aula: "trabalhar o animal que existe dentro de você". Foi amor à primeira vista, ao primeiro toque, ao primeiro movimento, à primeira troca. Sentí-me muito bem fazendo parte desta manada. Para minha felicidade, agora, meu Universo particular se expandiu e é habitado também por 19 franceses, 1 alemã, 1 espanhola, 1 chinesa e 1 russa.
















Pessoas tão diferentes mas que compartilham a mesma alegria, a mesma paixão, a mesma loucura.

Posso dizer que agora me sinto mais em casa.

Finalmente encontrei pessoas que falam a minha língua!




segunda-feira, 7 de março de 2011

Cidade Maravilhosa

Enquanto o Brasil está em pleno verão, Carnaval, nós aqui ainda estamos "curtindo" o inverno looooooongo. Na verdade, vai chegando uma hora que frio cansa... Desde novembro, para sair de casa, ter que colocar: calça térmica, calça normal, blusa de mangas compridas, blusa térmica, casacão, meias, botas, cachecol, gorro, luvas... Isso prá andar nas ruas, porque quando você entra em algum lugar, a climatização é inspirada no verão carioca e você tem que tirar quase tudo rapidamente antes de começar a suar... Vida difícil...

É Carnaval aqui também, mas nada de folia além do normal. O que muda mesmo a rotina da cidade é um dia ensolarado. Os franceses aproveitam a super temperatura de 9 graus e lotam os parques, as praças, os cafés e restaurantes que têm suas mesinhas ao sol. Ontem o dia foi assim. A cidade fica ainda mais maravilhosa, cheia de encantos mil... Impossível não registrar!















































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