Já vou logo anunciando o que me dizem as estatísticas: o casal "duradouro" formado por brasileira-francês é muuuuuuiiiito mais comum do que o casal francesa-brasileiro. Hoje eu entendo melhor o porquê. Para que vocês o entendam também, criemos juntos uma personagem hipotética, de nome Iracema, uma linda brasileira, solteira, que resolve passar uns tempos na França, talvez para... estudar!?

Ah! E vamos supor que ela não tenha lido meu post sobre
"Verdade Universal: só para Mulheres" e que, no fundo, ela procure aqui seu príncipe encantado. Ela pensa ser uma procura bem lógica, visto a quantidade de castelos e homens bonitos encontrados aqui na França.
Falando nisso, deixemos a criação e descrição do perfil de Iracema de lado, e falemos mais sobre os bonitos homens franceses. Como já disse, aqui tem aos montes. Generalizando, e falando de uma primeira impressão, eles são charmosos, interessantes, "viajados", falam francês super bem e para isso têm uma voz mais grave, sexy (ui!). São românticos e criativos a ponto de te dizer algumas pérolas como "seu sorriso porta o sol" (
aaaahhhh! C'est mignon!). Com certeza Iracema nunca escutou isso da boca de um brasileiro.
Então, nossa personagem imaginária, recém chegada, já decide ir à luta e sai para a balada francesa, sozinha mesmo, com seu questionário "seleção-natural" dentro da bolsa. Em pouco tempo ela, inteligente como ninguém, percebe que em boites onde só há estudantes, além de só ter estudantes (que geralmente vão onde a entrada é gratuita e as bebidas são mais baratas, perfil um pouco diferente do seu ideal de príncipe encantado), eles estão mais interessados em beber e pirar do que conhecer uma plebéia. Além disso as músicas altíssimas e a sua dificuldade de falar francês a impedem de fazer suas "perguntas-triagem". Mas ela aproveita a música e dança.
Então, ela economiza seu dinheirinho durante a semana e nos finais de semana vai em boites onde é preciso pagar para entrar, beber e respirar. Muitos gatinhos, muitas trocas de olhares e pouca conversa. A galera bebendo e pi-ran-do. Iracema dança e ganha vida!
Ela se lembra do esquema das casas de forró do Brasil e decide aprender salsa (uma febre por aqui), na night e na marra mesmo, prá não perder mais tempo. Percebe que os franceses que dançam salsa estão lá para dançar salsa e que, quando dançam com ela, nem percebem que ela não sabe dançar porque não há relação entre as pessoas que estão dançando, entendem?
Ela, já cheia de bolhas nos pés, desiste dos lugares dançantes e descobre os "pubs", onde há uma grande concentração de homens, que ficam bebendo e conversando com seus amigos, ou fumando do lado de fora. Bom, Iracema não fuma, mas a idéia de começar a fumar para poder puxar papo com alguém, ao perguntar se a pessoa tem fogo, passa pela sua cabeça, mas vai embora. Felizmente, como já disse e reafirmo, ela é inteligente e não está tão desesperada assim, né Iracema?
Iracema percebe que os homens franceses são muito mais "tímidos" que os brasileiros, e como ela também é um pouco tímida, começar uma conversa com alguém é sempre uma batalha.
O tempo passa e nada de Iracema encontrar seu príncipe encantado. Um dia, ela percebe algo que a deixa preocupada: "
nas baladas, é raro eu ver um casal se beijando, mas é muito comum eu ver vômitos pela rua. Seria isso uma preferência francesa?". Iracema já está desesperada.
De tpm e com o "mal do país", ela deixa de lado seus planos de casamento e decide sair para comer mesmo. Procura algo bem prejudicial para a saúde, cheio de gordura e calorias e vai à uma lanchonete especializada nisso, e que, ao mesmo tempo, é uma "
baladinha" porque, "nunca se sabe, né gente?!" Então, depois de ter comido e de passar horas trocando olhares com um pretendente, ele, uau!, toma coragem e vai conversar com a moça dos olhos de mel. A conversa flui! Coincidentemente eles haviam pedido o mesmo menu prejudicial e isso foi o gancho para uma maravilhosa conversa. Iracema, que era só sorriso, consegue fazer seu interrogatório. Seu candidato obtém uma ótima nota. No fim da noite, na qual eles só conversaram, ele diz:
"eu te deixo meu número" (de telefone, claro). Iracema, que estava encantada, mas também de tpm, murcha e se pergunta: "
o que vou fazer com o número dele? Eu joguei todo o meu charme e ele não gostou de mim! Por que ele não se interessou por mim e pediu o meu número?".
_ Ah, Iracema! Vamos parar de trololó e simplificar isso porque eu já estou cansando! Eu te explico: quando um francês te deixa o número dele, quer dizer que ele está interessado em você. Se você estiver interessada, pode ligar, ou melhor, não liga não! Manda uma mensagem. É! Aqui eles usam o telefone muito mais para enviar mensagem do que para conversar diretamente com a pessoa. Mas não manda hoje não. Espera pelo menos um dia, faz parte do jogo. Então, diz que você achou a soirée
simpática, que você gostou de conhecê-lo e que...
_Mas, Carol, você sabe que no Brasil é o homem que toma essa iniciativa.
_Eu sei, Iracema! Mas aqui é diferente! Você está morando onde agora? Francês morre de medo de levar um fora e acha polido te deixar à vontade prá decidir. Para terminar sua mensagem, você pode convidá-lo para tomar um café ou "um copo" (expressão francesa). E não manda 'um beijo' não!!!
_Ah, não! Acho isso tudo muito estranho!
_Minha filha, então desiste e vai fazer outra coisa da sua vida, ampliar seus horizontes! Fique sabendo que você está concorrendo com as francesas e prá elas isso é mais do que normal! Estranho aqui é quando eu falo como os homens brasileiros agem. Elas acham as atitudes muito diretas e invasivas, porque elas são acostumadas tanto com o tomar a iniciativa quanto com esse tempo looooongo dos franceses. Por isso é que o casal francesa-brasileiro é menos comum.
_Não sei se consigo, Carol. Tô pensando em voltar pro Brasil.
_Ai! Pára com isso, mulher! Consegue, sim!
_E se ele disser não?
_ Não vai dizer não. Deixou o número dele com você: essa é a lógica deles. Correndo tudo bem, ele vai assumir as mensagens e vai te convidar para jantar num restaurante, e havendo interesse das duas partes, podem se considerar namorados.
_Dá até um frio na barriga, Carol!
_Para te encorajar, vou te falar que nós brasileiras temos uma grande vantagem: somos brasileiras!
_E?
_E a mulher brasileira é o sonho de consumo da grande maioria dos franceses. Para eles, a mulher brasileira é o máximo do máximo! Então, quando eles vierem com a indireta do "
você tem um 'pequeno' sotaque", maneira polida de perguntar de qual canto do mundo a gente veio, aproveite o momento e fale devagar para perceber a modificação da fisionomia dele: "
é que eu sou bra-si-lei-ra". Você já ganha diretamente 10 pontos. Quer pontos extras? Continue sorrindo e dançando, raridades preciosas por aqui! Mas abra seu olho porque homem-mala existe no mundo todo!
_Por que você não me disse isso antes? E onde você aprendeu tudo isso?
_Não revelo minhas fontes. Ah! E tem uma coisa: acrescenta aí na sua lista de perguntas procura-marido se o sujeito tem namorada ou esposa, porque aqui é muito normal ter amante. É quase que um valor prá eles. E, com o tempo, você vai descobrir como o francês pode ser cara-de-pau a esse respeito. Bom, mas depende do que você quer prá sua vida.
_Não quero ser amante não! Eu quero me casar e ser feliz para sempre! Obrigada pelas dicas, Carol. (Iracema faz anotações no seu caderninho).
_Iracema, me escuta: antes de mais nada, leia atentamente
o post que eu escrevi em parceria com mulheres de várias nacionalidades. Ele pode esclarecer algumas questões importantes prá sua vida. Você é meio estranha, sabia? E... Aqui, você não tem amigas para te dar conselhos, não?
_É claro que tenho, Carol!

Pensando bem... Pára tu-do! Acho que não foi uma boa idéia deixar a criação do perfil de Iracema de lado e começar a falar de homem. Quando tiver mais tempo, vou reescrever este texto!!!